Às vezes, você tem alguém próximo à você que passa todo o tempo lhe dizendo que a vida não é isso, não é aquilo, que está tudo muito bom enquanto você se delicia no seu 'faz de conta'. Acontece que, um dia, você vê as coisas como são e entende o que aquilo que parecia uma conversa à toa realmente queria lhe dizer. Você encontra pessoas que não usam tênis de marca, que não tem um mínimo de concordância verbal e que ainda não sabem metade das coisas que você já sabia na 1ª série do ensino fundamental. Algumas parecem terem vindo de lugares que você nem sabia que existia, outras já passaram por tanta coisa ruim que só conseguem pensar no que mais de trágico pode acontecer. São todas pequenas almas sem esperança, perdidas nesse mundo, estáticas simplesmente por não saberem para onde seguir. E você encontra lugares, meu Deus, completamente adversos aos que você costumava frequentar, sem nada de luxo e glamour e um excesso de simplicidade que parece surreal, onde a lei dos mais fortes realmente impera. Aí você entende: sou um privilegiado. Definitivamente, sou alguém cujas oportunidades foram únicas. Mas quer saber mais? Sou igual. Perco em experiência de vida, em senso comum, em jogo de cintura. E no final, você entende que o que você acha que tem para oferecer é algo que eles conseguiram viver bem sem. O que nos resta é pegar tudo que achamos que sabemos, recolher nossas roupas caras e nosso sobrenome de renome e jogar tudo em uma caixa, guardá-la no armário. E ir lá fora, aprender a viver de verdade.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
domingo, 28 de setembro de 2008
Nas quatro estações
Eu pretendo.
Pretendo ser mais, ter mais e viver para ver.Pretendo cantar em dias de chuva, chorar de alegria, gritar até ficar rouca. Pretendo dançar no barzinho, assistir filmes de terror, correr com medo de barata, tomar sorvete quando estiver gripada, brincar de ser rica e famosa.
Ah, pretendo. Pretendo te conhecer. E, conhecendo, pretendo passar dias e dias ao seu lado, tomando café e discutindo música, enquanto vemos uma bobagem qualquer na televisão. Pretendo casar com você e depois de um tempo sozinhos, ter filhos, para que o nosso pretender se espalhe pelo mundo, como a forma mais sutil de se ter esperança que é.
Pretendo enriquecer. Do material, o suficiente, do espiritual, o máximo que puder. Pretendo ter vários: vários momentos felizes, vários motivos para quase que explodir de ser feliz, vários amigos para dividir tudo o que tenho de vários.Pretendo aprender o necessário, mas não em excesso: não pretendo a presunção, mas a humildade e nada além. Pretendo deixar ir quando necessário, mas lutar na maior parte das vezes. Pretendo, claro, prender sem sufocar, roubar sem corromper, perder, ganhar, superar e jamais me abandonar.
Pretendo ser eu, ser você, ser nossa família e, acima de tudo, ser algo sem direção, para que eu possa ter sempre um caminho pelo qual pretendo caminhar sem ter pretendido fazê-lo. Pretendo ter tudo o que preciso: uma dose extra de amor, um ar puro para respirar e uma rede na qual deitar para que eu possa traçar os próximos planos que pretendo realizar.
Acima de tudo, pretendo não pretender; pretendo deixar correr, como sempre foi e como sempre deu certo, sem pretensões de pretender prever.E, claro, pretendo viver. Não o máximo, mas o melhor que puder. E pretendo que seja fácil. Não cansativo, não monótono, mas numa facilidade que me deixe um desejo: pretender o pretender novamente, e mais e mais.
Noites nuas de bruma
Vai ver, eu simplesmente cansei.
A exaustão me consumiu. Fiquei farta de tantas horas observando pela janela o céu cinzento, como se o nosso final feliz fosse chegar com o primeiro nascer do sol. Ou talvez, eu tenha exigido demais; para desencargo de consciência, aviso que não é de sua total responsabilidade - é pecado meu, pois, não impedir meu salto ao abismo de corações - a frustação que me assola. Dias sentada ao sofá, cigarro à boca na espera de sua volta que não chega - cruzar os braços, fechar os olhos, existir - só poderia resultar em algo como o agora: a desilusão de saber que você não vai invadir a sala, declamando Drummond e me jurando o futuro que eu sempre quis ter.
Ah, consolação saber que o amanhã há de surgir menos covarde se trazido pelo fim da névoa do hoje.
