Mostrando postagens com marcador memes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador memes. Mostrar todas as postagens

domingo, 20 de julho de 2014

Vamos brincar de Maratona Literária?

Desde que eu virei uma desocupada profissional (lê-se: deixei de ser estudante para ser apenas desempregada), eu venho lendo como nunca. Ter o dia livre e uma pilha de mais de 90 livros não lidos na estante é uma combinação perfeita, por isso não pensei duas vezes antes de me inscrever na Maratona Literária, organizada pelo Café com Blá Blá Blá.
Basicamente, a Maratona consiste em um desafio que firmamos com nós mesmos, na tentativa de superar o número de livros ou páginas que normalmente lemos. Meu namorado disse que é brincadeira de doido e eu até concordaria se não estivesse embarcando nessa com várias amigas - nesse caso, o que antes era doideira passa a ser uma aventura coletiva de amor entre nós e com nossos livros. 
Como é a primeira vez que participo desse tipo de coisa, fiz uma aposta alta: quatro livros, dois deles relativamente grossos. Dei preferência aos que estão mofando há muito tempo na estante e que estavam sem previsão de serem lidos. São eles:


1. A elegância do ouriço, da Muriel Barbery, que eu comprei há tanto tempo que nem lembro mais a sinopse.
2. Fiquei com o seu número, da Sophie Kinsella, que todo mundo ama, mas que eu nunca tive coragem de ler.
4. A improvável jornada de Harold Fry, da Rachel Joyce, que eu também não lembro mais a sinopse.
3. Marina, do Carlos Ruiz Zafón, que, adivinhem! Pois é, também não lembro a sinopse.

Como vocês perceberam, eu tenho mais livros do que consigo lembrar, então eu estava mesmo precisando de uma motivação para tirar alguns deles da estante. Espero voltar aqui no fim da semana para contar que cumpri a minha meta com louvor! Aguardemos.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

14 resoluções para 2014


Só mesmo o fim do ano para me fazer voltar ao blog, tirar a poeira e fazer a postagem mais assunto-comum de todos os tempos. Mas, cá entre nós: falar sobre resoluções de ano novo é um assunto que veste perfeitamente em mim, que sempre fui um clichê ambulante. Também, confesso, as promessinhas de fim ano me fazem ter algum objetivo na vida, algum compromisso com todo o meu plano de ser uma pessoa melhor. Em 2013, para a minha surpresa, eu fui relativamente bem em relação às resoluções que fiz no fim de 2012, então eis mais um motivo para manter a tradição. 

Assim sendo, fiz 14 resoluções para 2014 – algumas repetidas em relação ao ano passado, porque a minha fé em mim mesma não tem limites. 

01. Me exercitar regularmente 
Em 2013 eu pratiquei mais exercícios físicos do que em todos os anos anteriores, mas ainda não foi na intensidade que eu quero e preciso, então a promessa para 2014 é chegar nesse nível.

02. Conquistar ou realizar algo que me dê orgulho
Nossa, esse tópico renderia mil e umas reflexões subjetivas até demais, então melhor deixá-lo auto-explicativo.

03. Ler um livro por semana 
Esse item meio que já deixou de ser uma resolução de ano novo e passou a ser uma meta pro resto da vida – só que como ano eu ainda não consegui (mas foi quase!), continuo insistindo. 

04. Parar de adiar pequenas tarefas 
Eu sou o tipo de pessoa capaz de passar semanas adiando uma marcação de consulta, uma arrumação do quarto, uma atualização do mural de fotos, uma troca de músicas do pen-drive do carro... Tarefas que não custam nada, mas que eu ainda preciso aprender a realizar.

05. Parar de me arrumar sempre na última hora
Apesar de não ter estado na lista ano passado, porque eu tinha outras prioridades, eu tenho essa resolução de vida praticamente desde o dia que a minha mãe deixou de me dar banho e de me vestir. De lá pra cá, eu continuo saindo de casa e só terminando de me vestir/maquear/pentear o cabelo no elevador (shame on me) ou no carro, o que, convenhamos, é vergonhoso demais até para os meus elásticos padrões.

06. Parar de roer unhas
Olhando os arquivos do blog, eu percebi que desde 2009 (!!!) essa resolução está na minha lista. Não sei nem o que dizer sobre isso, sinceramente.

07. Usar os óculos novos
Eu tenho miopia, mas pouca gente sabe disso, porque eu nunca usei os óculos que já cheguei a comprar. Esse mês recebi o último e pretendo colá-lo no meu rosto, se for preciso, porque a idade bateu à porta e até dificuldade para dirigir eu já sinto sem umas lentes que me ajudem.

08. Economizar dinheiro
Como esse lance de viajar é absolutamente viciante, já estou organizando uma próxima viagem pra bem longe, que deve ser só lá em outubro. Por isso, até lá, carteira fechada, porque eu sei bem o quanto ir para onde a gente quer pode ser caro.

09. Terminar o curso de inglês
Há séculos que eu faço curso de inglês, mas, vergonhosamente, ainda não tenho certificado. Desse ano não passa - não é possível que passe, só mesmo se eu não tiver uma gota de amor ao dinheiro que meu pai já gastou comigo.

10. Aproveitar o dia do meu aniversário
Eu não conheço ninguém que goste menos de fazer aniversário do que eu. Não sei nem explicar os motivos, só sei que fico pouquíssimo à vontade nesse dia. Esse ano, porém, eu pretendo fazer algo além de me esconder no quarto e não falar com ninguém - nem que seja sair pra jantar ou ir ao cinema, sei lá... Fazer qualquer coisa que eu goste já seria um grande avanço.

11. Mexer mais com fotografia
Fotografar é uma terapia tão grande pra mim que, após muito tempo sem usar a câmera, eu sinto inúmeros efeitos colaterais - que podem muito bem ser amenizados se eu deixar de ser preguiçosa e sair pra aproveitar lugares novos com a minha câmera (Katy, para os íntimos).

12. Terminar o que começo
Eu tenho essa mania terrível de começar as coisas (a organizar o quarto, uma nova atividade física, um texto para o blog, enfim) e simplesmente não ir adiante, abusar, deixar pela metade, dizer que termino em um depois que nunca chega. Isso vem me atrapalhando muito e me deixando mais desorganizada do que eu já sou, motivo pelo qual preciso quebrar o ciclo de "mais tarde eu faço".

13. Participar
Por tudo que é mais sagrado: eu preciso por um fim a essa minha preguiça  do mundo e das pessoas. Passei a me preocupar seriamente com isso nos últimos tempos, mas até agora as minhas tentativas vêm sendo vergonhosas.

14. Ser gentil
Porque ser gentil é melhor do que ter razão.


Resoluções cumpridas em 2013: 

01. Ter mais cuidado com meu cabelo, pele e alimentação 
É surpreendente a forma como fui regularmente ao salão, usei mais maquiagem e passei a comer frutas, enquanto diminui exponencialmente frituras e chocolate. Ainda tenho muito que melhorar, mas sinto que atingi um nível aceitável. 

02. Melhorar minha média de notas na faculdade 
Só digo uma coisa: meu boletim esse ano foi o orgulho da minha vida. Incrível o que umas horinhas a mais com a cara nos livros não fazem. 

03. Me empenhar no curso de inglês do intercâmbio
Fiquei em um bom nível do curso e me soltei bastante em termos de pronúncia, muito mais do que achei que fosse. Resolução devidamente cumprida!

04. Me organizar financeiramente 
Ainda posso diminuir mais os gastos, mas cumpri o objetivo principal, que era descobrir a fonte de sumiço do dinheiro e controlá-la. 

05. Não procrastinar mais que uma vez por semana 
Só posso dizer que são raros os dias que procrastino. Juro! Diria que, no máximo, uma vez a cada duas semanas eu me rendo e passo uma manhã ou uma tarde olhando pro teto, sem vontade de viver. Não sei como consegui essa proeza, mas se eu descobrir, acho que ficarei rica vendendo a fórmula. 

06. Sair da rotina
Não sei se 2013 que foi fora do normal, mas a verdade é esse ano eu fiz coisas que considerava impossíveis. Definitivamente, rotina não foi uma inimiga.

