sábado, 18 de abril de 2009

É impossível

E desistir dessa vida,
covardia ou esperteza?
Eu que não ponho o meu pescoço à prova.
Entre arriscar, vencer e perder, eu preferi nem existir.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Medida de um tempo

E então isso é o fim? Bem menos melodramático do que eu imaginei, admito; previa choros e dialéticas, queria ouvir minha voz soar no eco da solidão, dizer que achei o céu era mais azul do que estava pintado. Queria ter berrado para que me vissem ali, submerso no mundo dos sonhos fantasmagóricos que enterraram virtudes, aquém de toda a história que advinha em faces. As mãos calejadas se erguem diante de meus olhos, mas já não posso segurá-las: empacotei sentimentos, todo um coração, e joguei-o fora. E foram-se dias felizes, planos de momentos cheios de nós. Não ergo meus olhos para não encontrar o triste destino dos que já não podem ver, cegos do orgulho de não pedir perdão, privados de ajuda e lotados de desprezo. Caminho em multidões; pessoas, assim como eu, felizes em seu mundo, incompletos no universo alheio. Pessoas cheias de si, feitas para amar e não serem amadas. Pessoas que são de épocas erradas, famílias trocadas; não pertencem a si, não são objeto do outro: estão por um andarilho de pedras, soltas ao vento que as carregue, esqueléticas, cheias de fome de alma. Então, talvez se descubra. Duas linhas podem ser paralelas, distintas ou coincidentes; eu posso me entregar, à brisa mais doce ou à ventania. E o acaso que me encontre, aonde quer que eu vá parar.

domingo, 12 de abril de 2009

Quando se vê o mundo azul

Ninguém pode entender, ver e ouvir além de mim.
O sol já não nasce e não se põe, o dia se conta de trás para frente. As lágrimas sobem ao rosto e infiltram nos olhos, o tempo corre, pesaroso, como o som do ar que deixa meus pulmões. O seu nome está gravado em minha mente seca de emoções; são sentimentos que não sentem, amores que machucam, prazeres que queimam. Tudo desvanece sob o peso de anos curtos, calendários limitados de horas tristes, que erguem meus ombros até não poder mais. Meus olhos se abrem em demasia, cada aroma se torna único, as amizades não existem.
Então você chega.
O sol se ilumina e escurece, belo, clareando sorrisos brilhantes em lagoas e encobrindo beijos sutis; os dias, esses nem se percebem, tamanha a felicidade que nem se conta. As lágrimas secam, o tempo passa economizando cada suspiro, como o grito de alívio de meus olhos ao encontrarem os seus. O seu nome gravado em meu coração carregado de batias fortes, vívidas como o amor que renasce, rejuvenesce, se ascende em palpitações. Tudo se constrói a cada instante que se olha ao lado e se encontra, no pegar de mãos que caminham juntas em um passar harmônico. Anos que passam constituídos de lembranças que se lembram, de festas que se comemoram, de comidas e bebidas que alimentam corpos cobertos de sonhos, erguendo mentes sublimes.
E uma hora os olhos se fecham, felizes, deixando o cheiro de saudade e as amizades realizadas, como alguém que viveu, chorou sem medo e nunca desistiu.
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É necessário ver a pureza,
tanto nas cores como na tela em branco.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Deleite de (des)conversar

Então, de fato, o que seria recitar? Sentar em uma cama quente, olhar para o papel em branco e faltar-lhe palavras para tamanhos sentimentos? Ah, que grande trovador sou! Dos mais francos, dos mais bucólicos.
Se vou falar de amor, falo de amor. Isso, sem meia volta ou metáforas que escondem a pureza do amar por nada, amar singelo, amar sem precedências, sem consulta ao SPC ou exame de sangue. Falo de amor como ele é, como deixa de ser ou como fingi ser. De como ele destrói, de como habita nós, meros mortais que nascemos apenas para amar e morrer, senão sofrer de amor. E falo de amor como de fato se falam ao montes por aí: sem saber que se fala do sentir mais mutável de todos, cujo conceito, válido hoje, seria ultrapassado no amanhã mais recente.
Se vou falar de vida, falo de vida. Ensino a viver. Aliás, que fazes aqui, lendo e se deleitando em palavras afogadas no subjetivismo? Saia, comece a viver. E tenha a verdadeira leitura, a leitura da alma do que seria conjugar viver em todas suas pessoas, em todos os seus tempos. E se for para falar de vida, ora. Não perco o meu tempo falando sobre tal desafio, não me atrevo a desvendá-lo. Que charme haveria em mistérios tão indecifráveis se estes deixassem de ser mistérios indecifráveis?
Se vou falar de tristeza, falo de tristeza. Mas não procuro falar muito sobre isso, antes que acabe me consumindo e eu esqueça como se fala de amor e de vida, verdadeiramente. Se vou falar de amizade, falo de amizade, apesar desta ser algo mais raro de ser visto, portanto, algo mais raro de ser relatado com a mesma veracidade que todo o resto.
E, claro, se vou falar sobre o tal falar... Procuro mentir em um todo, porque todo o homem é feito, metade falsidade, metade sonhos. O aleive, ah, esse tem que sair. E os sonhos, esses ficam comigo, para não serem contaminados por amor, viver, amizade e muito menos pela tristeza. Afinal, sonhos que é sonho que se preze não sente nada que é de verdade, apenas idealiza de uma forma tão perfeita que, falando sem falar, recitar é impossível.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Tanto faz

Ultimamente ando tão capenga. Tão cheia mim, de nós, de outros. Tão cansada dessas situações diárias que nos enchem de dúvidas pesarosas, de ultimatos, de seqüências.
Nosso ar é tão pesado, o cheio de terra molhada queima meu nariz, o instante que ficou deveria ter passado com os demais. Nada tem um objetivo, um porquê, uma condição. A dúvidas se perderam, os amores se tornaram evasivos, as paixões se apagaram com a água gélida do esquecimento.
Estranho que seja assim. No instante que se descobriu, se perdeu; no momento em que mais se amou, se esqueceu; no ímpeto de salvar, deixou que morresse, triste, sozinho, antes ou depois, tanto faz. Os dias se arrastam... As tardes, antes cobertas de risos e saltos, hoje são partes de um momento estático, perdido no tempo da indiferença. As noites são sombrias, solitárias como o coração que acorda todas as manhãs, mais morto que vivo, mais relutante que audacioso.
Sou louca, talvez. Somos todos desequilibrados, perdidos no balanço de vidas incomuns, regidas por leviandades, um querer e não querer que nos deixa confusos, sem saber se o problema será a nossa chave que não entra na fechadura ou se no cadeado que quebrou com a força de nosso aperto, de nossas mãos descompassadas com o resto de nosso corpo. Perdeu o fogo, acabou o fôlego. A vermelhidão do céu domou o tal, o heróico.
Se quiser ir, vá. Nada me importa mais.