quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Muito tarde para desculpas

Posso soar meio contraditória, eu sei que sim, mas tente me ouvir ainda que, para isso, você tenha que usar uma disposição a compreender incoerências que eu sei que não existe mais – consumi tudo com os meus conflitos internos que despejei em você, sem considerar que nem o seu amor por mim suportaria tantas quebras e reconstruções sentimentais. Enfim, entenda o seguinte: quero lhe pedir, ainda que pela última vez, que confie ao menos nisso, nesse meu surto de sinceridade ao lhe dizer que da minha boca, ah, de mim não há de sair uma única palavra que não seja fantasiada pela mais pura mentira.
Sou uma fingidora, meu bem, e não poderia ser de outra forma. De dentro de mim saem tantos sentimentos que se eu fosse corajosa – porque não nego a minha natureza covarde – a ponto de assumir a todos eles, não sobraria de mim nenhum único pedaço nesse mundo onde vale mais aquilo que você pode fazer do que aquilo que você pode sentir. E quanto a isso, bom, eu lhe digo – acredite – que eu posso sentir muito, posso amar multidões e, ainda assim, manter por você uma profundidade de sentimentos intacta. Mas não sou hipócrita a ponto de assumir qualquer compromisso definitivo, como amor eterno ou amizade infinita – não seria altruísta a esse ponto, de negar a mim mesma em detrimento de outro.
Não tenho interesse em coisas definitivas. Não me imagino daqui a dez anos tendo as mesmas companhias de hoje, os mesmos amores, os mesmos companheiros de risada – quero o novo, tudo mudando o tempo todo, assim como eu, que a cada dia acordo como se a anterior a mim nunca tivesse existido. Quero renovação e não me culpe por isso; me acuse, se quiser, de qualquer falsa esperança que possa ter tido – a isso, sim, se quiser pode me condenar ao grupo dos mal agradecidos, que eu pago a minha penitência sem uma reclamação sequer. Mas seja humilde e agradeça: ainda há tempo de cair fora e esquecer a minha existência inconstante com o pensamento de ''bom, ela me avisou''.

Não me peça para explicar, não tente entender, porque você nunca ficará satisfeito, ainda que eu diga de mil formas que eu me fiz assim muito antes de ter sentimentos por você - enfim, perceberá que ainda que eu possa lhe dizer muita coisa, não quer dizer que eu lhe direi tudo.
E dizer tudo nem sempre é suficiente.

12 comentários:

  1. Vou dar uma olhada no seu projeto depois! *-*

    Beijo

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  2. Olá, Deyse...
    Navegando pela internet, me deparei com seu Blog.
    Muito bom mesmo... Parabéns!
    Queria só de cumprimentar mesmo pelo trabalho, suas idéias e seu bom gosto...
    Estou te seguindo.
    Saudações,
    EDU (http://edurjedu.blogspot.com)

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  3. Gostei do texto! Você sempre demonstra muito sentimentos nele, eu gosto =)

    Beijos ;*

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  4. Gostei da forma que escreve moça ;)

    Quanto ao seu novo projeto, irei contemplá-lo!

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  5. O que importa é que sejamos verdadeiros e colocamos à vista as nossas intenções, os nossos pensamentos e ideias. Se houver esse equilíbrio entre respeito e confiança, talvez possamos entender melhor o lado de cada um, a maneira em que cada um tem de agir, de pensar.

    Não precisamos ser definitivos. A mudança de estações existe para isso, para que possamos voar junto nessas alterações, caminhando em novas rotas, aceitando novos destinos.

    É díficil explicar, e muito pouco seria suficiente para nos fazer entender. Basta apenas que respeitem.

    Beijos.

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  6. Vou passar lá no novo blog! Sucesso com o novo projeto :)
    beijos

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  7. Conforme ia lendo ficava pensando: - Quantas verdades em um único texto! E exatamente isso, todos precisavam ser assim: Mais verdadeiro com os outros e consigo mesmo. E seria melhor ainda se pudéssemos dizer o que esperar e o que não esperamos de uma determinada pessoa e dessa relação, simplificaria tudo e evitaria todo aquele dramalhão do final.
    Assim como você, espero sempre o novo, não necessariamente com outra pessoa, mas quando tudo se torna igual perde a graça, não existe sentimento que consiga sustentar o que está caindo.

    Eu e meus comentários tipo bíblia com você! :P
    E ainda vou ver o seu outro blog...


    P.S.: Se tiver Twitter ou Orkut, me passa! :)

    Beijo linda!

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  8. Essa característica mutável de algumas pessoas é que me encanta. Sou assim também... e gosto dessa intensidade toda das coisas. Vc se descreve desse forma... uma coisa meio que sem rumo. Pessoas assim são especiais.

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  9. Mas Deyse, você é maluca? Eu também tou nessa de projetos paralelos (na verdade meu blog que é paralelo...). Tenho que montar um diário de pesquisa e me desafiei a construir um portfólio.

    E sabe-se lá se vou dar conta.

    Vou dar uma passada no blog :D
    Boa sorte mesmo.

    Beijo!

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  10. Deyse, já estou te seguindo no Twitter (@auauricio). Vou te adicionar no Orkut em casa, aqui no serviço é bloqueado! :P


    Beijo!

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  11. É preciso mesmo lhe tecer elogios? Já passei dessa fase, acabaram meus adjetivos, haha. :)
    Sucesso no novo projeto, acompanharei tudo, como de costume.

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  12. "nesse mundo onde vale mais aquilo que você pode fazer do que aquilo que você pode sentir."

    Qualquer coisa aqui vale mais do que os sentimentos. Sentimentos são ínfimos e passageiros. Me espantei com você argumentando isso como algo ruim se o resto do texto todo fala de uma pessoa que não dá também importância a sentimentos duradouros. Enfim...


    Beijos, a namorada.

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