07. Passar na OAB
O meu objetivo era passar na OAB, mas como eu só fiz o exame de dezembro, atingi a meta parcialmente - segunda fase, aí vou eu!

08. Emagrecer 7 quilos
Consegui perder os 7 quilos, mas depois engordei mais 2 quilos, então encerro o ano com 5 quilos perdidos. O verdade é que eu já considero essa barreira do peso praticamente vencida, principalmente que eu começar a me exercitar com a frequência que eu pretendo atingir.

Tirei da lista:

Voltar a escrever
Simplesmente sinto que ano que vem não vai ser o meu ano mais produtivo no blog – como se os passados tivessem sido, mas ok. Terei monografia (que vai me fazer enjoar de escrever), OAB, formatura... Uma série de eventos que merecem ser registrados, mas, principalmente, merecem ser vividos. Como não posso fazer promessas no campo da escrita, prefiro remover o item da lista ao invés de arrastar mais um ano sem alcançá-lo. Além de tudo, escrever, pra mim, sempre foi uma forma de colocar pra fora tudo o que, principalmente, me incomodava; acontece que ultimamente eu tenho mais vivido e sido grata por esses momentos, do que efetivamente sofrido por mim, por alguém ou por algo. As coisas andam tão certas e tão boas - só as palavras que se perderam.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

TAG: Como eu leio

Estava com tanto tempo que eu não fazia um vídeo que, como vocês poderão perceber, eu obviamente desaprendi como que a coisa funciona - a única coisa que não é culpa minha é a travada que o vídeo dá bem no meio, porque a minha câmera achou que seria apropriado parar de filmar enquanto eu falava (e óbvio que eu não sei editar essas coisas para que fique um erro menos descarado). Fora isso, todas as palavras faladas erradas, todas as faltas de concordância, os 2 segundos parada olhando para o teto (e o vídeo todo sem olhar para um ponto físico), a voz irritante... Tudo isso é culpa minha mesmo.

Dito isso, espero que vocês tenham paciência para assistir o vídeo (como que a gente consegue falar tanto e nem se dá conta que já se passou tanto tempo?). Quem me indicou foi a Anna e eu realmente gostei dessa TAG - não tinha parado ainda para pensar o quanto minha situação financeira anda crítica por causa de gastos com livros, por exemplo. E as minhas indicações são: Milena, Tary, Couth, Larie e Bia. E meninas, aviso logo: não aceito desculpas. No mais, quem quiser fazer, sinta-se livre - só me avisa depois nos comentários, para eu poder assistir também!


ps.: a qualidade do vídeo também não é essa coca-cola toda, já que se eu for postar com uma qualidade bacana vou passar uma semana inteira upando o vídeo no YouTube. Vocês entendem o drama, aposto.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Meus convidados de honra

Vou confessar uma coisa que, na verdade, não é segredo pra ninguém: se eu pudesse, deixava de viver a minha vida para viver a de alguns personagens da ficção. Ou, no mínimo, teria vários deles como amigos, confidentes e desafetos, claro. Por razões óbvias, tenho que me contentar com a minha própria história, mesmo - o que nunca me impediu, é bem verdade, de ter os sonhos mais mirabolantes que nem conto de tão vergonhosos, envolvendo personagens de tudo quanto é livro que eu já li. Por isso, não preciso nem dizer como, ao invés de estudar ou dormir, passei parte da madrugada planejando animadamente a lista dos meus convidados para o "Jantar literário".

Quando eu vi que estava rolando essa tag e que tinha sido indicada pela Analu, eu me controlei para não assistir o vídeo de ninguém conhecido, para que eu pudesse pensar só comigo nas minhas repostas. Daí o que eu fiz? Fui no youtube e pesquisei o vídeo de uma desconhecida para pegar as perguntinhas que tinha que responder - armei todo um plano contra influências nas minhas respostas, percebam. Fiz a minha lista e o roteiro do vídeo e fui lá, feliz da vida, ver o de todo mundo. Mas como quem ama junto pensa junto, acabou que a minha lista tem semelhanças em relação às da Rafinha, da Annoca e da Tary. Amizade tem dessas coisas, mesmo. Acabou que eu mudei uma resposta, como vocês vão ver no vídeo, para não ficar tão igual. Mas tem outras respostas que eu jamais conseguiria pensar diferente - simplesmente tinham que ser. Então, com vocês, meu ''Jantar literário": os personagens da ficção que eu escolheria para jantar comigo. 


Ps.: estou com mil olheiras e parece que um trator acabou de me atropelar, mas se eu fosse esperar ficar bonita pra gravar o vídeo não ia sair nunca – e o frevo já teria passado, né? Não tem graça foliar sozinha.

Eu nunca indico ninguém, mas essa tag eu gostaria especialmente que a Larie e a Thay respondessem, em vídeo ou em texto.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Verdades sobre o blog

Quem conhece minimamente esse blog sabe que não é de hoje que eu respondo memes sempre que possível - principalmente quando é tipo "perguntas e respostas" ou pra fazer listas de alguma coisa. Isso vocês já tão cansados de saber. Há coisas sobre o blog e sobre mim, porém, que vocês talvez não saibam, mas que podem começar a descobrir com a ajudinha da tag “selinho de indicação”. Quem me indicou foi a queridíssima Tary.


- Como escolheu o nome do seu blog?

No meu blog anterior (que eu não lembro o nome, juro), eu já postava contos e crônicas. Acontece que sempre que alguém lia, começava a me perguntar: “ah, Deyse, é um texto fictício ou real?”. Eu sempre respondia que eram os dois. Daí quando mudei pra esse blog, quis um nome que indicasse que tudo que eu posto por aqui pode ser uma verdade... mal contada. Quer dizer, pode ser uma realidade que eu reinventei, pode ser uma fantasia inspirada na realidade. Raros contos e crônicas que já postei aqui são 100% verdade ou 100% coisa da minha cabeça. Confesso que agora que comecei a postar sobre outros assuntos o nome do blog não faz muito sentido, mas tanto faz, eu já me apeguei. 

- Há quanto tempo tem o seu blog?

Vou ser sincera: não sei o aniversário exato do blog e não quis olhar os arquivos. Mas sei que ele surgiu em algum dia de julho de 2008. 

- Como você divulga o seu blog? 

Nos primeiros anos do blog eu nem ligava pra divulgação. Como servia mais como um espaço para “eternizar” os meus sentimentos, fazia mesmo questão que ninguém soubesse. Acho que só depois de 2010 ou 2011 comecei a visitar outros blogs e a ser retribuída – o que nem sempre gera comentários, porque o que existe de leitor fantasma nessa blogosfera não é bobagem. Também mantenho uma página no facebook pra avisar aos interessados que postei e para compartilhar imagens e frases - mas também não saio implorando pra ninguém curtir. Algumas pessoas do meu convívio pessoal sabem do blog, mas morro de vergonha de ficar conversando sobre ele com qualquer um. 

- Quais assuntos têm mais visualizações no seu blog? 

Acho que não tem um padrão. As crônicas eram mais visitadas que os contos, listas têm sempre um bom retorno e posts sobre livros idem. Irônico que o post com mais visitas não é o que tem mais comentários. 

- O que motivou você a criar um blog? 

Sempre pensei em excesso e, quando isso não era externado, meio que começava a me enlouquecer. Então criei o blog com o objetivo de desabafar, mas na medida em que você amadurece e conhece outras blogueiras surge a necessidade de simplesmente falar, coisas sérias ou não, para trocar ideias e dividir gostos semelhantes. 

- Onde você mora? 

Em São Luís, capital do Maranhão. Não é o melhor lugar do mundo para se viver, mas não há nada como o nosso lar, não é mesmo? Não conheço nenhuma blogueira daqui. 

- Quais são os objetivos do seu blog? 

Não sei se o meu blog tem um objetivo traçado, porque eu publico coisas bem particulares aqui. Vez ou outra alguém já comentou “ah, me identifiquei com o que você escreveu, também me sinto assim...” e imagino que isso seja bom, não? Fazer com que as pessoas, mesmo no seu pior estado sentimental, não se sintam sós. 

- Quais blogs você visita frequentemente? 

Visito vários blogs, mas os que eu sou leitora assídua eu deixo o link na sidebar, para poder acompanhar as atualizações. 

