quarta-feira, 28 de julho de 2010

Breve discurso de auto-preservação

Olha, eu só queria lhe dizer que não vou me encaixar nesse papel que você teima em destinar a mim. Até posso me passar pela moça compreensiva que pondera todas as divergências que já existiram: enfim, posso incorporar o bom cinismo com que fui abençoada, fingir que sou doida e pensar que, bom, antes ser mal falada que muito bem esquecida e, por fim, engolir os seus motivos de quem nada tem o que fazer da própria vida a não ser se ocupar em tentar viver a minha. Penso, ainda, que não estou alheia à suas motivações de quem se acha a última pessoa bem entendida do mundo, mas que na minha humilde e sincera opinião, não passa da maior marionete desse tal sistema carregado de quem não usa a massa cinzenta nem para escolher a roupa que vai usar.
Enfim, não vou me desgastar muito mais em explicações que não fazem sentido nenhum, porque se tão pouco irão mudar sua opinião muito bem engessada sobe mim e tudo mais que me envolve, muito menos vai fazer que eu me torne aquele velho alvo de preocupação e, porque não dizer, comparações constantes com quem, eu demorei a descobrir, só me serve de parâmetro para aquilo que eu jamais quero ser. No mais, lhe agradeço. Sou eternamente grata por me provar que sou muito mais paciente do que jamais pensei que pudesse ser, por me ensinar que hipocrisia a gente encontra aos montes em toda esquina e que para isso eu devo estar preparada caso queira por a minha em face à prova – enfim, querida, obrigada por ser aquela que me fez perceber, finalmente, que para se muito boa é preciso apenas não ser igual a você.

domingo, 18 de julho de 2010

Ensaio da discursão que não aconteceu

Eu entendo como é muito mais fácil me ignorar ao longo de todo o dia para depois, tarde da noite, reservar alguns minutos para me ligar: não tem que encarar a minha face de desgosto e faz com que você me destine apenas as opções de ou lhe aceitar muito bem na sua forma limitada ou de me presentear com uma noite mal dormida, onde mais uma vez eu vou me culpar por nos privar da chance de fazer as pazes e me acusar de ser a mesma orgulhosa e teimosa de sempre.
Ah, como eu entendo: aceito muito bem essa sua alma descompromissada, que encaixa perfeitamente com a minha alma de quem desistiu de esperar de você atitudes que nunca vão existir.
E no fim, sempre acaba com o seu tão já conhecido ''é isso que você quer?''. Como se a nossa relação fosse só as minhas vontades. Como se só eu conseguisse pensar em como voltar à nossa paz. Como se só eu fosse capaz de nos salvar dessa queda livre rumo a um abismo sem volta.
E se quer mesmo saber, acho sim que é essa sua mania de ser sempre passivo em tudo que acontece a nós dois – que é essa sua categoria de silêncio absoluto que será a grande causa para a nossa já prevista separação. Não culpo você, mas acuso sim e aponto o meu dedo na cara dessa sua incapacidade de ser mais que um corpo mudo sentado ao meu lado...

[ texto de 07 de julho de 2010 ]

Nós somos muito mais que palavras que machucam e que ações impulsivas. Somos sentimento. Eu te perdoo, eu te aceito e a isso eu não atribuo uma escolha - atribuo o amor que não me abandona nem na dor e que nunca me deixa pensar diferente: é para sempre, eu sei que é.

terça-feira, 13 de julho de 2010

''Eu te amo'' virou ''bom dia''

Estava absorvida em dezenas de pensamentos (in)comuns-romancistas do tipo ''ora, veja que casal mais belo'' quando me surpreendo imaginando logo em sequência algo como ''pena que não vai durar – talvez em tempo, mas jamais em intensidade''. Não gosto de julgar a capacidade de amar de ninguém e muito menos de prever destinos fatídicos a algo que, em momento atual, traz risos e paz. Apenas tenho em mim o pensamento de que existem romances que acontecem de forma quase inacreditável, desses que tem uma história que vale a pena ser ouvida, contada, admirada... E do outro lado da moeda brilhante do doce amor, cada vez mais pessoas trazem consigo o amar por consequência: a questão do raso, do ocasional – aquilo que eles ousam chamar de sentimento, mas que a mim cheira falso e muito me parece um simples ato imediato, sem uma gota da entrega que eu tanto prezo.
Não, não quero nada disso, não tenho ambição nenhum por amores desse tipo bucólico: em fotos que vejo, essa felicidade metida à popular, o casal modelo ou algo do tipo. Não me interessa nenhum tipo de glória destinada ao que tenho em mim como emoção puramente gratuita, que não requer retorno para existir, muito menos reconhecimento. Quero que fique claro: anulo da minha vida qualquer tipo de relação pública, enroscada a quero-que-todos-saibam-como-sou-feliz. Para quê? Porque? Isso por acaso vai me fazer sentir mais completa e realizada que o casal que vejo sentado no banco de praça, observando o por do sol e guardando para eles a importância do momento?
Não, e nem me iludo com coisas do tipo: isso faria de mim parte de apenas mais um casal na multidão, mais uma dupla que nada tem de especial a não ser aquele velho caso adolescente que se falece com a maturidade. E, mais uma vez, não venho tantas vezes declarar publicamente toda a minha adoração diante Daquele que escolhi para mim com o intuito de mostrar como a menininha incerta foi capaz de achar alguém que a queira: faço isso puro e simplesmente porque tenho a certeza o destinatário das minhas palavras as recebe, antes que em prosa, mas em face a face. Não prezo palavras bem articuladas, não considero grandes demonstrações públicas de uma relação que se sustenta em devido às situações que favorecem – mas tenho em mim a profunda admiração para quem prefere valorizar um sorriso, simples e contido.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Quando o erro te corta

