terça-feira, 31 de dezembro de 2013

14 resoluções para 2014


Só mesmo o fim do ano para me fazer voltar ao blog, tirar a poeira e fazer a postagem mais assunto-comum de todos os tempos. Mas, cá entre nós: falar sobre resoluções de ano novo é um assunto que veste perfeitamente em mim, que sempre fui um clichê ambulante. Também, confesso, as promessinhas de fim ano me fazem ter algum objetivo na vida, algum compromisso com todo o meu plano de ser uma pessoa melhor. Em 2013, para a minha surpresa, eu fui relativamente bem em relação às resoluções que fiz no fim de 2012, então eis mais um motivo para manter a tradição. 

Assim sendo, fiz 14 resoluções para 2014 – algumas repetidas em relação ao ano passado, porque a minha fé em mim mesma não tem limites. 

01. Me exercitar regularmente 
Em 2013 eu pratiquei mais exercícios físicos do que em todos os anos anteriores, mas ainda não foi na intensidade que eu quero e preciso, então a promessa para 2014 é chegar nesse nível.

02. Conquistar ou realizar algo que me dê orgulho
Nossa, esse tópico renderia mil e umas reflexões subjetivas até demais, então melhor deixá-lo auto-explicativo.

03. Ler um livro por semana 
Esse item meio que já deixou de ser uma resolução de ano novo e passou a ser uma meta pro resto da vida – só que como ano eu ainda não consegui (mas foi quase!), continuo insistindo. 

04. Parar de adiar pequenas tarefas 
Eu sou o tipo de pessoa capaz de passar semanas adiando uma marcação de consulta, uma arrumação do quarto, uma atualização do mural de fotos, uma troca de músicas do pen-drive do carro... Tarefas que não custam nada, mas que eu ainda preciso aprender a realizar.

05. Parar de me arrumar sempre na última hora
Apesar de não ter estado na lista ano passado, porque eu tinha outras prioridades, eu tenho essa resolução de vida praticamente desde o dia que a minha mãe deixou de me dar banho e de me vestir. De lá pra cá, eu continuo saindo de casa e só terminando de me vestir/maquear/pentear o cabelo no elevador (shame on me) ou no carro, o que, convenhamos, é vergonhoso demais até para os meus elásticos padrões.

06. Parar de roer unhas
Olhando os arquivos do blog, eu percebi que desde 2009 (!!!) essa resolução está na minha lista. Não sei nem o que dizer sobre isso, sinceramente.

07. Usar os óculos novos
Eu tenho miopia, mas pouca gente sabe disso, porque eu nunca usei os óculos que já cheguei a comprar. Esse mês recebi o último e pretendo colá-lo no meu rosto, se for preciso, porque a idade bateu à porta e até dificuldade para dirigir eu já sinto sem umas lentes que me ajudem.

08. Economizar dinheiro
Como esse lance de viajar é absolutamente viciante, já estou organizando uma próxima viagem pra bem longe, que deve ser só lá em outubro. Por isso, até lá, carteira fechada, porque eu sei bem o quanto ir para onde a gente quer pode ser caro.

09. Terminar o curso de inglês
Há séculos que eu faço curso de inglês, mas, vergonhosamente, ainda não tenho certificado. Desse ano não passa - não é possível que passe, só mesmo se eu não tiver uma gota de amor ao dinheiro que meu pai já gastou comigo.

10. Aproveitar o dia do meu aniversário
Eu não conheço ninguém que goste menos de fazer aniversário do que eu. Não sei nem explicar os motivos, só sei que fico pouquíssimo à vontade nesse dia. Esse ano, porém, eu pretendo fazer algo além de me esconder no quarto e não falar com ninguém - nem que seja sair pra jantar ou ir ao cinema, sei lá... Fazer qualquer coisa que eu goste já seria um grande avanço.

11. Mexer mais com fotografia
Fotografar é uma terapia tão grande pra mim que, após muito tempo sem usar a câmera, eu sinto inúmeros efeitos colaterais - que podem muito bem ser amenizados se eu deixar de ser preguiçosa e sair pra aproveitar lugares novos com a minha câmera (Katy, para os íntimos).

12. Terminar o que começo
Eu tenho essa mania terrível de começar as coisas (a organizar o quarto, uma nova atividade física, um texto para o blog, enfim) e simplesmente não ir adiante, abusar, deixar pela metade, dizer que termino em um depois que nunca chega. Isso vem me atrapalhando muito e me deixando mais desorganizada do que eu já sou, motivo pelo qual preciso quebrar o ciclo de "mais tarde eu faço".

13. Participar
Por tudo que é mais sagrado: eu preciso por um fim a essa minha preguiça  do mundo e das pessoas. Passei a me preocupar seriamente com isso nos últimos tempos, mas até agora as minhas tentativas vêm sendo vergonhosas.

14. Ser gentil
Porque ser gentil é melhor do que ter razão.


Resoluções cumpridas em 2013: 

01. Ter mais cuidado com meu cabelo, pele e alimentação 
É surpreendente a forma como fui regularmente ao salão, usei mais maquiagem e passei a comer frutas, enquanto diminui exponencialmente frituras e chocolate. Ainda tenho muito que melhorar, mas sinto que atingi um nível aceitável. 

02. Melhorar minha média de notas na faculdade 
Só digo uma coisa: meu boletim esse ano foi o orgulho da minha vida. Incrível o que umas horinhas a mais com a cara nos livros não fazem. 

03. Me empenhar no curso de inglês do intercâmbio
Fiquei em um bom nível do curso e me soltei bastante em termos de pronúncia, muito mais do que achei que fosse. Resolução devidamente cumprida!

04. Me organizar financeiramente 
Ainda posso diminuir mais os gastos, mas cumpri o objetivo principal, que era descobrir a fonte de sumiço do dinheiro e controlá-la. 

05. Não procrastinar mais que uma vez por semana 
Só posso dizer que são raros os dias que procrastino. Juro! Diria que, no máximo, uma vez a cada duas semanas eu me rendo e passo uma manhã ou uma tarde olhando pro teto, sem vontade de viver. Não sei como consegui essa proeza, mas se eu descobrir, acho que ficarei rica vendendo a fórmula. 

06. Sair da rotina
Não sei se 2013 que foi fora do normal, mas a verdade é esse ano eu fiz coisas que considerava impossíveis. Definitivamente, rotina não foi uma inimiga.

07. Passar na OAB
O meu objetivo era passar na OAB, mas como eu só fiz o exame de dezembro, atingi a meta parcialmente - segunda fase, aí vou eu!

08. Emagrecer 7 quilos
Consegui perder os 7 quilos, mas depois engordei mais 2 quilos, então encerro o ano com 5 quilos perdidos. O verdade é que eu já considero essa barreira do peso praticamente vencida, principalmente que eu começar a me exercitar com a frequência que eu pretendo atingir.

Tirei da lista:

Voltar a escrever
Simplesmente sinto que ano que vem não vai ser o meu ano mais produtivo no blog – como se os passados tivessem sido, mas ok. Terei monografia (que vai me fazer enjoar de escrever), OAB, formatura... Uma série de eventos que merecem ser registrados, mas, principalmente, merecem ser vividos. Como não posso fazer promessas no campo da escrita, prefiro remover o item da lista ao invés de arrastar mais um ano sem alcançá-lo. Além de tudo, escrever, pra mim, sempre foi uma forma de colocar pra fora tudo o que, principalmente, me incomodava; acontece que ultimamente eu tenho mais vivido e sido grata por esses momentos, do que efetivamente sofrido por mim, por alguém ou por algo. As coisas andam tão certas e tão boas - só as palavras que se perderam.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Amei Paris, mas não tanto assim

Onde Paris melhor fica: na imaginação.
Eu queria contar essa história há um bom tempo, mas sempre sentia que estava para cometer um ultraje. Tenho certeza que vocês já passaram por uma situação semelhante e que, por isso, vão me entender - muito embora eu ache que o meu caso tenha dimensões estratosféricas. Esse drama não é só porque eu amei “Anna e o Beijo Francês”, muito menos porque todo mundo diz que sua vida se divide nos momentos antes e depois de conhecer Paris... Era mais questão de encantamento personalíssimo, mesmo, mais uma dessas coisas que amamos sem motivo aparente, antes de sequer conhecê-las. 

Dito isso, quero deixar claro que amava Paris, muitíssimo mesmo. Amava suas luzes, suas pessoas e seus cafés à beira do Rio Sena. Muito antes de pisar na França, eu já me imaginava gastando infinitos euros em um jantar no topo da Torre Eiffel. Sonhos clichês, mas ao mesmo tempo tão meus, tirados da minha Paris imaginária, cheia de pessoas interessantes, com músicos e pintores pelas ruas. Paris sempre foi minha unanimidade. Quando meu namorado e eu decidimos viajar juntos, cada um poderia escolher duas cidades para visitarmos no tempo livre... Mas Paris? Ah, Paris foi nossa escolha conjunta, a única que não rendeu discussão. Afinal, quem não quer conhecer a Cidade-Luz? Quem optaria por não visitar Paris? 

Não é que eu tenha achado tudo uma perda de tempo – não cheguei a esse ponto de repulsa, ao menos. Não me arrependo de ter ido a Paris e aconselho a quem quer que seja: vá, explore e depois me diga se o problema está na cidade ou comigo, porque eu amei Paris, mas não tanto assim. Na verdade, o meu amor pela cidade diminuiu drasticamente, a ponto de ser só uma faísca do que antes era. Para espanto geral na nação, confesso que gostei muito mais das insignificantes Bruxelas e Edimburgo. Quem diria, uma moça que visita Paris com o namorado e não gosta. Como podem imaginar, o problema não foi a minha companhia, definitivamente. O problema foi Paris, que me atraiu com suas promessas brilhantes, mas me abandonou assim que eu cheguei. 

Cadê a porcaria do clima diferente? Cadê as luzes contagiantes? Cadê o romantismo da Cidade do Amor, peloamordeDeus? Nada de me receber de braços abertos; ao chegar a Paris, recebi um belo banho de água fria, assim que me deparei com aquelas estações de metrô infernais que não tem uma mísera placa em inglês. Francês é uma língua linda, indiscutivelmente, mas que espécie de 3ª cidade mais visita no mundo que é Paris, se está pouco se lixando para seus turistas? Essa dificuldade de comunicação se espalha pela cidade inteira e vai irritando dia após dia. Eu praticamente chorava de felicidade quando via algo escrito em inglês, porque isso significaria que ainda existia esperança de sobreviver naquele mundo, certo? Doce engano, doce engano. 

As placas podem até estar em inglês, mas os franceses se recusam terminantemente a usar a língua dos seus vizinhos, os britânicos – e tenho cá minhas suspeitas que isso tem raiz na birra que existe entre os dois. Cheguei ao cúmulo de ir até uma barraquinha de sorvete, que tinha uma placa em inglês, pedir uma água para a vendedora e esta me ignorar, enquanto me encarava com a maior cara de desprezo que eu já vi. Gente, como assim? Eu tive que pesquisar como era “água” em francês, sob o risco de morrer de sede. Há muito eu fui avisada que os europeus não são mesmo muito amistosos; porém, apesar de nada acolhedores, todos os europeus nos outros países sempre foram muito educados. Na França não existiu essa dádiva; todo mundo, além de reservado, foi extremamente grosso, a ponto de eu sentir várias vezes aquele soco imaginário direto no meio da minha cara. 

A única pessoa que foi gentil comigo em toda Paris foi um vendedor ambulante, que disse que eu era a cara da Juliana Paes – gentil, mas interesseiro, querendo me conquistar com elogios aleatórios. Fora este sujeito, só o que eu senti foi animosidade. Nos quesitos básicos, como língua e povo, Paris me perdeu logo de cara. Daí em diante, foi difícil não me revoltar com outros tantos defeitos: o preço absurdo da comida, o transporte público confuso e sucateado, a má conservação de vários pontos turísticos, o mau cheiro das pessoas (não, isso não é mito). O mais triste de tudo foi ver como os arredores dos pontos turísticos são áreas extremamente sujas; tem sempre muito lixo pelas ruas e os parques (tão perfeitos em Londres e Amsterdã) não têm sequer uma área limpa que nos permita deitar para curtir o sol. Foi frustrante ter que recolher bitucas de cigarro e rolhas de vinho, para que eu pudesse me sentar naquele gramado “lindo” em frente à Torre Eiffel. A verdade é que, se eu fosse enumerar os problemas que encontrei em Paris, as reclamações não se encerrariam por aqui. 

Para não dizer que não falei de flores, a área ao redor de Notre-Dame chega muito perto de como eu imaginei que fosse a cidade inteira: pessoas tocam pelas ruas, cafés estão lotados, árvores e flores por todo o lado, uma loja da Häagen-Dazs (imprescindível para o sucesso de uma cidade), a Pont Des Arts, macarons de faz chorar de tão bons... Enfim, tudo que me faria amar Paris como eu gostaria de ter amado. Talvez eu esteja sendo um pouco crítica, é verdade, mas atire a primeira bituca de cigarro quem não é exigente com algo que o mundo clama ser perfeito. Muitos desses problemas também atingem a minha cidade, mas, caramba, eu esperava de Paris um pouquinho mais do que eu vejo em São Luís, Maranhão, Brasil. Se eu quiser gente me tratando mal o tempo todo, eu simplesmente vou ao banco no dia 05 do mês, ao invés de pagar caro para ser mal atendida ou lindamente ignorada. 

A minha teoria é que Paris é muito fotogênica e, por isso, engana facilmente. É o mesmo caso da moça feia que só tem fotos lindas, mas que é decepcionante de se conhecer pessoalmente. Se vocês forem olhar as fotos que tirei de Paris, dirão que esse post é uma mentira, porque realmente não há uma foto que não seja bela. Tudo é uma grande ilusão, meus caros – foi essa a lição que Paris me deixou. E cá entre nós: sempre me disseram que apesar de querer muito ter uma alma francesa, eu sempre fui secretamente britânica, por gostos e birras - e isso não nego mais.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

TAG: Como eu leio

Estava com tanto tempo que eu não fazia um vídeo que, como vocês poderão perceber, eu obviamente desaprendi como que a coisa funciona - a única coisa que não é culpa minha é a travada que o vídeo dá bem no meio, porque a minha câmera achou que seria apropriado parar de filmar enquanto eu falava (e óbvio que eu não sei editar essas coisas para que fique um erro menos descarado). Fora isso, todas as palavras faladas erradas, todas as faltas de concordância, os 2 segundos parada olhando para o teto (e o vídeo todo sem olhar para um ponto físico), a voz irritante... Tudo isso é culpa minha mesmo.

Dito isso, espero que vocês tenham paciência para assistir o vídeo (como que a gente consegue falar tanto e nem se dá conta que já se passou tanto tempo?). Quem me indicou foi a Anna e eu realmente gostei dessa TAG - não tinha parado ainda para pensar o quanto minha situação financeira anda crítica por causa de gastos com livros, por exemplo. E as minhas indicações são: Milena, Tary, Couth, Larie e Bia. E meninas, aviso logo: não aceito desculpas. No mais, quem quiser fazer, sinta-se livre - só me avisa depois nos comentários, para eu poder assistir também!


ps.: a qualidade do vídeo também não é essa coca-cola toda, já que se eu for postar com uma qualidade bacana vou passar uma semana inteira upando o vídeo no YouTube. Vocês entendem o drama, aposto.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Versos antigos de um sentimento morto


Hoje te vi atravessando a rua e não gritei teu nome, não forcei os olhos para te enxergar melhor, não acompanhei teus passos quando você saiu do meu campo de visão. Seria isso te deixar ir? Depois de todas as despedidas mal sucedidas, das tentativas em vão de apagar seu número da minha agenda telefônica, depois de ser clichê até não ser mais nada além de uma personagem simples e vulgar... Será o fim algo banal como um caminhar cotidiano, veloz como o seu transpassar de pernas? Não achei que fosse ser plateia do fim quando ele chegasse, mas para contragosto do meu orgulho eu estou aqui, de mãos atadas e coração idem, engolindo a seco o ardor da despedida sem me manifestar... Sem reticências. 

Ridículo como, por muito tempo, eu fiz sala ao fim, o convidei inúmeras vezes para uma visita, deixei a porta aberta, estendi tapete vermelho, comprei-lhe rosas. Quando chegou, porém, fui incapaz de sequer estender-lhe a mão, de dizer "demorou, mas (en)fim"; fui incapaz de deixar claro que o fim, para mim, era mais definitivo que o começo. Quando o fim chegou, foi mesmo como um último dia de carnaval: um porre de doer a alma e uma lembrança de dias que parece que nem existiram. Quando o fim chegou e foi embora com você, o lapso de um milésimo de segundo entre a partida e um novo começo foi o mesmo que meu piscar de olhos; se eu não estivesse atenta, se eu não soubesse que em breve ele fosse chegar, se eu estive esperando mais um capítulo dessa história que só por utopia iria se estender infinitamente... Se o fim não fosse tão previsível como sempre defendi que o é, ele partido sem que eu o tivesse visto. 

Eu sei que sempre nos falta atenção. Sei que muitos de nós carregam nas costas "histórias mal resolvidas" como se essas se estendessem infinitamente pela memória; a verdade é que essas não passam de um fim não visto, de um encerramento tão brevemente substituído por um novo começo que foi impossível de notar. Não, não existe qualquer lapso temporal entre o fim e um novo começo. É tudo imediato, quase inconcluso, um tanto desorganizado. Se você é do tipo que diz piscar os olhos para não admitir que fechou-os a verdade, como eu, muito dificilmente vai ver o novo começo, que vem de carona com o velho fim. E depois nos queixamos que não sabemos por onde "começar" - nós, que dormimos no ponto, perdemos a linha, nos atrasamos na caminhada. 

Nós, que sempre teimosos achamos que a vida tem um botão de pause, que nunca aprendemos que o tempo de um suspiro já nos rende um atraso na nova história que se inicia com presa, com sede, desesperadamente fugindo do seu fim que vem logo atrás. Sei que fugimos do fim como se. 

Ps.: Achei esse texto, escrito em outubro do ano passado, no fundo de uma gaveta velha e pensei que ele não deveria ser esquecido – nunca fui boa em menosprezar e ignorar sentimentos, por mais antigos e ultrapassados que eles sejam. É incrível como eu sou eu a qualquer tempo. 

Ps².: Eu deveria, mas não vou declarar que o blog está morto ou que as palavras não me servem mais – elas sempre vão me servir. Acontece que, ultimamente, o silêncio tem sido uma companhia mais agradável. Quem sabe um dia, “por descuido ou poesia”, eu não volte a aparecer?

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Como não tratar a sua vida


Incrível como as coisas podem mudar da noite para o dia e mais incrível ainda como se pode passar um mês sem que você consiga sair no mesmo buraco onde se enfiou. 

A última vez que eu vim aqui eu chorei todas as pitangas acumuladas que tinha para chorar. Não que qualquer coisa tenha melhorado, mas eu acho que a gente acaba se acostumando com toda a pressão e o terror que preveem o término e início de tudo. Aliás, acho que nós acabamos nos acostumando com qualquer coisa, principalmente quando é um caminho sem volta. E, meus amigos, a responsabilidade é um caminho sem volta. Uma vez que você a tenha, pode dar um adeus definitivo a toda a sua inocência e ignorância. O conhecimento sobre as coisas e sobre a vida é mesmo algo que não tem devolução. Talvez seja por isso que eu me martirize tanto por ter querido a todo custo, o mais breve possível, ser dona do meu nariz e tomar minhas decisões independente do que fulano ou ciclano achavam. Eu queria tanto "ser quem eu sou" que sequer parei para pensar na questão principal: e por acaso já descobri quem é esse "eu" que eu tanto quero ser? Alguém deveria ter me avisado que, uma vez eu tendo começado a cuidar de mim mesma, não poderia voltar e pedir para alguém me cuidar quando fosse conveniente. Alguém teria que ter me avisado que “ter responsabilidade” é um dos poucos estados definitivos pelo quais passamos ao longo da vida. 

Nunca mais vai chegar aquele dia em que eu vou poder respirar e dizer: é, hoje eu não tenho absolutamente nada para fazer. Sempre vai ter alguma tarefa acumulada em cima da mesa, uma meta esperando para ser atingida, um prazo para cumprir. Essa é uma conclusão meio patética, na verdade, mas sabe quando as obviedades sempre são adiadas? Foi assim a minha vida toda, até essa verdade, a de que eu tenho mesmo uma vida para cuidar, cair de paraquedas no meu colo. E a gente é tão bobo por tanto tempo sobre “ter uma vida” e cuidar dela, já repararam? Quando a gente é adolescente e acha que tem alguém falando mal de nós pelos corredores da escola, começamos a reclamar que tem gente demais “cuidando da nossa vida”. Hoje em dia, um ou outro sempre dispara pelas redes sociais algo como “ninguém tem louça pra lavar ao invés de cuidar da minha vida?”. “Cuidar da minha vida” sempre foi um termo tão vulgarizado, tão subestimado. Acaba que cuidar da sua vida, controlá-la em todos os seus aspectos, é muito mais que fazer fofoca ou dizer o que está certo ou errado – e isso, infelizmente, você só descobre quando percebe que existe coisa mais importante no mundo além daquilo que os outros pensam sobre você. Acaba que ninguém cuida verdadeiramente da vida de ninguém – nós queremos fugir até mesmo na hora de cuidar das nossas próprias. Hoje, eu, que sempre falei mal das intrometidas, daria tudo para ter alguém verdadeiramente cuidando da minha vida por mim. Mas lembra de o que eu disse sobre responsabilidade não ter devolução? Pois é. Só me resta engolir o choro.

Esse provavelmente é um dos textos mais pessoais, mais melancólicos e mais absolutamente sem nexo que esse blog já viu, mas eu precisava passar por esse processo quase de aceitação para prosseguir para algo mais agradável. Depois de tanto drama, agora a gente pode voltar a falar de coisa boa.

sábado, 16 de março de 2013

Cresci. E agora?


Tem sempre aqueles dias que a gente cansa de viver como se tudo fosse uma grande aventura. Eu sou uma pessoa que nasceu sem fé alguma na vida e Deus sabe como tenho lutado para mudar. Como tenho me esforçado para acreditar mais em mim mesma, acreditar mais nos outros e ter aquela persistência inatingível que invejo em muita gente. Nem preciso dizer que sou um verdadeiro fracasso quando tento ser alguém forte. Desnecessário dizer que quando acontecem coisas que acabam com todos os meus planos, eu tenho uma séria dificuldade em recomeçar. Eu entro em negação diante de um recomeço. Eu tenho raiva, tento barganhar, entro em uma depressão de não querer sair da cama e, por fim, eu aceito o inevitável, quase como se precisasse passar pelas cinco fases do luto diante de toda perda, grande ou pequena.

Acho que estou na fase da barganha. Ando negociando comigo mesma um recomeço que vem sendo adiado há semanas. Por quanto tempo a gente pode enrolar a vida até ter que parar de fingir que ela não é real? Até quando podemos voltar a ter 10 anos, sem responsabilidade nenhuma e só o dinheiro dos pais no bolso? Para mim, isso tem prazo de validade: até eu me formar. Um ano e 4 meses até lá. Um ano e 4 meses até eu passar pelo último caminho da obrigação de crescer. Isso vem me deixado em pânico, quase uma vontade de voltar para o primeiro período e ser protegida pela carapuça de uma caloura. E se eu me formar e for só isso? E se eu não conseguir um emprego? E se eu não passar na prova da OAB? E se eu não passar em um concurso? E se eu fizer 30 anos morando na casa comprada pelos meus pais, tendo que conviver com a decepção deles? 

Não consigo parar de pensar em como gostaria que a minha vida fosse um livro. Acho que talvez isso me garantisse a certeza de alguma coisa. Assim, eu poderia fazer comigo o que faço sempre que estou lendo a história de uma garota até legal, mas que insiste em se dar mal na vida: traindo a ordem de leitura, corro até o meio ou até mesmo ao final do livro para saber se ela já está melhor, se conseguiu o emprego, se o cara se declarou a ela, se os problemas com a família acabaram. E quando eu vejo que tudo vai ficar bem com a tal moça, a sensação é incrível: o peso sai dos meus ombros e eu leio o livro com um sentimento muito melhor... Uma sensação de “tudo bem isso acontecer, porque sei que vai acabar bem”. Queria ter a mesma certeza comigo. 

Queria poder avançar algumas páginas até o fim da minha linha cronológica só para saber se todas as dificuldades vão se justificar. Mais uma vez, infelizmente, minha vida não é um livro para ampla consulta. Parece mais um livro que ainda está sendo escrito ou apenas o primeiro volume de uma trilogia. E eu jamais vou ter segurança alguma de qualquer acontecimento que seja. Então eu penso em mim mesma com 10 anos, dizendo para todo mundo que eu queria ser pediatra (isso foi antes de ter aulas de química e biologia, claro) quando crescesse. Alguém tinha que ter me dito que não era tão simples. Alguém tinha que me dizer, antes do vestibular, que o meu futuro não está na escolha, mas sim no que eu vou fazer com ela. Alguém tinha que me dizer que as nossas perguntas nunca se esgotam e que as respostas são cada vez mais escassas. E, por fim, alguém tinha que me dizer que as nossas intenções são sempre as melhores e nossos objetivos sempre justos, mas que o caminho até tudo isso nunca é breve, nunca é fácil e tão pouco é previsível.


quarta-feira, 13 de março de 2013

Você também quer fazer intercâmbio?

Desde que eu comecei a resolver meus assuntos sobre o intercâmbio, vez ou outra alguém me faz perguntas gerais sobre isso: pra onde eu vou, aonde vou me hospedar, quanto estou pagando... Enfim, são pessoas interessadas em viajar querendo dicas de como se organizar. Pensando nisso, resolvi responder algumas das perguntas que mais recebo por aí. Espero conseguir ajudar quem tem dúvidas.


Qual empresa de intercâmbio escolher? 

Aqui em São Luís o mercado está concentrado em duas agências de intercâmbio: CI e STB. Eu visitei as duas e gostei bastante de ambas. Acontece que desde o início existiu um ponto em que elas divergiam: o preço. A CI era cerca de 2 ou 3 mil reais mais cara que a STB e isso sem qualquer motivo. Mas como não só um bom preço define uma viagem, ainda mais para tão longe e por tanto tempo, fui atrás de pessoas que já tinham viajado pela STB – até porque, apesar de já ser nacionalmente conhecida, é uma empresa nova aqui na cidade. Falei com vários amigos e conhecidos que já tinham viajado pela agência e todos, sem exceção, me disseram que podia confiar na empresa. Então, acabei assinando o contrato e até agora estou satisfeita. 

Quando começar a planejar? 

Depende. Se você quer parcelar o valor do intercâmbio em infinitas vezes, é bom procurar muito antes de viajar; porém, considero 8 a 6 meses de antecedência um tempo razoável. Não acho bom procurar a empresa um ano antes: primeiro, porque os preços das escolas de inglês se renovam a cada ano e isso pode causar alterações no valor ao longo do seu pagamento; segundo, porque às vezes quando você faz reservas de hotéis e compras de passagens com muita antecedência, ao invés de sair mais barato acaba saindo mais caro. 

Eu fui à STB em janeiro para fechar um pacote para julho – não se esqueça de que o curso de inglês e a acomodação devem estar pagos um mês antes da viagem! Pra mim isso foi suficiente, até porque eu mesma, pesquisando em sites e blogs, já tinha listado todos os lugares que eu queria conhecer. Então, o que eu indico a qualquer um é pesquisar desde cedo sobre os lugares que gostaria de ir. Assim, você já pode chegar à agência praticamente com uma decisão tomada. 

E para qual cidade ir? 


Eu sempre quis ir para Londres, então escolher para mim foi fácil. Além de todo o meu amor pela cidade, pesou muito o fato de que eu poderia conhecer outros países nos fins de semana de folga. Como viajo com meu namorado, os outros lugares que vamos visitar não foram só escolhas minhas. Também conta na hora da escolha uma melhor logística de viagem. Exemplo: queria muito conhecer Madrid, mas é muito longe e não compensa ir até lá para passar só um fim de semana. Ou então: para ir a Amsterdã de trem, tenho necessariamente que passar por Bruxelas, então fica fácil fazer uma parada por lá e conhecer a cidade. 

Uma coisa legal na STB: a minha atendente morou na Europa por muito tempo, então ela sabia exatamente a melhor época do mês para visitar cada cidade e quanto tempo eu deveria ficar em cada uma para que eu pudesse conhecê-las de forma satisfatória. Tem cidade, por exemplo, que ela disse que eu não preciso ficar mais que dois dias; outras, por outro lado, terei que ficar por quatro dias. Depois de muito planejar, vou poder conhecer mais lugares do que pensei. Tudo isso minha atendente da STB me ajudou a organizar. 

Onde me hospedar? 

É o seguinte: ficar em casa de família é bem mais barato que ficar em casa de estudantes, principalmente porque toda pequena diferença de valor em libra vira uma enorme diferença quando convertida para real. Mas como eu não vou viajar sozinha, minha opção foi por ficar em casa de estudante. Vou dividir o quarto com banheiro só com meu namorado, mas a área da cozinha e lavandeira vou dividir com outras pessoas. Londres é organizada em zonas: quanto menor o número da zona, mais perto ela fica do centro. Meu apartamento, assim como minha escola, ficam na zona 1, então isso vai me permitir fazer muita coisa à pé. Às vezes compensa gastar mais em uma hospedagem bem localizada, porque o transporte em Londres pode até ser bom... Mas também caro. 

Já nos outros países que vou visitar, tive que me dividir entre hotéis e albergues – todos reservados e pagos através da STB. Em alguns lugares a diferença de preço entre hotel e albergue é bem pequena, então óbvio que a preferência é ficar em hotel, porque o quarto é privativo. Mas em outros lugares, como Amsterdã, não há hotéis baratos perto do centro e os albergues são bem avaliados, mesmo que você divida o quarto com mais 8 pessoas; nesse caso, então, fiquei com o albergue.

O que eu preciso para viajar? 


Para quem vai para Londres, isso é fácil: você precisa de um passaporte. O meu curso de inglês pede que eu faça um teste antes de ir (e outro quando chegar lá) para definir o nível da turma em que vão me encaixar. Talvez eu precise tomar uma ou duas vacinas antes de viajar, mas ainda tenho que verificar meu cartão de vacinas. E, por fim, tem o tal de seguro de vida e sem ele você não entra na Inglaterra – você pode deixar para fazê-lo às vésperas da viagem, então é a última coisa com a qual você vai se preocupar. 

Se eu for para a Europa, como posso viajar para outros países? 

Sabe aquela história de que dá para viajar a Europa inteira com passagens de trem? Mentira, não dá não. Passagens de trem são caras pra caramba. Barato mesmo é viajar de low cost, que são companhias aéreas de baixo custo – as passagens são bem em conta, já que eles tiram todo e qualquer luxo possível que uma companhia aérea normal teria: até para ter direito à mala de 20kg você tem que paga uma taxa extra. Por outro lado, se você pretende viajar por um curto período de tempo – um fim de semana, por exemplo – é só por uma mochila nas costas e pronto, pode ir de low cost. 

Também outra coisa que conta na hora da escolha: de Roma a Londres são mais de 20 horas de trem. Então é bem melhor pegar um voo low cost e pronto, não é? Porém, se você vai de Londres a Paris de trem, você sai de uma estação no centro da cidade direto para outra estação no centro da outra cidade. Nesse caso, compensa bem mais viajar de trem. Mas relaxem: tudo isso, pelo menos na STB, a atendente resolve por você. A única coisa que a agência não faz é comprar as passagens low cost, apesar de te ensinarem direitinho como comprar em casa. Na STB eles também reservam e compram as passagens de trem. 


Tudo isso é muito caro? 

Na verdade, depende do seu conceito de “caro”. Comigo é assim: meu pai está pagando o intercâmbio em si e eu vou pagar todas as viagens de fim de semana com um dinheiro que eu juntei. Optei por fazer o curso de inglês à tarde, que é mais barato – isso não é um problema porque em julho anoitece tipo 8 da noite em Londres, então quando eu sair do curso ainda posso aproveitar o dia, além de ter a manhã livre. Economizei muito nas viagens de fim de semana ao escolher hospedagens alternativas. Economizei sempre procurando se era mais barato fazer essas viagens de low cost ou de trem. Economizei porque todas as minhas hospedagens vão ser em quarto duplo. 

Minhas passagens saíram mais caras, porque eu vou chegar na Europa por Roma e vou sair por Paris. E entenda uma coisa: é impossível comprar passagens para Londres em julho com aqueles preços amigos que são as passagens pra dezembro. Por outro lado, comprei com o voo indo e chegando em Brasília, o que saiu uns 1 mil reais mais barato que indo e chegando por São Luís – vou comprar passagem de São Luís – Brasília – São Luís com milhas. Se você for e voltar por Londres, portanto, e tiver umas milhas para gastar em trecho nacional sem precisar, sai menos caro essa parte da passagem, que com certeza é o que mais pesa na hora de pagar.


Bom, basicamente é isso. Eu ia fazer esse post quando estivesse mais perto de viajar, mas surgiu a necessidade agora – quando estiver em Londres e depois que chegar de lá, pretendo fazer mais posts respondendo perguntas que me fazem e com informações que acho úteis. Sempre tem muita coisa para falar, então me perdoem pelo post enorme. Tudo que eu disse são dicas bem específicas sobre Londres, porque não posso falar por quem vai fazer intercâmbio para outro lugar. De todo modo, se restou ainda alguma dúvida ou se tem algo em que posso ajudar, não se acanhem: perguntem nos comentários que eu trato de responder em breve!

ps.: não saí colocando os preços de tudo, porque é muita coisa. Mas se alguém quiser saber quanto paguei por algum serviço, é só perguntar.

terça-feira, 5 de março de 2013

Livros de fevereiro/2013

Minha rinite alérgica não aprova esse vício.

Cumprindo a meta que estabeleci, venho hoje aqui falar um pouco sobre os livros que eu li mês passado. Em fevereiro eu li mais de cinco livros, ou seja, ultrapassei a minha meta de leitura; por outro lado, a maior parte dos livros que eu li classifico como ruim/regular. No fim das contas, foi mais um ganho quantitativo do que qualitativo, o que me incomoda de um tanto que não vou conseguir descrever. 

De qualquer forma, eis os livros lidos em fevereiro de 2013: 

1. O assassino cego - Margaret Atwood

Foi o primeiro livro que eu consegui ler inteiro por PDF – ele é caríssimo, então não deu para comprar antes e nem sei se pretendo comprar quando tiver condições. É uma leitura que você sofre para terminar, porque é uma narrativa complicada demais. Além disso, não houve um só personagem com o qual eu simpatizasse um pouco; assim, foi o livro que eu mais demorei a ler esse ano. Sério, tinha horas que eu achava que simplesmente não ia ter fim. Eu sei que a Margaret Atwood é super bem conceituada, mas como tudo que eu disser sobre esse livro vai soar implicante, aconselho quem quiser saber mais sobre ele a ler a resenha que eu ajudei a escrever e que foi postada no blog Amásia. 

2. Leituras de escritor - org. Luiz Ruffato

Eu jamais compraria esse livro, mas como eu herdei do meu irmão e ele estava dando sopa na estante, resolvi encarar. A proposta é legal: são vários contos de vários autores grandiosos, como Virgínia Woolf, Machado de Assis, Lygia Fagundes Telles, Franz Kafka e por aí vai. Claro que as histórias são boas, mas esse livro me fez encarar uma verdade que eu não queria aceitar: não gosto de contos. Melhor dizendo: não gosto de livros compostos apenas de contos. Acho que depois de ler tanto Caio Fernando Abreu na vida esse tipo de obra simplesmente me enjoou. Enfim, terminei de ler o livro porque tinha contos cujos autores eu desconhecia, mas quando acabei foi com a vontade de não encarar outro livro de contos nem tão cedo. 

3. O lado bom da vida - Matthew Quick

Quem me conhece não me suporta mais me ouvir falar sobre esse livro – sua temática já fez nascer outro texto aqui no blog. Olha, ele nem é essa maravilha literária toda, admito, mas foi um livro que me surpreendeu tanto, sabe? Pela forma que os temas são abordados, pela humanidade dos personagens, pela narrativa do autor que flui como se você estivesse lendo 2 páginas, não 200. Além disso, claro, foi um livro que me tirou da minha zona de conforto mental e me fez pensar em coisas que eu não deveria esquecer, mas que estavam adormecidas dentro de mim. E reitero  para quem assistiu ao filme e não gostou, que o livro não tem nada a ver com a sua adaptação cinematográfica. Além disso, dá para comprar com 20 dilmas em qualquer livraria. Com certeza vai estar entre os melhores do ano.

4. A menina que não sabia ler - John Harding

Esse livro é sensacional. Confesso que as 30 primeiras páginas me deram um certo sono, mas quando a história engrenou minha vida se resumiu em dois momentos: os que eu estava lendo e os que eu não estava lendo, mas queria ler. Engraçado que o autor tem influências de Poe, mas eu achei o Harding muito melhor. Acontecem umas coisas realmente inacreditáveis do meio para o final do livro; a tensão aumenta a cada página e eu parei umas três vezes pra soltar um palavrão porque, fala sério, não acreditava que aquilo estava mesmo acontecendo! Resumindo: esse livro me fez sentir tudo que um livro precisa me causar para ser considerado como ótimo.

5. Histórias extraordinárias - Edgar Allan Poe

Minha vontade de não ler livro de contos não foi respeitada nem por um mês, porque logo veio Poe com suas histórias extraordinárias. De qualquer forma, se vocês quiserem saber mais sobre o livro, essa obra foi mais uma resenhada pelo Amásia e lá vocês podem conhecer mais a fundo a estrutura da narrativa. Mas adianto logo: a escrita de Poe é bem rebuscada e várias vezes me trazia sentimentos realmente ruins. Não é exagero dizer que o temas dos seus contos podem se resumir a morte, morte, morte. Mesmo com todo esse ar macabro, o suspense do autor não fez efeito algum em mim - pra falar a verdade, achei o livro bem chato. Enfim, alimentei expectativas e elas não foram correspondidas.

6. Sob a luz dos seus olhos - Christine M.

Meu Deus, que livro ruim. Para quem gosta de me ver falando mal de livros em vídeos, grave o nome deste, porque com certeza ele será lembrando na retrospectiva em vídeo no fim do ano. Eu só li porque estava em uma fase crítica e precisava de algo muito água com açúcar para que eu pudesse curtir em paz a minha fossa. Mas esse livro é tão cheio de problemas que não sei nem se consigo citar todos. Primeiro, a história começa a se passar em Londres e de cara você percebe que a autora não conhece nada sobre a cultura e os costumes da cidade; até eu, que nunca fui lá, sei que o livro está cheio de senso comum. Odeio autores que querem ambientar histórias em outro país sem conhecê-lo muito bem - isso é a cara de autor brasileiro, infelizmente. Além disso, é uma das narrativas mais corridas que eu já li - a autora conta a vida inteira da personagem, da adolescência à velhice, em menos de 300 páginas. É algo como 3 anos da vida da Elisa, personagem principal, se passando em 3 páginas do livro - juro, sem exagero. No fim, o livro é carregado de clichês que nem chegam a incomodar, porque a obra tem problemas muito maiores. Recomendo para quem quiser saber como não escrever uma história.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

She's so contagious

Pra você, querida Anna. 

Hoje é terça-feira, minha cara amiga, e eu até quis telefonar, mas a tarifa não tem graça e morar longe de você custa caro. Custa caro manter essa distância Maranhão – Minas Gerais, que não dá para atravessar nem de moto nem de camelo. Tem sido um inverno longo, frio e solitário, mas hoje eu espero que você saiba que estou exatamente aí, do seu lado. 

E mesmo sem te ver acho até que estou indo bem, fazendo o que posso para diminuir a saudade que me atinge em cheio em dias como hoje, feito mar quando quebra na praia e leva tudo consigo. Quero que saibas que me lembro do teu sorriso, cada um dos que vi pessoalmente, e que os guardo comigo e os relembro quando quero aquecer o coração. Você é uma menina que me ensinou quase tudo que sei sobre ser gentil, sobre amar as pessoas, sobre ver o lado florzinha do mundo, sobre acreditar que Deus escreve certo por linhas certas. Você veio para enfeitar minha vida, dizer que será tipo festa sem fim. 

Sábios em vão tentarão decifrar o que se passa na minha mente quando me pergunto "o que de bom desejo à Anna?". Não consigo enumerar tudo, mas sei de algumas coisas. 

Quero que queime as lágrimas, cante mais alto, torça e grite. Tome fôlego. Não se afobe, não, que nada é pra já. Não caia nesse mundo despedaçado em torno de você. Não pare de pensar. Não pare de sentir. Escolha uma música triste e a faça melhor. Pegue um sorriso e ponha na face da tristeza. Tenha força, tenha força e tenha força – assim, repetido três vezes, que é para você não esquecer nunca. Tenha fé e se agarre a Deus, pois junto a ele é quando você descobre do que é feito seu coração. E se você está esperando alguém com quem realizar as coisas, você não sabe que essa pessoa é exatamente você? Comece por si mesma. Seja aquilo que você quer ver no outros – porque só assim, acredite, você verá. 

Sei que às vezes a idade nos trás o peso de olhar o passado e pensar no que já foi construído. Sei também que a gente tá engolindo cada sapo no caminho. Mas se isso deixar o seu coração mais leve nos momentos de angústia, pensa que a gente segue nessa vida se amando que, também, sem um carinho ninguém segura esse rojão. Ninguém nasce sabendo como ter 18, 19, 20 anos, mas você pode aprender com o tempo. E temos todo o tempo do mundo. 

Fique sabendo de ti que não me esquecerei, porque amores são sempre amáveis. 

Amor é tudo que você precisa. E você o tem.

ps.: juro que não sei a lista de todas as músicas que usei para compor o texto, mas aqui tem The Beatles, Vanguart, Switchfoot, Legião Urbana e Chico Buarque.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

One and only

Dia 25 é dia de postar fotos do meu desafio fotográfico com a Analu aqui no blog. Quem acompanhou mês passado sabe que todo dia 25 durante esse ano vamos postar fotos com temas de demos uma para a outra. Estou começando a achar que não sou muito boa nisso de tirar fotos para que elas se encaixem em um tema específico, porque ainda não fiquei inteiramente satisfeita com as minhas, mas nem penso em desistir agora que já estou no caminho. Para fevereiro, eu dei como tema para a Analu uma música - Eduardo e Mônica, Legião Urbana - e o resultado você já pode conferir no Minha vida como ela é. Por minha vez, recebi “One and Only”, uma música da Adele que eu nunca tinha ouvido até um mês atrás, mas que de lá pra cá não para de escutar – uma coisa meio para entrar no clima, sabe? A verdade é que, olhando a letra da canção, desde o início não tive dúvida do que fazer. 

Fernanda e Leonardo são um dos meus casais favoritos na vida. Ela estudou Letras comigo e é uma das minhas melhores amigas. Óbvio que não posso entrar em detalhes, mas a história deles combina muito com a música. Isso de que “God only knows why it's taken me so long to let my doubts” e “Will I ever know how it feels to hold you close and have you tell me whichever road I choose, you'll go?”, assim como todo o resto da letra, resume muito o que eles passaram para ficar juntos. E agora já estão com planos de casamento! Como a Fernanda já me pedia há tempos para fazer umas fotos do casal, uni o útil ao agradável e, confesso, esse mês foi mais difícil escolher apenas 4 fotos.






Para quem quiser ver as outras fotos do ensaio, até amanhã postarei no meu Flickr.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Encontrando o lado bom da vida

Ou: O que eu preciso aprender com Pat Peoples 

"O lado bom da vida" é o livro popular do momento, essencialmente, por conta da sua adaptação cinematográfica, que foi indicada ao Oscar e tem a queridinha Jennifer Lawrence no elenco. Mas eis que sua história é a seguinte: Pat Peoples, um cara com problemas mentais que passou um tempo internado em uma clínica psiquiátrica, finalmente volta para casa. Pat tem um único objetivo de vida: se tornar uma pessoa melhor, já que o seu "eu" antigo causou mais estragos do que ele consegue lembrar. Assim, Pat emagrece e fica com um corpo sarado, passa a ser atencioso com as pessoas e controla sua obsessão por futebol. Pat só é apoiado pela mãe, enquanto seu pai o ignora e seu irmão e seus amigos meio que fingem que Pat nunca esteve doente. No meio dessa confusão toda surge Tiffany, que também passou um período tomando rivotril e derivados após a morte traumática do seu marido. Sabe quando dizem que remédio para doido é um doido e meio? Então, não é por acaso que Pat e Tiffany constroem uma amizade, com perdão do trocadilho infeliz, meio maluca. 


Vocês entendam quão bizarro é o cenário desse livro? Mas depois de um final sem cara de fim e de uma adaptação cinematográfica horrorosa, sabe qual é a mensagem que “O lado bom da vida” me deixa? As pessoas podem mudar, não importa o quão oposto elas sejam daquilo que querem ou precisam ser. Foi isso que o Pat fez. Ele mudou por ele mesmo. Ele mudou porque não aguentava mais ser quem ele era, porque tinha se tornado auto-destrutivo, porque a vida estava acontecendo sem que ele pudesse controlar. Eu sei que nem a ideia do livro nem o que eu estou falando são novidades - mas não posso negar que a carapaça me serviu perfeitamente, porque eu queria ter toda aquela coragem de dizer para mim mesma: você vai melhorar e vai fazer as coisas melhorarem e isso vai acontecer agora.

A base dessa mudança toda é a filosofia de vida do Pat, que é a seguinte: prefira ser gentil a ter razão. Não é mesmo a coisa mais equilibrada e sã já dita por cara com problemas mentais? Parando para pensar, é algo absurdamente simples; mas, como tudo que é simples, os seres humanos deram um jeito de complicar e acabaram invertendo a ordem dos valores da frase. Eu mesma faço isso; tenho o costume de travar guerras com quem quer que seja só para ter razão sempre - e só, para no fim do dia, descobrir que isso nada me acrescentou ou só me impediu de ser uma pessoa melhor. E eu não vou nem falar de todas as metas e objetivos que eu traço diariamente e abandono ao longo da semana. Não é exagero dizer que passei a última madrugada em claro, pensando em tudo que não dá certo na minha vida só porque eu tenho preguiça, porque me falta força de vontade, porque ainda não estou determinada a fazer. É ridículo admitir que tudo em mim tem um potencial muito grande que eu desperdiço.


E sabe o que me incomoda mais em tudo isso? As coisas só são assim porque eu, você, o resto do mundo queremos. Porque eu ainda não movi um dedo para fazer diferente. Porque eu me conformei de uma forma assustadora e deixei tudo para depois. Sabe quando você era criança e começava a montar um objeto não identificado com suas peças de lego? Então, essa sou eu vivendo a minha vida. Essa sou eu pegando pedacinhos que poderiam me ajudar a construir o que eu quisesse e os desperdiçando com coisas sem sentido. Essa foi a pior metáfora da minha vida, mas ainda bem que não é tão ruim quanto parece, porque eis que o Pat me ensinou também que nada precisa fazer muito sentido ao longo do caminho, se você souber determinar onde quer chegar e não se perder disso. E assim a minha ficha caiu e eu percebi que se eu resgatar o fundo de força de vontade que ainda me resta, muita coisa pode ser salva, ainda que aos poucos. Ainda preciso me preparar muito até conseguir fazer certas coisas, mas eu sei que já está nossa de assumir responsabilidade por aquilo que já sou capaz.

Daí você pensa: nossa, Deyse, isso é só um livro, claro que na vida real a gente não acorda um dia e realmente faz diferente... E eu estou dizendo que isso ocorre de um dia para o outro? Estou dizendo que é fácil, afinal? Não foi fácil para o Pat. Não é nem um pingo fácil para mim e olhe que eu ainda nem comecei pra valer a minha "grande mudança". E não me venham com desculpas como "mas esse é meu jeito" ou "esse é meu destino", que tudo isso é coisa de gente conformada. Tudo isso é o tipo de coisa que eu não quero mais repetir. E sabe por que é tão difícil mudar o que quer que seja? Porque as pessoas, as circunstâncias, tudo que nos cerca vai contra a nossa mudança. Porque quase ninguém acredita em gente que muda. Porque o mundo julga e eterniza as pessoas por aquilo que elas foram. Porque você pode até se dar uma segunda chance, mas quase sempre estará sozinho nessa empreitada. Mas ninguém, absolutamente ninguém consegue as coisas sem ajuda. E no fim, a gente se entrega e fica nessa zona de (des)conforto da qual é tão difícil sair. É tipo um ciclo vicioso de conformismo, do qual eu vou lutar para pular fora antes que fique tonta de tanto dar voltas a ponto de não conseguir mais me manter em pé.

E no meio disso tudo, qual seria o lado bom da vida? Talvez seja porque depois da "grande mudança", que às vezes nem precisa ser tão grande assim, exista um lado bom, afinal. E eu sei que já disse isso antes, mas não custa nada acreditar mais uma vez: se existe esse lado bom, vou começar a procurá-lo já.

E se o obstáculo for muito grande, não se esqueça de rir bem na cara dele.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Meus convidados de honra

Vou confessar uma coisa que, na verdade, não é segredo pra ninguém: se eu pudesse, deixava de viver a minha vida para viver a de alguns personagens da ficção. Ou, no mínimo, teria vários deles como amigos, confidentes e desafetos, claro. Por razões óbvias, tenho que me contentar com a minha própria história, mesmo - o que nunca me impediu, é bem verdade, de ter os sonhos mais mirabolantes que nem conto de tão vergonhosos, envolvendo personagens de tudo quanto é livro que eu já li. Por isso, não preciso nem dizer como, ao invés de estudar ou dormir, passei parte da madrugada planejando animadamente a lista dos meus convidados para o "Jantar literário".

Quando eu vi que estava rolando essa tag e que tinha sido indicada pela Analu, eu me controlei para não assistir o vídeo de ninguém conhecido, para que eu pudesse pensar só comigo nas minhas repostas. Daí o que eu fiz? Fui no youtube e pesquisei o vídeo de uma desconhecida para pegar as perguntinhas que tinha que responder - armei todo um plano contra influências nas minhas respostas, percebam. Fiz a minha lista e o roteiro do vídeo e fui lá, feliz da vida, ver o de todo mundo. Mas como quem ama junto pensa junto, acabou que a minha lista tem semelhanças em relação às da Rafinha, da Annoca e da Tary. Amizade tem dessas coisas, mesmo. Acabou que eu mudei uma resposta, como vocês vão ver no vídeo, para não ficar tão igual. Mas tem outras respostas que eu jamais conseguiria pensar diferente - simplesmente tinham que ser. Então, com vocês, meu ''Jantar literário": os personagens da ficção que eu escolheria para jantar comigo. 


Ps.: estou com mil olheiras e parece que um trator acabou de me atropelar, mas se eu fosse esperar ficar bonita pra gravar o vídeo não ia sair nunca – e o frevo já teria passado, né? Não tem graça foliar sozinha.

Eu nunca indico ninguém, mas essa tag eu gostaria especialmente que a Larie e a Thay respondessem, em vídeo ou em texto.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Baseados em fatos literários - ou não

Faço parte do time que acredita que livros e suas adaptações não são exatamente comparáveis, porque, por óbvio, cada um requer uma linguagem própria, fator esse que pode exigir, digamos, certos ajustes. Isso me faz relevar muita coisa que os críticos mais exigentes condenam sem nem pestanejar. Porém, não dá pra ser flexível sem um limite, né? O mínimo que eu espero é fidelidade com a essência da história – ou que outra justificativa se tem para um filme ser homônimo e ter mesma sinopse que um livro? 

Também sou do time que jamais, em hipótese alguma, nem em situações de desespero assiste a um filme antes de ler o livro no qual ele foi baseado. Quer dizer, admito duas exceções: ou porque não tenho mesmo nenhum plano de ler ao livro ou porque não sabia que existia uma obra que tenha inspirado aquela história. Não sei se essa minha “ordem a seguir” melhora meu ponto de vista sobre as coisas, mas sei que também não a restringe: nem sempre os livros saem ganhando, porque já vi muito filme melhor que o seu livro-base (alô Nicholas Sparks). Em outras palavras: minha opinião quanto a livros e suas adaptações não sofre (pré)conceitos. 

Eis que aproveitei o carnaval para assistir a duas adaptações de dois livros muito bons que li esse ano. A primeira foi “Tão forte e tão perto”, versão cinematográfica para “Extremamente Alto & incrivelmente Perto”. Fica parecendo que a Rocco, editora do livro, está me pagando para fazer lavagem cerebral em vocês e os incitarem a só viver em paz quando lerem essa história; mas acontece que o livro é bom mesmo e quando eu saio aconselhando a leitura a quatro ventos é porque sei do que estou falando. 

Chorei e não foi pouco.

Não vou dizer que “Tão forte e tão perto” é a melhor adaptação que eu já vi – mas posso garantir que tem tudo que uma adaptação precisa ter. É bem verdade que ela dá uma boa resumida em alguns fatos e os levemente modifica para que, diante dessa síntese, mantenham uma coerência... Mas não fica aquela coisa bizarra, sabe? Você consegue assistir ao filme e reconhecer que já viu aquela história em outro lugar. Consegue ver o Oskar (Thomas Horn, que o interpreta, tem uma atuação assustadora de tão boa) do filme e pensar: “quando li o livro, imaginei o Oskar bem assim”.

O Omelete, que faz umas críticas que eu respeito muito, pegou bem pesado com essa adaptação – alegando, entre outras coisas, que o filme não capta os melhores recursos utilizados pelo livro, como os gráficos, imagens, anotações e códigos numéricos. Eu sou obrigada a discordar. Além de o filme fazer o que pode para se valer desses recursos, ainda explora outros tantos que só enriquecem a história – as atuações de Sandra Bullock e de Max Von Sydow compensam muita coisa que foi tirada na adaptação simplesmente por não ser viável utilizar certos recursos em filmes como é em livros. Mas o grande segredo desse filme, o que o faz uma das minhas adaptações favoritas da vida, é algo muito mais simples que qualquer elemento grandioso: a forma com que a sua história foi preservada.

Max Von Sydow merecia mais que uma
indicação como melhor ator coadjuvante.

Depois, assisti ao “O lado bom da vida”. Não vou me aprofundar muito sobre o livro nesse post, mas basta que vocês saibam que é uma obra onde as personalidades dos personagens são extremamente marcantes e praticamente constroem o enredo sozinhas. Não é bem a história sobre um cara que tem problemas mentais e precisam superar isso – é mais sobre alguém que precisa de pessoas, por mais improváveis que elas sejam, para seguir em frente e reconstruir a vida. É um livro sobre como nada ou ninguém são dispensáveis e sobre como o nosso final feliz depende do ângulo que olhamos. O livro não é algo único, mas eu levo nos favoritos e recomendo.

Eis que o David O. Russel, por algum motivo que só os velhotes do Oscar devem ter entendido, achou por bem mudar toda a história. E quando eu digo toda a história, quero dizer toda a história. Personagens essenciais foram simplesmente ignorados e os três que considero o tripé da obra tiveram os seus jeitos e suas relações modificadas de forma imperdoável. Foi o primeiro filme da Jennifer Lawrence que eu assisti e, coitada, nem consegui gostar da atuação da menina, porque a personagem que ela faz é diferente demais da personagem do livro a ponto de eu meio que desprezar a atuação. 

Atores bons com papéis ruins: até quando?

Daí o Érico Borgo, de novo do Omelete, que provavelmente não leu o livro de “O lado bom da vida”, vai lá e tece elogios ao filme – algo que eu até entendo, porque é mesmo um filme interessante se você ignorar o fato de que é uma (suposta) adaptação. A crítica do Borgo fala inclusive em encontrar o humor da depressão – o que eu não acho nem de longe que seja o ponto chave do livro e que, por óbvio, não deveria ser o do filme. Aliás, a cena que o crítico cita como a melhor do filme sequer existe no livro – foi uma inclusão que só serviu pra mudar ainda mais o rumo da história, até chegar ao cúmulo de o final do livro e do filme serem diferentes. Isso mesmo: os finais são diferentes (insira aqui todos os xingamentos que você conseguir lembrar). Depois disso tudo, só posso dizer que o que eu vi, infelizmente, foram duas horas de erros seguidos, um verdadeiro massacre com a história comovente que o Matthew Quick criou. 

Os dois filmes foram indicados para o Oscar na categoria “melhor filme” – não que isso revele alguma mensagem subliminar, mas eu não vejo essa semelhança com bons olhos, principalmente porque foram dois filmes que me atingiram de formas muito diferentes. Indico “Tão forte e tão perto” pra quem quiser se emocionar com atuações brilhantes e com uma história que, digam o que disserem, não vejo como um clichê. Se eu indico “O lado bom da vida”? Sim, se você não tiver lido o livro e nem pretender fazer isso ou se não for como eu, que sofro pra caramba e levo para o pessoal essa mania que os diretores ainda têm de quererem filmar algo semelhante a um livro e chamar isso de “adaptação” – façam-me o favor, viu?

