terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

She's so contagious

Pra você, querida Anna. 

Hoje é terça-feira, minha cara amiga, e eu até quis telefonar, mas a tarifa não tem graça e morar longe de você custa caro. Custa caro manter essa distância Maranhão – Minas Gerais, que não dá para atravessar nem de moto nem de camelo. Tem sido um inverno longo, frio e solitário, mas hoje eu espero que você saiba que estou exatamente aí, do seu lado. 

E mesmo sem te ver acho até que estou indo bem, fazendo o que posso para diminuir a saudade que me atinge em cheio em dias como hoje, feito mar quando quebra na praia e leva tudo consigo. Quero que saibas que me lembro do teu sorriso, cada um dos que vi pessoalmente, e que os guardo comigo e os relembro quando quero aquecer o coração. Você é uma menina que me ensinou quase tudo que sei sobre ser gentil, sobre amar as pessoas, sobre ver o lado florzinha do mundo, sobre acreditar que Deus escreve certo por linhas certas. Você veio para enfeitar minha vida, dizer que será tipo festa sem fim. 

Sábios em vão tentarão decifrar o que se passa na minha mente quando me pergunto "o que de bom desejo à Anna?". Não consigo enumerar tudo, mas sei de algumas coisas. 

Quero que queime as lágrimas, cante mais alto, torça e grite. Tome fôlego. Não se afobe, não, que nada é pra já. Não caia nesse mundo despedaçado em torno de você. Não pare de pensar. Não pare de sentir. Escolha uma música triste e a faça melhor. Pegue um sorriso e ponha na face da tristeza. Tenha força, tenha força e tenha força – assim, repetido três vezes, que é para você não esquecer nunca. Tenha fé e se agarre a Deus, pois junto a ele é quando você descobre do que é feito seu coração. E se você está esperando alguém com quem realizar as coisas, você não sabe que essa pessoa é exatamente você? Comece por si mesma. Seja aquilo que você quer ver no outros – porque só assim, acredite, você verá. 

Sei que às vezes a idade nos trás o peso de olhar o passado e pensar no que já foi construído. Sei também que a gente tá engolindo cada sapo no caminho. Mas se isso deixar o seu coração mais leve nos momentos de angústia, pensa que a gente segue nessa vida se amando que, também, sem um carinho ninguém segura esse rojão. Ninguém nasce sabendo como ter 18, 19, 20 anos, mas você pode aprender com o tempo. E temos todo o tempo do mundo. 

Fique sabendo de ti que não me esquecerei, porque amores são sempre amáveis. 

Amor é tudo que você precisa. E você o tem.

ps.: juro que não sei a lista de todas as músicas que usei para compor o texto, mas aqui tem The Beatles, Vanguart, Switchfoot, Legião Urbana e Chico Buarque.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

One and only

Dia 25 é dia de postar fotos do meu desafio fotográfico com a Analu aqui no blog. Quem acompanhou mês passado sabe que todo dia 25 durante esse ano vamos postar fotos com temas de demos uma para a outra. Estou começando a achar que não sou muito boa nisso de tirar fotos para que elas se encaixem em um tema específico, porque ainda não fiquei inteiramente satisfeita com as minhas, mas nem penso em desistir agora que já estou no caminho. Para fevereiro, eu dei como tema para a Analu uma música - Eduardo e Mônica, Legião Urbana - e o resultado você já pode conferir no Minha vida como ela é. Por minha vez, recebi “One and Only”, uma música da Adele que eu nunca tinha ouvido até um mês atrás, mas que de lá pra cá não para de escutar – uma coisa meio para entrar no clima, sabe? A verdade é que, olhando a letra da canção, desde o início não tive dúvida do que fazer. 

Fernanda e Leonardo são um dos meus casais favoritos na vida. Ela estudou Letras comigo e é uma das minhas melhores amigas. Óbvio que não posso entrar em detalhes, mas a história deles combina muito com a música. Isso de que “God only knows why it's taken me so long to let my doubts” e “Will I ever know how it feels to hold you close and have you tell me whichever road I choose, you'll go?”, assim como todo o resto da letra, resume muito o que eles passaram para ficar juntos. E agora já estão com planos de casamento! Como a Fernanda já me pedia há tempos para fazer umas fotos do casal, uni o útil ao agradável e, confesso, esse mês foi mais difícil escolher apenas 4 fotos.






