Mostrando postagens com marcador Caio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Caio. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Neofobia e outras desculpas

Mais de um mês desde a última vez que eu vim aqui. Não consigo mesmo ser estável. Droga.
Não é exatamente como se os outros sentissem a minha falta, mas ocorre que eu sinto falta da pessoa que eu sou depois que entro aqui, digo uma ou duas baboseiras e saio leve, para mim e para o mundo. Mas nem para dizer coisas sem sentido eu tive tempo durante Agosto, que foi um mês que passou por mim como um susto. É, definitivamente não haveria definição melhor. Agosto foi o meu soco no estômago, o meu sonho com face de realidade. Preciso dizer, Agosto por mim valeu por um ano inteiro, me trouxe (e, porque não?, me tirou) mais coisas que os últimos cinco verões. Agosto surgiu com tanta importância que para mim se tornou Agosto, o substantivo próprio. Agosto veio e passou e só deixou em mim esse não entendimento das coisas.
Em Agosto eu me formei, com direito a capelo, beca, uma semana de festas e baile de formatura. É, eu sei, já está todo mundo cansado dessa ladainha do "como será daqui para frente?". Eu estou cansada, vale dizer. Também sei que todo mundo já passou por isso, só que não adianta as pessoas ficarem me repetindo que tudo vai ficar bem, porque por mais que isso seja gentil, em verdade não diminui em nada o meu desespero. O fato é que eu me formei e, insira aqui um palavrão muito intenso, E AGORA? Me entendam, por favor, porque eu preciso escrever sobre isso, preciso estar ciente disso, preciso falar sobre esse assunto praticamente o tempo todo até que finalmente eu vou entender o sentido real de tudo e sobre como as coisas serão daqui pra frente - porque, surpreendentemente, eu tenho um plano.
Sim, eu tenho um plano bonito e a longo prazo e, se tudo der certo, vocês não somarão a minha pessoa à estatística de desemprego. Não, o meu "e agora?" não se refere ao que eu vou fazer da vida, mas sim como e quando eu vou fazer algo a respeito. Porque por enquanto, e não me orgulho do que vou dizer, eu não tive coragem sequer de ir à faculdade requerer um certificado de conclusão de curso, muito menos de ir à OAB fazer a minha inscrição. Não porque eu não sei o que fazer da vida - isso já está escrito desde o primeiro dia no curso de Direito, afinal. O problema é que eu não sei como.
Se eu tivesse me formado em medicina, diria que estou morrendo de medo de começar a trabalhar em um hospital e acabar matando cada paciente que passar pelas minhas mãos. Perder um prazo ou elaborar uma tese ruim pode não ser tão drástico, mas ainda assim é aterrorizante. Estar em uma audiência, fazer defesa oral, impetrar um recurso... Tudo isso me tira o sono. Até parece que eu não estudei 5 anos para tudo isso, que nunca fui ao Fórum, que não passei na OAB. A sensação que eu tenho é que não aprendi nada na faculdade. Mesmo que lá no fundo eu saiba que vou me sair bem e que é absolutamente normal, no início, duvidar de mim mesma... Ainda assim essa neofobia adquirida não me deixa dar um passo sequer à frente. O novo é assustador e congelante. Eu poderia facilmente pular essa parte inicial e ir direto àquela em que sou alguém experiente no que eu faço, porque, por enquanto, ser novata nessa coisa de ser gente grande não tem me atraído nem um pouco.
Agosto foi tão definitivo que se foi há cinco dias, mas aparentemente ainda está aqui, pairando pelo ar, me empurrando para o meu próximo grande passo. A verdade é que não escrevi nada durante Agosto porque estava muito ocupada tentando viver o turbilhão de coisas que estavam reservadas a mim nos seus 31 dias. Não sei se estou pronta para setembro, que deverá ser simples, porém mais breve que qualquer outro mês que eu já vivi. Setembro é o janeiro do momento, é o recomeço de tudo, o "era um vez" da minha nova história - história essa que, Deus me proteja, não faço ideia de como começar a escrever.


Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro - e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco. É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. Então dizer mentalmente ah!, escrever tanto de tanto de mil novecentos e tanto e ir em frente. Este é um ponto importante: ir, sobretudo, em frente. - Caio F. Abreu.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Agradecimentos monográficos

