- Então, acho que é isso... Acho que acabou.
- Eu concordo. Acabou.
- Você vai ficar bem?
Não, nem um pouco, e assim está bom para mim. Se quiser mesmo saber, me sinto plenamente satisfeita em me enterrar no mais profundo desgosto, pela primeira vez sem culpa alguma por minhas reclamações – sem medo de ser julgada de pessimista ou mesmo de fraca, eu me entrego às minhas dores e dedico a elas todo o respeito que merecem. Cansei de subjugar o meu sofrimento como se ele fosse indigno, porque no fim das contas, não são os sorrisos que me oferecem lições de verdade; não são palavras bonitas as que deixam cicatrizes mais profundas e, surpreendentemente, não há uma alegria em minha vida que não carregue em seu passado um punhado de lágrimas e sofrimento. Então não, eu não estou bem e não me sinto nem um pouco culpada por me deixar levar por sentimentos efêmeros – talvez assim eu aprenda que cada dia que eu passo sofrendo me faz acumular um valor imensurável a ser convertido em felicidade.
E eu sempre vou agradecer a cada dia que passei afundada em pessimismo e reflexões; vou agradecer a Caio Fernando Abreu, por chorar minhas perdas; vou dizer ''muito obrigada, Martha Medeiros'' por cada tapa na cara que levei ao ler suas pilhas de verdades; e vou chorar ao som de Oasis, sentindo o meu peito rasgar e sangrar ao cantar don't go away e saber que você não pode me ouvir – e não quero que me ouça: vou lamentar escondido, miudinho, porque eu posso perder tudo, mas a minha dignidade de fachada permanece intocada. Vou sofrer por você, meu bem, com tudo que uma boa decepção amorosa merece.
E se quiser realmente saber, mas eu duvido que queira, eu não estou bem. Mas estou assim porque, quando eu resolver levantar, vou estar muito melhor que antes.
- Ah, vou. Ficarei ótima.
- Eu concordo. Acabou.
- Você vai ficar bem?
Não, nem um pouco, e assim está bom para mim. Se quiser mesmo saber, me sinto plenamente satisfeita em me enterrar no mais profundo desgosto, pela primeira vez sem culpa alguma por minhas reclamações – sem medo de ser julgada de pessimista ou mesmo de fraca, eu me entrego às minhas dores e dedico a elas todo o respeito que merecem. Cansei de subjugar o meu sofrimento como se ele fosse indigno, porque no fim das contas, não são os sorrisos que me oferecem lições de verdade; não são palavras bonitas as que deixam cicatrizes mais profundas e, surpreendentemente, não há uma alegria em minha vida que não carregue em seu passado um punhado de lágrimas e sofrimento. Então não, eu não estou bem e não me sinto nem um pouco culpada por me deixar levar por sentimentos efêmeros – talvez assim eu aprenda que cada dia que eu passo sofrendo me faz acumular um valor imensurável a ser convertido em felicidade.
E eu sempre vou agradecer a cada dia que passei afundada em pessimismo e reflexões; vou agradecer a Caio Fernando Abreu, por chorar minhas perdas; vou dizer ''muito obrigada, Martha Medeiros'' por cada tapa na cara que levei ao ler suas pilhas de verdades; e vou chorar ao som de Oasis, sentindo o meu peito rasgar e sangrar ao cantar don't go away e saber que você não pode me ouvir – e não quero que me ouça: vou lamentar escondido, miudinho, porque eu posso perder tudo, mas a minha dignidade de fachada permanece intocada. Vou sofrer por você, meu bem, com tudo que uma boa decepção amorosa merece.
E se quiser realmente saber, mas eu duvido que queira, eu não estou bem. Mas estou assim porque, quando eu resolver levantar, vou estar muito melhor que antes.
- Ah, vou. Ficarei ótima.