Para quem quiser ver as outras fotos do ensaio, até amanhã postarei no meu Flickr.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Encontrando o lado bom da vida

Ou: O que eu preciso aprender com Pat Peoples 

"O lado bom da vida" é o livro popular do momento, essencialmente, por conta da sua adaptação cinematográfica, que foi indicada ao Oscar e tem a queridinha Jennifer Lawrence no elenco. Mas eis que sua história é a seguinte: Pat Peoples, um cara com problemas mentais que passou um tempo internado em uma clínica psiquiátrica, finalmente volta para casa. Pat tem um único objetivo de vida: se tornar uma pessoa melhor, já que o seu "eu" antigo causou mais estragos do que ele consegue lembrar. Assim, Pat emagrece e fica com um corpo sarado, passa a ser atencioso com as pessoas e controla sua obsessão por futebol. Pat só é apoiado pela mãe, enquanto seu pai o ignora e seu irmão e seus amigos meio que fingem que Pat nunca esteve doente. No meio dessa confusão toda surge Tiffany, que também passou um período tomando rivotril e derivados após a morte traumática do seu marido. Sabe quando dizem que remédio para doido é um doido e meio? Então, não é por acaso que Pat e Tiffany constroem uma amizade, com perdão do trocadilho infeliz, meio maluca. 


Vocês entendam quão bizarro é o cenário desse livro? Mas depois de um final sem cara de fim e de uma adaptação cinematográfica horrorosa, sabe qual é a mensagem que “O lado bom da vida” me deixa? As pessoas podem mudar, não importa o quão oposto elas sejam daquilo que querem ou precisam ser. Foi isso que o Pat fez. Ele mudou por ele mesmo. Ele mudou porque não aguentava mais ser quem ele era, porque tinha se tornado auto-destrutivo, porque a vida estava acontecendo sem que ele pudesse controlar. Eu sei que nem a ideia do livro nem o que eu estou falando são novidades - mas não posso negar que a carapaça me serviu perfeitamente, porque eu queria ter toda aquela coragem de dizer para mim mesma: você vai melhorar e vai fazer as coisas melhorarem e isso vai acontecer agora.

A base dessa mudança toda é a filosofia de vida do Pat, que é a seguinte: prefira ser gentil a ter razão. Não é mesmo a coisa mais equilibrada e sã já dita por cara com problemas mentais? Parando para pensar, é algo absurdamente simples; mas, como tudo que é simples, os seres humanos deram um jeito de complicar e acabaram invertendo a ordem dos valores da frase. Eu mesma faço isso; tenho o costume de travar guerras com quem quer que seja só para ter razão sempre - e só, para no fim do dia, descobrir que isso nada me acrescentou ou só me impediu de ser uma pessoa melhor. E eu não vou nem falar de todas as metas e objetivos que eu traço diariamente e abandono ao longo da semana. Não é exagero dizer que passei a última madrugada em claro, pensando em tudo que não dá certo na minha vida só porque eu tenho preguiça, porque me falta força de vontade, porque ainda não estou determinada a fazer. É ridículo admitir que tudo em mim tem um potencial muito grande que eu desperdiço.


E sabe o que me incomoda mais em tudo isso? As coisas só são assim porque eu, você, o resto do mundo queremos. Porque eu ainda não movi um dedo para fazer diferente. Porque eu me conformei de uma forma assustadora e deixei tudo para depois. Sabe quando você era criança e começava a montar um objeto não identificado com suas peças de lego? Então, essa sou eu vivendo a minha vida. Essa sou eu pegando pedacinhos que poderiam me ajudar a construir o que eu quisesse e os desperdiçando com coisas sem sentido. Essa foi a pior metáfora da minha vida, mas ainda bem que não é tão ruim quanto parece, porque eis que o Pat me ensinou também que nada precisa fazer muito sentido ao longo do caminho, se você souber determinar onde quer chegar e não se perder disso. E assim a minha ficha caiu e eu percebi que se eu resgatar o fundo de força de vontade que ainda me resta, muita coisa pode ser salva, ainda que aos poucos. Ainda preciso me preparar muito até conseguir fazer certas coisas, mas eu sei que já está nossa de assumir responsabilidade por aquilo que já sou capaz.