A gente sofre não só para conseguir aquilo que deseja - sofre pra manter aquilo como seu, também. Não sei como esse tipo de coisa pode ser algo tão verdadeiro e tão cruelmente repetitivo – sinto ferver na minha pele a minha estupidez cada vez que cometo erros tais como esse, que tantas vezes jurei a mim mesma jamais trazer à tona novamente. Portanto, me perdoe se às vezes eu exagero, se eu exijo demais – a sua atenção, o seu reconhecimento.
Eu não faço por mal, é óbvio que não; é apenas parte do que está aqui dentro, pedindo para se externado a cada instante que eu respiro o mesmo ar que você - é só excesso de sentimento pedindo para ser posto à prova, necessitando de demonstrações e atos dignos da importância e intensidade da emoção – e que é anseio é esse? Coisa surreal, quase digna de desconfiança tamanha a sua beleza. Não me é suficiente valorizar cada instante que compartilho contigo – preciso, aqui dentro de mim, que todos os meus segundos sejam gastos assim, compassando minha respiração com a sua.
É nesse instante que me dói – me dói existir com tamanha fome de cautela a cada ato a mim (não) direcionado. Tenho medo, mas ainda assim acho espaço em mim para muito amor - tanto que até dói, espero que disso você saiba. E eu te prometo, porque eu acredito: vai durar, enquanto for ou mesmo quando parecer que nada mais é.

sábado, 3 de julho de 2010

Paixão é doença que dá vida

Incrível como se perde. O carinho, o respeito, o instante, o adeus. Perde-se o sucesso, o porém, o depois. Mas não, não há de se perder a paixão. Não nessa vida, onde só cabem os impetuosos e urgentes, as necessidades que vão e voltam como o respirar ansioso de um incontrolável. Nunca me atrevo a quebrar o gelo dos outros lábios, mas os desmonto aos pedaços com o olhar – membro a membro junto ao meu, unidos em um pensamento que me traz a satisfação que for necessária. Com essa minha felicidade não há quem possa; não há pré-requisitos, indicações de boa família ou planos comuns para o futuro. É a sensação fumegante, o atingir no meio do peito por um calor desses que te preenche e faz esquecer toda essa monotonia do amor, uma fuga a essa rotina que a sua vida meticulosamente esquematizada e construída lhe proporciona. Fujo de regras, sim; traio em pensamentos, construo fantasias ao passo que um outro corpo desfila em frente ao meu: tão robusto e singelo, mal lhe cabe o peso do meu desejo. Mas me mantenho aqui, sempre aqui, sabendo que o valor que dou hoje a casos assim já de nada me protegerá amanhã; atribuo à paixão o valor platônico da minha existência, a conservação do meu espírito de menina travessa, de jovem adolescente que não pode – não quis – concretizar as desventuras de pensamentos bobos e descompromissados. Parte de mim eu deixo solta: estupidamente involuntária, leve como espírito oco a ser preenchido aqui e ali pelo tipo mais sério ou o boa praça - cabe aqui o que melhor se apresentar. E o resto – o essencial – que a mim permanece, congelo na segurança e na traquilidade da certeza que me resta – no meu amor desde o primeiro instante, na minha ausência de dúvida, na constância que eu preciso para conseguir atingir qualquer outra coisa – até mesmo para conservar a tal paixão, que de nada me serve além de prova de que ainda que eu escolha tudo o mais que eu gostaria de viver, eu nunca vou ter a opção de descartar algo sem o qual eu jamais poderia sentir ou desvalorizar qualquer outra coisa menor. Incrível, sim, que se perde tudo até mesmo quando não se tem nada: vai-se a consideração, as memórias, até um pouco da existência. Mas nessa vida de onde se conquista e se exclue, repetidamente, as tão vulgas paixões, onde cabe sempre um pouco de marotagem e abstração de sentidos, há de passar ainda mais longe do poço dos tormentos o dono da minha única e real razão de ser algo além das limitações que se perdem, de ter aquilo que muito ilude e nada preenche – rocha pura, sustentação para os meus defeitos e qualidades; intocável, assim é o que posso dizer não da paixão de fim sempre previsto, mas do amor que em mim tenho reservado.