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Livros de janeiro/2013

Ps.: estou sabendo que esse post saiu muito atrasado, considerando que já fiz mais leituras depois dessas e que já estamos terminando a segunda semana de fevereiro. Mas mês que vem eu serei mais pontual, prometo! 


Há dois anos, por meio de vídeo, eu venho até o blog fazer uma retrospectiva literária. Esse ano eu resolvi aprimorar um pouco a coisa e falar mensalmente sobre os livros que eu li nos últimos trinta dias – assim, quem quiser saber o que eu achei de um livro específico que eu meramente citei no vídeo, pode correr no mês em que o li e saber um pouco mais sobre minhas impressões. De acordo com a minha meta literária do ano, eu devo ler cerca de cinco livros por mês. Sendo assim, eis os primeiros do ano: 


01. Resposta certa – David Nicholls 

Até agora, essa foi a grande decepção do ano. “Um dia”, também o David Nicholls, foi um livro que me arrebatou completamente na época em que o li, o que fez com que eu criasse, mesmo sem querer, uma expectativa muito grande acerca de “Resposta certa”. Óbvio que a maior lição que eu tiro é que não se pode favoritar um autor com base em um só trabalho, porque sempre existe a “síndrome do segundo livro”. O enredo de “Resposta certa” é raso, os personagens são insuportáveis e o propósito que o livro diz ter, em sua sinopse, é absolutamente ignorado no decorrer da história. Nem mesmo as críticas implícitas na história parecem funcionar. Já falei mais sobre esse livro em outro post, então quem quiser saber mais os motivos de eu não recomendar a leitura, é só assistir o vídeo resenha. 


02. A volta ao mundo em 80 dias – Julio Verne 

Considero “A volta ao mundo em 80 dias” morno, mas surpreendente. Morno porque não é o tipo de enredo que eu classifico como atraente – dar uma volta ao mundo sem propriamente conhecer os lugares por onde passa, tudo em função de uma aposta, me parece um tanto enfadonho. Também não consegui me identificar com nenhum personagem e esse fator sempre pesa na minha simpatia pela história. Ainda assim, para quem pensou que não ia passar das primeiras páginas, a leitura acabou fluindo de forma surpreendente. A linguagem é extremamente simples, há várias passagens engraçadas e é um livro ótimo para quem quer ler um clássico sem grandes dificuldades. O outro blog do qual participo, Amásia, fez uma resenha super completa sobre esse livro e indico para quem quiser saber mais sobre ele. 


03. Extremamente alto & incrivelmente perto – Jonathan Safran Foer 

A primeira resenha do blog foi sobre esse livro de tão apaixonada que fiquei por ele. Foi o primeiro favorito do ano por motivos que até agora eu mal sei explicar. É um livro que consegue ser sensível e avassalador utilizando uma história aparentemente simples; a edição é linda, cheia de imagens que remetem à história, mas não de uma forma direta e simplória. Oskar, a criança que narra boa parte da obra, é um personagem absolutamente inteligente e carrega consigo uma quantidade tão grande de dor que chega a te irritar por tudo aquilo estar acontecendo com um menino de 9 anos. Mas sabe aquela história de que "A culpa é das estrelas" não é só mais um livro sobre crianças com câncer? Então, "Extremamente alto & incrivelmente perto" também não é só mais um livro sobre uma criança que perdeu o pai nos ataques terroristas de 11 de setembro. Quem ainda não leu esse livro não sabe a obra-prima que está perdendo. 


04. Memórias de minhas putas tristes – Gabriel Garcia Márquez 

Foi o meu primeiro Garcia Márquez e eu estava com tanto medo de não gostar que adiei por mais de um ano a leitura. Finalmente tirei o livro da estante e encarei. São poucas páginas, mas que parecem milhares. A linguagem não é das mais fáceis, mas isso já era o esperado; o meu problema foi mesmo com a história. Não sei onde eu estava com a cabeça quando achei que fosse gostar de uma narrativa envolvendo um velhote de uns 90 anos apaixonado e desejando ardentemente uma menina de 14 anos. Cada vez que havia uma descrição dos seis da menina ou do seu corpo nu, por mais sutil que fosse e por mais que a linguagem estivesse adequada, sem cair no vulgar... Não sei, me dava nojo. Pode parecer preconceito ou uma aversão sem fundamentos precisos, mas nesse contexto eu não consegui captar a essência da história de amor que era construída. Sem dúvida alguma, um livro de altíssimo nível; porém, não consegui construir laço algum com ele além do de aversão.


05. A última carta de amor – Jojo Moyes 

Comprei esse livro em agosto do ano passado e passei esse tempo todo esperando o momento certo para lê-lo – e finalmente quando a leitura começou, descobri que ainda não estava no clima que o livro precisava. Mas, como já tinha começado, segui em frente. Senti que isso prejudicou um pouco a leitura – estava sem paciência pra “lindas histórias de amor que atravessam gerações” e o livro trata basicamente disso. O começo é um pouco enfadonho, mas da página 80 pra lá eu senti uma necessidade absurda de continuar a leitura, principalmente pela curiosidade que a história vai despertando. O livro faz o estilo "história dentro de uma história", mas não achei que tenha gerado confusão - pelo contrário, creio que mesmo o tempo não-cronológico deixou a história bem consistente. A autora me surpreendeu com a qualidade da sua escrita pra um livro que, pela capa e pelo título, é logo visto como um romance bobo. Além disso, é um prato cheio pra quem gosta de ver retratado o papel de submissão da mulher na década de 60 nos EUA - apesar de não retratar de forma real o que acontecia com aquelas que queriam se sobrepor ao sistema repressor.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Escrever é uma doença sem cura

Escrever às vezes me parte o coração. Queria eu poder dizer que fazer um bom texto é fácil como reconhecer um outro tão bom, escrito por alguém. Escrever um texto cotidiano, banal como essas linhas, é como contar uma história inventada na hora: você não sabe como começar, mas depois de se engajar no ritmo, flui como se desde o início você já soubesse exatamente como terminar. Literariamente falando, as coisas são mais complexas. Quando estou feliz, a minha linda de produção se esgota; deixo de enxergar as coisas como ponto de partida de um texto e passo a vê-las como algo que simplesmente existe, que eu não preciso reproduzir ou transformar em um ou dois pares de frases bonitas. 

Quando estou triste, por outro lado, as palavras parecem água jorrando de um poço que transborda. Quando minha alma está chorosa, eu não consigo me conter, e mesmo quando tento, sinto que estou sufocando dentro de mim mesma. Isso existe, morrer de silêncio? Se sim, eis aqui a minha prova: escrever me dói como se fosse anti-natural, como se eu tentasse andar por um mundo de cabeça para baixo. Escrever me dói como a certeza que depois de findo o texto, ele se perderá no tempo das pessoas e no meu próprio esquecimento. Pior: depois de finda a origem da dor, as linhas dos textos se embaralham e não fazem sentido algum, como se não tivessem sido escritas por mim. E insistentemente eu me pergunto: por que não desistir das palavras? Quase me convenço que sim, melhor abandoná-las no fundo da gaveta. 

Mas então acontece. Depois de tanto doer, por um único segundo, surge aquele momento maravilhoso em que escrever me liberta e me faz alcançar aquele ponto que só atinjo depois de sofrer tanto. Escrever dói tanto que, naquele segundo, me paralisa os sentidos e a única coisa compreensível em meio a tanta escuridão é um fiapo de luz distante, que passa a ser perseguido como se fosse a última palavra daquele texto. Ultimamente, me encontro imparcial no meio dessa guerra onde alguém tem que vencer. De um lado, a dor que precisa existir para que eu, concretamente, sinta algo; de outro lado, a paz que me seduz porque simplesmente existe, sem provas escritas. 

Sim, escrever me dói como um tiro nas costas dado por um amigo, me parte em duas antes que eu perceba que não sou eu que controlo as palavras, mas que elas, até onde puderem, me controlarão. Ocorre que talvez eu esteja descobrindo aos poucos que a dor que eu sinto tem o seu objetivo próprio. Ela não simplesmente dói, mas dói com um motivo forte o suficiente que transforma essa dor em beleza. Doer é um mal à minha escrita, mas também é a sua essência. Escrever me dói como nascer no mundo e sobreviver a ele.