Hoje se tornou impossível ser feliz nessa cidade. Não há uma esquina sequer que me faça sentir algo que valha a pena. Acredito que as coisas tenham saído do eixo tão logo se iniciaram – como já poderiam prever, não duraria tempo suficiente nem para que pudesse acabar. Os dias parecem durar cada vez menos e o momento que o sol se põe sempre foi o mais dramaticamente dispensável para mim, porque quando a noite chega, as pessoas parecem perder o juízo, porque os sentimentos se maximizam ao ponto de fugir do falso controle sob qual eram mantidos, porque as razões se perdem e só resta uma vontade desenfreada de, se escondendo pelas sombras, ser algo que a luz do dia revelaria como insuportável e repugnante. Tudo continua o mesmo, o lixo ainda é recolhido à meia-noite, os carros atravessam os sinais e cortam as avenidas a 120 quilômetros por hora e meu vizinho continua ouvindo aquelas músicas terríveis que só me deixa ainda mais descrente em relação à humanidade. Nada mudou, exceto a mim, que desaprendi a lidar com aquilo que não suporto. E te ver envolto em meio a tudo isso sem apresentar nenhum descontento foi como inspirar fundo a fumaça preta que sai do ônibus lotado. Não sabia o que dizer ou como agir, mas no instante que te vi, pensei: “foi-se o último que valia a pena”. Eu vi que precisava me conter, porque nem você nem eu precisávamos de mais um daqueles meus discursos alargados de como você deixou a vida te vencer com uma vantagem esmagadora. Tentei evitar, porque era algo forte demais para se conviver, mas não marcante o suficiente para ser inesquecível. Mas agora, que estou em uma casa nova onde não há poluição ou buzinas de carros ou telefones tocando o tempo todo, eu penso que nunca me senti tão culpada por estar sem você e ainda assim ser capaz de coisas que eu nunca fui quando estava ao seu lado. Me sinto mal por me sentir bem mesmo sabendo que a vida te consome de fora para dentro e que você continua sendo sufocado por aquilo que é incapaz de enfrentar. Sentir-me bem nunca pareceu tão egoísta, quando eu me sinto covarde por ter seguido em frente. Acontece que por mais que seja dura a impressão pessimista das coisas, onde mais parece que eu te abandonei com uma promessa de retorno que não cumprirei, eu prefiro encarar com a coragem que me resta que você e eu estamos protagonizando histórias distintas, mas com enredo semelhante. Você deixou a cidade te vencer e eu corri para longe do medo que senti dela. Eu fugi, você permaneceu. Ela ganhou de mim no primeiro round, ela continua destroçando você e se consagrando vitoriosa. Nenhum de nós foi mais nobre que o outro, por isso eu te digo: deixe quem quiser cantar vitória que o faça, porque ter para si as próprias derrotas é o primeiro passo para não mais ser vencido. Quanto a mim, prefiro acreditar que a partida ainda tem volta e que nenhum adeus é permanente; sei que a cidade foi cruel, mas também admito que não fui muito justa quando ela quis me estender uma oportunidade de belas fotos e nascer do sol à beira mar. Talvez um dia eu seja capaz de voltar e, sorrindo, deixar o vento levar os motivos pelos quais um dia eu parti. Hoje se tornou impossível ser feliz nessa cidade, mas quem sabe amanhã os problemas se tornem passado e para o futuro reste a esperança de um dia cravar os pés de novo na terra do parque e pensar: voltei para ficar.

DEYSE!!!!!!!!!!!!!
ResponderExcluir"Tentei evitar, porque era algo forte demais para se conviver, mas não marcante o suficiente para ser inesquecível. Mas agora, que estou em uma casa nova onde não há poluição ou buzinas de carros ou telefones tocando o tempo todo, eu penso que nunca me senti tão culpada por estar sem você e ainda assim ser capaz de coisas que eu nunca fui quando estava ao seu lado. Me sinto mal por me sentir bem mesmo sabendo que a vida te consome de fora para dentro e que você continua sendo sufocado por aquilo que é incapaz de enfrentar. Sentir-me bem nunca pareceu tão egoísta, quando eu me sinto covarde por ter seguido em frente. Acontece que por mais que seja dura a impressão pessimista das coisas, onde mais parece que eu te abandonei com uma promessa de retorno que não cumprirei, eu prefiro encarar com a coragem que me resta que você e eu estamos protagonizando histórias distintas, mas com enredo semelhante."
Essa sou eu! oO
Não preciso dizer mais nada.
Beijos, sua linda! <3
Saudade!
Oi Deyse,
ResponderExcluirMuito prazer, eu sou o Pedro. Tudo bem que isso não é muito dificil de perceber, mas em contrapartida, eu vim aqui pra te agradecer. Agradecer porque você deixou explícita a sua beleza interior no meu espaço e eu estou sem palavras. Sabe, o amor é uma das coisas que as pessoas ultimamente não acreditam. Ou se acreditam, invertem a importância dele, deixando apenas para que ele seja algo que possa beneficiar algum lado da história em determinados momentos. E amor não é isso. Amor não é você fazer outra pessoa sofrer e sim sofrer junto. Eu, Pedro, ultimamente, acredito só em amor de pai e mãe. Talvez seja bobeira minha, amanhã eu encontre a minha alma gêmea, mas eu já sofri tanto com essa história que prefiro acreditar que sou amado apenas pelos meus pais e por poucos amigos que sempre estão comigo.
Deyse, em cada linha do seu texto, eu consegui me infiltrar na história. É como se você conseguisse me levar para o seu mundo, do seu lado e estivesse passando um filme agora sobre o que você demonstra no texto. Você tem o dom da escrita, sabe se portar bem como pessoa e como escritora. Parabéns.
Um mega beijo pra você, tá?
Com muito carinho,
Pedro.
Deyse minha flor, que texto foi esse? sério, voce me deixou presa até o fim. O que é o amor, se não a dor de quem se ama, e aprende que amor não rima com dor, mas, quem ama sabe a dor que carrega. Me senti nesse texto em dias atrás, estava assim.
ResponderExcluirps; amei seu comentário no Love in red, beijo flor ♥
Deyse, não tem como falar desse post. É sério, não tem. Eu queria dar uma de Gabi e colocar aqui a minha parte preferida, mas seria estúpido quase repetir o texto inteiro no comentário. Tô boquiaberta, só isso. LINDO é pouco.
ResponderExcluirQuero ser que nem você quando crescer. <3
Beijo!
Que texto mais lindo, moça. <3 Me deixou sem palavras. Genial!!
ResponderExcluirBeijo! :)
Que delícia de texto.
ResponderExcluirViajei em tua literatura.
Agradeço o carinho, retribuo.
Beijo doce.
Ótima semana a você.
Tô me sentindo extremamente assim. Tudo isso tá doendo hoje...
ResponderExcluirAmei o blog, voltarei mais vezes!
(E obrigada pela visita!)
O importante é que no fim, a dor torna-se uma lição, e deixar-se vencer será apenas um capítulo da vida. Gostei muito daqui Deyse, já sigo, beijo!
ResponderExcluirhttp://sabrinanunees.blogspot.com/