- O que te inspira na hora de criar os posts? 

Não fico olhando as coisas ao meu redor pensando no que poderia virar post. Simplesmente estou fazendo algo, comendo algo, em algum lugar, lendo alguma coisa, passando por uma situação... enfim. Aí eu penso: cara, preciso escrever sobre isso. E pronto. 

- Qual é a sua idade? 

Tenho 20 anos e completo 21 dia 21 de março. 

- Além do blog, tem alguma outra ocupação? 

Ah, gente, senta que lá vem história: faço estágio em um escritório de advocacia pela manhã; aproveito o intervalo do almoço para ir à academia; à tarde, ou estou na universidade onde curso Letras ou estou no curso de inglês; à noite, tenho aula na faculdade onde curso Direito e, quando chego de lá, sempre fico até tarde escrevendo alguma coisa, estudando, vendo séries. Há 4 anos não tenho férias nos três turnos ao mesmo tempo, então sempre estou fazendo alguma coisa. Eu ainda sirvo de motorista para o meu irmão (acreditem, isso requer muito tempo) e também participo de outro blog sobre literatura, o Amásia. 

- O que mais gosta de fazer nos finais de semana? 

Considerando o ritmo da minha semana, não esperem que eu seja do tipo que adora a balada da sexta à noite. Sou muito espírito de velho, sabe? E também não sei dançar, então tudo isso elimina muitas opções. Mas adoro ir ao cinema ou mesmo fazer uma sessão de filmes em casa; gosto de ir à casa das minhas amigas ou que elas venham até a minha – sempre rola muita bagunça e gordices; adoro de ir à praia, mesmo que odeio tomar banho de mar; costumo ir à barzinho ou sair para jantar em restaurantes diversos; sou viciada em passar horas olhando os títulos da livraria gigante que tem no shopping. E adoro mofar em casa – meu sofá e minha cama são os melhores lugares do mundo. 

- Gosta de café? 

Eu tentei, juro que tentei, mas só tomo se for um cappuccino. Só amo Starbucks porque Analu me ensinou que existe um trem lá chamado “base de creme”. 

- Pretende fazer algo para o blog em 2013? 

Acho que postar mais sobre temas diversos, principalmente livros, mas sem abandonar contos e crônicas quando sentir necessidade de ser sentimental – e se eu ainda não fiz isso esse ano é sinal de que ando emocionalmente equilibrada, ainda bem.

E como eu sempre burlo regras de indicação, o meme fica livre a todos!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O embrião da minha biblioteca

Não sei se vocês repararam, mas eu estou meio viciada em gravar vídeos. Quando uma amiga querida me convida, então, é impossível recusar. Como eu falo no vídeo, já tinha gravado sobre a minha estante de livros em 2011, mas tanta coisa mudou de lá até hoje que não fica repetitivo refazer o vídeo. Não reparem que a imagem treme muito; minha câmera é pesada e meu braço não tem um pingo de resistência e ficou super dolorido com esse esforço mínimo. No mais, qualquer dúvida falem nos comentários, porque fiquei com medo do vídeo ficar muito grande (acabou ficando de qualquer jeito) e corri um pouco nas observações.

E qualquer um que queira fazer o Tour na própria estante está mais que convidado!

sábado, 5 de janeiro de 2013

Moços para os quais eu diria "sim"

Há algum tempo a Rafinha trouxe uma ideia de um meme que meu coração não estava pronto pra responder no momento. Depois de muito enrolar, eu, que dou tanto sentido à existência do termo ''amores platônicos'', fui incumbida, por intimação da Taryne, a listar os 10 caras fictícios com os quais eu casaria – e aqui o meu namorado torce o nariz, porque ele acha um absurdo eu praticamente traí-lo com moços perfeitos que, por consequência, nem existem. Nem preciso citar que a lista não está em ordem de preferência, porque fazer isso estaria além da minha capacidade. 

Ps.: para o post não ficar maior ainda, eu suprimi as fotos dos moços. Para checar o material de apresentação deles, porém, basta clicar no nome de cada um. 

01. Cricket Bell, de Lola e o garoto da casa ao lado 
Cricket entrou na minha vida há pouco tempo, mas desde a primeira folha do livro em que aparece foi tratando de mostrar a que veio. Não teve outra: tive que destinar um lote do meu coração a esse moço. Sabe o cara que se desloca meio mundo para estar com você em um momento importante da sua vida? Que te incentiva quando ninguém acredita em você? Que deixa claro que não desistirá de vocês e que estará ao seu lado quando você, até então cega e retardada, finalmente reparar que ele é o cara da sua vida? Que é o tipo de cara que seus pais amariam como genro? Então, o Cricket é isso tudo, mas também é inteligente, tem um humor ótimo e se veste maravilhosamente bem. Se existe um pacote completo no mundo, esse pacote é Cricket Bell. 

02. Étienne St. Clair, de Anna e o beijo francês 
O único defeito do Étienne é não existir. Étienne é o namorado que antes de tudo é melhor amigo; se preocupa em não magoar as pessoas, tem o melhor senso de humor que eu já vi, é irônico e ainda te leva pra fazer passeios incríveis por Paris. Já falei que ele tem sotaque britânico? É popular porque é simpático, não porque se sente superior aos outros. Isso tudo já é motivo suficiente para amá-lo, mas acrescente aí que ele adora História, cinema e tem muitos, mas muitos LIVROS no seu quarto – e não basta ter livros, mas ele gosta de ler. 

03. Mark Sloan, de Grey’s Anatomy 
Mark, à primeira vista, é exceção a tudo que eu espero de um homem. É metido, um tanto arrogante, tem várias fases em que é mulherengo e (spoiler) uma filha crescida que aparece do nada e só serve pra atrasar a vida de todo mundo. Mas, acima de tudo, Mark Sloan é o tipo de cara que se transforma quando se apaixona. Ele se entrega sem medo e não mede palavras quando quer se declarar; ele sorri de um jeito que te desmonta e se houvesse um dicionário ilustrado, ao lado do adjetivo ''charmoso'', teria uma foto desse homem. E a voz? E aqueles olhares? E o senso de humor? Mark Sloan, você está de parabéns. 

04. Damon Salvatore, de The Vampire Diaries 
Tava faltando um homem errado nessa lista e quem melhor para cumprir esse papel que Damon Salvatore? Ele é arrogante, irônico, tem um humor negro terrível, não é nada altruísta e ainda por cima se apaixonou descaradamente pela namorada do irmão – duas vezes. O que ele tem de tão bom, afinal? O fato de ele ser capaz de esquecer tudo isso em favor da mulher que ele ama, claro – mas só em favor dela, porque em relação aos outros ele continua sendo um cínico. Se você acha que nem uma vez na vida irá se apaixonar por um cara completamente errado, te desafio então a sobreviver a um dos sorrisos de canto de boca do Damon. 

05. Seth Cohen, de The O.C. 
O primeiro de todos os meus amores dessa lista e, se dura até hoje, é porque alguma coisa certa o Seth Cohen fez na vida. Se alguém até agora tinha dúvida que a característica número 1 de um cara, para mim, é o bom-humor, então Seth Cohen põe abaixo essa dúvida. Além das tiradas mais fantástica do mundo, ele também foi o primeiro a me conquistar pelo bom gosto, especificadamente o musical, e pelo estilo – gente, o que são as camisas do Seth? Depois de amá-los todas as temporadas de The O. C., descobri que ser lindo, pra ele, é apenas um bônus. 

06. Jackson Avery, de Grey’s Anatomy 
Avery está aqui porque assustadoramente, na atual temporada de Grey’s Anatomy, o cara se revelou um aprendiz e tanto de Mark Sloan. Obviamente que seus olhos verdes, olhar penetrante e a mania de aparecer sem camisa ajudam, mais o moço também está se saindo um belo cavalheiro, um senhor muito atencioso, super inteligente e um companheiro para todas as horas. Se existe um príncipe capaz de existir no mundo real, este seria Jackson Avery. 

07. Percy Jackson, de Rick Riordan 
Eu sei que pareço uma pedófila dizendo que me casaria com um jovem semideus de 17 anos. Mas Percy Jackson é a exata prova de que meu coração ainda é juvenil e que, principalmente, não existe idade para ser um cara apaixonante. Percy Jackson faz por Annabeth uma pá de coisas que eu não reclamaria que ele fizesse por mim: enfrenta a mãe da menina que, além de Deusa da Sabedoria, é bem ranzinza; fica morto de preocupação cada vez que Annabeth se machuca; planeja uma vida inteira ao lado dela e, como se não bastasse, ainda segue, escondido, em uma missão quase suicida só para salvá-la do perigo. Percy, você tem muito o que ensinar a esses rapazes crescidos. 

08. Tom, de O melhor amigo da noiva 
O Tom é interpretado pelo Patrick Dempsey, comecemos por aí. Junte com isso o fato dele ser o melhor amigo do mundo, ser super prestativo, extremamente simpático, ser um cara de atitude, não desistir da mulher amada nem quando ela está noiva e, por fim, atravessar meia Escócia só para dizer que a ama. Não é à toa que este filme está entre os meus favoritos – todo mundo precisa de uma dose do Tom, vez ou outra.  

09. Peter Parker, de Spider-Man 
Eu sempre fui fã do Peter Parker dos quadrinhos, mas o dos filmes só arrebatou mesmo meu coração quando o Andrew Garfield entrou em cena. Queria eu poder citar algum momento ideal desse rapaz, mas eu simplesmente não consigo escolher a melhor entre todas as cenas em que ele aparece. Aquele sorriso errado, aquele jeito solto, aquele cabelo bagunçado... Enfim, tudo no Peter do Garfield simplesmente te faz ficar arrepiada. 

10. Tom Hansen, de 500 dias com ela 
Eis aqui o mais mocinho entre todos da lista. O objetivo de Tom Hansen no mundo era simplesmente amar e ser correspondido, mas parece que isso nunca vai acontecer. E tem coisa que derreta mais o coração que um homem sofrendo por amor? Anote a isso o jeito desengonçado, o ótimo gosto musical, o talento para desenhar e o fato (suspiro) de sua melhor amiga ser sua irmãzinha. Se Tom Hansen não é moço pra casar, não sei mais quem seria. 

Menções honrosas: 

Augustus Waters, de A culpa é das estrelas: Augustus teve (spoiler) o disparate de morrer e me impedir de sonhar com ele no altar, mas se eu cometesse o erro de esquecê-lo ele jamais me perdoaria. Gus é sensível, é entregue à vida, não perde a oportunidade de fazer e dizer o necessário, realiza os sonhos da Hazel como se também fossem seus e carrega declarações de amor até por trás de um simples “okay”. É, Gus, não tem como você não viver dentro do meu coração. 

Alex Karev, de Grey's Anatomy: outro tipo de cara que você acha que é incorrigível até encontrar uma mulher que o faça ver que a vida não é tão ruim quanto ele pensa. Além de ter um físico muito agradável de se olhar (pra não dizer que ele é gostoso), Karev tem uma alma muito frágil e que já sofreu tanto, que a única vontade que você sente é de por ele no colo e cuidar até todas as feridas sararem. É difícil alcançar o coração desse moço, mas se você o fizer, acredite, a recompensa será grandiosa.

Felizmente para o meu namorado, nenhum desses caras algum dia vai bater na minha porta. No final das contas, vou casar com aquele que há muito tempo também me acompanha e que mereceria um texto muito maior que esse narrando todos os motivos pelos quais me convenceria a subir no altar. Mas a fantasia tem sempre a vantagem de existir, nem que seja para nos mostrar que esses sonhos apaixonantes, uma hora ou outra, chegam a se tornar reais - e quando isso acontece, pode apostar, é muito melhor.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O melhor (e o pior) de 2012, literariamente falando

Ainda que extremamente atrasada, chego eu com a minha retrospectiva literária, que já foi feita basicamente em todos os blogs que eu visito. Eu sou péssima em gravar vídeos e passei muito tempo (quase 30 minutos, eu sei) falando quase nada, mas me amem mesmo assim, por favor. A maioria das meninas falou só dos preferidos do ano, mas eu queria falar principalmente dos que eu menos gostei, porque foram tão ruins que eu acho que devo isso à sociedade. 


Livros falados no vídeo:

- Axilas e outras histórias indecorosas, do Rubem Fonseca 
Cômico e politicamente incorreto. Para aqueles que, assim como eu, têm um humor ácido. 

- Delírio, da Lauren Oliver
Só não é melhor porque distopia ainda não foi algo que me convenceu, mas até acho que vou ler a continuação quando for lançada. 

- Deslembrança, da Cat Patrick 
Seria uma ótima obra se não fosse o final trôpego. 

- Charlotte Street, do Danny Wallace 
Bom, mas dispensável. 

- A mulher do viajante no tempo, da Andrey Niffenegger 
Uma das melhores narrativas do ano. 

- Para sempre, de Kim e Krickitt Carpenter 
Troféu berinjela pra esse livro e que Deus perdoe esses autores, eles não sabem o que fazem. 

- E as estrelas, quantas são?, da Giulia Carcasi 
Mais um desapontamento e um autor italiano odiado pra coleção. 

- Emma, da Jane Austen 
Chato, chato, chato. 

- Bela maldade, da Rebecca James 
Uma surpresa agradável pra mim, que não esperava muita coisa desse livro. 

- Os heróis do Olimpo: O herói perdido, do Rick Riordan 
Insira aqui todos os elogios possíveis. 

- Os heróis do Olimpo: O filho de Netuno, do Rick Riordan 
Idem para o livro anterior. Difícil saber qual o melhor. 

- Lista negra, da Jennifer Brown 
Outro pro clube dos belos, mesmo aterrorizantes. 

- Precisamos falar sobre o Kevin, da Lionel Shriver 
Nem imagino o estado dessa autora depois de escrever esse livro. Ela deve ter ficado deplorável. 

- Quem é você, Alasca?, do John Green 
Tá me doendo até hoje, meses após a leitura. 

- Lola e o garoto da casa ao lado, da Stephanie Perkins 
O livro mais fofo, o personagem masculino mais desejado. 

- As vantagens de ser invisível, do Stephen Chbosky 
É de uma tristeza tão bonita que só sei que jamais irei superar esse livro. 

- A culpa é das estrelas, do John Green 
Um tiro no pé teria doído menos que esse livro. Não tem como terminá-lo sem estar apaixonada.

- Para todos os amores errados, da Clarissa Corrêa 
Isso não era um livro, era uma piada.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

13 resoluções para 2013

Quando 2011 chegou ao fim, não sei porque cargas d’água eu não renovei minhas resoluções para o ano que estava surgindo. O resultado disso foi que 2012 acabou me deixando com aquela sensação de não saber se eu tinha realizado algo de útil pra vida ou se o ano inteiro tinha sido um desperdício de esforço. Depois de muito tempo sem saber ao certo o que eu acho dessa história de se renovar em função das datas que mudam, acho que acabei concluindo que acredito sim que um ano novo é uma oportunidade perfeita para aqueles que esperam um empurrãozinho pra recomeçar – entre estas pessoas, eu. Sem mais delongas, eis aquilo que pretendo atingir em 2013: 

1. Emagrecer 7 quilos 
Quem lê essa resolução deve no mínimo pensar que estou beirando a obesidade mórbida. Mas o fato é que 2012 foi tão corrido e estressante que eu, sedentária por natureza, sofri o mal do qual nenhum de nós estamos salvos: engordei mais do que poderia. Fora esse descaminho alimentar, há também o agravante de que vou passar o mês de julho viajando e comendo muito mal, por consequência; assim, se eu já sair do Brasil gorda, imaginem quanto vou pesar quando voltar? Não vou dizer o meu peso atual porque ainda me resta alguma dignidade, mas confesso que o número da balança que pretendo atingir eu não alcanço desde os meus 15 anos, quando eu desfilava de biquíni com orgulho. Vamos aguardar. 



ps.: inclua nessa resolução começar a ir regularmente à academia. 

