quarta-feira, 30 de julho de 2008

Ah, o amor, essa raposa...

Não, não me chame de covarde.
Você vai dizer que ‘deixa disso, você não consegue’, mas e daí? Eu não estou pedindo permissão para desistir de você. Não estou perguntando se sou capaz. Eu sei que sou.
Sabe, nós podíamos ter sido tudo. Mas chegamos a uma bifurcação sem sentido e irremediável, antes que a chance de sermos felizes nos atingisse... E nos tornamos nada, o que, na verdade, sempre fomos. No fim, quem sabe não foi melhor assim. Você me deu a chance de me arrepender. Possibilitou que eu parasse e pensasse na besteira que eu estava fazendo ao trocar algo certo, alguém que me ama, que eu amo, por, bem.. Você. Você, que nunca passou de uma sombra do passado que me perseguia; você, que nunca será nada além de mais um corpo que gasta o oxigênio do planeta.
Antes, eu tive a escolha de sofrer por algo que eu achava ser amor. ‘Ah, o amor... O amor é uma dor. Que só nasce no coração dos trouxas’. Bom, eu tive meu momento trouxa. Eu me encantei pelas suas palavras e promessas como nunca havia acontecido com ninguém na vida. Não me comovia, não me entusiasmava, mas você surgiu em um momento de fraqueza, de solidão. Eu me doei, me ofereci inteiramente, da melhor maneira que podia, da única maneira que eu sabia. Quisera a paixão fosse uma operação matemática: eu atraente + você encantador = felizes para sempre. É... Essa equação qualquer trouxa resolveria. Mas a equação do amor, do amor verdadeiro?
Nem precisa dizer que não é assim. Amar é um sofrer constante. É estar perto estando longe, é odiar enquanto adora inteiramente, é dividir tendo tudo para você. É compartilhar, somar, analizar, decompor. É um colapso, uma dúvida, surpresa, um fascínio: um desafio. Não é qualquer um que consegue, não é todo mundo que sabe manter... Mas também não é qualquer um que perde. É preciso pouco para se amar alguém e muito para se esquecer. De verdade, estão na lista das pessoas mais corajosas do mundo aquelas que se atrevem a se entregar a um amor... E aquelas que têm a petulância de esquecê-lo.
Quanto a mim? Sou atrevida o bastante para me entregar de uma vez, sem medos da sua assombração, sem você para me dizer ‘chega, ainda existo’. E melhor: sou petulante. De uma petulância suficiente para lhe dizer: cansei do você. Estou caindo fora. Vou ser feliz com o meu amor, sem paixões-fantasmas para me espantar. Porque, dessa vez, você não vai me impedir de me doar inteiramente, sem nenhum 'porém' dessa vez; ninguém vai me impedir... Nem eu.
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'Por enquanto, sorria e saiba o que eu sei: eu te amo' ♪
Não vou mais chorar - Nando Reis :)

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Coração inconstante

É sempre assim: um dia é aquela paixão avassaladora... Você acha que está tão apaixonado que não sabe o que fazer com tanto amor. E no outro dia, você simplesmente não sabe onde estava com a cabeça por achar que, por um minuto que fosse, sentiu algo por aquela criatura, algo que se pode chamar de verdadeiro. De ‘pra sempre’. Em um dia, você faria de tudo para ter aquela pessoa ao seu lado... Enfrentaria os seus pais, mudaria de cidade, pintaria o cabelo. Só que no outro dia, nada importa mais que manter seu cabelo na cor atual e agradar seus pais e isso tudo sem mudar de casa... Aquele idiota não vale, de fato, uma grama do seu esforço e da sua consideração. Um dia, você o ama... Dorme e, quando acorda, pior: já ama um segundo... E depois um terceiro... E, no final, odeia os três, e depois começa a amar tudo de novo. Em um dia, sente saudades; no outro dia, lembra dele só quando já está indo dormir e, logo depois, esquece de lembrar... Até voltar a sentir uma saudade enorme, de novo. Um dia quer mais que tudo, no outro daria tudo para não ter. É, companheiro, árdua tarefa essa de conciliar sensações dentro de um único coração inconstante. Mas vale lembrar que todo grande sentimento vem acompanhado de incertezas, aflições e mudanças drásticas de humor... E mesmo que nem sempre você goste de se sentir como alguém que sofre de transtorno bipolar, acredite: amar também é um não-amar constate, cheio de indas e vindas... Mas que no final, sempre vale a pena.

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Claro, você também precisa saber se É amor, e isso nem sempre você consegue logo de cara.
Ser inconstante é, indiscutivelmente, uma marca minha... Mas amá-lo todos os dias, mesmo que do meu jeito, mas da melhor maneira que posso, também é :)

Procura-se um amor

Mas um amor de verdade. Nada de amor de uma festa, em quem você beija e para quem não liga no dia seguinte. Nada de amor de novelas, em que pela manhã vai cada um para um lado e, durante a noite, reúnem-se apenas para consumar o casamento. E por favor, poupe-me de amor de férias, feriados e nada, mas nada mesmo de amor de viagens, porque coisa alguma no mundo é tão dramático ou problemático quanto um desses.

Eu quero um amor de vida. Sabe como é, um amor que seja a sua vida. Que seja o seu ar, o seu alimento, sua força e para quem você seja tudo isso também. Não quero um amor que me encha de elogios, mas que me cubra de verdades. Não um amor que me envie buquês de rosas no dia do meu aniversário, mas um amor que roube um lírio do jardim da vizinha para me presentear em um domingo chuvoso qualquer. E me recuso a receber amores covardes e agradeço se me aparecer o amor mais corajoso que este puder ser.

Eu quero um amor novo. Ou um que se renove a cada dia, como se cada manhã fosse a primeira de uma vida inteira juntos. Nada de amores velhos, de amores resgatados na lata de lixo, onde estavam apodrecidos e fedendo a coisa ruim. No mínimo, um amor reciclado, que antes de chegar até mim tenha passado por um longo processo de higienização e aperfeiçoamento e que venha com um cheirinho de imaturo, inexplorado. E com uma gotinha de alfazema para dá uma essência de algo que já foi conhecido, que todo mundo já teve um dia.

Eu quero um amor concreto. Não quero um amor cheio de palavras e promessas, mas um amor cheio de ações e provas, que eu guarde em uma caixinha. Guardado não para que não seja olhado, porque quero um amor com tanta luz que doa aos olhos de quem lhe olhe fixamente; quero para que sempre que a caixinha seja aberta, o amor irradie o mundo inteiro com a mesma felicidade com que me atinge. E um amor que venha com o seu cheiro, com a sua voz e, claro, com o seu sorriso, para eu jamais correr o risco de esquecê-lo.

Por fim, quero um amor individual. Um que seja único em tudo que faça, vindo de alguém que seja amplamente singular. Não quero um amor público, quero um amor para mim, que eu possa chamar de meu, excepcionalmente meu. E que seja o meu encaixe perfeito, que complete as frases que eu não consigo terminar, que olhe nos meus olhos e sinta o meu mais profundo pensamento. Um amor puro, um amor sincero, um amor para todas as horas. Mas, acima de tudo, quero um amor eterno, infindável e imortal, em toda a sua imensidão.