segunda-feira, 28 de março de 2011

Deixa vir o verão


Mais uma vez, eu sinto aquela sensação de não saber o caminho. E pior: sei que daqui não saio antes de entender para onde, porque, de que maneira, como. Não quero ser exigente e muito menos parecer arrogante: só acho que tenho o direito de saber as respostas de tantas interrogações que constroem minha vida. Eu costumava ser mais incontrolável. Mas você há de entender que depois de tantas quedas, choros e traumas, a gente passa a ficar mais cuidadoso antes de dar um passo à frente. A gente passa a temer pela própria alma, a não apostar tão alto, a não querer mais que o necessário. Acho que aprendi na bofetada aquilo que as pessoas chamam de modéstia, meu caro. Acho que fui obrigada a engolir a seco o que quer que a vida tenha a me oferecer, que muitas vezes pode não ser o que eu quero, mas que com certeza será tudo o que eu terei. Se você me pergunta, eu quero sim entender – essa é minha única exigência que perdura. Mas não quero mudar, regredir, reconstruir, reavaliar. Tô cansada de tantas voltas que me levam ao mesmo lugar. Tô cansada de amar, de me esforçar, de lutar, de sofrer. Só preciso de um pouco de descanso, se não for pedir demais. E água fresca. E que a vida me esqueça, me deixe em paz.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Sweet Nineteen


Tenho dito muito ao mundo que não gosto de fazer aniversário, que o dia 21 de março está longe de ser o meu prefiro no ano e que morro de medo de chegar aos 20. Seria um pensamento imaturo, alguns diriam, se não fosse exatamente o contrário: a maturidade batendo à porta, a adolescência quase não sentida e logo indo embora para dar vez à minha juventude cheia de peso, responsabilidades e momentos decisivos.
Eu sempre tive medo de crescer – tinha medo de deixar minhas bonecas sozinhas no quarto e alguém pegá-las, de desarrumar a casa da Barbie do chão da sala e de começar a comer com garfo e faca. Tinha medo de andar de ônibus sozinha, de chegar tarde a casa e de não fazer o dever de casa antes de dormir. Tive isso até 12 anos, quando fui embora da casa dos meus pais. Tenho medo de praticamente tudo isso agora, com 19 anos e responsável por uma casa onde só moram eu e meu irmão de 15 – que com certeza ainda é bem mais medroso que eu.
O fato é que, de verdade, tudo muda quando você faz 15, 17, 18 anos... Como assim vem alguém e te diz que nada muda? Você continua o mesmo, aí dentro? Ok: não tirei carteira de motorista, não tenho carro e continuo dando satisfações para os meus pais. Mas dizer que nada em mim mudou seria bobagem. E, querendo ou não, o peso da nova idade foi primordial nessa mudança. É a famosa dor de crescer, meu amigo – e ninguém está livre dela.
Se eu ainda tenho medo? Gente, estou tremendo de medo, doida para voltar para a cama e fingir que o mundo não existe, que ainda tenho 10 anos e a obrigação de dormir antes da novela das nove começar. Tô doida pra me esbaldar no bolo de chocolate sem medo de glicemia, gordura e celulite. E mais: queria muito não ter que estudar e ir à aula no meu aniversário, porque mesmo sendo segunda-feira, hoje é meu dia, ora bolas. Mas não dá. Não dá porque algo de mim grita, incessante: é hora de crescer. Sempre é.


Sem querer ser piegas ou algo do tipo, acho que todos nós pensamos algo assim.
Ao menos uma vez ao ano.

sexta-feira, 18 de março de 2011

And we still together...

São Luís, 17 de março de 2011, 4 anos de namoro.