2. Passar na OAB 
No último dia 28 a OAB divulgou a lista com os aprovados na primeira etapa do último exame da Ordem de 2012. No fim de 2013, eu quero ao menos estar assim: com meio caminho andado. Passar na OAB, teoricamente, é fácil: estude bem durante 5 anos e faça duas provas, uma objetiva e outra dissertativa, onde o único concorrente é você mesmo. Infelizmente, todo mundo sabe que a coisa não é tão simples assim – para mim, então, que sou extremante nervosa em provas e adoro ter brancos em momentos impróprios, nem se fale. Se tem uma resolução que não vou atingir sem esforço, com certeza é essa. 


3. Ler um livro por semana 
Acho que 2012 foi um dos anos que eu mais li na vida, considerando que não li nada no primeiro semestre por causa da monografia e que li 29 livros somente no segundo semestre. Ainda assim, foi pouco. Não vou poder exigir muito de mim quanto a leituras, considerando a quantidade de eventos que 2013 promete. Em média, consigo fazer um livro a cada 4 dias, mas vou estender esse prazo para 7 dias já prevendo que minha meta normal é meio impossível, ao menos por enquanto. 


4.Voltar a escrever 
Por razões que ainda não posso dizer, com certeza esse ano escreverei bem mais que em 2012 – que, aliás, foi um dos anos que menos produzi. Além disso, farei o intercâmbio e darei notícias pelo blog, o que já é outro grande estímulo. Quanto aos meus textos mais comuns, descobri há muito tempo que minhas inspirações partem dos momentos em que minha alma está mais destroçada – então, se o preço a pagar por me manter espiritualmente intacta for a abstinência de escrita... Eis um grande vácuo na minha vida, com o qual eu não sei lidar. 


5.Ter mais cuidado com meu cabelo, pele e alimentação 
Pausa dramática porque essa é uma resolução que venho tentando realizar desde 2010 e eu não consigo. Eu tenho a maior preguiça do universo de salão, então a minha meta para 2013 é apostar em produtos com os quais eu posso me cuidar em casa, mesmo. Ainda sim, isso vai requerer uma paciência de Jó, coisa que o mundo inteiro sabe que eu não tenho. De toda forma, eu mantenho essa resolução até o dia que eu criar vergonha na cara. 

(sí, pero no mucho)

6. Parar de roer unhas 
Ipsi literis para o que eu disse sobre a resolução anterior. Só esclarecendo o fato de que eu disse que vou parar de roer unhas e não arrumá-las semanalmente, porque com o valor que manicure e pedicure cobram na minha cidade eu posso comprar livros para ler o mês inteiro. Ou eu aprendo a manusear um alicate ou vou ficar só no "não roer unhas", mesmo.

7. Melhorar minha média de notas na faculdade 
Meu comentário aqui é breve: não que eu seja má aluna; apenas não estou sendo metade do que eu sou capaz. 


8. Me empenhar no curso de inglês do intercâmbio 
Uma coisa é você passar anos enrolando o curso de inglês da sua cidade só porque você não tem saco de aprender línguas. Outra coisa é você passar quase um dia dentro de um avião e pagar caro para fazer de conta que estuda inglês no outro lado do oceano. Eu jamais me perdoaria se fosse tão imatura. Meu paitrocínio muito menos.


9. Me organizar financeiramente 
O histórico da minha conta bancária é o seguinte: dia 01 entra a minha mesada, dia 05 recebo meu salário e dia 10 não tenho mais um centavo. Tem alguma coisa MUITO errada nesse ínterim e eu sinto que é só falta de organização. Eu gasto meu dinheiro todo e não sei nem com o quê. Pra 2013, se não conseguir me controlar (Deus sabe como tento parar de comprar sapatilhas), eu pretendo ao menos descobrir a origem dos meus gastos. 


ps.: já fiz um cofre e já estou juntando minhas moedas. Ponto para mim. 

10. Não procrastinar mais que uma vez por semana 
Eu tenho até vergonha de entrar em maiores detalhes nesse aspecto. Basta que eu diga que, se em 2013 eu for tão preguiçosa como fui em 2012, o ano vai acabar e eu não saí nem da minha cama. Mas óbvio que eu me reservei uma tarde na semana para preguiça infinita, porque eu também sou gente.


11. Mexer mais com fotografia
Antes de comprar a minha câmera eu tinha um caderno somente para anotações sobre configurações e técnicas fotográficas. Hoje, meu caderno está num cantinho criando mofo e isso me envergonha profundamente. No fim de 2012 eu comprei uma lente nova e como em 2013 eu vou conhecer diversos lugares lindos, fico na esperança de não deixar o meu hobby mais querido morrer.


12. Sair da rotina
Por favor, por favor, por favor. Não aguento mais tanta previsibilidade, tanta monotonia, tanto mais do mesmo. Eu, que odeio rotina, acabei abraçando-a com força nesse ano que passou, mas já estou doida para cortar relações definitivamente e seguir por outros caminhos. Não aguento mais fazer as mesmas coisas nos mesmos dias e quem pode me julgar por estar me tornando rabugenta e ranzinza por isso, hein?


13. Participar 
De alguma coisa. De qualquer coisa. Da vida de alguém.


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Estante virtual

Eis que das cinzas da mais escondida caverna do Tártaro, o blog ressurge. Com um meme, claro, porque exigir criatividade já é demais. É um meme bem bobinho, mas com perguntas bem gostosas de responder. Eu fiz rapidinho durante a tarde, pra aliviar da tensão da maratona de estudos, e já ia postar no blog quando eu vi que a Mayra tinha me indicado - ponto pra ela, porque fazer meme sem indicação é uma das coisas mais deprimentes no mundo blogueiro. A ideia é basicamente responder algumas perguntinhas relacionadas ao Skoob, uma rede social só para leitores - muito melhor que facebooks da vida, sinceramente falando.



 1. Quantos livros você tem na aba LIDO? 
128, mas não levem esse número muito a sério. Eu leio livros desde, bom... sempre, mas a minha memória é de 1GB e eu não lembrei de quase nada que eu li antes de fazer o skoob.

 2. Qual livro você está lendo? 
"Lola e o garoto da casa ao lado", da Stephanie Perkins. É um daqueles livros bobinhos de amor entre uma garota esquisita e um cara muito legal – a diferença é que a Perkins consegue fazer essa história parecer muito mais bacana que qualquer autora que eu já vi. Não é só mais um romance bobo e água com açúcar; é engraçado, não subestima meu intelecto (detesto livros que foram escritos como se quem os lê não tivesse capacidade de raciocínio) e eu desafio qualquer um a ler e não se apaixonar.

 3. Quantos livros você tem na aba VAI LER? 
114. Essa lista não para de mudar nunca. Praticamente todos os dias eu excluo ou incluo algum livro. Normalmente, os que passam muito tempo nessa aba acabam sendo excluídos, porque o meu encanto pela história já passou. Antes, meu sonho era zerar essa aba, mas daí eu pensei melhor no seguinte: se isso acontecesse, que mais eu faria da minha vida? 

 4. Você está relendo algum livro? Qual? 
Não sou muito de reler livros, não. Mas como penso muito nas histórias lidas, vez ou outra dou uma folheada para relembrar algum detalhe que eu esqueci – coisa que faço basicamente com meus favoritos. Nessa vibe, minhas estante está sempre remexida entre os lidos e os que vou ler.

5. Quantos livros você já abandonou? 
Eu sou do tipo que tenta até o último suspiro continuar a leitura, mas 3 livros conseguiram a façanha de acabar com a minha infinita paciência literária. Foram eles: 
1 – "Marley & eu": não pensem que eu sou um ser insensível. Eu adoro bichinhos, todos os tipos deles, juro. Eu tenho uma hamster, quer coisa mais anti-preconceito com animais que isso? Mas, por favor, não me venham com histórias de animais. Odeio filmes de gatos que falam, cachorros que pensam, porcos super-heróis, periquitos que cantam em italiano. Odeio. Por mais tocante e sentimental que a coisa seja, eu só consigo achar... Tosco. Então, não posso engolir mais de 300 páginas girando em torno de um cachorro sem sentir vontade de regurgitar tudo na cara do escritor. 
2 – "A Cabana": gente. Não, sério... Gente. O que é esse livro, alguém me explica. Alguém verdadeiramente gostou disso? Aliás, alguém viu sentido nisso? Ler esse livro me deixava deprimida a cada página, porque eu começava a pensar na quantidade de pessoas que produzem textos realmente bons e não tem livros publicados; enquanto isso, pessoas como o William P. Young publicam best-sellers. Esse mundo é muito errado mesmo, viu? 
3 – "Desculpa se te chamo de amor": tenho muita vontade de encontra o Frederico Moccia e perguntar qual a possibilidade dele fazer um curso de produção textual. Qualquer coisa que melhore a narrativa mais chata do todos os milênios. Conheço algumas pessoas que conseguem gostar desse livro (e que, pasmem, compram até a continuação), mas pra mim não deu. Aliás, quando eu vi que ele publicou mais livros, eu tive uma crise de riso, porque, né? Seria cômico se não fosse trágico. Foi ódio ao primeiro capítulo pela personagem, pela narrativa, pela estrutura do livro, pelo Moccia. Mas defendendo um pouco o rapaz, já tentei ler outro livro de uma autora italiana e a coisa também não fluiu muito bem. Talvez o problema seja comigo, mas eu pretendo continuar sem descobrir.

6. Quantas resenhas você tem cadastradas no Skoob? 
Uma só. Infelizmente, acho um recurso pouco usado no skoob, então sinto que se eu fizer resenha, quase ninguém vai ler. Porém, me senti na obrigação de fazer uma "resenha-alerta" sobre "Para todos os amores errados", tendo em vista que a autora debochou de mim no twitter porque eu critiquei sua escrita. Achei que seria uma boa coisa para se compartilhar sobre uma autora de um livro medíocre e que ainda não sabe receber observações negativas. A resenha foi "curtida" 8 vezes.

7. Quantos livros você já avaliou? 
Avalio todos que leio. É tipo um TOC, sabe? Lembro que uma vez o número não estava batendo e eu verifiquei todos os livros marcados como lidos, até descobrir qual não tinha sido avaliado. Mônica Geller se orgulharia de mim. 

8. Quantos livros você tem na aba FAVORITOS? Cite alguns deles. 
Não sou muito fresca para favoritar, mas também não saio dando o meu coração pra qualquer capa bonitinha. Tenho 19 livros nessa aba, dentre os quais "Anna e o beijo francês" (também da Perkins, porque ela é amor), "A culpa é das estrelas" (favoritado por 9 entre 10 leitores e com razão), "As vantagens de ser invisível" (por favor, leiam esse livro), "Ensaio sobre a cegueira" (uma das poucas leituras obrigatórias que vingaram), alguns de ''Harry Potter'' (dispensa explicações), alguns de ''Percy Jackson'' (tão pouco estimado, mas tão fantástico) e ''Caio Fernando Abreu: o inventário de um escritor ir-remediável'' (a melhor biografia que eu já li).

9. Quantos livros você tem na aba TENHO? 
136, um número que eu acho bem insatisfatório. 

10. Quantos livros na aba DESEJADOS? 
91. Eu desejo muito mais que isso, claro, mas só marco nessa página os livros que eu queria, tipo, pra ontem (pânico). 

11. Quantos livros emprestados no momento? Quais? 
Eu não uso muito esse recurso, dá preguiça. Até porque, exijo que as pessoas que pegam emprestado me devolvam tão rápido que nem dá tempo de deixar a marcação lá por muito tempo. Marquei como emprestado só ''Flores azuis'', mas também emprestei ''A culpa é das estrelas'' e ''As vantagens de ser invisível''. Estamos de olho, viu?

12. Você quer trocar algum livro? Qual? 
Olha que curioso: marquei para trocar ''Para todos os amores errados'' e já surgiram várias oportunidades supimpas, mas eu não consigo me desapegar. Nem quando o livro não vale o espaço da minha estante.

13. Na aba META, quantos livros você tem marcados? Conseguiu cumpri-la? 
Tenho 30 livros marcados, mas não me cobro muito com isso. É muito mais para definir uma lista de prioridade que qualquer coisa. Mas foram sim os livros que separei para esse ano – todos do segundo semestre, praticamente, porque como meu primeiro semestre foi dedicado ao TCC, eu não li na-da.

14. Qual o número do seu paginômetro? 
33.915. Também vergonhoso. 

15. Qual o link do seu perfil no Skoob?
 http://www.skoob.com.br/perfil/deysebatista

E eu não indico a ninguém, porque sou dessas que ama ser indicada, mas na hora de apontar alguém, prefere sempre o "deixo livre pra quem quiser fazer".

domingo, 30 de setembro de 2012

Nada é maior que o meu amor

Não sei quanto tempo se passou entre o momento que eu li aquele bilhete e a minha primeira reação diante dele. Só acordei da espécie de transe em que entrei no momento em que senti o meu estômago afundar e as coisas ao meu redor de repente pareceram estranhamente irreais – aliás, o que de “real” vinha acontecendo nos últimos tempos? A verdade é que eu sabia que não dava para parar e refletir sobre essa e tantas outras questões que rondavam na minha mente; a verdade, aliás, era uma só: eu perderia para o tempo se continuasse onde estava, fingindo que além das paredes daquele hospital não havia uma série de coisas erradas a serem consertadas. 
Não pensei na minha saúde, na minha disposição ou muito menos se seria pega; levantei-me da cama, vesti minhas roupas que estavam guardadas no armário do quarto e abri a porta. Sempre soube que isso de quando as pessoas querem fugir de hospitais os corredores estão absolutamente vazios era história de filme, por isso não me surpreendi quando coloquei a cabeça para fora do quarto e vi enfermeiros e médicos andando por todos os lados. Indignada, fechei a porta, olhei ao redor e a solução se iluminou à minha frente, além da janela de vidro oposta à porta: meu quarto era no primeiro andar. 
Pulei pela janela, segui por um corredor estreito e dei de cara com os fundos do hospital. Por lá estava lotado de funcionários trabalhando absortos nas mais diversas funções, de modo que eu consegui me misturar sem muita dificuldade. Quando consegui cruzar o portal de entrada do hospital, me dei conta de que não sabia para onde seguir – mas foi um instante breve de incompreensão. Óbvio que não existia outra saída, nunca houve; a resposta para todos os problemas que surgiram estava tão estampada à minha frente desde a primeira vez que a vi que era até difícil acreditar que eu tinha sido tão trouxa. 