Daí você pensa: nossa, Deyse, isso é só um livro, claro que na vida real a gente não acorda um dia e realmente faz diferente... E eu estou dizendo que isso ocorre de um dia para o outro? Estou dizendo que é fácil, afinal? Não foi fácil para o Pat. Não é nem um pingo fácil para mim e olhe que eu ainda nem comecei pra valer a minha "grande mudança". E não me venham com desculpas como "mas esse é meu jeito" ou "esse é meu destino", que tudo isso é coisa de gente conformada. Tudo isso é o tipo de coisa que eu não quero mais repetir. E sabe por que é tão difícil mudar o que quer que seja? Porque as pessoas, as circunstâncias, tudo que nos cerca vai contra a nossa mudança. Porque quase ninguém acredita em gente que muda. Porque o mundo julga e eterniza as pessoas por aquilo que elas foram. Porque você pode até se dar uma segunda chance, mas quase sempre estará sozinho nessa empreitada. Mas ninguém, absolutamente ninguém consegue as coisas sem ajuda. E no fim, a gente se entrega e fica nessa zona de (des)conforto da qual é tão difícil sair. É tipo um ciclo vicioso de conformismo, do qual eu vou lutar para pular fora antes que fique tonta de tanto dar voltas a ponto de não conseguir mais me manter em pé.

E no meio disso tudo, qual seria o lado bom da vida? Talvez seja porque depois da "grande mudança", que às vezes nem precisa ser tão grande assim, exista um lado bom, afinal. E eu sei que já disse isso antes, mas não custa nada acreditar mais uma vez: se existe esse lado bom, vou começar a procurá-lo já.

E se o obstáculo for muito grande, não se esqueça de rir bem na cara dele.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Meus convidados de honra

Vou confessar uma coisa que, na verdade, não é segredo pra ninguém: se eu pudesse, deixava de viver a minha vida para viver a de alguns personagens da ficção. Ou, no mínimo, teria vários deles como amigos, confidentes e desafetos, claro. Por razões óbvias, tenho que me contentar com a minha própria história, mesmo - o que nunca me impediu, é bem verdade, de ter os sonhos mais mirabolantes que nem conto de tão vergonhosos, envolvendo personagens de tudo quanto é livro que eu já li. Por isso, não preciso nem dizer como, ao invés de estudar ou dormir, passei parte da madrugada planejando animadamente a lista dos meus convidados para o "Jantar literário".

Quando eu vi que estava rolando essa tag e que tinha sido indicada pela Analu, eu me controlei para não assistir o vídeo de ninguém conhecido, para que eu pudesse pensar só comigo nas minhas repostas. Daí o que eu fiz? Fui no youtube e pesquisei o vídeo de uma desconhecida para pegar as perguntinhas que tinha que responder - armei todo um plano contra influências nas minhas respostas, percebam. Fiz a minha lista e o roteiro do vídeo e fui lá, feliz da vida, ver o de todo mundo. Mas como quem ama junto pensa junto, acabou que a minha lista tem semelhanças em relação às da Rafinha, da Annoca e da Tary. Amizade tem dessas coisas, mesmo. Acabou que eu mudei uma resposta, como vocês vão ver no vídeo, para não ficar tão igual. Mas tem outras respostas que eu jamais conseguiria pensar diferente - simplesmente tinham que ser. Então, com vocês, meu ''Jantar literário": os personagens da ficção que eu escolheria para jantar comigo. 


Ps.: estou com mil olheiras e parece que um trator acabou de me atropelar, mas se eu fosse esperar ficar bonita pra gravar o vídeo não ia sair nunca – e o frevo já teria passado, né? Não tem graça foliar sozinha.

Eu nunca indico ninguém, mas essa tag eu gostaria especialmente que a Larie e a Thay respondessem, em vídeo ou em texto.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Baseados em fatos literários - ou não

Faço parte do time que acredita que livros e suas adaptações não são exatamente comparáveis, porque, por óbvio, cada um requer uma linguagem própria, fator esse que pode exigir, digamos, certos ajustes. Isso me faz relevar muita coisa que os críticos mais exigentes condenam sem nem pestanejar. Porém, não dá pra ser flexível sem um limite, né? O mínimo que eu espero é fidelidade com a essência da história – ou que outra justificativa se tem para um filme ser homônimo e ter mesma sinopse que um livro? 

Também sou do time que jamais, em hipótese alguma, nem em situações de desespero assiste a um filme antes de ler o livro no qual ele foi baseado. Quer dizer, admito duas exceções: ou porque não tenho mesmo nenhum plano de ler ao livro ou porque não sabia que existia uma obra que tenha inspirado aquela história. Não sei se essa minha “ordem a seguir” melhora meu ponto de vista sobre as coisas, mas sei que também não a restringe: nem sempre os livros saem ganhando, porque já vi muito filme melhor que o seu livro-base (alô Nicholas Sparks). Em outras palavras: minha opinião quanto a livros e suas adaptações não sofre (pré)conceitos. 

Eis que aproveitei o carnaval para assistir a duas adaptações de dois livros muito bons que li esse ano. A primeira foi “Tão forte e tão perto”, versão cinematográfica para “Extremamente Alto & incrivelmente Perto”. Fica parecendo que a Rocco, editora do livro, está me pagando para fazer lavagem cerebral em vocês e os incitarem a só viver em paz quando lerem essa história; mas acontece que o livro é bom mesmo e quando eu saio aconselhando a leitura a quatro ventos é porque sei do que estou falando. 

Chorei e não foi pouco.

Não vou dizer que “Tão forte e tão perto” é a melhor adaptação que eu já vi – mas posso garantir que tem tudo que uma adaptação precisa ter. É bem verdade que ela dá uma boa resumida em alguns fatos e os levemente modifica para que, diante dessa síntese, mantenham uma coerência... Mas não fica aquela coisa bizarra, sabe? Você consegue assistir ao filme e reconhecer que já viu aquela história em outro lugar. Consegue ver o Oskar (Thomas Horn, que o interpreta, tem uma atuação assustadora de tão boa) do filme e pensar: “quando li o livro, imaginei o Oskar bem assim”.

O Omelete, que faz umas críticas que eu respeito muito, pegou bem pesado com essa adaptação – alegando, entre outras coisas, que o filme não capta os melhores recursos utilizados pelo livro, como os gráficos, imagens, anotações e códigos numéricos. Eu sou obrigada a discordar. Além de o filme fazer o que pode para se valer desses recursos, ainda explora outros tantos que só enriquecem a história – as atuações de Sandra Bullock e de Max Von Sydow compensam muita coisa que foi tirada na adaptação simplesmente por não ser viável utilizar certos recursos em filmes como é em livros. Mas o grande segredo desse filme, o que o faz uma das minhas adaptações favoritas da vida, é algo muito mais simples que qualquer elemento grandioso: a forma com que a sua história foi preservada.

Max Von Sydow merecia mais que uma
indicação como melhor ator coadjuvante.

Depois, assisti ao “O lado bom da vida”. Não vou me aprofundar muito sobre o livro nesse post, mas basta que vocês saibam que é uma obra onde as personalidades dos personagens são extremamente marcantes e praticamente constroem o enredo sozinhas. Não é bem a história sobre um cara que tem problemas mentais e precisam superar isso – é mais sobre alguém que precisa de pessoas, por mais improváveis que elas sejam, para seguir em frente e reconstruir a vida. É um livro sobre como nada ou ninguém são dispensáveis e sobre como o nosso final feliz depende do ângulo que olhamos. O livro não é algo único, mas eu levo nos favoritos e recomendo.

Eis que o David O. Russel, por algum motivo que só os velhotes do Oscar devem ter entendido, achou por bem mudar toda a história. E quando eu digo toda a história, quero dizer toda a história. Personagens essenciais foram simplesmente ignorados e os três que considero o tripé da obra tiveram os seus jeitos e suas relações modificadas de forma imperdoável. Foi o primeiro filme da Jennifer Lawrence que eu assisti e, coitada, nem consegui gostar da atuação da menina, porque a personagem que ela faz é diferente demais da personagem do livro a ponto de eu meio que desprezar a atuação. 

Atores bons com papéis ruins: até quando?

Daí o Érico Borgo, de novo do Omelete, que provavelmente não leu o livro de “O lado bom da vida”, vai lá e tece elogios ao filme – algo que eu até entendo, porque é mesmo um filme interessante se você ignorar o fato de que é uma (suposta) adaptação. A crítica do Borgo fala inclusive em encontrar o humor da depressão – o que eu não acho nem de longe que seja o ponto chave do livro e que, por óbvio, não deveria ser o do filme. Aliás, a cena que o crítico cita como a melhor do filme sequer existe no livro – foi uma inclusão que só serviu pra mudar ainda mais o rumo da história, até chegar ao cúmulo de o final do livro e do filme serem diferentes. Isso mesmo: os finais são diferentes (insira aqui todos os xingamentos que você conseguir lembrar). Depois disso tudo, só posso dizer que o que eu vi, infelizmente, foram duas horas de erros seguidos, um verdadeiro massacre com a história comovente que o Matthew Quick criou. 

