sábado, 30 de janeiro de 2010

Eis minha doença

Sintomas:
Indício 01: Dormir muito tarde, acordar muito cedo e, nesse meio tempo, ter uma série de sonhos cabulosos que incluem umas tantas palavras que não foram ditas e não têm previsão para o serem;
Indício 02: Passar um lindo sábado de sol trancada no quarto, sem pespectivas certas de saída, o que inclui idas normais à cozinha pra se alimentar ou caminhadas ao toalete para desinfectar o corpo, simplesmente por uma incerteza de reciprocidade de um sentimento desconhecido;
Indício 03: Risadas crônicas motivadas por espécies insignificates de colocações vocabulares, tais como a formação de frases do tipo de ''estava com saudade de você'', ainda que as mesmas soem como um ar pseudo-sedutor;
Indício 04: Desconforto abdominal ocassionado não por digestão de alguma substância ilícita, mas sim por aquilo que as pessoas do século passado conheciam pelo nome de ''borboletinhas no estômago'' como consequência de uma proximação física mais significativa.

Diagnóstico: Um caso sério de imaginário amor não correspondido ao pé da letra.

Tratamento: Fase de teste falha. Cura eficaz não identificada.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Eu não sei dizer adeus

Eu não sei, mas acho que não quero mais nenhum envolvimento com você. Não que eu não aprecie mais o seu papo ''estou-dizendo-não-apenas-o-que-estou-dizendo'' ou que não sinta mais nada quando você me toca; acontece que, caindo no clichê e sem querer desmerecer o seu intelecto, eu acho que você merece coisa melhor. Tenho sabido que já andou sofrendo por outras que talvez não tenham se dado ao trabalho de lhe explicar como as coisas de sentimentos são e, justamente por isso, imagino que você já tenha um histórico daquelas situações de quando se deixa ir porque não tem mais jeito, a pessoa se afastou, dobrou a esquina, não deixou nem rastro. Por isso, queria que me perdoasse pelo fato de eu desejar ser mais que uma continuação dessas suas histórias de mal-dizeres amorosas - e eu sei que, se eu ficar mais um pouco, é isso que vou acabar sendo e só. No mais, queria dizer que eu te amo, porque ainda que doa, deixar isso claro nunca é sacrifício.

play: Sea of Love - Cat Power

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Incomodar-se com o acomodado

(...)

Acomodar-se. Ao sofrimento, à dor, à pedra no sapato, ao barulho na casa da vizinha, à lâmpada queimada, à comida sem qualidade, à falta de amor, ao abraço pela metade. Acomodar-se ao que incomoda. Não é isso que fazemos, todos os dias?

(...)