Ou: Como dizer “obrigada por tudo” a quem se ama 

 Ao som de There is a light that never goes out – The Smiths 

Ao longo da minha curta existência eu fui recendo lições demasiadamente preciosas e que foram categóricas para determinar a pessoa que eu viria a me tornar. Porém, nada até hoje foi mais precioso que um ensinamento que só recentemente eu consegui compreender e é por finalmente ter aprendido essa lição tão bonita que hoje eu agradeço a todos aqueles que a cultivaram em mim. 
Ao meu grande Pai, maior que qualquer adversidade e que esteve ao meu lado todos os dias dessa jornada. Graças à companhia dele eu pude trilhar esse longo caminho sempre em paz, em segurança e certa de que estava realizando um sonho. Ao Meu Deus, que foi perfeito em tudo que fez na minha vida. 
Aos meus pais, Nizete e Edson, que desde o início fizeram o possível e o impossível para que eu continuasse firme na minha jornada sempre cansativa rumo à universidade, sem me deixar fraquejar por um só segundo. Obrigada pelas palavras de apoio e por cultivarem incondicionalmente o meu amor pela literatura. Eu serei eternamente grata por tudo e por mais que eu me esforce, nenhuma retribuição a vocês será digna o suficiente. 
 Ao meu namorado, Francisco, o melhor amigo e companheiro, que sempre foi a pessoa que acreditava eu mim quando nem eu mais conseguia fazê-lo. Obrigada por me fazer forte, fiel às minhas convicções e por sempre me impedir de desacreditar na minha capacidade. Obrigada por me fazer ser sempre melhor. Sem o seu apoio eu não teria escrito uma linha sequer. Por você, minha gratidão e meu amor serão eternos. 
Às amigas do curso de Direito da UNDB, Carol, Juliana, Viviane e Marynelle, que me suportaram em todas as minhas crises existenciais. A minha vida não teria a mesma graça se não fossem as noites dividas com vocês. A próxima vez que eu escrever um TCC será pela UNDB e eu tenho certeza que, se existe uma forma suportável de passar por todo esse processo de criação novamente, é com vocês ao meu lado. 
 Aos meus companheiros de twitter, Fernanda, Klerianne, Vanessa, Diana e Wendel, que dividiram comigo até às vésperas da apresentação deste trabalho a angústia e a ansiedade que só conhece quem por a escrita de uma monografia já passou. O apoio de vocês foi incondicional, a ajuda foi mútua e o conforto que eu sentia após cada conversa trocada foi imensurável. Obrigada por me fazerem rir até nos momentos de mais extremo nervosismo. Finalmente chegamos ao ponto em que eu sabia que chegaríamos desde o princípio. Nós conseguimos! 
Às amigas do curso de Letras da UEMA, especialmente Lays, nas quais eu sequer consigo pensar sem que meus olhos se afoguem em lágrimas. Meninas, vocês foram a minha maior fonte de inspiração para a vida ao longo dos quatro anos em que me ensinaram a ser uma pessoa muito melhor do que eu julgava ser quando fui aprovada no vestibular; vocês são a prova que na universidade aprendemos muito mais que teoria e prática. Por tudo que passamos juntas, eu sempre me lembrarei de vocês com um sorriso no rosto e uma saudade sem fim no coração. 
Às professoras Iranilde Almeida Costa, Sílvia Furtado, Vanda Rocha e, especialmente, à minha orientadora, Andrea Lobato. A todos os professores que depositaram em mim algum conhecimento ao longo de quatro anos de graduação. Não existem palavras possíveis de descrever o tamanho da contribuição de todos vocês para o meu desenvolvimento pessoal e intelectual. O curso de Letras da UEMA mudou completamente a minha vida para algo melhor do que eu imaginei. 
Às amigas que eu encontrei graças ao amor pelas letras e pela escrita. Às irmãs de alma que me provam diariamente que você não precisa estar cara a cara com alguém para dizer um verdadeiro “eu te amo”; que me mostram que distância é um elemento cada vez mais insignificante; que acolhem todas as minhas loucuras e abraçam meus devaneios como delas próprias. À Máfia, enfim. 
Se hoje eu posso dizer “infinitamente, obrigada” é porque vocês seguraram minhas lágrimas ao me despertar um sorriso, sustentaram minhas pernas frágeis com um abraço, passaram algum tempo comigo mesmo quando este parecia escasso e, principalmente, me ensinaram a lição mais bonita que eu poderia aprender ao longo dos meus vinte anos: não há nada no mundo que substitua a maravilha de nunca estar só.


sábado, 14 de abril de 2012

Antiga(mente)


How many special people change? 
How many lives are living strange? 

Tenho repetido o roteiro dessa história sempre com as mesmas palavras e sentimentos. Falar sobre o modo com que me relaciono comigo e com ou outros virou um desses dramas clichês que nos fazem deixar o cinema antes de chegar na metade da história – os personagens não sabem interpretar nem a si mesmos e ficam em um eterno movimento cíclico de mesmas escolhas, mesmos erros, mesmas lamentações, mesma falta de compreensão sobre aquilo que já é café morno até para si próprio. Não interessa se busco entender os problemas de um dia ou um ano atrás – é sempre a mesma ordem inevitável de coisas que só me fazem chegar à conclusão de que estou mesmo condenada a mim mesma, que sou a perdição da minha própria mente, que sou prisioneira da minha falta de vontade de conduzir a dança sem ninguém pisando nos meus sapatos e me dizendo que não gosta da música que está tocando. Queria tanto ter a paz e o silêncio de ouvir o que minha alma grita, mas sempre acabo em um desses shows de rock onde ninguém consegue dar atenção aos próprios pensamentos – é só aquela a gente ao seu redor julgando o jeito como você se veste, sem sequer lhe dar a chance de explicar porque está ali daquela forma, com aquelas companhias e com aquela expressão de que nada no mundo compensa tanta desordem. No fim, fica só o velho disco arranhando na vitrola, deixando escancarada no ar a pior das verdades: sou a única que ainda acredita nas mentiras que conto. Na última vez que eu disse que seria a última vez, pude sentir pelas minhas costas as risadas de todos que já sabiam que, em poucos dias, a única coisa que viria seria outro desabafo como esse. No início de tudo é tão fácil. Eu juro a mim mesma que me boicotar é coisa do passado e me convenço de que tenho em mãos todas as armas para sentir uma felicidade contagiante – e tenho mesmo, ainda que não pareça. Mas é com facilidade que rompo as minhas próprias promessas e traio todos os planos que tracei. Minha mente começa a trabalhar em auto-ataque e entra em choque por tudo que anda acontecendo – e pelo irreal, também. Jogo ao vento as convicções de que é possível vencer a mim mesma, até que novamente me dou conta de que há a chance de ser feliz com o que se tem e não somente com aquilo que se acha que deveria ter. É nesse momento que viro a metamorfose ambulante não muito nos moldes do que o velho Raul previa; ergo as mãos aos céus, me ajoelho num canto do meu quarto e só peço para que o que tiver de vir, que seja para acrescentar e jamais para destruir. Nem busco mais entender o que me leva a tanto extremos e por desistir de uma auto-compreensão é que percebo tantos olhares de dúvidas destinados a mim. Está escrito no olhar de quem me vê que a grande maioria acha que eu nunca vou conseguir encontrar em mim mesma alguma paz. Pois eu digo a todos que se eu estiver meditando à beira mar ou mesmo contando os grãos de areia para descobrir com quantos se faz um castelo é porque não desisto de viver ainda que isso implique em castigar a mim mesma até que eu pague a dívida de um dia ter ousado pensar que a verdade sobre mim está em outro alguém. Sou mais independente que essa minha vontade de estar sempre ligada a algo e na falta de pessoas que acreditem em mim, eu resolvi achar aqui dentro a coragem que preciso para recomeçar mesmo quando a luta parece vencida antes do seu início. Ainda ouço uns ou outros que me destinam algumas das frases mais clichês de Caio Fernando – vai passar, tu sabes que vai passar, talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? – mas tudo tem acontecido quando me ponho a pensar que guardar mágoas é um desperdício de espaço de memória e do coração e que se todos os dias eu dou uma nova chance a mim mesma, porque não dar oportunidade às outras pessoas, também? Se esperavam um novo rumo pra mim, se enganaram em pensar que por um único segundo eu cogitei a hipótese de desistir de mim mesma. Hoje, eu abraço os meus erros como quem acolhe um amigo que te leva sempre aos mesmos passeios, mas que no fim do dia te trás de volta para casa – foi o que o destino sempre quis e eu aprendi a ser muito bem assim. Talvez seja mesmo uma nova espécie de paz essa que eu tenho: boa o suficiente para trazer alegria, mas nunca duradoura ao ponto de me fazer acomodar. E cá estou eu, flutuando insegura no meio de tantas conclusões, reaquecendo o café e pensando que talvez seja essa a única saída: acreditar que não se pode ir mais em frente para, logo em seguida, ter vontade de ir muito mais além.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Paradise is like hell