E o nosso 'felizes para sempre' se vai, como segue parte do vazio que integra o meu agora.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Da cura em uma mesa de bar
E rente, quedo mergulhado
Distindo, impetuoso das palavras
E tudo haverá de crer
Em hígida percepção
Pensar de mim, vulgo boêmio
Que hei de viver em solidão
De boa dose de êxtase e delíros
Percebe sons, soluço reprimido
Vai, caminha, vinde a mim
O beijo já se foi, és adeus fatídico
Pobre pecador, em dias aluvidados
Não me julgues, acende meu cigarro
E hai de perceber, outrora sem dor
Pois me curar irei,
Dessa causa, um grande amor
sábado, 20 de setembro de 2008
Na falta de um coração
Não, não clamarei
A priore, digo que estou farta
O tal pensar esvaiu-se
Foi embora, cansou de mim
Depois, confesso
Não me basto
Meu eu poético é frágil
Vulgo versejar por circunstância
Oh, ai de mim
Aquele de odes vazias
Homem sem amor
Que será, pois, de um ser assim?
Abaixo de coisa alguma
Hei de ser eu, por excelência
Puro e simples
A priore, digo que estou farta
O tal pensar esvaiu-se
Foi embora, cansou de mim
Depois, confesso
Não me basto
Meu eu poético é frágil
Vulgo versejar por circunstância
Oh, ai de mim
Aquele de odes vazias
Homem sem amor
Que será, pois, de um ser assim?
Abaixo de coisa alguma
Hei de ser eu, por excelência
Puro e simples
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Deixe-me apreciar
Até o agir por impulso requer prática.
Não me peça o aguardar; ser espectadora de ações que eu poderia executar me aflige, consome a liberdade do meu eu. Ando a esmo, assumo, mas sempre por achar que podia, mesmo nem sempre estando completa. Seja na reflexão da noite sob o luar, seja ouvindo causas irretocáveis de formas do errado, permaneço rente ao pensamento de que o fazer à vontade, mas sendo o que pensa, já é premiação satisfatória por uma vida. E no meio de tantos tabus, normas e moral desperdiçadas diariamente, peço licença para o meu agir, por impulso ou não, mas que sempre lhe trará o contemplar do meu sucesso.
Não me peça o aguardar; ser espectadora de ações que eu poderia executar me aflige, consome a liberdade do meu eu. Ando a esmo, assumo, mas sempre por achar que podia, mesmo nem sempre estando completa. Seja na reflexão da noite sob o luar, seja ouvindo causas irretocáveis de formas do errado, permaneço rente ao pensamento de que o fazer à vontade, mas sendo o que pensa, já é premiação satisfatória por uma vida. E no meio de tantos tabus, normas e moral desperdiçadas diariamente, peço licença para o meu agir, por impulso ou não, mas que sempre lhe trará o contemplar do meu sucesso.
sábado, 13 de setembro de 2008
Casos, um primor
E vai ver, realmente não adianta. Tantas noites em claro, tantos momentos gastos com lamentações vãs. E daquele frio que congelava a alma, veio-se o amar intensamente e de forma sábia, como a única esperança que realmente é. E do querer mais que tudo, veio o conseguir, o alcançar, o ‘agora já foi, é meu, é nosso’! E do nunca mais, surgindo do pó da incerteza e da angústia, caminhou até os meus pés – rentes ao mar, minha natureza que finda - o bem-estar duradouro que nos pertence. Chegou só, acompanhado, um pouco mais, um pouco menos, só mais um instante de uma felicidade que maravilhava, aquela que só a gente sabe sentir. E caminhou sem pedir licença, como a boa invasora de vidas que é. Tomou conta, irradiou a imaginação para os nossos planos mais incríveis e cheios do nosso eu. E, de repente, parece que a linha turva pela qual caminhávamos finalmente enrijeceu, num complexo de papos-cabeça e abraços sem por que nem pra quê, resgatados de uma vontade que há muito não se sentia. O futuro não nos pertence, não pertence a ninguém. Mas maior que todas as dúvidas e que os cruéis acasos, existe um esmero singular, de um cuidado em não perder sem prender, de um amar mais para conseguir mais, de um ser acima de tudo, do conseguir porque somos capazes. E no fim, talvez tenhamos tudo o que sempre se quis: um lugar ao céu, o apreciar do alcance e um amor sem fim.
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