sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Com prazo de validade

Se eu quisesse me enrolar mais sobre o assunto, talvez eu até conseguiria. Eu poderia imaginar na minha mente, sem nenhuma dificuldade, que isso que você está fazendo é o melhor para mim. Que você sabe que errou, errou profundamente e se sente tão envergonhado que não se atreve sequer a ultrapassar o seu sincero pedido de desculpas. Você está se punindo ao não me permitir lhe dar uma segunda chance. E eu lhe diria 'Lute! Lute, seu infeliz. Eu estou aqui, estou sentada ao seu lado, esperando que você peça, que você implore por um pedido de desculpas, que você diga que vai fazer de tudo para conquistar minha confiança novamente. Grite, se odeie, reclame o mais quanto puder... Mas por tudo que é mais sagrado, lute!'. Ah, eu imagino uma cena como essa na minha cabeça sem o menor esforço. Eu poderia tê-la realizado hoje, sob o luar que nós tanto discutimos nessas semanas que se passaram.

Mas eu sei. No fundo eu sei.

Quem sabe não é assim. Quem sabe você não espera exatamente que eu permaneça intacta, encubada em uma camada espessa de ódio e rancor, que você jamais conseguirá perfurar. Talvez você simplesmente espere e deseje isso; talvez tenha planejado e agido conforme fosse previsto para que acabássemos os dois aqui, sob o luar que foi discutido em apenas mais um momento em que você fingia. Talvez o tempo todo você quisesse que tudo terminasse nessa conversa sem lógica e sem conclusão, onde você parte meu coração mais uma vez. Talvez... Talvez...

Meu Deus, você era tão bom! Era tudo aquilo que eu achava que jamais ia encontrar e, incrivelmente, você parecia estar no meu caminho, no momento certo. Era você que eu tinha escolhido para me tirar dessa boemía sem fim, desses casos sem laços, desse amor livre no qual eu me meti durante todo o ano que está quase acabando. Mas o que você fez? Fugiu aos meus gritos de raiva, que no fundo eram apenas pedidos de socorro. Socorro de mim mesma e da figura cheia de desamor que eu tenho me tornado.

Eu não vou sofrer por você. Não para ninguém ver. Mas sim, eu decidi que você ainda vai me notar muito. Vai notar cada sorriso, cada frase brilhante, cada trabalho de destaque, cada chegada. Sim, você vai notar. E EU vou decidir você é o meu remédio ou se foi mais um mal. Mas, por enquanto, vamos permanecer assim, cada um em um canto vazio, sem os sorrisos que lotavam os mesmo lugares até pouco atrás. Dê tempo ao tempo...

Dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas...