Pela primeira vez, antes de escrever, eu tive expectativas.
Eu queria um texto bem revelador, algo que deixasse claro porque eu nunca cansei Dele, mesmo depois de lhe aturar desde o momento que eu nasci até os dias atuais – longos 18 anos. Mas eu queria também um texto simples para que Ele pudesse parar de dizer que eu falo muito difícil – simples e sem embolação como as nossas reconciliações, cheias de ''eu não te entendo, Deyse'' e ''não tente me entender, só acredite em mim''.
Pois bem, eu desisti – de esperar grandes resultados, não do texto em si, até porque, se tiver algo que eu aprendi é que nada que você pense em relação a Ele acaba do jeito imaginado – e, ainda assim, você jamais de decepciona. Estou certa que muitos têm julgamentos prontos sobre Ele; a maioria, não tenho dúvida, carrega consigo várias críticas prontas, que só esperam ser despejadas na primeira oportunidade. Mas se eu, Deyse, tivesse a chance de dizer algo, seria apenas o seguinte: vocês aí, que o julgam... Estão todos errados.
Eu tive muito tempo para perceber de quem eu falo, então não pense que eu estou iludida: conheço bem O Cara com quem eu dividi a minha infância, vivi a minha pré-adolescência, passei a minha adolescência e, não duvide, com quem eu repartirei cada instante da minha vida adulta. E se Ele tiver algum defeito, será apenas o seguinte: é flamenguista. Daqueles insuportáveis mesmo, sabe? Mas isso é uma conversa futebolística que deixo para outra ocasião.
Somos a (não tão) típica situação: nós sempre vivemos juntos – eu fazia trabalhos de escola na casa Dele, eu lhe dava conselhos sentimentais de como conquistar a menina mais bonita da turma, Ele me apresentava o que havia de melhor de música na época – se um dia eu ouvi Linkin Park, CPM 22 e Charlie Brow Jr., a culpa foi Dele. Bom, foram-se os anos: eu refinei meu gosto musical e ele mudou de cidade. É, foi embora e me deixou assim: eu, 11 anos, pré-adolescente confusa e sem o melhor amigo. Trágico, não?
Não. Ou melhor: poderia ter sido. Poderíamos ter escolhido fingir que os passeios de bicicleta e as brigas dentro do táxi que nos levava para a escola nunca tinham existido; poderíamos ter escolhido um monte de coisas, mas entre todas as nossas opções, a que pareceu mais suportável foi a seguinte: seremos amigos. Mandamos um ''dane-se'' bem grande para a distância; enquanto existirem feriados para reencontros, férias, MSN, telefone e outras coisas assim, nada nos separa. E, mesmo que não existisse nada disso, Ele tratou de cultivar bem o seu lugar no meu coração antes de partir; nada – digo e repito: nada – nesse mundo iria apagar algo que foi criado e cuidado com tanto cuidado como a nossa amizade.
É, amizade. Amigo desses de falar besteira até não aguentar mais, de lhe contar tudo, de lhe oferecer ajuda mesmo quando você sabe que, na verdade, ele não pode ajudar em nada. Amigo desses que lhe perturba quando o seu time perde, que faz você chorar de raiva depois de cada briga - que não foram poucas - e que faz você sorrir de alívio sempre que fazem as pazes. Amigo desses que um dia você confunde com paixão – amigo desses que lhe ensinam que, sim, uma menina é capaz conhecer um cara a vida inteira e querê-lo muito bem, mas não querê-lo para si. Amigo desses que faz você parar e pensar: Ele é mais que amigo – Ele é irmão.
E, sabe, eu vou dizer que eu o amo. Não vou evitar palavras com medo delas saírem erroneamente românticas por olhares maliciosos ou pouco sinceras por julgamentos desconfiados.
Eu te amo, Yan (Mongol) Machado, e você não merece nada menos que isso.