quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Todo o amor é pouco

Quero mais - e temos mais. E por isso ele é a exceção de todas regras do meu mundo. O amor só é eterno enquanto dura? Pois o tempo parou pra nós dois. Perfeição não existe? Pois não consigo apontar nele algo que não me fascine. O amor me deixou cega-surda-louca-varrida? Nunca estive mais lúcida e é por ter tanta certeza que não cabe na nossa história qualquer coisa que seja falsa ou momentânea é que eu digo que não há no mundo alguém que tenha mais chances de ser feliz do que eu. E se a gente tem algum problema, não é por falta de sentimento, mas sim por excesso – de cuidado, de carinho, de atenção, de querer-tá-junto-o-tempo-todo-todo-o-tempo. E, enfim, não faz sentido consolidar o que já está mais que enraizado, não pretendo divulgar minha tamanha sorte e muito menos vou dizer que um dia outro qualquer eu não tenha vontade de gritar, pois bem, eu desisto de manter as coisas sempre assim – a grande diferença é que, na maior exceção entre todas, quando se trata dele, eu sempre volto.

Volto com um sorriso, um coração e os braços abertos – eu volto para onde nunca deixei de estar. Eu volto para você.

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Aproveitando o que uma vez foi dito pelo Aurício no seu blog, hoje eu aqui repito: ''algumas pessoas esquecem (ou ainda não descobriram) que os comentários não funcionam como auto-ajuda'', mas para que as pessoas que gostaram do que leram e se identificaram com o texto possam externar isso de forma crítica e construtiva. Juro que eu aprecio a boa vontade de vocês, mas, na boa, conselhos eu mesma me dou. Enfim, não queria ser grossa ou arrogante, então espero que entendam. No mais, permaneço grata à visita de cada um. Sempre.

Beijos!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Eu choro café e você chora leite

Pode parecer falso ou até mesmo um tanto arrogante da minha parte, mas eu precisava dizer o quão miseravelmente descartável foi a sua presença na sua vida. As dores da sua partida ainda me são habituais e você pode inflar um peito de orgulho por uma ou outra lágrima que ainda é capaz de me fazer derramar – as marcas continuam dentro de mim e refletem em tudo aquilo que eu toco, então não posso disfarçar que o mal que me fez foi passado adiante. Mas não se engane em pensar que ainda estou iludida com seus discursos imensamente planejados de conquistador barato que, é bom constar, você não soube ser; o papel de cafajeste não lhe caiu bem – disfarçou muito mal, meu querido, e hoje tudo o que lhe resta é esse o desprezo de quem muito pouco demorou a descobrir que você não passava disso, dessa coisa morta por dentro, dessa alma que não tem razão para existir.
Já lamentei até mais que devia, já despertei em muitos a sensação pesada da nossa história fracassada – enfim, o que quero dizer é que a mim nada mais resta. O vinho que me trouxe na ultima vez que me visitou, ah, esse fiz questão de tomar enquanto olhava o seu rosto nas nossas fotos – e gargalhava ao perceber o quão eu fui estúpida para, no segundo seguinte, descobrir que o verdadeiro palhaço da história foi você: você que não soube sequer sustentar a sua mentira; não enganou nem a mim e nem a ninguém, e hoje nos encontramos assim, esse cheiro de história mal resolvida no ar, uma garrafa vazia no canto da sala e dois corpos antes unidos, hoje sem ligação alguma.
Lembro da primeira vez que conversamos e que você demonstrou algum interesse. Até então me encantava o doce gosto do mistério que há muito eu não sentia – a saudade dessas trocas de olhares apertou e eu, mais fácil do que você poderia esperar, me rendi de maneira absurdamente manipulável. E hoje, olhando para tudo e imaginando os meus sorrisos a cada bobagem que você dizia – ah, sim, me bate uma vergonha de mim. E mais do que a sua perda – que, cá entre nós, não é exatamente o que hoje eu lamento – fica em mim esse incômodo de ter sido tão estupidamente feliz. Fica a vergonha de ter me permitido. E fica o receio de, um dia, me dar ao luxo de sorrir novamente para alguém do modo que sorri para você.


* O título é um trecho da música Pratododia, de O Teatro Mágico.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Faço bom proveito

Se tiver algo que resolvi tirar de mente nos últimos dias, bom, esse algo foi você.

Você e seus discursos envolventes, que sempre menosprezavam a minha capacidade de identificar por trás de sorrisos cuidadosamente esculpidos uma falsidade de dar nojo – essa sua coisa super-protegida não era amor oculto ou tão pouco esmero bem guardado; era desprezo, só isso.
Deixei para depois coisas menores: você, sua vida bem resolvida, toda a sua segurança, seu futuro brilhante e suas exigências que assim eu também fosse – tenho saudade, isso sim, de não ter que satisfazer as vontades de ninguém, nem as minhas próprias, e viver bem com isso – viver em paz e conseguir levantar da cama todas as manhãs sem o peso de que fiz algo errado ou que machucasse a um ou a outro – porque eu seria boa para mim, boa para todos que resolvessem arriscar e, meu querido, não se engane, nada disso seria mérito seu.
E, me atrevo a dizer, junto com você sumiram de mim muitas coisas que eu não reconhecia como minhas – sumiu a má fé, a falta de vontade, as perspectivas ruins e as limitações às quais eu me submetia. Enfim, dei adeus à você e à parte de mim que apodrecia um pouco todos os dias.

E se tiver algo que eu resolvi colocar em mente nos últimos dias, bom, esse algo é que as coisas estão muito melhores assim.