Menos de vinte anos, alguns metros cúbicos de lágrimas e cá estou eu, tentando fazer a coisa certa ao menos uma vez. O meu entendimento em relação ao resto do mundo tem sido cotidianamente reconstruído e eu não sei se as mesmas palavras de ontem não passam, hoje, de um sentido superficial do que ainda está por vir. “Ainda está por vir” é o termo mais certeiro que eu tenho me atrevido a utilizar, a propósito. Acho que abandonei – finalmente – essa minha tentativa vã de parecer determinada em alguma coisa: sou uma contradição em mim mesma, um movimento cíclico daquilo que ainda não aconteceu, mas que se espera e espera e espera, não me perguntem até quando. Há muito tempo eu desisti de entender o que qualquer uma dessas coisas significa – se não haveria um sentido oculto por trás de tudo e se as respostas certas não estariam escritas em letras grafais em neon, bem à minha frente. Dizem que nós somos cegos em relação ao que de melhor está por vir, mas eu garanto, com toda a minha honestidade de quem nunca aceitou bem a decepção de esperar o que não tem que ser esperado: nada de excepcional está por vir. Talvez, no máximo, surja a chance de umas belas voltas por Copacabana, com aquele vento maravilhoso que talvez só faça igual aqui por minha terra; talvez uns goles de café, minha única e amiga bebida, que me façam revigorar e reconstruir todas as forças que não encontro mais em mim mesma; e, por fim, algumas dessas palavras cruéis que não têm um significado em si mesmas, mas que no fim acabam por formar um sentido único: não tenham pena de mim, não me mandem cartas nem recados de despedidas. Eu estou – muito – satisfeita até mesmo com os tombos que tenho levado, o que dirá das alegrias que vez ou outra batem à minha porta, pedindo passagem. São momentos raros esses que eu saio do meu corpo cansado e me permito flutuar nas luzes que invadem a noite – é uma ótima sensação, vocês deveriam experimentar. E depois eu retorno, para a mesma vida, o mesmo jogo, o mesmo resultado. E, não sei bem como dizer, isso tem satisfeito a minha fome de viver. Porque não dá para brincar com a verdade. A realidade não é um leque de opções. Existe essa força acima de tudo que lhe deu as cartas e, bom, tudo o que eu sei é: faça o melhor jogo que puder.


"São tudo histórias, menino. A história que está sendo contada, cada um a transforma em outra, na história que quiser. Escolha, entre todas elas, aquela que seu coração mais gostar, e persiga-a até o fim do mundo. Mesmo que ninguém compreenda, como se fosse um combate. Um bom combate, o melhor de todos, o único que vale a pena. O resto é engano, meu filho, é perdição."

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Ode à monografia

Eu leio Caio Fernando Abreu há algum tempo – 5 anos, para sermos mais exatos. O curioso da história é que eu descobri o autor extremamente por acaso e mais por acaso ainda comecei a pesquisar sobre a sua obra. No fim das contas o meu amor virou trabalho, porque, sim, minha monografia é sobre uma obra de Caio Fernando Abreu.
Eu poderia passar o resto do dia dizendo como escrever um trabalho tão extenso é atribulado – na verdade, eu não poderia, porque tenho que escrever um projeto para ser entregue na semana que vem para a minha orientadora. Mas eu não vou perder o meu tempo crucificando a tal da monografia, até porque todo mundo já faz isso sem a minha ajuda – e também porque estou tentando fazer uma ode, ora bolas. E, sendo sincera, essa é a tarefa “árdua” mais gostosa que eu já tive em toda a minha e eu posso afirmar com toda a certeza que eu nunca fui tão feliz com o meu curso como eu sou hoje.
Tenho uma amiga que diz que meus olhos brilham quando eu falo de Caio Fernando e que parece que eu sou a melhor amiga dele há anos – é como se nós tivéssemos trocamos cartas e farpas e sido vizinhos de porta a vida toda. Porque é assim: escrever uma monografia é fazer os seus olhos brilharem; é conhecer aquele assunto mais do que você conhece a si mesmo; é respirar teorias e textos exaustivos de forma repetitiva, mas sempre querendo mais; é nunca estar satisfeito com uma linha escrita que parece fora do lugar, porque aquilo que você está fazendo é tão belo que merece o esforço máximo para estar o mais perto possível da perfeição.
Eu não consigo pensar em outra coisa: é quase como se eu tivesse 15 anos e começasse a namorar o cara que eu sempre quis, mas que nunca me deu bola. É quase como se eu tivesse descobrindo pela primeira vez o final de Harry Potter. Cinco em cada dez assuntos que eu tenho são referentes à monografia. Estou a dois passos de abandonar o resto da minha vida e viver de ler e escrever sobre o assunto. Logo eu, que sempre tive tanto medo de nunca encontrar algo que me fizesse sentir tanto prazer... Lembro que quando estava no início do curso, uma professora minha fez aquele discurso inicial sobre escolhas e se entregar a uma área de pesquisa. Eu fiquei apavorada com aquilo, quase pensando em já desistir; então, no fim da aula, fui até ela e perguntei: “como eu posso saber que encontrei algo que eu posso me entregar de verdade, sem abusar a pesquisa na semana seguinte?”. E ela olhou para minha cara de caloura desespera e simplesmente disse: “você vai saber”.

