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sábado, 28 de fevereiro de 2015

Acabou, boa sorte


Hoje é sábado e eu estou na cozinha do apartamento no meu namorado, pensando no tanto que as coisas mudaram desde a última vez que eu publiquei nesse blog e em como continuam mudando a cada segundo que passa. Vivi e revivi muitos momentos desde que postei aqui pela primeira vez, em 2008; lancei um livro com os textos daqui e existe forma mais concreta de eternizar algo? Despejei minha alma nesse blog e ele me ajudou a colar os cacos do meu coração mil vezes partido.

Depois de 6 anos e 7 meses extraindo desse blog tudo que ele podia me fornecer, chegamos a esse momento inevitável em que eu não me encontrei mais aqui. Talvez eu nem esteja assim tão diferente, mas prefiro acreditar que estou, sim. Eu preciso estar.

Seria moleza falar por linhas e linhas sobre todas as razões que me trouxeram até aqui, esse dia absolutamente comum, para finalmente dizer que o Verdade mal contada está encerrado. Mas, vocês sabem, eu nunca fui a maior fã de despedidas e pretendo continuar as evitando enquanto eu puder.

De qualquer forma, eu estou só de mudança. Vocês ainda poderão me encontrar em um lugar onde, eu espero, vou conseguir ser um pouquinho mais leve, boba e feliz do que eu fui aqui. Pra ser sincera, eu ainda não sei o que eu vou fazer por lá. Só espero que seja algo minimamente bom.

Não me entendam mal; o Verdadinha me trouxe muitas coisas boas e algumas maravilhosas, impagáveis e inesquecíveis. Mas eu mexo, sim, em time que está ganhando. Porque eu não quero só ganhar o jogo. Eu quero ganhar e, de quebra, ser aplaudida de pé.

ESSE é meu novo lugar nesse mundo louco chamado internet.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Versos antigos de um sentimento morto


Hoje te vi atravessando a rua e não gritei teu nome, não forcei os olhos para te enxergar melhor, não acompanhei teus passos quando você saiu do meu campo de visão. Seria isso te deixar ir? Depois de todas as despedidas mal sucedidas, das tentativas em vão de apagar seu número da minha agenda telefônica, depois de ser clichê até não ser mais nada além de uma personagem simples e vulgar... Será o fim algo banal como um caminhar cotidiano, veloz como o seu transpassar de pernas? Não achei que fosse ser plateia do fim quando ele chegasse, mas para contragosto do meu orgulho eu estou aqui, de mãos atadas e coração idem, engolindo a seco o ardor da despedida sem me manifestar... Sem reticências. 

Ridículo como, por muito tempo, eu fiz sala ao fim, o convidei inúmeras vezes para uma visita, deixei a porta aberta, estendi tapete vermelho, comprei-lhe rosas. Quando chegou, porém, fui incapaz de sequer estender-lhe a mão, de dizer "demorou, mas (en)fim"; fui incapaz de deixar claro que o fim, para mim, era mais definitivo que o começo. Quando o fim chegou, foi mesmo como um último dia de carnaval: um porre de doer a alma e uma lembrança de dias que parece que nem existiram. Quando o fim chegou e foi embora com você, o lapso de um milésimo de segundo entre a partida e um novo começo foi o mesmo que meu piscar de olhos; se eu não estivesse atenta, se eu não soubesse que em breve ele fosse chegar, se eu estive esperando mais um capítulo dessa história que só por utopia iria se estender infinitamente... Se o fim não fosse tão previsível como sempre defendi que o é, ele partido sem que eu o tivesse visto. 

Eu sei que sempre nos falta atenção. Sei que muitos de nós carregam nas costas "histórias mal resolvidas" como se essas se estendessem infinitamente pela memória; a verdade é que essas não passam de um fim não visto, de um encerramento tão brevemente substituído por um novo começo que foi impossível de notar. Não, não existe qualquer lapso temporal entre o fim e um novo começo. É tudo imediato, quase inconcluso, um tanto desorganizado. Se você é do tipo que diz piscar os olhos para não admitir que fechou-os a verdade, como eu, muito dificilmente vai ver o novo começo, que vem de carona com o velho fim. E depois nos queixamos que não sabemos por onde "começar" - nós, que dormimos no ponto, perdemos a linha, nos atrasamos na caminhada. 

Nós, que sempre teimosos achamos que a vida tem um botão de pause, que nunca aprendemos que o tempo de um suspiro já nos rende um atraso na nova história que se inicia com presa, com sede, desesperadamente fugindo do seu fim que vem logo atrás. Sei que fugimos do fim como se. 

Ps.: Achei esse texto, escrito em outubro do ano passado, no fundo de uma gaveta velha e pensei que ele não deveria ser esquecido – nunca fui boa em menosprezar e ignorar sentimentos, por mais antigos e ultrapassados que eles sejam. É incrível como eu sou eu a qualquer tempo. 

Ps².: Eu deveria, mas não vou declarar que o blog está morto ou que as palavras não me servem mais – elas sempre vão me servir. Acontece que, ultimamente, o silêncio tem sido uma companhia mais agradável. Quem sabe um dia, “por descuido ou poesia”, eu não volte a aparecer?

sábado, 8 de setembro de 2012

Tão logo me lembrei de você

Eu queria te dizer uma coisa, um monte delas, na verdade, mas não tenho certeza que o meu sentimento vá durar até o fim dessas linhas. Ainda assim, queria mergulhar nesse passeio suicida em que eu acho que digo alguma coisa que façam seus sentimentos se renovarem e você, em contra partida e sempre, pega a minha sinceridade e a deixa escorrer ralo abaixo. Você nunca foi muito bom em acreditar em mim. Nem quando minhas verdades saíam pelos olhos, escorriam pelo meu rosto e molhavam minhas roupas; nem quando a verdade arrancada de mim me fazia sangrar a noite inteira, nem quando eu sofria feito o diabo por cada vez que te fiz amargar o meu nome... Nem assim, nem com tudo, nem quando não tínhamos nada... Nem assim.  
Com o tempo, eu fui cansando de ser tachada de mentirosa, de falsa, de hipócrita, inclusive; ou, ao menos, passei a lhe dar razão para tais títulos que sempre atribuiu a mim sem vacilar. Nós entramos num círculo de automutilação de sentimentos; não sei por que, criamos ódio pelo nosso amor. Nunca vi duas pessoas se detestarem tanto justamente porque se gostavam em excesso. Esse sempre foi o pecado pelo qual nós nunca nos perdoamos: por você ser insubstituível para mim e eu ser a única no mundo para você. 
Certa vez você me disse que algumas relações que temos não se repetem na vida. Não, não se repetem mesmo, e eu venho aprendendo isso a cada dia decepção, a cada golpe no estômago, a cada encontro com uma alma vazia. Ou você acha que vai encontrar em outra, o que encontrou em mim? Eu sei que você nem chega a procurar, porque eu aqui, do outro lado, a quilômetros de distância, em um número desconhecido, em um endereço que você nunca saberá... Eu também não procuro. Cada vez que sinto sua falta o máximo que faço é ler uma carta sua, velha como o nosso caso, e choro como se tivesse acabado de te perder. Porque acabei: te perco todos os dias para a vida, para outra, para o passado, para o esquecimento. Te perco todos os dias dentro de mim e dói muito quando lhe procuro e custo lhe encontrar. 
Queria muito, queria sempre poder te ligar quando nada dá certo e soltar o meu coração nas suas mãos – você sempre o segurou com mais firmeza que qualquer outro e o apertava até eu entender que sempre poderia doer mais quando já doía muito. Mas acontece que desde a última vez que tive notícias suas, você já deve ter mudado de telefone umas mil vezes, mudado de endereço outras tantas e posto uma venda no seu coração. Sei que nem faz questão de mim e, na maior parte do tempo, eu também não faço muito caso de você. Mas acontece que a gente sempre cansa de ser fria e durona o tempo todo e é nessas horas que eu venho aqui, com o orgulho aos meus pés, te dizer que sinto tremendamente a sua falta – das nossas conversas à calçada, da sua inclinação de fazer piadas impróprias, do seu jeito torto como o meu em demonstrar afeto. 
Vez ou outra eu pego uma página em branco como essa era, olho para ela e penso em por pra fora tudo aquilo que eu jamais fui capaz de lhe dizer – e nunca serei, pelo visto. Eis aqui a verdade: nós estamos mesmo destinados a uma dessas histórias que acabam no meio – porque terminaríamos com um fim, se nunca tivemos um começo? É, amigo. Nós estamos mesmos direcionados a.


Sempre acaba com um de nós fugindo... Mas e dessa vez, quem foi?

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Agradecimentos monográficos

Ou: Como dizer “obrigada por tudo” a quem se ama 

 Ao som de There is a light that never goes out – The Smiths 

Ao longo da minha curta existência eu fui recendo lições demasiadamente preciosas e que foram categóricas para determinar a pessoa que eu viria a me tornar. Porém, nada até hoje foi mais precioso que um ensinamento que só recentemente eu consegui compreender e é por finalmente ter aprendido essa lição tão bonita que hoje eu agradeço a todos aqueles que a cultivaram em mim. 
Ao meu grande Pai, maior que qualquer adversidade e que esteve ao meu lado todos os dias dessa jornada. Graças à companhia dele eu pude trilhar esse longo caminho sempre em paz, em segurança e certa de que estava realizando um sonho. Ao Meu Deus, que foi perfeito em tudo que fez na minha vida. 
Aos meus pais, Nizete e Edson, que desde o início fizeram o possível e o impossível para que eu continuasse firme na minha jornada sempre cansativa rumo à universidade, sem me deixar fraquejar por um só segundo. Obrigada pelas palavras de apoio e por cultivarem incondicionalmente o meu amor pela literatura. Eu serei eternamente grata por tudo e por mais que eu me esforce, nenhuma retribuição a vocês será digna o suficiente. 
 Ao meu namorado, Francisco, o melhor amigo e companheiro, que sempre foi a pessoa que acreditava eu mim quando nem eu mais conseguia fazê-lo. Obrigada por me fazer forte, fiel às minhas convicções e por sempre me impedir de desacreditar na minha capacidade. Obrigada por me fazer ser sempre melhor. Sem o seu apoio eu não teria escrito uma linha sequer. Por você, minha gratidão e meu amor serão eternos. 
Às amigas do curso de Direito da UNDB, Carol, Juliana, Viviane e Marynelle, que me suportaram em todas as minhas crises existenciais. A minha vida não teria a mesma graça se não fossem as noites dividas com vocês. A próxima vez que eu escrever um TCC será pela UNDB e eu tenho certeza que, se existe uma forma suportável de passar por todo esse processo de criação novamente, é com vocês ao meu lado. 
 Aos meus companheiros de twitter, Fernanda, Klerianne, Vanessa, Diana e Wendel, que dividiram comigo até às vésperas da apresentação deste trabalho a angústia e a ansiedade que só conhece quem por a escrita de uma monografia já passou. O apoio de vocês foi incondicional, a ajuda foi mútua e o conforto que eu sentia após cada conversa trocada foi imensurável. Obrigada por me fazerem rir até nos momentos de mais extremo nervosismo. Finalmente chegamos ao ponto em que eu sabia que chegaríamos desde o princípio. Nós conseguimos! 
Às amigas do curso de Letras da UEMA, especialmente Lays, nas quais eu sequer consigo pensar sem que meus olhos se afoguem em lágrimas. Meninas, vocês foram a minha maior fonte de inspiração para a vida ao longo dos quatro anos em que me ensinaram a ser uma pessoa muito melhor do que eu julgava ser quando fui aprovada no vestibular; vocês são a prova que na universidade aprendemos muito mais que teoria e prática. Por tudo que passamos juntas, eu sempre me lembrarei de vocês com um sorriso no rosto e uma saudade sem fim no coração. 
Às professoras Iranilde Almeida Costa, Sílvia Furtado, Vanda Rocha e, especialmente, à minha orientadora, Andrea Lobato. A todos os professores que depositaram em mim algum conhecimento ao longo de quatro anos de graduação. Não existem palavras possíveis de descrever o tamanho da contribuição de todos vocês para o meu desenvolvimento pessoal e intelectual. O curso de Letras da UEMA mudou completamente a minha vida para algo melhor do que eu imaginei. 
Às amigas que eu encontrei graças ao amor pelas letras e pela escrita. Às irmãs de alma que me provam diariamente que você não precisa estar cara a cara com alguém para dizer um verdadeiro “eu te amo”; que me mostram que distância é um elemento cada vez mais insignificante; que acolhem todas as minhas loucuras e abraçam meus devaneios como delas próprias. À Máfia, enfim. 
Se hoje eu posso dizer “infinitamente, obrigada” é porque vocês seguraram minhas lágrimas ao me despertar um sorriso, sustentaram minhas pernas frágeis com um abraço, passaram algum tempo comigo mesmo quando este parecia escasso e, principalmente, me ensinaram a lição mais bonita que eu poderia aprender ao longo dos meus vinte anos: não há nada no mundo que substitua a maravilha de nunca estar só.


sexta-feira, 27 de abril de 2012

É esse o fim?


Eu não sou a heroína
Dessa história 
E tão pouco você 
Mas acho que chegou a hora 
De salvarmos um ao outro. 

