Há alguns dias, eu fiz um compromisso de honestidade. Com quem, eu não sei exatamente, e com que intuito, muito menos. A verdade é que eu passei a vida inteira escondendo as piores coisas que se passam dentro de mim, não só pelo que as pessoas achariam se soubessem, mas por causa do que eu própria já achava de mim. Acreditem, não tenho exatamente um caso de amor comigo mesma. Não são raros os dias em que não me suporto. Por outro lado, estar aqui, hoje, me dando uma última chance, é a maior prova de amor que eu poderia me oferecer.
Um dia me disseram que desabafar faz bem, que conversar alivia a alma. Nunca experimentei a sensação, mas sei bem como é engolir a seco as próprias mágoas e garanto: não tem um gosto bom. Então ok, vamos tentar uma outra abordagem: vamos ser sinceros, de uma maneira que eu nunca fui na vida. Só Deus sabe por quanto tempo e até onde isso vai me levar.
Se é para ser honesta, aqui vamos nós: meu nome (que por sinal, eu odeio) é Deyse, tenho 22 anos e, muito embora me autodenomine advogada, a verdade é eu mesma não poderia pensar em uma titulação mais irônica - se tem alguém no mundo que hoje é incapaz de defender outra pessoa ou alguma causa, esse alguém sou eu. Atualmente, estou gravitando naquele período pós-aulas e que antecipa a colação de grau, então podemos dizer que, verdadeiramente, sou uma desocupada - e qual é mesmo aquele ditado sobre mente vazia...? Esse meu atual estado por si só é uma problemática bastante extensa, mas vamos por enquanto resumir a coisa da seguinte maneira: eu não faço ideia do que eu vou fazer com a minha vida daqui pra frente.
Tenho passado os meus dias lendo livros, vendo filmes, comprando coisas que não vou usar e escrevendo textos banais e inúteis tais como esse, que ninguém vai ler porque ninguém se importa. Talvez nem eu me importe, mas foi o que eu disse anteriormente: me sobra tempo livre e o diabo anda fazendo a festa com a minha imaginação fértil. Além disso, tenho pouca vontade de sair de casa, mas não consigo parar de odiar o fato de passar o dia de pijamas, dormindo o sono que nem mais tenho.
Queria muito ligar para alguém, mas não saberia o que dizer e tão pouco tenho para quem ligar - e aqui vai um fato muito importante sobre mim mesma: eu tenho vivido só. Na maioria dos dias, não converso com ninguém que não seja a empregada de casa ou meu irmão - só o básico, aliás, o suficiente para o alerta vermelho deles não disparar na minha direção. Não estou me esforçando para mudar esse quadro, o que é particularmente triste, mas não o suficiente para me obrigar a fazer algo a respeito. Por isso, passo o dia conversando comigo mesma e ouvindo meus próprios conselhos o que, desconfio, é um dos principais motivos pelos quais eu tenho tido tão pouca vontade de viver.
Estou aqui para falar dos meus problemas, na esperança de que, ao tirá-los da minha mente e torná-los algo minimamente real, eu consiga encará-los e mandar todos para o quinto dos infernos. Espero que ninguém esteja aguardando qualquer texto feliz e cheio de superação, porque, pelo que pretendo, as alegrias que eu por ventura venha a ter não vão ter relação alguma com o que eu faço aqui - vão ser vividas lá fora, bem longe de toda essa carga negativa que vez ou outra eu deposito nesse espaço. É por isso que eu decidi separar bem as coisas: sou feliz do outro lado desse muro; aqui, eu sou só mais uma garota fodida pela vida, pelas pessoas e por si mesma.
Estou aqui para falar dos meus problemas, na esperança de que, ao tirá-los da minha mente e torná-los algo minimamente real, eu consiga encará-los e mandar todos para o quinto dos infernos. Espero que ninguém esteja aguardando qualquer texto feliz e cheio de superação, porque, pelo que pretendo, as alegrias que eu por ventura venha a ter não vão ter relação alguma com o que eu faço aqui - vão ser vividas lá fora, bem longe de toda essa carga negativa que vez ou outra eu deposito nesse espaço. É por isso que eu decidi separar bem as coisas: sou feliz do outro lado desse muro; aqui, eu sou só mais uma garota fodida pela vida, pelas pessoas e por si mesma.
Nunca pensei que fosse tão fácil ser sincera. E tão absurdamente vergonhoso.