É. Agora eu sei.

ps.: o título provisório da minha monografia é “Um escritor irremediável: uma leitura melancolia em Morangos Mofados, de Caio Fernando Abreu”. É a única monografia da região norte/nordeste já escrita sobre ele e, quer saber? Em tempos de modinhas de quem não sabe valorizar uma boa escrita quando a vê, eu tenho um orgulho imenso disso.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Metaforizando lágrimas e sorrisos

Estou vivendo uma versão de mim mesma, no mínimo, muito desagradável. Essa mania que a gente tem de nos repetir sempre em nossas piores versões sempre ferra com tudo, mesmo. Sempre tem aquele pedacinho insignificante de maldade, dor e muita saudade pra lembrar que a felicidade não é tão fácil assim. Sempre tem aquele fantasma que te assombra e não te deixa concluir a tua noite de sonhos; sempre se tem o que temer, no que desacreditar, por quem sofrer. Foi nesse ritmo meio descompassado que eu guardei fundo o meu atrevimento de querer controlar minha própria vida e fui ao poucos murchando o meu peito que, não sei porque, andava estupidamente inflado. Esse meu orgulho besta de qualquer coisa nunca me levou a lugar nenhum, e agora mais do que nunca eu sinto vontade de me esconder no escuro do meu quarto e chorar como se não houvesse dias nem noites. Não sinto vontade de ouvir a voz de ninguém, porque outras pessoas atrapalham essa minha necessidade de ser triste; eu me empenho em sofrer com todos os milímetros do meu corpo e me dou ao direito de ser assim porque cada um sabe quando não pode mais suportar. Então eu fico nesse êxtase que todos analisam como sem causa alguma e descubro que quanto mais eu me entrego à dor, mais motivos eu tenho para abraçá-la. Não entendo como tanta gente consegue sorrir e viver normalmente enquanto carrega, sem incômodo nenhum, um buraco tão grande no peito; eu não sou assim e nem faço questão. Então, se eu tiver que morrer um pouco para continuar vivendo, é isso que farei. O que não dá é para brincar com as situações como se tudo fosse um grande motivo de graça; tristeza não é poesia, dor não é ilusão. E às vezes acho que vou ficar lançada nisso para sempre. Nunca falei sobre isso com ninguém e nem acho que as pessoas realmente se importam. A uns poucos, que bem mais por educação que por carinho me estendem um “você está bem?” tímido e sem interesse, eu me limito a responder com um breve “vou levando”. E vou mesmo, não sei para onde e não sei por quanto tempo. Às vezes eu acho que me perdi no caminho; dizem que a tristeza cega as pessoas e não é que talvez seja assim? Quem sabe eu não esteja dando apenas voltas em um mesmo caminho e talvez por isso insista em tropeçar nas mesmas pedras: não porque os problemas são os mesmos, mas porque eu ainda sou a de muito tempo atrás. Não adianta fingir que as coisas são diversas, porque dentro de mim a verdade grita: ainda sou a mesma menina de 15 anos que me marcou o resto da vida. E isso não tem nada a ver com azar, pessimismo, esperança, coragem; é como se eu quisesse fazer a única coisa em que sou assumidamente boa. É como se eu tivesse cansada de perder aos poucos e tivesse resolvido arriscar tudo uma última vez. É como se eu tivesse caminhado quilômetros em busca do precipício e agora que eu o encontrei, não sei se pulo ou se volto atrás. É como se depois da chance de ser feliz, eu descobrisse que é preciso muita coragem para ser triste, também.

Sempre soube que minha vida é cercada de metáforas, então por isso segue o meu maior conselho: ouça o que eu digo, mas não entenda o que eu escrevo.


"Agora não dá mesmo para ser feliz, é impossível. Mas quem disse que a gente precisa ser sempre feliz? Isso é bobagem. Como Vinícius cantou: 'é melhor viver que ser feliz'. Porque, para viver de verdade, a gente tem que quebrar a cara. Tem que tentar e não conseguir. Achar que vai dar certo e ver que não deu. Querer muito e não alcançar. Ter e perder. Tem que ter coragem no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e dizer uma coisa terrível, mas que tem que ser dita. Tem que ter coragem de olhar no fundos dos olhos de alguém que a gente ama e ouvir uma coisa terrível, mas que tem que ser ouvida. A vida é incontornável. A gente perde, leva porrada, é passado pra trás, cai. Dói, ai, dói demais. Mas passa. Está vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto agulha? Você ainda vai olhá-la no fundo dos olhos e rir da cara dela. Juro que estou falando a verdade. Eu não minto. Vai passar".

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Para atravessar os dias

Fugir. Sair da cidade na segunda à tarde, sem previsão de volta e sem sentir culpa alguma – apenas porque é gostoso, porque é bom, porque é leve. Por muito tempo eu quis escapar de mim mesma; hoje, eu só quero ser cuspida por esse mundo cheio de desgostos, que não me aceita em uma forma mais simples de ser, se assim eu quiser. Ninguém está preparado para ser feliz nem para ser amado, coisas hoje que eu busco desesperadamente; estão todos presos aos seus dramas sem fim, em um ímpeto incomum de se sentir incompleto. É um ultraje da minha parte querer descomplicar boa parte dessas coisas que por si só já são difíceis – porque o normal é querer sentir o gosto do veneno impregnando o seu estômago, você mesmo dar cabo a qualquer chance de terminar essa história com um final feliz.
De fato, eu sou também masoquista assim e não sei com que direito estou me comportando como se amanhã, na hora de realmente fugir, eu não fosse dar para trás e resolver que minha cama e meu edredom são mais seguros. Mas, por enquanto, eu sinto coragem o suficiente para não aceitar esse mundo covarde como está; por enquanto, “trago no peito o saudável defeito de ainda acreditar na vida”; por enquanto, eu sinto vontade de ir além do que eu posso ser, de me dar ao direito de sonhar com Paris, samba e amor, de atingir os corações de todos com essa vontade danada de sorrir até ficar sem ar.
Me confundindo nas minhas próprias palavras, eu retifico: amanhã, eu não sei se serei triste, feliz ou poeta. Talvez tudo perca a graça, talvez tudo esteja mais difícil; talvez surja um problema, talvez eu receba à porta um aglomerado de soluções. Amanhã, eu não sei. Mas o “por enquanto” me soa tão bonito e justo, que a fé infla tão grandemente e só posso pensar: há de ser sempre bom, há de ser.