Há tempestade lá fora e também aqui dentro de mim, mas ele nunca percebeu a minha chegada berrante pela porta de entrada ou pela dos fundos. Para ele, nunca fez muita diferente – experimentei passar noites fora, sumir como todas as roupas do armário, não me alimentar bem. Passei noites em claro tentando me manter acordada enquanto escrevia uma palavra ou outra que fizesse algum sentido, que pudesse explicar algo no momento em que o silêncio não bastava. Não adiantou. Nada chamaria a sua intenção, eu deveria saber antes de ter dado início a esse circo patético lotado de palhaços e de nenhuma mágica. Acho isso errado de tantas formas que desconheço se existe um jeito certo de ao menos te dizer que já basta. Gostaria de ter o poder de ao menos terminar um pensamento por mim só, mas cada tentativa fica mais distante até chega nesse ponto que é o vazio de sempre. Não acho que estamos conseguindo alguma coisa; estamos nos ferindo e cometendo o pecado de esmagar os sonhos um do outro. Não, eu não sou inocente. É claro que eu já fingi um beijo ou um abraço que queria prender só para mim e não deixar feito pássaro livre para ser preso por outra pessoa. É claro que eu já menti, e muitas vezes – ou ele achou mesmo que ia entregar tão facilmente o meu coração? Tanto cuidado para apenas ter uma pilha de acusações na consciência e alguma canção triste para compor. Você consegue sentir? Eu sinto – o frio, a TV chiando, uma gota caindo na pia da cozinha, a janela da sala rangendo. Você vê? É o fim?

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A cidade nos venceu

Hoje se tornou impossível ser feliz nessa cidade. Não há uma esquina sequer que me faça sentir algo que valha a pena. Acredito que as coisas tenham saído do eixo tão logo se iniciaram – como já poderiam prever, não duraria tempo suficiente nem para que pudesse acabar. Os dias parecem durar cada vez menos e o momento que o sol se põe sempre foi o mais dramaticamente dispensável para mim, porque quando a noite chega, as pessoas parecem perder o juízo, porque os sentimentos se maximizam ao ponto de fugir do falso controle sob qual eram mantidos, porque as razões se perdem e só resta uma vontade desenfreada de, se escondendo pelas sombras, ser algo que a luz do dia revelaria como insuportável e repugnante. Tudo continua o mesmo, o lixo ainda é recolhido à meia-noite, os carros atravessam os sinais e cortam as avenidas a 120 quilômetros por hora e meu vizinho continua ouvindo aquelas músicas terríveis que só me deixa ainda mais descrente em relação à humanidade. Nada mudou, exceto a mim, que desaprendi a lidar com aquilo que não suporto. E te ver envolto em meio a tudo isso sem apresentar nenhum descontento foi como inspirar fundo a fumaça preta que sai do ônibus lotado. Não sabia o que dizer ou como agir, mas no instante que te vi, pensei: “foi-se o último que valia a pena”. Eu vi que precisava me conter, porque nem você nem eu precisávamos de mais um daqueles meus discursos alargados de como você deixou a vida te vencer com uma vantagem esmagadora. Tentei evitar, porque era algo forte demais para se conviver, mas não marcante o suficiente para ser inesquecível. Mas agora, que estou em uma casa nova onde não há poluição ou buzinas de carros ou telefones tocando o tempo todo, eu penso que nunca me senti tão culpada por estar sem você e ainda assim ser capaz de coisas que eu nunca fui quando estava ao seu lado. Me sinto mal por me sentir bem mesmo sabendo que a vida te consome de fora para dentro e que você continua sendo sufocado por aquilo que é incapaz de enfrentar. Sentir-me bem nunca pareceu tão egoísta, quando eu me sinto covarde por ter seguido em frente. Acontece que por mais que seja dura a impressão pessimista das coisas, onde mais parece que eu te abandonei com uma promessa de retorno que não cumprirei, eu prefiro encarar com a coragem que me resta que você e eu estamos protagonizando histórias distintas, mas com enredo semelhante. Você deixou a cidade te vencer e eu corri para longe do medo que senti dela. Eu fugi, você permaneceu. Ela ganhou de mim no primeiro round, ela continua destroçando você e se consagrando vitoriosa. Nenhum de nós foi mais nobre que o outro, por isso eu te digo: deixe quem quiser cantar vitória que o faça, porque ter para si as próprias derrotas é o primeiro passo para não mais ser vencido. Quanto a mim, prefiro acreditar que a partida ainda tem volta e que nenhum adeus é permanente; sei que a cidade foi cruel, mas também admito que não fui muito justa quando ela quis me estender uma oportunidade de belas fotos e nascer do sol à beira mar. Talvez um dia eu seja capaz de voltar e, sorrindo, deixar o vento levar os motivos pelos quais um dia eu parti. Hoje se tornou impossível ser feliz nessa cidade, mas quem sabe amanhã os problemas se tornem passado e para o futuro reste a esperança de um dia cravar os pés de novo na terra do parque e pensar: voltei para ficar.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Dois dedos de café frio

Eu sei de uma coisa que vai te fazer esquecer a última briga e me ligar, eu queria tanto que o pedido que faço peito adentro não fosse em vão e, por favor, você poderia me ligar? Porque eu sei de uma coisa que te faria pedir desculpas, ainda que fosse bem baixinho para depois dizer que não foi aquilo que queria falar e eu continuar achando que você é mesmo esse poço todo de resistência e de sentimentos eu nunca são revelados, mas eu queria tanto que você soubesse de uma coisa que chego a sentir as minhas mãos pulsarem sob o telefone, praticamente pedindo para eu discar o seu número, mas o que eu queria mesmo era que você me ligasse para provar que mesmo com a distância os nossos pensamentos ainda estão conectados e mesmo com palavras duras, o muro de proteção onde guardamos o carinho é tão forte quanto ele precisa ser e, por Deus, será que você pode me ligar? Isso me faz lembrar aquela vez que fomos a Paris e marcamos de nos encontrar em um café cujo nome não me lembro, mas de gosto e cheiro memorável, e foi quando eu me dei conta de que não sabia o seu número de telefone e não tinha como saber o endereço do local. Estava quase chorando ao pensar que não seria dessa vez que eu seria uma personagem do Woody Allen quando você de repente me liga e diz: o que eu preciso fazer para te trazer até mim? E agora eu só consigo pensar: sinta Paris no seu coração e me ligue outra vez, porque eu sei de uma coisa que você precisa saber, algo que mudaria o seu jeito de olhar a ordem dos astros e que poderia até gerar a descoberta de uma nova constelação. Eu sei de uma coisa que parece boba, hoje em dia banal, mas uma coisa que eu nunca disse, que você nunca disse, que nós nunca ouvimos e por isso mesmo eu sei que você gostaria de saber de uma coisa que eu tenho para te dizer. Não queria simplesmente te escrever e mandar mais uma carta para ficar envelhecendo na tua gaveta e você nunca gostou muito da minha letra, mesmo, mas sempre elogiou minha voz e eu sinto que precisarei de toda a ajuda que puder quando você me ligar e eu puder te dizer uma coisa que eu sei que você precisa saber, mas não sei se quer e paro agora para pensar o quanto você odeia surpresas e sempre me disse que preferia que eu esquecesse o seu aniversário a lhe preparar uma daquelas festas na área comum do condomínio e por isso agora eu deixo o telefone de canto e passo a me perguntar se eu quero mesmo que você me ligue e, pensando bem, eu tinha tanta coisa pra te dizer, mas acho que são dessas coisas que ficam engasgadas no coração até que o tempo dissolva essa vontade de expurgar aquilo que nunca deverá ser descoberto. Deito no meu lado da cama – preciso para de achar que você é o dono do outro lado – e tiro o telefone do gancho, porque eu não quero que você me ligue, não quero que você me pergunte e eu sei que tem uma coisa que eu queria ter te tido, mas agora não faz mais sentido, nós não fazemos sentido e o esforço pra entender é a vontade de ser vencido pela falta de compreensão. E tudo o que eu queria agora era saber de algo que evitasse todas as outras descobertas inúteis e as vontades em vão, porque está frio aqui no quarto, porque fevereiro é sempre muito injusto e porque amanhã ainda é terça-feira e eu já estou cansada de todos os dias e semanas e meses e anos sempre achando que minhas palavras podem salvar algo que está perdido antes mesmo de eu começar a achar que eu sei de uma coisa que.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Rasgo à meia-noite