Os dois filmes foram indicados para o Oscar na categoria “melhor filme” – não que isso revele alguma mensagem subliminar, mas eu não vejo essa semelhança com bons olhos, principalmente porque foram dois filmes que me atingiram de formas muito diferentes. Indico “Tão forte e tão perto” pra quem quiser se emocionar com atuações brilhantes e com uma história que, digam o que disserem, não vejo como um clichê. Se eu indico “O lado bom da vida”? Sim, se você não tiver lido o livro e nem pretender fazer isso ou se não for como eu, que sofro pra caramba e levo para o pessoal essa mania que os diretores ainda têm de quererem filmar algo semelhante a um livro e chamar isso de “adaptação” – façam-me o favor, viu?

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Livros de janeiro/2013

Ps.: estou sabendo que esse post saiu muito atrasado, considerando que já fiz mais leituras depois dessas e que já estamos terminando a segunda semana de fevereiro. Mas mês que vem eu serei mais pontual, prometo! 


Há dois anos, por meio de vídeo, eu venho até o blog fazer uma retrospectiva literária. Esse ano eu resolvi aprimorar um pouco a coisa e falar mensalmente sobre os livros que eu li nos últimos trinta dias – assim, quem quiser saber o que eu achei de um livro específico que eu meramente citei no vídeo, pode correr no mês em que o li e saber um pouco mais sobre minhas impressões. De acordo com a minha meta literária do ano, eu devo ler cerca de cinco livros por mês. Sendo assim, eis os primeiros do ano: 


01. Resposta certa – David Nicholls 

Até agora, essa foi a grande decepção do ano. “Um dia”, também o David Nicholls, foi um livro que me arrebatou completamente na época em que o li, o que fez com que eu criasse, mesmo sem querer, uma expectativa muito grande acerca de “Resposta certa”. Óbvio que a maior lição que eu tiro é que não se pode favoritar um autor com base em um só trabalho, porque sempre existe a “síndrome do segundo livro”. O enredo de “Resposta certa” é raso, os personagens são insuportáveis e o propósito que o livro diz ter, em sua sinopse, é absolutamente ignorado no decorrer da história. Nem mesmo as críticas implícitas na história parecem funcionar. Já falei mais sobre esse livro em outro post, então quem quiser saber mais os motivos de eu não recomendar a leitura, é só assistir o vídeo resenha. 


02. A volta ao mundo em 80 dias – Julio Verne 

Considero “A volta ao mundo em 80 dias” morno, mas surpreendente. Morno porque não é o tipo de enredo que eu classifico como atraente – dar uma volta ao mundo sem propriamente conhecer os lugares por onde passa, tudo em função de uma aposta, me parece um tanto enfadonho. Também não consegui me identificar com nenhum personagem e esse fator sempre pesa na minha simpatia pela história. Ainda assim, para quem pensou que não ia passar das primeiras páginas, a leitura acabou fluindo de forma surpreendente. A linguagem é extremamente simples, há várias passagens engraçadas e é um livro ótimo para quem quer ler um clássico sem grandes dificuldades. O outro blog do qual participo, Amásia, fez uma resenha super completa sobre esse livro e indico para quem quiser saber mais sobre ele. 


03. Extremamente alto & incrivelmente perto – Jonathan Safran Foer 

A primeira resenha do blog foi sobre esse livro de tão apaixonada que fiquei por ele. Foi o primeiro favorito do ano por motivos que até agora eu mal sei explicar. É um livro que consegue ser sensível e avassalador utilizando uma história aparentemente simples; a edição é linda, cheia de imagens que remetem à história, mas não de uma forma direta e simplória. Oskar, a criança que narra boa parte da obra, é um personagem absolutamente inteligente e carrega consigo uma quantidade tão grande de dor que chega a te irritar por tudo aquilo estar acontecendo com um menino de 9 anos. Mas sabe aquela história de que "A culpa é das estrelas" não é só mais um livro sobre crianças com câncer? Então, "Extremamente alto & incrivelmente perto" também não é só mais um livro sobre uma criança que perdeu o pai nos ataques terroristas de 11 de setembro. Quem ainda não leu esse livro não sabe a obra-prima que está perdendo. 