Para atravessar agosto é preciso, antes de tudo, paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro – e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco. É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. Então dizer mentalmente ah! Escrever tanto de tanto de mil novecentos e tanto e ir em frente. Este é um ponto importante: ir, sobretudo, em frente.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Um pouco do que incomoda

Tenho me sentido estúpida. E, acima de tudo, clichê. Parece que ninguém entende a minha aflição de estar sempre em cima do muro que divide aquilo que eu era e aquilo que pretendo ser – ambas as vidas são bem tentadoras e é isso que vem me tirando o juízo dia a dia. Penso que nada é por acaso e vejo mensagens subliminares até na caixinha de achocolatado – no noticiário da TV, nas músicas aleatórias do meu Media Player. Indiscutível como sempre toca justamente aquilo que eu fazia questão de jamais chegar a ouvir – mesmo tendo sido fraca o suficiente para jamais apagar da memória do computador. Aí eu ponho a culpa no destino, nas cartas, em runas antigas, no movimento do sol, no calor que faz na cidade... E fica sempre a dúvida: qual o próximo passo? O que vem a seguir, quando nada eu posso prever? Imagino que a linha da vida seja um pouco mais justa que isso, afinal. Que eu não tenha sempre que viver de restos – o que restou do conhaque, o que sobrou de forças para comemorar, o que falta para o fim da noite de sexta. Nunca fui o estilo mulherzinha, mas um desejo nunca abandonei: quero ser importante. Para quem quer que seja. Quero ser a primeira opção de alguém, e não apenas mais um número na lista telefônica. Quero encontrar pela sala do meu apartamento lembranças da noite passada, quero andar pela cidade e ver em cada esquina um traço da minha história. Quero não precisar escrever por medo de esquecer de mim. Acho que quero algo que ninguém pode me dar.

Estou precisando sentir algo bem forte, arrebatador. E apesar de nada me fazer falta alguma, dizem que isso é coisa de quem precisa viver mais... Como é mesmo? Ah, sim. In-ten-sa-men-te.

"Como se eu estivesse por fora do movimento da vida. A vida rolando por aí feito roda-gigante, com todo mundo dentro, e eu aqui parada, pateta, sentada no bar. Sem fazer nada, como se tivesse desaprendido a linguagem dos outros. A linguagem que eles usam para se comunicar quando rodam assim e assim por diante nessa roda-gigante. Você tem um passe para a roda-gigante, uma senha, um código, sei lá. Você fala qualquer coisa tipo bá, por exemplo, então o cara deixa você entrar, sentar e rodar junto com os outros. Mas eu fico sempre do lado de fora. Aqui parada, sem saber a palavra certa, sem conseguir adivinhar. Olhando de fora, a cara cheia, louca de vontade de estar lá, rodando junto com eles nessa roda idiota - tá me entendendo, garotão?"

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Tudo que faltou para você ser

Ninguém sabe que aqui dentro, por trás de todas as vitórias e troféus em coleção, eu carrego comigo a pior das minhas verdades mal contadas. Aquela que você faz questão de não me deixar esquecer sempre que aparece na minha vida assim, sem aviso, sem motivo... Só para não deixar eu me acomodar, só para não me deixar lhe esquecer. Não sei o que se passa com você e muitas vezes eu lhe proferi palavras de desprezo que, de forma ingênua, achei que meu coração fosse capaz de ouvir. Mas depois de um “adeus” um tanto dramático e de uma repulsa que não convence ninguém – principalmente a mim mesma –, a única coisa que fica é o seu sorriso.
Nossa, eu nunca lhe disse, mas como eu sou apaixonada pelo seu sorriso. Como eu sou louca pelo seu sarcasmo e por cada palavra carregada de ironia que sai da sua boca. Como você me faz perder a cabeça cada vez que você se refere a mim com esse ar de superioridade, testando a minha arrogância, sabendo eu que você espera que eu responda em mesmo tom, para ficarmos nesse eterno jogo, em uma tensão que paira entre nós, sempre e sempre e sempre, até que a realidade me joga um balde de água fria e eu percebo que você não está mais aqui – está longe, realizando os seus sonhos, construindo a sua vida, amando outras pessoas. Então, eu lhe pergunto, porque voltar de forma tão avassaladora? Porque não me encontrar e simplesmente ser simpático e educado, não é isso que todos os outros fazem? Precisa, de fato, me lembrar de quem um dia você foi para mim e me deixar nessa eterna dúvida de: será que continua sendo?
E por mais que racionalmente eu diga “não quero, não posso”... Por mais que estupidamente eu ainda fantasie uma situação que, você e eu sabemos, é impossível por uma série de fatores, uma porção de decisões – em maior parte, suas – que nos limitou a tanta coisa... Por mais que eu saiba que tudo isso também é minha maior carga de vergonha, arrependimento e loucura... Por mais que exista distância e outros amores e outras vidas... Por mais que eu queira estar na sua vida, mas não queira fazer parte do que hoje você tem... Eu ainda não consigo deixar de pensar em você como a minha maior chance de ir além de mim mesma. Não consigo entender como alguém pode ser exatamente aquilo que eu não quero e, ainda assim, conquistar minha vontade. Não consigo esquecer que um dia eu me permiti corromper tudo que havia construído por um sentimento que eu jamais vou entender.
E quando eu acabo de pensar tudo isso e finalmente percebo o quão irracional eu estou sendo, sento solitária para chorar pelas palavras que você nunca mereceu e que você nunca chegará a ouvir.

''Uma coisa que eu aprendi na vida:
Deus não te tira as coisas, Ele te livra delas".

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Até quando?

(e essa não é uma pergunta retórica)