Eu sinto muito se vou decepcionar mais uma vez, mas é que aqui dentro o vento entra gelado e não houve whisky nenhum que conseguisse me acalentar. Se servir de algum consolo, não há muito mais para ser dito. Entre nós já houve choro, já houve mágoa e infinitas cartas tais como essa. Me pergunto se alguma delas surtiu efeito e eu finjo que não sei a resposta – como se eu não soubesse que você sempre fez questão mostra aquilo que tem escrito na sua alma. Você sempre refletiu na sua íris esse gosto peculiar pelas coisas mais erradas e disso eu não posso me queixar – nunca fui ingênua. Nem você. Fomos juvenis com mentes desvairadas, dois descontrolados com vontades desmedidas, duas almas perdidas sem possibilidade de encontro – fomos tudo, inclusive o que nunca seremos. Mas inocentes? Jamais. Lembra daquela vez que varramos a noite em busca de algo que tivesse algum impacto sobre nós? Não havia mais álcool, cigarros e alucinógenos que surtisse efeito. A loucura sempre foi o nosso maior antídoto. Tenho pensado nessa época com um forte peso nos ombros e uma vontade tímida de voltar a não me importar nem comigo mesma. Até que eu retorno à realidade. Sai ano e entra ano e essa minha vontade de não só fingir ser feliz só aumenta. Sabe aquele sorriso forçado? Não tenho mais. E lembra como eu costumava dizer “a gente enfrenta que eu não tenho problema com o desperdício”? Ou não era essa a frase? Nem me lembro mais. Talvez seja por isso que eu nunca posso deixar de te escrever. Você foi a minha maior toxina, mas eu sempre achei interessante o fato da cura poder ser produzida a partir daquilo que causa o envenenamento. Eu me encho de você para ter forças de te evitar. Essa minha satisfação repentina pode até soar falsa para alguns – nesse momento você gargalha e pensa: “ainda bem que você sabe”. Sei e até entendo. Quem me percebe ausente desses buracos e fundos de poço comuns que todo mundo vez ou outra se enclausura até pode pensar: “essa aí não dura até semana que vem. Ninguém brinca de ser contente de verdade por muito tempo”. É impossível apagar os dias tresloucados e únicos que passei ao seu lado... Acontece que muitas outras coisas me são tão únicas e doloridas e também não pretendo recorrer a elas quando essa minha fantasia tiver fim. Quando for necessário, eu pinto, bordo e saio dessa numa melhor do que eu estava quando te deixei. Qualquer coisa. Só não te dou mais o meu amor. E agora que chegamos ao momento de ofensas e despedidas, eu só quero engolir o antídoto que você me é como se tivesse tomando aquele vinho que você me ensinou a gostar. Quem me viu há algum tempo atrás, andando com você, não seria capaz de imaginar que eu cheguei a essa limite de lucidez em que eu me encontro agora. Mas ao contrário do que torcem, não perdi a loucura que me faz ser clichê com coisas bobas ou gritar quando tenho vontade. Pelo contrário: ando falando alto até com as paredes, choro assistindo novela e assisto o pôr-do-sol todos os dias com braços fortes me abraçando. Consegue ver a loucura aí? Não me perco mais em você, mas continuo me perdendo em mim.

Lembre-se sempre de mim.
Quando precisar, eu lembrarei de você.


Eu nunca aceitei a simplicidade do sentimento. Eu sempre quis entender de onde vinha tanta loucura, tanta emoção. Eu nunca respeitei sua banalidade, nunca entendi como pude ser tão escrava de uma vida que não me dizia nada, não me aquietava em nada, não me preenchia, não me planejava, não me findava.
Nós éramos sem começo, sem meio, sem fim, sem solução, sem motivo.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Until the end starts

Esse cheiro de ano novo sempre enche dezembro com uma vontade imensa de deixar os fantasmas e as lágrimas em um passado que não nos pertencerá mais. Mas é com o meu orgulho enfiado goela abaixo que eu admito que, no fim do último dia do ano, o balanço que eu posso fazer sobre os últimos 365 dias não poderia ser mais realista. Chega a ser irônico com uma perspectiva de vida que foi construída ao longo de uma vida inteira muda assim, depois de alguns episódios desastrosos e outros nem tanto. Antes, na minha ingenuidade juvenil, tinha plena consciência que um ano a mais só era válido se ele existisse para que eu fosse feliz para sempre, enquanto esse sempre durasse. Fui ridiculamente romântica, uma burguesa de coração atado à paixão, ao afeto, ao carinho. Esperei muito, por tempos, aquilo que eu sempre fiz questão de clamar como o justo e o merecido. Nada do esperado veio, mas é estranho como às vezes o esperado pode ser desinteressante se comparado ao inesperado. Não tive nada do que eu pedi: tive muito mais. Não enchi meus dias de misantropia, de manhãs deitada na rede, de livros fabulosos, de amores perfeitos, de amizades eternas. Vendo por esse lado, a felicidade é tão comum e banal. Todos sempre desejamos as mesmas coisas. E mesmo tento tudo isso em doses satisfatórias, a inquietude sempre me avisou: você não quer nada além do normal. O fantástico meche demais com a cabeça das pessoas. Tanto que começamos a duvidar daquilo que é real. Boa demais para ser verdade, essa realidade de vidro que trinca no primeiro suspiro. Foi com muita contrariedade, para ser sincera, que eu pareço ter entendido que a verdadeira alegria não precisa estar fantasiada de “inacreditável” para existir. Sempre proclamei que não precisava de nada maravilhoso para ser feliz, mas isso sempre foi a maior das minhas mentiras; sempre estamos à espera que algo lindo aconteça, algo que nos faça rever nosso conceito de mundo, que nos faça brindar usando champagne, que nos resgate a vontade de sorrir sem precisar de algum motivo que justifique a nossa loucura incontrolável. Essa exigência do melhor sempre me consumiu, ao invés de me fazer seguir em frente por acreditar. Acima de tudo, é decepcionante esperar coisas que só existem com fruto de uma imaginação nada confiável, que muda de idéias com o passar das horas e que desfila pelos mais perigosos e incertos sentimentos. Por diversas vezes, eu deixei claro que o meu desejo para um novo ano que se inicia é que tudo se transformasse para melhor; hoje, a única coisa que precisa mudar sou eu e essa inclinação a querer o perfeito enquanto este nunca me agradou. Tudo o que eu peço, depois de muito desperdiçar as minhas vontades com coisas que eu nunca quis, é que tudo o que vier seja o mais normal possível. Que os meus amores sejam sinceros e palpáveis e que eu possa reconhecê-los em pessoas sem poderes espetaculares. Que as minhas amizades sempre cultivem o sentimento do real e que nunca tragam consigo a fantasia que evapora ao fim da história. Que as manhãs de cada dia brindem a força, a fé e a esperança, mas que jamais cultivem o sentimento do falso, do que nunca existirá. Que eu jamais, em tempo algum, venha a estimar o desnecessário, o vago, o impreciso, o inoportuno. E que meu coração se acalme e descanse naquilo que habita dentro de mim, que não é tudo de bom que existe, mas que é suficientemente maravilhoso.