04. Memórias de minhas putas tristes – Gabriel Garcia Márquez 

Foi o meu primeiro Garcia Márquez e eu estava com tanto medo de não gostar que adiei por mais de um ano a leitura. Finalmente tirei o livro da estante e encarei. São poucas páginas, mas que parecem milhares. A linguagem não é das mais fáceis, mas isso já era o esperado; o meu problema foi mesmo com a história. Não sei onde eu estava com a cabeça quando achei que fosse gostar de uma narrativa envolvendo um velhote de uns 90 anos apaixonado e desejando ardentemente uma menina de 14 anos. Cada vez que havia uma descrição dos seis da menina ou do seu corpo nu, por mais sutil que fosse e por mais que a linguagem estivesse adequada, sem cair no vulgar... Não sei, me dava nojo. Pode parecer preconceito ou uma aversão sem fundamentos precisos, mas nesse contexto eu não consegui captar a essência da história de amor que era construída. Sem dúvida alguma, um livro de altíssimo nível; porém, não consegui construir laço algum com ele além do de aversão.


05. A última carta de amor – Jojo Moyes 

Comprei esse livro em agosto do ano passado e passei esse tempo todo esperando o momento certo para lê-lo – e finalmente quando a leitura começou, descobri que ainda não estava no clima que o livro precisava. Mas, como já tinha começado, segui em frente. Senti que isso prejudicou um pouco a leitura – estava sem paciência pra “lindas histórias de amor que atravessam gerações” e o livro trata basicamente disso. O começo é um pouco enfadonho, mas da página 80 pra lá eu senti uma necessidade absurda de continuar a leitura, principalmente pela curiosidade que a história vai despertando. O livro faz o estilo "história dentro de uma história", mas não achei que tenha gerado confusão - pelo contrário, creio que mesmo o tempo não-cronológico deixou a história bem consistente. A autora me surpreendeu com a qualidade da sua escrita pra um livro que, pela capa e pelo título, é logo visto como um romance bobo. Além disso, é um prato cheio pra quem gosta de ver retratado o papel de submissão da mulher na década de 60 nos EUA - apesar de não retratar de forma real o que acontecia com aquelas que queriam se sobrepor ao sistema repressor.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Escrever é uma doença sem cura

Escrever às vezes me parte o coração. Queria eu poder dizer que fazer um bom texto é fácil como reconhecer um outro tão bom, escrito por alguém. Escrever um texto cotidiano, banal como essas linhas, é como contar uma história inventada na hora: você não sabe como começar, mas depois de se engajar no ritmo, flui como se desde o início você já soubesse exatamente como terminar. Literariamente falando, as coisas são mais complexas. Quando estou feliz, a minha linda de produção se esgota; deixo de enxergar as coisas como ponto de partida de um texto e passo a vê-las como algo que simplesmente existe, que eu não preciso reproduzir ou transformar em um ou dois pares de frases bonitas. 

Quando estou triste, por outro lado, as palavras parecem água jorrando de um poço que transborda. Quando minha alma está chorosa, eu não consigo me conter, e mesmo quando tento, sinto que estou sufocando dentro de mim mesma. Isso existe, morrer de silêncio? Se sim, eis aqui a minha prova: escrever me dói como se fosse anti-natural, como se eu tentasse andar por um mundo de cabeça para baixo. Escrever me dói como a certeza que depois de findo o texto, ele se perderá no tempo das pessoas e no meu próprio esquecimento. Pior: depois de finda a origem da dor, as linhas dos textos se embaralham e não fazem sentido algum, como se não tivessem sido escritas por mim. E insistentemente eu me pergunto: por que não desistir das palavras? Quase me convenço que sim, melhor abandoná-las no fundo da gaveta. 

Mas então acontece. Depois de tanto doer, por um único segundo, surge aquele momento maravilhoso em que escrever me liberta e me faz alcançar aquele ponto que só atinjo depois de sofrer tanto. Escrever dói tanto que, naquele segundo, me paralisa os sentidos e a única coisa compreensível em meio a tanta escuridão é um fiapo de luz distante, que passa a ser perseguido como se fosse a última palavra daquele texto. Ultimamente, me encontro imparcial no meio dessa guerra onde alguém tem que vencer. De um lado, a dor que precisa existir para que eu, concretamente, sinta algo; de outro lado, a paz que me seduz porque simplesmente existe, sem provas escritas. 

Sim, escrever me dói como um tiro nas costas dado por um amigo, me parte em duas antes que eu perceba que não sou eu que controlo as palavras, mas que elas, até onde puderem, me controlarão. Ocorre que talvez eu esteja descobrindo aos poucos que a dor que eu sinto tem o seu objetivo próprio. Ela não simplesmente dói, mas dói com um motivo forte o suficiente que transforma essa dor em beleza. Doer é um mal à minha escrita, mas também é a sua essência. Escrever me dói como nascer no mundo e sobreviver a ele.