Não aceito ser acusada de mais nada – principalmente, de falta de amor. Venho insistido e pacientemente explico a qualquer um que se dê ao trabalho de me perguntar: não é que não estou nunca ao seu lado – é você que só consegue perceber minha falta, mas é incapaz de perceber minha presença. Mas mesmo assim, ainda insistem em me ferir como se eu tivesse obrigação de carregar sozinha uma culpa que sequer existe; como se eu devesse ficar de luto por algo que se perdeu por conta própria; como se eu tivesse atuado um monólogo de uma peça triste todas as vezes em que dividimos algum momento desses passados. O que ninguém sabe é parar por dois segundos de julgar meus sentimentos e minha forma de demonstrá-los e perguntar: “ainda é como antes?”. Ninguém sabe discar um número no telefone e dizer “nossa, que saudade de você”. Ninguém sabe deixar de indiretas baratas como se isso fosse apenas me atingir – como se não fosse também deixar óbvio como tem gente que não sabe nem o que faz e que, por isso, sai disparando para todo lado, na esperança de acertar o alvo – que sou eu, vá entender o porquê. Fica apenas esse ciclo de eterno de “espero que o outro faça algo" – porque, caso contrário, “não valia à pena, mesmo” ou “a partir de agora, o meu requisito para amar é ser amado”. Ora, se você espera relacionamentos tão fáceis e tão fúteis, você precisa urgentemente entender um pouco mais sobre a vida, as circunstâncias e como se pode enfrentá-las de forma a manter o sentimento. O que todo mundo sabe é usar as redes sociais para desabafar como “os momentos são passageiros e o amor, mais ainda”. O que todo mundo faz, na verdade, é suspirar pelos cantos e às escondidas sobre relações não recíprocas ou mal valorizadas – mas dar a cara à tapa e dizer: “está aqui o meu coração, o que você vai fazer com ele?”, nem pensar. Porque o que existe de mais fácil no mundo é condenar os outros pelos erros que nós mesmos cometemos. Ninguém hoje tem mais tempo e disposição para a dificuldade que é construir algo mais sólido do que saídas boêmias de noites de sexta-feira. Vamos todos então não dar valor à porra nenhuma e dizer que o outro que não nos deu oportunidade de amar, porque deitar a cabeça no travesseiro e sentir pesar a própria consciência, ninguém quer. Não vou dar lição de moral – quem me dera – e nem vou julgar ninguém. Mas gostaria, e isso eu peço encarecidamente, que antes que saiam por aí destilando absurdos, repitam antes cada palavra em frente ao espelho e vejam como soa ridículo – como se encaixa à você, antes que à mim.
Me desculpem aqueles que ama e sentem saudade de verdade, mas minha alma está cansada de quem fica blasfemando por aí, enquanto cantarola “quando a gente ama é claro que a gente cuida”, como se fosse a maior vítima da história. Apesar de tudo e por causa de tudo, amo todos e amo muito – amo as lembranças, amo o que se foi, amo a mínima chance de ainda ser. Mas se eu tiver que desprezar esse pouco caso com a história da minha vida, como se o que tivesse ocorrido nada mais significasse... Ora, eu farei isso com a maior dignidade. Não nasci para ter os meus sentimentos – que já são poucos – muito mal interpretados.


"O que tem de ser, tem muita força. Ninguém precisa se assustar com a distância, os afastamentos que acontecem. Tudo volta! E voltam mais bonitas, mais maduras, voltam quando tem de voltar, voltam quando é pra ser. Acontece que entre o ainda-não-é-hora e nossa-hora-chegou, muita gente se perde. Não se perca, viu?"

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Querido,


Percebe como tenho lhe escrito muito, ultimamente? Não sei, acho que todos nós usamos as armas que temos e você tem sido a minha mais fiel válvula de escape. Porque tudo o que eu preciso, principalmente esses dias, é fugir. Você sabe bem como se faz isso, não? Juntar umas roupas velhas em uma mala qualquer, pegar os melhores escritos, todos os textos com palavras usadas e cadernetas com folhas em branco. Juntar tudo e cair fora – mergulhar no desconhecido, não olhar para trás, não ter peso nas costas, não ter hora para voltar. Como deve ser bom, hein, menino? Quantas e quantas vezes você já não deve ter sentido essa mesma sensação de não pertencer a lugar algum e, ainda assim, sentir-se em casa – onde quer que esteja. Quantas vezes você já não deve ter achado que a vida não tinha mais jeito, que a única saída era escapar desse redemoinho de confusão e adeus, bye bye. Tenho certeza que sempre esteve certo. E se hoje eu lhe perguntasse o que seria o certo a fazer, você me mandaria passar o melhor perfume, pegar o metrô e escrever uma bobagem qualquer, sentada em um banco entre as estações 9 e 10. Ou sair da cidade. Ou mudar de país, trocar o telefone, pintar o cabelo, emagrecer 10 quilos. Tudo que me tirasse do velho quadro pintado à tinta óleo – tudo que não lembrasse a mim mesma. Vai ver é isso, menino: preciso fugir desse lugar, mas também preciso fugir de mim. E preciso me encontrar longe daqui, distante desses erros e repetições. Porque eu já não agüento mais ser a mesma. Não agüento a rotina de encontrar o mesmo rosto cansado, todos os dias. Quero tirar férias de mim. Quero me perder e me encontrar um bom tempo depois, bem melhor, bem mais forte, bem mais como você.

Tenho vontade de ser assim, livre feito gaivota. Mas tem sempre aquilo que te prende e prende e prende. Tô de mãos atadas, menino. Tô precisando de alguém pra vir me salvar.

Mais ainda nas dores,


Para sempre tua.

''Preciso muito que alguma coisa muito muito boa aconteça na minha vida… Alguma coisa, alguma pessoa. Acho que tenho medo de não conseguir deixar que o passado seja passado, de aceitar verdades pela metade, de viver de ilusão! Eu preciso muito muito deixar acontecer o momento da renovação, trocar de pele, mudar de cor. Tenho sentido necessidades do novo, não importa o quê, mais que seja novo, nem que sejam os problemas. Preciso deixar a casa vazia para receber a nova mobília! Fazer a faxina da mente, da alma, do corpo e do coração! Demolir as ruínas e construir qualquer coisa nova, quem sabe um castelo''.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A cada despedida, um recomeço

Hoje – só por hoje – eu abro mão de você como quem sorri para a solidão; abraço esse espírito de amores efêmeros para que as dores também o sejam e espero sentada à varanda que a noite não me traia e que os sonhos continuem a vir. Porque felicidade não se resume só aos momentos em que você é feliz. Porque paixão nenhuma existe apenas enquanto durar. Porque a minha espera sempre vai ser maior que qualquer destemperança que vier. Porque nós sempre vamos viver esse ciclo de quem não sabe fazer uma busca mais sincera dentro de si e então conserva as mesmas palavras de antes, um grito calado de desespero que sempre acaba em algo como: e se tentássemos mais uma vez?



'' (...) já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloquentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicídio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituímos expressões fatais como 'não resistirei' por outras mais mansas, como 'sei que vai passar'''.

[15 anos sem] Caio Fernando Abreu.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Estupidamente livre



Querido Caio,

Os dias têm sido longos, se arrastado. A dor que me doía mais já parece não doer tanto e a mudança de foco tem se tornado constante. Isso tem me deixado confusa – é como se eu não tivesse mais sequer o direito de sofrer o quanto posso, de me afundar nas belas doses de conhaque tarde da noite e não sentir culpa alguma. Porque é bom, e você sabe. Aliás, todos acham bom, mas como ninguém faz, eu sinto esse cargo em admitir minha perdição. Entre a culpa e a dor, eu preferi não sentir nada – repetia sem parar.
Algo assim, se é que dá para entender. As minhas buscas ficaram boiando nesse mar de dúvidas, onde eu não sei se mergulho de vez ou se fico aqui, só admirando a paisagem. O bonito, afinal, foi ficando tão pouco subjetivo que não sei mais nem do que gosto – não sei sequer se isso valeria de algo. O agradável é o que todos acham e ponto; não serei eu, que nem ainda fui descoberta pelo mundo, que irei contrair a ditadura de opiniões. Sei que vai me repudiar por isso, mas, meu caro, se você tinha medo de sentir coragem, eu tenho a coragem de sentir medo. E não acho que isso me faça pior, não; só me faz diferente nesse mundo onde todo mundo deseja ser igual a todo mundo.
Não estou aqui para criticar minhas decepções com a humanidade, não é isso – até porque nunca esperei nada de admirável da mesma. Aliás, não tenho me surpreendido com nada, ultimamente. Diferente do que sempre se espera, minha alma foi contagiada por uma procrastinação e anda tão lacônica que chega a ser inacreditável. Ando com preguiça de ter sentimentos exacerbados – de sofrer demais, amar demais, lutar demais. Ando sendo um pouco “de menos”, onde já se viu, e sem inquietação alguma.
Se eu sinto vergonha? Não é bem essa a palavra. É mais algo como libertinagem de espírito. Talvez eu só esteja tendo, pela primeira vez na vida, aquilo que as pessoas chamam de paz – e estou confundindo, estupidamente, com essa frieza que, na verdade, nada passa além de um não-sofrer. Acho que você me entederia, sabe? Assim como eu, você sempre sofreu mais que o necessário. Mas até nós sempre soubemos a hora de parar.

Sinto saudades suas, mesmo sem ter te conhecido.

Beijos na alma,
Para sempre tua.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Apresento-vos ao mestre


Caio Fernando Abreu, gaúcho de Santiago do Boqueirão, jornalista e escritor de morte prematura decorrente do vírus HIV. Abandonou o curso de Letras e o de Artes Cênicas, nunca teve o mesmo endereço por muito tempo e viveu a época da solidão ainda que todos os outros parecessem bem acompanhados. Um autor curioso, extremamente particular... E a mais nova modinha de quem quer parecer cult.

Frases bem organizadas descrevendo a dores que se espalham aos montes por aí - talvez seja isso o que mais chama atenção nas cartas, contos e romances de Caio Fernando Abreu. E, com certeza, é o que faz do autor o dono de hinos adolescentes que ecoam por redes sociais a fio, transformando em extremamente interessante quem pede aos gritos ''que seja doce''... Porque é legal dizer que se gosta de Caio Fernando. Todo mundo quer dizer que leu ''Ovelhas Negras'' de trás pra frente. ''Morangos Mofados'' virou o livro de cabeceira de milhares de pessoas. E o desrespeito por obras divinas virou parte do cotidiano.
É rejuvenescedor ecoar por aí que ''no fim você coloca um sorriso no rosto e finge que é sincero, até que a vida o faça realmente ser''. Olha que bonito, como é bom ser otimista a custa das palavras alheias sem que realmente se saiba metade do que se passou até que linhas tão belas brotassem. Porque hoje é mais fácil. ''Caio F. Abreu'' no Google, escolho a frase em Pensador.com que mais se encaixa com o meu momento e, violà, publico no twitter e ganho milhares de RT's. Sou reconhecida a base de sentimentos que eu jamais tive o interesse de entender.
Que nojo. Para casos assim, eu acho que prefiro o silêncio. O pouco que eu tenho a dizer? Bom, se você realmente acha que ler alguns trechos e frases soltas por aí lhe faz um grande fã do autor, entenda que, na verdade, você apenas se tornou alguém que faria Caio se arrepender de cada linha que publicou.

Não querendo maximizar minha total reverência a Caio Fernando Abreu, afirmo que dedicarei a ele o tema de minha monografia de Letras Vernáculas – talvez até, admito, em uma forma de protesto infantil a todos aqueles que, assim como eu, iniciaram o contato com o autor através de frases batidas de suas obras mais famosas mas que, diferente de mim, pararam por aí e hoje se dizem conhecedores da obra do seu ''ídolo''.

Texto original de ''Folhetim Literário'', meu mais novo endereço.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Um tanto mal cuidado, eu sei

Coração,

Sinto que fiquei lhe devendo algo. Podem ter sido outros daqueles momentos entre nós e todo mundo, alguns abraços, alguns beijos, quem sabe... Mas também sinto que fiquei lhe devendo palavras – explicações daquilo que já passou no tempo e aos olhos, mas que, de alguma forma, ainda continua em mim, essas palavras que jamais fui capaz de dizer mesmo que tenha sentido vontade, mesmo achando que você ia querer escutar. Não espero que com isso você sinta algo ou entenda qualquer coisa que provavelmente já desistiu de compreender – só peço que não me ignore, ainda que essa seja a última vez que vá aceitar algo de mim.
Eu me apaixonei por você. Isso nunca foi motivo de dúvida para ninguém – nem para você, que ouviu essas palavras de mim, enquanto eu olhava nos seus olhos – mesmo que eu jamais tenha recebido qualquer comentário seu sobre isso. Não lhe culpo, Coração, porque eu sei, sempre soube que isso faz parte de você – que ser assim, todo incerto, é ser você. Mas isso não é ser eu – aquela que nada sabia, que estava sempre preparada para pular fora, lembra? Não era eu, nem de longe – sempre acreditei em amor e em coisinhas melosas; sempre acreditei em merecer ter uma certeza que eu jamais tive com você, não por falta de esforço seu, mas por incapacidade minha de desviar o foco das minhas esperanças – esperanças que já estavam enraizadas muito antes de conhecer você e que não poderiam simplesmente ser arrancadas e plantadas em outro lugar.
Eu não sei se eu cheguei a ser o Amor, para você. Mas, de qualquer forma, isso não mudaria as coisas como elas foram, Coração - mesmo que até hoje você tenha o meu amor, você não é o meu Amor. Ao dizer isso, talvez possa parecer que você não tenha sido bom o suficiente, que não tenha me merecido – mas mesmo que desse modo soe, espero que saiba que não foi assim. Só não tinha espaço aqui, não tinha mais espaço em mim para você. Talvez lhe chamar assim, Coração, tenha sido até uma forma inconsciente de, todos os dias, lhe pedir desculpa pela ausência de sentimento e o excesso de razão – então, me desculpa por chamar você de algo que não lhe pertenceu por culpa estritamente minha, porque eu sei que você estava lá, pronto para aceitar.
Eu que não quis – se eu não poderia me doar por inteira, jamais iria lhe diminuir a ponto de entregar apenas as (piores) partes minhas. E ainda que não tivesse sido sua, isso foi tudo de mim que você ainda pode visualizar: exatamente aquilo que não era digno de você. Eu carrego as marcas disso, pode ter certeza: eu sei o que é viver sempre com a sensação de ter falhado com você e com todos que acreditaram em algo entre nós além do que já tínhamos – e, mais uma vez, eu espero que você saiba que a sua ausência me é de grande penitência. Por isso, hoje, eu senti vontade de dizer que tenho saudades suas – saudade do seu ''papo 'estou-dizendo-não-apenas-o-que-estou-dizendo''' que, embora tenha me causado sempre dúvidas, foi para mim o seu marco especial.
Sim, Coração, eu tenho saudades. E mesmo que isso seja apenas o fruto de escolhas minhas, eu espero que você ao menos pense por alguns segundos no seguinte: você não morreu para mim. Ainda que eu lhe ignore, não lhe veja mais todas as semanas, que não compartilhe conversas inúteis com você, ainda assim não me senti no direito de apagar qualquer lembrança minha em que você esteja presente – sempre vai ter o seu espaço aqui, (no meu) Coração. E mesmo que não seja como eu imaginei, não quero me livrar da única parte sua que me resta – a parte que ficou em mim.