Nessa troca de datas de anos, eu não levo comigo nada que trouxe até hoje por falta de coragem de deixar para trás. Fica aqui a minha prece por um coração renovado, livre de todas as mágoas que anos a fio ocupam lugares desnecessários; deixo para trás o medo de acreditar nos sonhos que tenho receio em admitir; reciclo a minha mente para as pessoas que já havia condenado, para tudo em que já havia perdido a fé, para a paciência que sempre me faltou. Nunca fui de ter crença em recomeços, mas a vida me pediu e me mostrou como é imprescindível mudar essencialmente nós mesmos, quando estamos fadigados da nossa própria presença. Por fim, que o novo ano me traga a compreensão sobre tudo aquilo que sempre precisei e que nunca me faltou, mas que por vezes eu desperdicei.

Feliz vida, mente e coração novos a todos.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A minha verdade sobre você

Tem muita coisa que ainda precisa ser superada por aqui, inclusive, essa minha vontade de falar de você o tempo todo, como se houvesse amor, carinho ou pelo menos saudade. Não há. O que restou foi só essa vontade de que tudo fique no passado. Essa vergonha mútua por nunca termos dito o que precisava ser dito. E essa chance de recomeçar algo mais bonito e mais sincero bem longe daqui, com outros corpos e outras almas que não sejam tão individualmente desprezíveis como as nossas, quando juntas. Você é o pior de mim, coração, sempre foi. Com você, eu me entreguei a noites sem rumo e sem preocupação, pelas partes mais sombrias da cidade. Você me fez esquecer família, os amigos, os outros amores que tive; me tapou os olhos para os sentimentos das outras pessoas e fez com minha visão fosse focada num único objeto: você, você, você. Eu fui afogada no teu veneno e você jorrou sobre mim as mais fingidas e dramaticamente sentimentais ameaças, como se o que me prendesse a você fosse essa sua falsidade de quem nunca sentiu nada por ninguém; como se eu não soubesse que o que você fazia comigo era um jogo bobo de idas e vindas, esperando o momento que eu ia me render de vez. E depois, o que aconteceria? Você ia por a minha paixão-ou-o-que-quer-que-fosse ladeira abaixo e não dizer nenhum adeus? 
Lembra como eu sempre te chamei? “Coração”, sempre lhe faltou um no lugar dessa pedra fria que tem no peito. E aqui eu te julgo e condeno cada instante que você me iludiu com suas promessas de libertinagem porque, acredite, eu também já me julguei demais. Talvez por isso eu nunca tenha conseguido te esquecer: porque eu também não consigo esquecer quem eu fui, com você. Não houve chance para auto-perdão aqui. Todos os dias, aquela figura me atormenta. Acordo pela manhã com o raio de sol no meu rosto e penso: que bom que hoje há luz. Peço todo dia que aquela escuridão não retorne e que eu continue assim, capaz de sentir alguma coisa, nem que seja pena pela vida que um dia nós levamos juntos.
Fernando Pessoa um dia disse que cartas de amor são ridículas e antes que o poeta encarne em ti, quero dizer que o ridículo das minhas palavras não é fruto de qualquer sentimento bom. Talvez seja uma mera condenação que eu me destinei, isso de ficar remoendo o passado como forma de jamais esquecer o desprezo que eu devo sentir por ele. Nada tira da minha cabeça que muita coisa ali foi inútil, e não me venha com esse discurso de “tudo o que você foi ajudou a construir quem você é”. Eu dispenso. Eu teria sido muito mais grata de tivesse chegado ao mesmo ponto por um caminho diferente. Por isso, não me permito esquecer você para não esquecer quem eu jamais devo retornar a ser. E por mais masoquista ou sádico que isso pareça, espero que você, aí do outro lado de onde quer que esteja, faça o mesmo em relação a mim: lembre da garota da all star usado e camisa de filme que sentava ao seu lado na mesa do bar e repita com fé – “não quero sentir aquilo outra vez, nunca mais”.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Não somos porque não deveríamos ser

Por muito tempo eu esperei o correio chegar com alguma carta sua. Por muito tempo dentro de mim não foi um bom lugar para se viver. Por muito tempo eu me perguntei quando finalmente eu conseguiria ser mais amor a mim que amor a você, embora soubesse que qualquer das duas coisas sempre seria mera ilusão. Sou um caso eterno de amor não correspondido. Não retribuo nem o amor que tenho a mim mesma, mas tento ser o mais sincera possível quando penso: hoje eu vou ser feliz, vou jogar na lata de lixo as mágoas e durezas da vida e recomeçar um novo dia. Já escrevi tanta poesia-desabafos-versos-baratos por algo que eu sabia que não valia uma única linha de sentimentos jogados fora; fui e voltei muitas vezes nesse impasse de seguir em frente ou continuar mantendo o olhar preso ao passado, em uma eterna busca por um adeus que nunca existiu. Me repeti tantas vezes em um drama extremamente descartável, que me enojava, me impedia de encarar minha face sem vergonha e sem juízo no espelho, me prendia em um movimento cíclico de volúpias desnecessárias e choros falsos. Percebe como tudo isso me destruía? Era a força que rompia a cada dia uma nova parte da minha alma, me maltratando por dentro – e ainda assim eu continuava, por amor, por fé, por consideração, por dívida com aquilo que nunca foi, por alguém que nunca existiu, por tudo que eu queria ter sentido. Continuei, porque sou destrutiva até o último segundo, sou insistente até a burrice, sou capenga e ridícula sem receio algum. Até que bastou. Até que tanta indiferença e algumas palavras duras e dispensáveis atingiram o meu ínfimo a ponto de me fazer pensar: o que eu acho que estou fazendo comigo? O que querem agora, depois de me ter rasgado ao meio e ter tirado de mim toda a carga de coisas boas que um dia eu pensei em oferecer? Isso é tão inadmissível que ferve o sangue. Não é isso que vai honrar todas as palavras que eu já desperdicei ou o tempo que eu passei me lamentando por quem não sentia a minha falta. Não é isso que vai trazer alguém que nunca tive de volta para mim. Nunca deixei claro, mas não espero nenhum tipo de recompensa por todo o sofrimento que tive que encarar, muito menos um pedido de desculpas ou o adeus que desisti de esperar. Não vou brindar ao fracasso, se é isso que esperam. Sou muito orgulhosa de ter enfrentado tudo, mesmo sem ajuda alguma, e sem me esconder ou fingir que está-tudo-bem-vamos-continuar-a-viver. Eu não precisei me afogar em cerveja barata, não mudei minha rotina, não procurei conforto em outros corpos e outras bocas e, acima de tudo, sempre fui fiel a mim mesma, embora isso não tenha sido por causa de você. Enfim, entendi que as coisas simplesmente não deram certo e a culpa não é minha, porque fiquei mais fria, ou sua, porque ficou mais distante... Nós não quisemos que as coisas dessem certo, foi isso que aconteceu e ponto final de uma vez por todas, então não venha perturbar a minha paz dificilmente conquistada com convites à meia-noite de sábado carregados de malícia e ironia. Eu finalmente me vi livre dessas amarras e, pronta para continuar, tracei um caminho digno ao meu estado de espírito e todas as essas coisas bonitas que nós passamos a vida inteira procurando. Então, me perdoe a descrença que qualquer um desses seus sentimentos repentinos sejam sinceros, mas dessa vez eu prefiro não por meu coração à prova. Prefiro não amar alguém para ser abandonada no dia seguinte. Vou, sim, aproveitar esse dia de sol maravilhoso que se apresenta a mim cada dia – a vida agora é minha amiga e a ela eu dou as mãos. E fecho as portas ao passado e a tudo que a ele pertence, sem arrependimentos e sem o desejo que voltar atrás.