--- 

O prédio parecia abandonado, como se qualquer preocupação em vigiá-lo houvesse desaparecido. Perguntei-me a razão daquilo, mas não me ative muitos nesses detalhes. Segui diretamente para o terceiro andar, como se minha intuição me guiasse até onde eu precisava ir. Não pensei no caminho, sequer tracei-o – apenas segui a passos firmes em direção ao terceiro andar e, chegando lá, diretamente até aquela porta, cuja sala eu já conhecia bem melhor do que eu gostaria. 
- Você é tão previsível. Claro que seria essa sala. – eu disparei sem me conter, assim que entrei. 
Camila, que estava parada no centro da dala, virou para me encarar, sorrindo de orelha a orelha. Ela estava linda, como se um raio de luz a tivesse atingido desde a última vez que nos vimos. Mas o meu olhar não demorou muito nela, porque instantaneamente disparou para o lado oposto da sala, em uma cama isolada, onde Alex estava estendido. Vi o seu peito inflar de longe – ele respirava. E não tinha nenhum fio eletrônico ligado a si, o que me fez concluir automaticamente aquilo pelo quê eu torci todos esses dias: finalmente ele estava bem. 
- Não queria complicar muito as coisas para você. – ela respondeu de ombros, como se fosse aquilo o previsível de se dizer - Não me parece muito inteligente. 
- E o seu prédio me parece muito abandonado. – eu tentava provocar para ganhar tempo enquanto pensava no que fazer. Por que diabos a gente tem essa mania fazer as coisas sem pensar no que fazer em seguida? - Não está subestimando quem está fora dos muros? 
- Não existe ninguém para ser subestimado. – ela fez uma cara de nojo enquanto me encarava – A única pessoa que já foi insolente o suficiente para me enfrentar foi você. Mas isso acaba hoje. Você está aqui. Aliás, quanta demora, hein? 
- Se me queria logo aqui, por que postergou tanto esse encontro? – eu falava calmamente, tentando não demonstrar que dentro de mim algo estava prestes a explodir - Não acha que a ideia de clonar o Alex é um pouco absurda demais, mesmo vindo de você? 
- Eu precisava de tempo. – o marasmo da voz dela me irritava - Você quase o matou, sabia? – perguntou, com ar de superior, virando-se um segundo para olhar para o Alex - É muito cinismo da sua parte ainda insistir em bancar a heroína quando você mesmo o destrói mais e mais a cada dia... 
- Não sei como pude acreditar em você, com essa conversa de irmãzinha abandonada que queria ajudar aquele que foi criado de você. – eu não queria dizer isso, não queria bancar a ingênua enganada, mas nada me parecia ser o certo a dizer naquele momento - Estava escrito no jeito que você se portava, na maneira com que falava comigo... 
- Você é mesmo muito fácil de enganar. – ela me interrompeu, agora com um ar divertido, como se fosse uma grande surpresa o fato de ela estar por trás de tudo - Todos vocês, aliás. 
- Você não sabe do que está falando. – minha voz tremia de forma involuntária, porque estava mesmo impossível de me conter - Não sabe o que é amar alguém sem exigências, sem limites... 
- Sem exigências? Você acha mesmo que não exige nada dele? – ela sibilou as frases com visível escárnio – Quase matá-lo não é exigência suficiente? Isso já não é ultrapassar todos os limites humanamente aceitáveis? Entenda de uma vez, Diana: não importa o quanto você negue, nós duas sabemos que você nunca será a mulher que ele merece. 
- Do que você está falando? – eu começava a ficar histérica com tantos disparates sendo repetidos sem contenção – Quem você sugere que fique ao lado dele, então? Você?- e nessa hora eu só conseguia sorrir, um riso de deboche. 
- Você é tão obtusa que não consegue perceber o que está cristalino, não é? – ela sorriu de volta, como se a lunática da situação fosse eu. 
- Ele não ama você! – eu gritei o melhor dos meus argumentos, o mais inviolável, o que ninguém poderia mudar. 
- É EXATAMENTE POR ISSO! – ela berrou de volta, como se sentisse raiva por eu ainda não ter compreendido o que quer que ela tenha concluído – O fato de ele não me amar o faz forte! Eu posso dedicar o meus dias a amá-lo o quanto mais ele precisar e o seu saldo será sempre positivo, ele será sempre o homem que foi criado para ser. Eu não sou egoísta como você, uma mera humana ridícula que acha que só porque dá amor merece o mesmo de volta. Entenda, Diana: humano nenhum nasceu para ser amado em menor medida e você, querida, não é exceção à essa regra. 
Então eu me encolhi a essa verdade. Calei-me porque sabia que era verdade; no fundo, abaixo do meu orgulho e de toda a minha esperança, eu sabia que Camila estava certa. Sabia que se existia alguém naquela sala que faria bem ao Alex, esse alguém com certeza não era eu. Depois de todas as tentativas, de todos os sufocos pelos quais havíamos passado... Nada adiantava; sempre acabávamos naquela sala branca, onde as coisas tinham o mesmo início e fim. Não conseguia compreender porque ela havia me trazido até lá, afinal – talvez para me exterminar, talvez para me transformar novamente em Zumbot, talvez simplesmente para me fazer enxergar o óbvio. Eu só sei que diante do meu silêncio, ela sorria estonteante. Saboreava tanto a vitória que essa mesma pose de vencedora trouxe o seu fracasso. 
Camila estava tão distraída em fitar-me enquanto em me encolhia em tristeza que sequer percebeu ele entrando furtivamente por uma porta que surgiu em meio a parede branca. Eu quis gritar, mas me faltou voz. A agilidade dele me assustou e em um piscar de olhos, a seringa que ele trazia em mãos foi aplicada diretamente no coração de Alex. Imediatamente, Camila virou-se para encarar os dois, como se a picada que Alex sofreu a tivesse atingido também – ele permanecia imóvel, mas algo nela já começava a mudar. Rapidamente, Camila foi ficando envelhecida, sua pele enrugando em uma velocidade inacreditável e, em um segundo, ela me encarava com aqueles olhos miúdos, quase fechados, tempo suficiente para demonstrar aquilo que ela não tinha tido tempo de dizer. Ela me odiava, eu sabia, mas de nada isso adiantava. O corpo de Camila endureceu e caiu ao chão, espatifando-se como vidro. 

--- 

Nós dois estávamos sentados à beira da cama de Alex, que parecia bem, mas ainda não tinha acordado – eu estava calma, porém, porque ele havia me garantido que isso aconteceria em breve. Eu ainda não tinha dito nada e não sabia como começar, de modo que agradeci em pensamento quando ele começou a falar. 
- Eu sabia que você ia aparecer. – ele disse, a voz arrastada, dando de ombros - Desde o dia em que vi o Alex e soube que ele não era aquele clone maldito... Eu soube que um dia você iria aparecer. E nesse dia eu estaria pronto para lhe ajudar. 
- Eu não compreendo, Dr. Oliver. – eu não sabia explicar metade das coisas que eu sentia naquele momento – Eu o conheci e não posso dizer que foi a experiência mais agradável da minha vida... 
- Você nunca me conheceu, Diana. Desde que o Alex começou a namorar você, a Camila mudou drasticamente. Quando eu soube que o maior dos meus projetos estava tomando rumos próprios eu decidi que já era hora de avançar um pouco mais na minha pesquisa... Decidi que era a hora de descobrir como torná-lo humano. – ele respirou fundo, como quando se pensa em um sonho – Claro que a Camila foi contra, porque tornar o Alex humano significaria o fim para a Camila. Ela sobrevivia porque parte dela era a parte Zumbot que era o Alex, mas com o fim disso... Escute, não me entenda mal, não ache que eu queria o fim de Camila. Não era a morte dela que estava em jogo, mas sim a vida do Alex. A vida dele ao seu lado. 
Era tanta informação que o meu cérebro não conseguia processar. Eu não tinha capacidade sequer de formular perguntar, porque as dúvidas surgiam em minha mente de forma desordenada – exatamente como a bagunça que foram os últimos tempos. 
- Eu consegui fugir daqui e Camila, achando que eu não lhe faria nenhum mal, simplesmente me substituiu, sem pretensão de me exterminar. Mas eu me dediquei nos estudos, esperando que quando o momento certo surgisse, eu estivesse pronto. Não existia oportunidade melhor que essa que surgiu hoje: você estava aqui e o prédio estava vazio. Camila foi inocente demais ao me esquecer. Enquanto ela se preocupava exclusivamente com você, eu tive tempo suficiente para desenvolver aquilo que Alex e você precisavam para serem felizes. 
Eu tinha medo de perguntar. Mas eu precisava saber. Respirei fundo e encarei a única questão que, após isso tudo, importava de fato. 
- E você acha que conseguiu? Acha que quando o Alex acordar será humano? 
O Dr. Oliver sorriu levemente e pôs uma das mãos em meu ombro. 
- Eu não tenho dúvidas quanto a isso. 
Eu encarei o meu Alex, estendido naquela cama, respirando suavemente. Sua expressão era serena, a cor de sua pele parecia natural – enfim, ele poderia estar simplesmente dormindo e ninguém saberia a diferença. Tão logo olhei para os seus olhos fechados, suas pálpebras começaram a se mover levemente. E como que acorda com um susto, Alex abriu os seus olhos, que saltavam de tanto brilho, esbanjando vida. Ele segurou a minha mão mais próxima de si de maneira forte e a apertou. Então eu senti: algo era diferente. Ele era mais quente, mais macio, mais forte. Os seus olhos encontraram os meus e percebi que um misto de felicidade e alívio inundou-os. E, por fim, seus lábios se moveram para formar o nome que eu conseguia achar lindo quando dito em sua voz. 
- Diana. 