Claro que você não tem culpa, Coração, caímos exatamente na mesma ratoeira, a única diferença é que você pensa que pode escapar. (...) Não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar. Tem coisa mais destrutiva que insistir sem fé nenhuma?".

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Deixe-se acreditar

Eu nunca fui de escutar a opinião de ninguém, talvez porque eu fosse tão absurdamente arrogante a ponto de achar que estava sempre certa. Ou nem isso: às vezes eu sequer me escutava. Para mim, eram tudo palavras jogadas no ar, tudo coisa da minha cabeça de adolescente que amadureceu antes do tempo. Bem estúpido, agora eu sei; de uns dias para cá eu venho descoberto o quão perigoso e definitivo pode ser a simples ação de decidir não acreditar naquilo que está óbvio, naquilo que está saltitando bem na sua frente, pedindo apenas para ser visto.
Não, eu não abria os meus ouvidos para ninguém. E na primeira vez que eu fiz isso foi a para uma pessoa totalmente inusitada, alguém que eu achei que jamais se importaria em ter uma conversa comigo. Não importa a razão, o que importa é o discurso: ''Eu li uns textos seus. Eu não sei bem como explicar, como lhe dizer... Mas ao ver o que estava lá escrito, era como se você estivesse do meu lado, conversando comigo. Eu senti a palavra. Naquele mesmo instante, eu peguei o telefone para fazer uma ligação, porque eu tinha que dizer: ''Filho, agora eu entendo... Entendo porquê você se apaixonou''. E sabe aquilo de quando apontam pro cara e dizem ''aquele é o cara!''? Então, você é ''a cara!''. E mais: já parou para pensar que ele fez tudo que fez para lhe provar que era bom? Não estou dizendo que foi isso, só tô dizendo que já vi esse filme antes; um dia, eu tive que provar para alguém que eu gostava o quanto eu era... Bom. O que veio depois não importa muito. O fato é: já parou para pensar nisso? E mais uma coisa: desiste fácil?''. Coisa linda de se dizer para alguém, não acham? Claro que eu não levei como um elogio pelos meus textos ainda tão pobres, tão míseros de palavras... Eu levei como uma das melhores lições de vida que alguém já me deu. E, acima de tudo, levei como o tapa na cara que há muito tempo eu merecia.
Foi nesse momento, nesse exato instante entre o cuidado que eu não soube oferecer e o abraço que não recebi, que eu percebi que, só abrindo meus ouvidos para as outras pessoas é que eu poderia ouvir a mim mesma. Quem diria: eu, que passei 17 anos e 11 meses da minha vida achando que sabia tudo de mim, passei esse tempo sem levar à sério nenhuma palavra minha. Passei esse tempo todo sem acreditar em mim mesma. Hoje, eu entendi o meu erro. Não fui eu que duvidei de você. Eu duvidei de mim. Duvidei que te amava o suficiente, duvidei que o futuro que eu sempre quis ia se realizar ao seu lado, duvidei que o anel que eu carregava no dedo fosse mais que um presente fofo de dia dos namorados – resumindo: fui estúpida o suficiente para duvidar da maior verdade que eu tinha. E como fazer para alguém acreditar em você, quando você mesma não acredita em si? Meio complicado.
Talvez mais doloroso, porém mais causa perdida, seria aceitar agora o seu ''não quero e não seria certo comigo arriscar de novo''. Mas não, obrigada. Agora que deixei pela primeira vez algo entrar nos meus ouvidos, algo tão verdadeiro e genuíno, acha mesmo que vou aceitar umas palavras tão caprichosas e egoístas, enfeitas com o seu maior orgulho? Eu prefiro muito mais o segundo discurso que eu verdadeiramente ouvi e que veio de alguém em quem eu confio de olhos fechados: ''Por amor, eu tentaria e acho que deves tentar. Se ele ainda te ama, ao meu ver, é porque ainda há uma luz no fim do túnel. Porque, nêga, o amor move mundos. Claro que não depende só de ti... Mas também depende de ti''. E não, isso não se chama ''ficar acreditando naquilo que me dizem só porque me agrada''. Isso se chama: a-cre-di-tar. Só isso: acreditar. E com um bônus sim, de ''arriscar'', porque isso, se jogar, se atirar para quem se ama é algo que nunca ninguém pode cansar de fazer.

O anel está aqui. E justamente por ser bem mais que um anel, ele vai ficar no meu dedo, de onde nunca deveria ter saído. Já quanto à pergunta feita pelo cara do primeiro discurso bonitão ali de cima, aí vai a resposta que faltou: não, eu não desisto fácil, porque mesmo que eu tenha tido que errar muito para chegar até isso, eu consegui. Consegui acreditar em mim. E hoje, olhando para a minha dor e vendo as impossibilidades contra as quais eu tenho que lutar, afirmo com toda a minha convicção: não duvido mais.

Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto.

Ps.: texto dedicado ao Sr. Gilson Marques e à Wilwana Guimarães, por acreditarem em mim quando eu mesma não sabia como fazer isso.