domingo, 18 de setembro de 2011

Eu, pula um parágrafo, você

O teu cheiro e a tua risada já não me incomodam. O pensamento em qualquer romance é cada dia mais raro e tudo que em mim foi destruído pela sua presença, vai aos poucos voltando a ficar inteiro. O espaço entre dor e a lucidez é cada vez menor. Só preciso continuar assim: um pouco mais de fé em mim mesma, ao invés de me manter presa a uma promessa de algo bonito que, convenhamos, nem você nem eu acreditamos mais. Esse é o trágico fim do que nunca mereceu uma vírgula sequer. Só restou a saudade do que não existiu, a falta de um abraço e um último sorriso, torto como a nossa história.


Forever is a long long time when you lost your way,
trying to follow your ideals (are sorry),
but your so-called life, it is such a waste...

domingo, 28 de agosto de 2011

Lembrança nenhuma, nunca mais


Hoje eu não vou escrever uma carta para você. Já fiquei por tantas vezes acordada até tarde da noite tentando reunir em um papel em branco as palavras certas, as frases perfeitamente conjugadas e os sentimentos escritos que fariam você voltar para mim; mas hoje, não. Tudo o que eu digo me parece em seguida tão estupidamente masoquista e cruel que acabo rasgando tudo dentro de mim, me corroendo, me arranhando, estapeando a minha alma em uma busca desesperada por me livrar de uma vez de toda inexatidão que você trás. Quem gostaria de viver eternamente assim, menino? Eu vivo. Eu busco a cada dia a discórdia de pensamentos entre a realidade de viver sem você e o sonho atroz de que algo bom ainda possa existir. Eu vivo essa peça teatral, esse drama mudo do silêncio que você guardou para mim, do adeus que eu nunca mereci, do fim cheio de incógnitas e mistérios que até hoje deixa essa curiosidade doentia no ar. Afinal, menino, o que você fez comigo? Isso não foi amor, não foi paixão, não foi qualquer tipo de relação que envolvesse duas pessoas que sentissem afeto uma pela outra. Você tentou encontrar em mim algo que sequer eu sei se existe e é tão bom quando a gente encontra alguém que consegue ver em nós além dessa imagem simples e superficial que encaramos dia a dia no espelho. É tão bom quando essa pessoa nos mostra que por baixo dessa pedra que colocamos no lugar do coração, ainda se esconde aquele resquício de inocência e crença em qualquer coisa que seja boa. É tão bom não precisarmos nos procurar porque há sempre alguém que nos encontre em nós mesmos, em si próprios. Ruim mesmo é a hora de partir. Ruim é esse vento frio que entra pela janela e leva embora o calor do seu corpo que inutilmente eu tento prender à cama. Ruim é ter que sair do sonho de nós dois e encarar uma realidade não tão bonita e justa. Gosto de te escrever como se você fosse saber dessas palavras porque isso me dá a certeza de que foi real, de que existimos, de que eu ainda tenho algo para dizer, de que ainda tenho muito para sentir. Mas hoje eu não vou escrever uma carta para você, porque faz frio, porque é agosto, porque há dor e solidão e porque por mais que eu goste de saber que há algo de você em mim, eu preciso sentir se ainda há algo de mim aqui dentro, também.

domingo, 21 de agosto de 2011

Nunca mais


Hoje eu acordei drástica, trágica... Insignificante. Cruel. Sinto culpa e não sinto nada; fica sempre essa sensação de escuridão sem fim que nós tão bem conhecemos nos nossos últimos dias, hoje tão distantes que parecem mentira. Toda essa história pareceu roteiro de filme que acabou sem suspense, sem grandes revelações, sem chance de continuação. Lembro que assim que você se foi, eu passei dias pensando em onde reunir forças para juntar todos os pedaços de você que foram deixados na sala, na cozinha, no nosso quarto. Fiz muito esforço – em vão – pra me olhar no espelho e não ver em memória o seu reflexo ao meu lado, quente em um abraço. Tentei por muitas vezes sair de dentro de mim mesma, mas a memória forte de você me puxava cada vez mais fundo e eu fui ficando assim, miudinha em um mundo só meu.
Das piores das mentiras que eu já contei, a de que esqueceria você sempre me pareceu a mais cruel. A mais ridícula de todas, porque não engana a ninguém, não satisfaz as nossas necessidades e não me ensina a seguir em frente. A pior parte do deixar ir é não poder pedir pra voltar. A pior parte de ser magoada é a necessidade do consolo por justo aquele que magoou. A pior parte da saudade é a foto no retrato, a Marisa Monte do rádio, o resto de comida do último jantar. A pior parte de você é você ainda existir enquanto eu tento inutilmente te expurgar da minha vida, dar um basta, levantar a cabeça e começar de novo.
Você me ensinou a ser mulher, a ser mais eu, e isso não há mágoa nenhuma que possa apagar. Mas também não posso ser injusta comigo mesma e lhe dar mais do que merece: hoje, não passa de uma lembrança minha, de uma estranha curva, de um caminho torto. Hoje você é um homem com cheiro de cerveja barata, cigarro e putas mal pagas. Hoje, meu bem, o que eu espero de você é que não volte jamais.