Eu não estava preparada pra qualquer grande confissão ou algo do tipo – só as velhas palavras de sempre merecem ser ditas, creio eu, porque embora repetitivas, são as que ainda valem. Por isso, não poupo uma vírgula sempre que vou lhe agradecer por tudo que você se tornou pra mim. Sei que não sou fácil e não adianta dizer que não é assim: sou chata assumida, complicação em pessoa, um conjunto de pensamentos nada simples e uma penca de vontades insaciáveis. E, ainda assim, você aceitou o desafio. Aceitou o jogo mesmo sem conhecer as regras e eu tenho certeza que muitas vezes pelo caminho eu lhe surpreendi – mas como você é duro na queda, hein? Com esse meu instinto de destruir as coisas boas que me acontecem, de propósito ou não, eu fui lhe impondo os obstáculos mais difíceis que eu consegui formular – e você foi quebrando todos, um a um, até que um dia parou de fazer sentido tantas jogatinas sem objetivo... Porque você ainda estava aqui. Porque você sempre estaria aqui. E não importava quanto a minha inclinação à autodestruição teimasse, já que eu havia encontrado algo mais forte que a minha má vontade; algo que me impedia de continuar a ser o monstrinho sentimental que eu era; algo que me mostrou que há outro caminho além da desilusão. E, no mais, estava você aqui, pronto para me provar que sonhos não são bobagens, que quando se quer, se consegue e que tentar o máximo que se pode é sempre a única opção. Você me ensinou a não desistir e por mais que às vezes você esqueça a sua própria lição, está gravado em mim o quando você foi insistente – o quanto batalhou por nós dois – e essa memória nunca vai se apagar. Eu sei que eu não facilito – muito pelo contrário. E, talvez, seja apenas uma forma de não lhe deixar esquecer aquilo que faz de você quem você é – não deixar a sua esperança morrer nunca, não permitir jamais que você desista dos nossos planos, um tanto clichê, mas que no fundo é o que toda pessoa realmente quer. Sei que acabo negativizando tudo no fim das contas e que pode parecer que não acredito nunca em nada, inclusive em nós, mas é que ainda vou ter que treinar muito até me tornar ao menos mestre naquilo que você já é doutor. Mas, de qualquer forma e acima de tudo, obrigada por continuar me amando – e você faz isso perfeitamente bem.

Parabéns, meu Amor.
Muita paciência para construirmos a nossa história sem fim.


- Você acha que isso, que a gente... É para sempre?
- Acho que ''eu te amo'' é uma dessas coisas que você só tem a chance de dizer uma vez na vida.
- Eu já usei a minha chance.
- É por isso que é para sempre.

-

No mais, mil desculpas pelo sumiço nos blogs de todas vocês, mas quem estuda vai entender meu sofrimento só em eu dizer que me encontro em semana se provas. Juro que assim que eu terminar com as obrigações universitárias, corro para matar a saudade que estou de lê-las. Beijo grande!

sexta-feira, 11 de março de 2011

O necessário é o impossível


Não vou pedir para ser feliz porque essa e outras tantas situações cotidianamente desejáveis não me fazem falta se a minha maior ausência já é sua. Não (re)leio suas cartas, não ouço as mesmas músicas e tão pouco tenho tardes de verão como as nossas. Não sinto falta, não sinto desejo – não sou alegre, não sou triste, muito menos poeta. Sou o acaso que vier, sou espera sem razão, sou motivo para não querer mais nada.
E nós chegamos naquele momento em que a gente se olha e se pergunta: por fim, como vai ser?

(silêncio)

quarta-feira, 2 de março de 2011

Máfia das Cartas

Parecia ser uma proposta simples e inofensiva. Em meio a confissões de uma frustração em comum, um grupo de garotas blogueiras iria compartilhar uma paixão quase extinta – cartas. Simples, fofas e todas enfeitadas com adesivos meigos e canetinhas coloridas. Mas ainda assim, cartas. O que não se imaginava, até então, é que essa manifestação singela iria atingir proporções enormes e se desenrolar no que eu já prevejo como um aglomerado de envelopes coloridos viajando por todo o Brasil.
Uma proposta divulgada via twitter entre poucas conhecidas e, voilà, em menos de 12 horas já eram incontáveis DM’s com endereços de tudo quanto é canto do país. E aí se iniciou o desespero: preciso de canetas, cadê meus papéis de carta?, vou correndo comprar envelopes, cadê o endereço da Gabi, opa que essa carta é da Analu, MEU DEUS eu ia mandando para Tary o que escrevi para a Rúvila, então cadê a cartinha da Kamila? Tá no envelope da Anna, AH, socorro! Tá vendo o que você foi inventar, Amanda?
Ah, mas vai ser uma delícia. E uma bagunça. E eu vou lotar minha caixinha de recordações (sim, eu tenho uma dessas) de cartas de pessoas que eu posso até não conversar sempre ou conhecer muito bem, mas eu sei que de semelhante a mim tem um coração enorme e uma disposição sem fim a gostar das pessoas.


Acho que pra quem estava reclamando do tédio do feriado de Carnaval, eu vou ter muito que fazer. Meninas, chequem suas caixas de correios em breve, que um pouco de mim chega logo para vocês.

ps.: a Máfia das Cartas está aberta para quem quiser participar, basta entrar em contato :)