 ---

Esse conto celebra o primeiro aniversário da Máfia. Ele começou com a Rafaella, passou por mais 27 pares de mãos e hoje acaba comigo, a 29ª pessoa a contar essa história - cujo final ficou enorme, aliás, mas espero que digno da ideia maravilhosa que foi compartilhar o mesmo pensamento com essas meninas que eu tanto amo. Máfia, parabéns por mais essa - nós merecemos!

domingo, 8 de julho de 2012

Felicidade na mala

A fachada que me encantou. Além do cheiro do café, que era um tanto incomum, de verdade tudo me parecia normal: aquelas paredes de tijolo velho, as cortinas vermelhas com laços amarelos enormes amarrando-as e uma mesa no fundo, no canto da parede. Sob ela, a luz fraca parceira para esses dias obscuros. Entrei e quando o fiz, pensei imediatamente: é hoje. Nem me dei ao trabalho de abrir o Gabriel García Márquez que na mala pesada carregada na mão esquerda, porque seria inútil tentar entender qualquer jogo de sentimentos sem antes observar por um tempo ínfimo aquela situação que eu me encontrava. Quando a garçonete caminhou até mim, sem trajar um daqueles uniformes bem passados e me servindo uma xícara de café frio, eu percebi que aquele local terrível que eu estava admirando, que o serviço mal feito e o gosto fraco do pó de café desenhavam o único desfecho que caberia a mim. É claro como automaticamente se rejeita alguém que é triste pelo simples fato de o ser. Essa obrigatoriedade que é imposta de sorrir mesmo quando se tem vontade de correr em desespero nunca me convenceu, mas ultimamente vinha me sufocando como aquela falta de ar que a gente sente em locais fechados e cheios de gente que gosta de beber cerveja barata e vinho de supermercado. Andam falando que os meus textos estão tristes demais. Por isso eu resolvi mergulhar nessa esperança de que agosto chegará logo e que a nuvem  estática de julho simplesmente passará. Tirei da gaveta todos aqueles textos antigos, cheios daquelas palavras tortas, e me deu uma vontade tão grande de rir de mim mesma: como eu posso ser assim, tão drástica e trágica? É um terrível filme preto e branco, um monólogo chato onde só eu grito, só eu sinto, só eu sofro. Contento-me em viver de retalhos de uma alma nada nobre e acho que isso é o justo a mim mesma; incremento essa vida com perguntas cujas respostas eu sinceramente não faço a mínima questão de saber. Mas o que seria de um bom sofrimento se não fosse aquilo que sempre te atormenta e consome e destrói? Depois é que a gente percebe que não há nada a ser descoberto ou desvendado. É tal fácil perceber que está tudo aqui em nossas mãos: o café, o colorido do céu, o filme francês, o jornal de ontem, o brownie, o cd de The Smiths... Tudo aquilo que supostamente precisamos para atingir qualquer nível de um contentamento pessoal. Não é preciso sentir tanta falta, acumular tragédias e morrer de saudade. Está tudo aqui, a dois passos, e a cegueira é incrivelmente forte que só possibilita enxergar a beleza das coisas por questões de segundos; logo depois, lá está o peso de julho de novo em nossas costas, como se o mês não fosse acabar semana que vem. Mas ainda assim, medindo e pesando as minhas queixas e cada vez tendo mais certeza que eu deveria parar de boicotar a mim mesmo e ser feliz de uma vez – dar graças a Deus por tudo de bom e justo que vem acontecendo – eu ainda consigo encontrar um sabor delicioso em viver sozinho, amargurado e escrevendo como se isso fosse salvar a minha vida – que nem precisa ser salva, por fim. Cansei de explicar porque sinto esse gozo de me tirar do mundo cada vez que eu me entrego à misantropia, aos livros, às frases clichês e aos sentimentos mais fétidos porque, oras, não há nada a ser compreendido, aceitado ou concordado. É só o meu jeito de ver as coisas e a minha capacidade de me recuperar e dar a volta por cima quando eu cansar dessa arte de viver uma tristeza que não é minha – e quem poderá me julgar por isso? Quem poderá me condenar por não querer viver essa vida perfeita e preferir me sentir humano, vez ou outra, quando percebo que ainda sangro e ainda morro de amor? Assim, sem (querer fazer) sentido ou ter direção, eu escrevi por horas. Sem pensar nada, sem opinião, só mesmo por prazer. Só o puro e incontrolado desenhar de palavras, uma coisa meio sem fim, sabe? Essa vontade incompreensível que a gente tem de colocar tudo imediatamente para fora como se fosse parar de doer – e vemos que não para, mas sobra essa indignação, que também tem que ser mostrada, das coisas infelizmente não serem exatamente como nossa mente imagina, nem para mim nem para o resto do mundo que tenta me encaixar nesses padrões que eu visivelmente não suporto. No tempo que estive aqui, só parei para pensar como as janelas abertas me fazem respirar muito mais fácil. Esse ambiente de paz me faz sentir muito mais que uma simples tranqüilidade; é quase uma possibilidade de libertinagem, de se permitir sem qualquer interrupção, de ser capaz de gostar até do repugnante, de sentar numa cadeira velha e sentir que tudo bem com isso. Tem coisa melhor do que ser viver sem restrições? De viver sem rótulos, sem a necessidade de dizer “estou feliz” ou “estou triste”, de não ter medo de sentir o que for, de não distinguir o choro do sorriso, de não evitar abraçar você mesmo sem vergonha de não ser exatamente o que devia? Ainda não provei algo que me fizesse mais bem, até quando aparentemente faz mal. Mas nos poucos instantes que passei por aqui, notei que a calmaria realmente existe e para chegar lá, basta paciência e um pouco de fé – e isso eu tenho em mim mesmo, e de sobra, acreditem. Basta eu dizer: agora é a hora. 

 Agora, posso ler o meu livro?

* esse texto faz parte do meme "Recicle o título", onde um texto seria produzido a partir de um título colhido de postagem de outro blog.

domingo, 1 de abril de 2012

O tempo passa, mas não passa

Você passou pela porta e eu fiquei acenando da janela, você ficando menor e menor a cada passo, minha mão indo para lá e para cá mais e mais lentamente. Ao cruzar o portão, virou o rosto para me encarar mais uma vez; eu já ia abrir a boca para dizer as palavras mais duras que guardei, mas antes disso você sorri de canto, pisca o olho e me priva de fazer tudo aquilo que já há muito tempo eu deveria ter feito.

Quando não consegui mais te ver, saí da janela e peguei o telefone – talvez você me ligasse. Logo o tic tac do relógio começou a caçoar de mim, mais e mais alto, mas o meu orgulho foi superior e virei a cara sem olhar uma única vez, como se não fosse comigo. Talvez não fosse comigo. Comecei a andar pela casa, liguei e desliguei o rádio para ver se esquecia. Não esqueci. Vaguei até a cozinha, passei um café, passei dias, passei semanas. A gente esquece que o tempo faz essa coisa engraçada com o estômago, essa coisa que não me deixa engolir o café sem você. Encaro o telefone sabendo que não sou corajosa o suficiente para te ligar e admitir o que quer que seja. Um olhar de relance no espelho e a verdade omitida explode no meu rosto: aqui dentro existe uma vontade de te deixar ir embora, te deixar ir para fora de mim – e isso seria culpa sua, completamente sua. É você que parte sem deixar bilhetes nem abraços nem adeus – é você que, entre tudo que poderia me oferecer, escolhe deixar apenas saudade. O problema é que você sempre teve um cuidado muito grande em não me deixar te esquecer. Você que me ensinou a me embriagar de ti até as suas palavras me soarem como arranhões melódicos e o teu cheiro ficar impregnado no travesseiro, nas minhas roupas e na minha memória. Quanto mais eu corro, mas eu te encontro nas esquinas, nos comerciais de TV, na roupa suja espalhada pelo chão do quarto. Vez ou outra alguém me recomenda: pare de cultivar as más lembranças. Como se apenas as más lembranças doessem. Deito no sofá e fecho os olhos. Penso em tudo e em nada, em todas as coisas e em coisa alguma. Acho que cochilo – ou hiberno. Acordo, antes de a vida me dar uma daquelas lições em forma de sonho, querendo saber que ano é hoje. Que ano é hoje e se o café ainda está quente. Que ano é hoje e quando é que você volta. Já não passou da hora de anoitecer?

Abro e fecho um livro. Resolvo que é melhor começar pelas orelhas. Não tenho tempo de ler uma frase inteira, o portão te denuncia. Olho para a porta como uma criança olha um presente. Você entra com o pacote de pão fresco pedindo desculpas pela demora, respondo que não tem problema, que nem percebi. Mas você já sabe que é uma mentira e sorri para ela e para mim.