sábado, 13 de agosto de 2011

As últimas palavras sobre você


Eu jurei a mim mesma que nunca mais ia lhe escrever, porque depois de provocações, dramas chulos e uma conversa que nunca existiu, pensei que não faria mais bem algum nem a mim nem a você mais alguma prolongação dessa história. Nas últimas oportunidades, o que sobrou foram comentários clichês meus e uma fuga desenfreada sua de não ver mais o meu rosto nem de longe. Mas acontece que hoje o dia está tão bonito e me vieram umas lembranças tão fortes de você. Eu sei que no seu coração estão guardados, acima de tudo, os desentendimentos e mágoas que são tão característicos de nós dois; mas não é reciprocidade o que eu busco e, ainda que fosse, eu não poderia deixar de ver você como a única oportunidade que tive de ser absolutamente diferente de tudo que eu já fui. Eu não posso privar o meu sentimento de agradecimento em relação a você, menino, e me desculpe se eu não demonstro isso na mesma imensidão que eu sinto – mas, você sabe, nunca fui boa em afeto, carinhos e amor. Sempre achei que depositar todas as minhas certezas em algo não palpável como um sentimento – em especial o nosso – seria uma loucura imperdoável da minha parte. Até hoje acho que não errei em pensar assim, mesmo porque eu passo muito tempo querendo uma coisa sem ter certeza que foi de fato aquilo que eu sempre quis. E de forma nenhuma eu quero aqui falar sobre futuro, destinos e escolhas. Eu só queria dizer que é muito forte o carinho que eu tenho por você. Que eu espero que a vida não te maltrate nunca e que as suas escolhas sejam bem mais certeiras que a minha. Espero que sempre valha a pena lutar e que a batalha não seja árdua – que nunca lhe falte um amor no qual acreditar e uma fé enorme para seguir em frente. Espero que você saiba aproveitar as suas alegrias e aprender a imensidão de coisas que cada instante de tristeza pode lhe ensinar. Espero que você siga em frente sem olhar para trás e que você sinta sempre coisas muito boas, principalmente quando a saudade apertar e for inevitável lembrar-se de mim – porque, saiba: eu me lembrarei de você. Espero que você encontre os seus caminhos, mas que também se perca de vez em quando – deixe o destino transformar o seu coração em algo impulsivo, quando necessário. Espero que você seja forte e não deixe que lhe digam o contrário – ninguém, nem mesmo você mesmo, sabe até onde pode ir antes de chegar lá. Aliás, desejo que você chegue lá e que deixe pelo caminho o máximo de você mesmo; não se desespere por isso, não se sinta partido ou incompleto, porque você jamais deveria privar as outras pessoas de conhecer você da forma que eu conheci. Espero que você cultive sempre o seu melhor e que vá matando pouco a pouco aquilo que nada lhe ajuda ou acrescenta. Espero que você tenha a quem desejar coisas assim – de repente nada tão cheio de despedida, mas algo igualmente bom. Espero que você saiba de tudo isso e entenda que é sincero, que é verdadeiro e sem uma gota de mágoa. Espero que um dia você acredite: você foi parte do meu coração.

''Me despeço dessa história
E concluo: a gente segue a direção
Que o nosso próprio coração mandar,
E foi pra lá, e foi pra lá, e foi pra lá...''

[Assinado eu - Tiê]

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Essa mania de viver por amor


Se não for pra ser bom, gostoso, romântico, carinhoso, divertido, presente, construtivo. Enfim, se não for pra ser amor, nem me dê bom dia.

Tudo o que eu queria era ter coragem de dizer adeus, mas ainda me recuso a ser o que querem de mim. Já fui e voltei tantas vezes em um caminho de mesmas palavras que não querem dizer absolutamente nada; você já se foi há muito tempo e, ainda assim, na última noite sonhei com nós dois. Tinha um gosto de pesadelo e saudade, misturado a um desejo que de se não repetisse jamais. Não tenho o direito, e isso é o que eu mais custo a entender, de proferir qualquer palavra sobre você; deixamos claro o abismo entre nós, seguimos nossos próprios rumos e estamos muito mais felizes assim. O que custa a ser aceito é essa necessidade de perder as pessoas para que se possa ser feliz. Não tolero e não entendo o jeito humano de se comportar, de julgar o amor como se fosse pesado e medido, como se fosse a menos valiosa moeda em circulação; não entendo como, ainda que para o meu bem, eu pude deixar um grande amor como você me escapulir, e isso sem um adeus, sem uma despedida digna de nós, sem sequer olhar para trás. Tenho vergonha de me sentir assim e tenho nojo de ser o contrário. Nunca me encaixei nesse sobe e desce do valor das relações; me falta mesmo é coragem para abrir a porta e ver lá dentro a verdade sobre a vida e todas as coisas. Falta mesmo é admitir que nada é eterno, insubstituível ou inesquecível. Falta é mesmo vontade de viver, se não for por amor.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Meu mistério é você

Você me soa como uma incógnita tão grande que me faz perder o ar. Algo como um pouco de paixão e um muito de loucura. Algo como você e eu em tardes de um dia qualquer, sentados à mesa do bar e recitando nossas ironias incomuns. Eu lembro que sentávamos lado a lado meio sem querer, meio que de propósito; lembro que eu sempre tomava a iniciativa, já que você nunca foi muito um homem de atitude. E era nesse momento em que eu deveria ter percebido que seria essa a causa da nossa morte: a falta de ação. Porque nós morremos sem tentativa, morremos por pouco interesse, morremos sem tentar.
Nossa história acabou em alto mar, boiando no meio do nada, afogada nesse seu medo incomum de ser feliz – porque, eu lhe digo, eu poderia ter lhe feito muito feliz. Você ainda me fez, mesmo que por acaso, mesmo que nem nisso você tenha se empenhado. Pois bem, meu garoto, você que sempre disse não saber de nada, foi capaz e sem esforço algum de me plantar no rosto alguns poucos e sinceros sorrisos. E agora eu planto em você a possibilidade de um arrependimento: imagine o que você teria feito por mim se tivesse tentado, hein? Imagine o que eu poderia ter feito por você se tivesse sido permitido, se a janela para a alegria não tivesse travado o seu coração.
Não sou mulher de olhar para o passado e graças ao bom Deus aprendi que ficar remoendo as mesmas palavras às mesmas pessoas é tão frutífero quanto ficar calado; mas eu não posso deixar de dizer que agora sim faz sentido a minha atitude, naquele momento absurda, de ficar calada quando, pela primeira vez, você, de forma igualmente inédita, quis dizer alguma coisa. Acho que agora começa a fazer sentido o medo que você sentia – que deveria ser o meu medo, também, só que a mim com razão. Preciso remoer tudo isso, repetidas vezes, para que eu finalmente compreenda: não há nada a ser compreendido.

"Amo-te tanto que decidi deixar-te ir, se é isso mesmo que queres, mas és tão egoísta ao ponto de não me dar escolha, fazendo com que fiquemos ligamos para sempre pela vergonha, culpa e dor", foram minhas palavras a você quando eu finalmente percebi a impossibilidade de viver sozinha uma história a dois.

Às vezes eu tenho a ligeira impressão que a minha vida
trabalha em loop infinito de encontros e desencontros.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Tudo que faltou para você ser

Ninguém sabe que aqui dentro, por trás de todas as vitórias e troféus em coleção, eu carrego comigo a pior das minhas verdades mal contadas. Aquela que você faz questão de não me deixar esquecer sempre que aparece na minha vida assim, sem aviso, sem motivo... Só para não deixar eu me acomodar, só para não me deixar lhe esquecer. Não sei o que se passa com você e muitas vezes eu lhe proferi palavras de desprezo que, de forma ingênua, achei que meu coração fosse capaz de ouvir. Mas depois de um “adeus” um tanto dramático e de uma repulsa que não convence ninguém – principalmente a mim mesma –, a única coisa que fica é o seu sorriso.
Nossa, eu nunca lhe disse, mas como eu sou apaixonada pelo seu sorriso. Como eu sou louca pelo seu sarcasmo e por cada palavra carregada de ironia que sai da sua boca. Como você me faz perder a cabeça cada vez que você se refere a mim com esse ar de superioridade, testando a minha arrogância, sabendo eu que você espera que eu responda em mesmo tom, para ficarmos nesse eterno jogo, em uma tensão que paira entre nós, sempre e sempre e sempre, até que a realidade me joga um balde de água fria e eu percebo que você não está mais aqui – está longe, realizando os seus sonhos, construindo a sua vida, amando outras pessoas. Então, eu lhe pergunto, porque voltar de forma tão avassaladora? Porque não me encontrar e simplesmente ser simpático e educado, não é isso que todos os outros fazem? Precisa, de fato, me lembrar de quem um dia você foi para mim e me deixar nessa eterna dúvida de: será que continua sendo?
E por mais que racionalmente eu diga “não quero, não posso”... Por mais que estupidamente eu ainda fantasie uma situação que, você e eu sabemos, é impossível por uma série de fatores, uma porção de decisões – em maior parte, suas – que nos limitou a tanta coisa... Por mais que eu saiba que tudo isso também é minha maior carga de vergonha, arrependimento e loucura... Por mais que exista distância e outros amores e outras vidas... Por mais que eu queira estar na sua vida, mas não queira fazer parte do que hoje você tem... Eu ainda não consigo deixar de pensar em você como a minha maior chance de ir além de mim mesma. Não consigo entender como alguém pode ser exatamente aquilo que eu não quero e, ainda assim, conquistar minha vontade. Não consigo esquecer que um dia eu me permiti corromper tudo que havia construído por um sentimento que eu jamais vou entender.
E quando eu acabo de pensar tudo isso e finalmente percebo o quão irracional eu estou sendo, sento solitária para chorar pelas palavras que você nunca mereceu e que você nunca chegará a ouvir.

''Uma coisa que eu aprendi na vida:
Deus não te tira as coisas, Ele te livra delas".

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Mais do mesmo


É isso que tenho recebido, cotidianamente. Percebi enquanto vinha sentada, solitária, no último banco do ônibus lotado – irônico que até nessas situações do dia a dia eu acabo sozinha, em um canto sujo qualquer. Nem assim ninguém nota qualquer coisa diferente no meu rosto cansado de quem já perdeu o sentido nas próprias palavras – até elas me traíram e se perderam de mim. Talvez por isso ninguém mais me ouça, me leia, me leve a sério. Porque nem eu mesma pratico essas ações solidárias. Porque não ando feliz com as pessoas à minha volta, com a minha escrita, com os meus pensamentos, com o que eu tenho me tornado – algo como nada que se valha a pena ser. Porque até eu mesma esqueci de que aqui dentro ainda há uma pessoa. Como dizem mesmo? Só que ao contrário: Sorte no amor... Talvez seja esse um preço a pagar.
Por muito tempo eu nadei contra a maré. Quase fui uma versão brasileira do “Fabuloso Destino de Amelie Poulain” – logo ela, por quem sempre guardei uma aversão particular. Sempre critiquei sua falta de autonomia e outra tantas características que eu mal percebia que carregava comigo – e que me consumiam e me derrubavam em doses homeopáticas de sofrimento e indiferença. No fim, virei objeto favorito de diversão de quem só dá valor às coisas quando perde. Só o que me restou foi essa vontade que um dia aconteça algo maravilhoso, que me faça lembrar do passado com até um certo carinho, por ter existido e acabado bem, afinal. O que não entra na minha cabeça é que seja estúpido pensar assim. Porque ser Amelie, hoje em dia, é ser o palhaço mais engraçado de circo – é ser dada às moscas, porque todos sempre vão lhe achar uma personagem de ficção. Antes assim fosse.
E enquanto eu ouvia Phoenix – forever is a long long time when you lost your way – eu pensava como era absurda a situação em que eu me encontrava e em que momento da minha vida eu me permiti decair tanto. Em que instante as pessoas pararam de responder aos meus pedidos de ajuda, afinal? Seus ouvidos cansados, talvez, acostumaram-se aos meus choramingos de quem nunca se encontrou em parte alguma, e por isso hoje vaga sem rumo e sem volta. E minha existência acaba como qualquer outro filme francês que não inclua “fabuloso destino” em seu título, porque enquanto descia do ônibus, eu esqueci no assento frio qualquer coisa boa que ainda carregasse comigo.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Deixa ir toda a dor

Ontem eu chorei todas as mágoas que eu não soube curar. Em mim doeram partes – aqui dentro tal como faca cortando minha carne – e doeu em mais tudo que meus olhos pudessem alcançar. Doeu como se me rasgasse por dentro, beirando ao insuportável – nunca tinha visto algo tão forte, tenho que confessar. Mais forte que o amor, até. Mais forte que a própria paixão foi a dor de perdê-la, de ver navegar longe esse sonho colorido de amor-companheirismo-felizes-para-sempre. Peguei minha ilusão mais bonita e joguei na fogueira – e foi queimando tudo por dentro, todas as palavras doloridas até a última lembrança feliz, para que em mim nada mais restasse além de uma lágrima solitária e teimosa que escorria pelo meu rosto ainda pela manhã. Nem meu café amargo e nem a janela embaçada me fariam esquecer a pior noite de todas – a noite do rasga fora, do “esqueça de uma vez por todas”. Eu sairia pela manhã fria e chuvosa de janeiro como em qualquer outros desses sábados que costumavam ser felizes e hoje – e, garanto, só por hoje – ia carregar esse luto pesado, esses resto de amor infeliz, o cheiro de abandono que impregna mais que os cigarros que traguei. E eu não poderia esconder dos demais, ainda mais de mim, que eu sou a prova viva que nem tudo que machuca, mata – que amor não é sinônimo de tortura e que acabar com tudo pode ser difícil, mas a manhã fria do outro dia já não será um peso tão grande quando o maior peso de todos foi posto fora. A mim, afinal, parece uma troca justa: duas doses de desapego, uma de indiferença e todo o amor do mundo em troca de um pouco de paz comigo mesma e com os outros – um pouco de solidão até que cai bem, eu precisava aprender.

Deixa ir toda a dor, deixa vir o mar,
eu quero colorir o mundo, quero poder vislumbrar,
as flores jovens do campo, da bela noite o luar...