terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Sejamos sinceros...

Todo fim de ano merece um balanço geral. Ou não. De qualquer forma, não adianta eu narrar como o meu ano foi maravilhoso ou como me deu um trabalhão para as coisas funcionarem, porque são histórias demais que no fim não vão me levar a conclusão alguma. Portanto, nada mais justo que pensar 2010 pelo que eu imaginava que as coisas seriam antes mesmo de 2009 acabar, reavaliando cada um dos pequenos planos que eu elaborei há pouco mais de um ano atrás (25/12/09).

Eis aqui minhas pequenas ilusões:

01. Mudar o meu horário de dormir de 02:00 da manhã para 00:00 e o de acordar de 09:00 da manhã para 07:30;
Bom. Eu mudei de o horário de dormir para 03:00 da manhã e o de acordar para 10:00. Nem precisa comentar o meu fracasso absurdo. Mas tudo bem, porque eu ainda não desisti dessa realização pessoal.
02. Comprar uma cinta e recuperar a minha postura perfeita;
Minha postura anda mais arruinada que qualquer outra coisa na minha vida, só pra constar.
03. Começar a tomar sérios cuidados com o meu cabelo, pele e alimentação;
Eu não corto meu cabelo há meses, meu creme de hidratação tá vencido, meu rosto está borbulhando de espinhas e acabei de jantar uma taça enorme de salada de frutas (com muito leite condensado de cobertura, por favor).
04. Parar com a mania de me arrumar às pressas e sempre chegar em cima do horário/atrasada nos lugares;
Tem algumas coisas que nunca mudam, mesmo.
05. Jamais, nunca e de jeito nenhum deixar novamente para estudar para prova na véspera;
A vitória ainda existe, afinal! Não é que eu consegui? Assim, mais ou menos, né... Agora eu estudo na véspera da véspera.
06. Organizar minhas verbas e começar a dar presentes pros meus pais/amigos no dia do aniversário de cada um;
Olha, eu dei presente de aniversário para duas amigas (isso é quase a metade delas), pro meu namorado (claro!) e para a minha mãe. Melhor que nada.
07. Dosar coisinhas como ciúme e estresse vãos;
Ha-ha-ha.
08. Voltar a escrever. E escrever. E escrever;
Os números não mentem: 42 postagens em 2009 perdendo para 88 em 2010. Lembrando que eu prometi quantidade e não qualidade...
09. Explorar pontos como determinação e gentileza;
Vou ser sincera: insisti, fui teimosa e, graças a isso, eu consegui muita coisa durante todo o ano. Mas graça a ISSO. Tenham certeza que o meu jeito doce e meigo não ajudou lá grande coisa...
10. Controlar o meu jeito mandão e amargurado antes que ele me controle;
Me rendi. O caso é mais sério do que eu pensei.
11. Parar de roer unhas;
Ahá-uhú, minhas unhas estão enormes!
12. Não reprovar nenhuma cadeira na faculdade;
Mais do que isso: esse ano eu fui uma CDF de carteirinha. E o melhor de tudo: boas notas são a chave de qualquer coisa com os meus pais. Um dez no boletim e eu consigo tu-do. Pra quê melhor?
13. Fazer algo de que eu me orgulhe ao menos uma vez por mês;
Algo que eu me orgulhe pode não ser, mas algo que eu me decepcione...
14. Por em prática uma regra de sobrevivência simples: passado nada mais é que passado;
Acho que essa é a mais urgente das minhas resoluções, porque enquanto eu não conseguir isso eu nunca vou ter paz na vida. Mas calma que eu chego lá.
15. Nunca deixar para dizer amanhã algo que eu posso dizer agora – nada melhor que manter as coisas claras, SEMPRE;
Virou o lema da minha vida. Pena que nem pra todo mundo as coisas funcinam assim...
16. Aprender a falar frases mágicas como "eu te amo", ''me perdoe'', ''obrigada'' e ''eu sinto sua falta'';
Gente, isso faz tão bem pra alma! Sério, façam isso vocês também... Não tem coisa melhor no mundo que extravassar todo santo dia essas 4 frasesinhas mágicas.
17. Parar de me lamentar tanto e começar a aceitar que tudo é conseqüência do que eu fiz ou deixei de fazer;
Uma vez reclamona, sempre reclamona.
18. Ler todos os livros que estão na minha estante, mas que eu ainda não sei nem a história;
Todos o da minha estante não, mas os da biblioteca de Direito e de Letras da faculdade eu tô quase lá.
19. Deixar de ser tão imatura, que isso é sempre bom;
Ô coisinha que tá difícil, viu...

20. Viver bem e viver MUITO, porque 18 anos a gente só tem uma vez na vida.
Acho que a resolução 20 nega automaticamente a 19. Fiz 18 anos, continuo dependendo dos meus pais, não ganhei carro, não tirei carteira de motorista e tudo o que mudou foi que, sim, minha pele está mais flácida. Solução? Viver bem e viver MUITO, mas sem esquecer que idade não paga minhas contas, não me garante emprego e muito menos me dá a saúde e forma física que eu preciso.

No mais, sinceramente falando, apesar de ter acertado umas coisas aqui e outras acolá, não vejo que melhorei de forma significativa o meu caráter nesse ano que passou - o que, pra mim, conta mais que qualquer outra mudança. Mas querendo ou não, um novo ano sempre nos dá esse ar de renovação e é atrás disso que eu vou agora.

Ainda estou pensando na minha lista de prioridades para 2011. Algumas antigas vão se repetir, outras novas vão aparecer... E eu vou na fé, porque - que bom - isso nunca há de me faltar.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Um é pouco, dois é bom, três é melhor ainda

Eles têm muito em comum.
Volta e meia, me tiram completamente a paciência. Me fazem, mesmo, acreditar que não tem mais jeito e que a nossa relação escorreu ralo abaixo, para no segundo seguinte me fazerem rir como uma criança feliz – é, eles são meio inconstantes e não guardam mágoa nenhuma, então não me espanto mais se brigarem feio comigo para no segundo seguinte dizerem que me amam. Apesar disso, tenho com eles um caso de amor sério, porque se problemas nunca nos faltaram, carinho foi o que sempre existiu em excesso. Tá que eles são bem irracionais quando querem e fazem uma besteira aqui ou acolá, mas, no fim das contas, são mestres em uma arte maior: me manter aqui, em pé, viva e sem desistir, porque eu não tenho um nem dois... Eu tenho ao menos três motivos pra sempre sorrir.
Disputam pau a pau cada espaço no meu coração, mas no fim eu sei que o maior presente de todos é ter os três comigo, cumprindo fielmente o papel que lhe foi incumbido. A gente tem muita história pra contar: são muitos risos e choros e lições e abraços. São muitas idas e vindas. É muito aprendizado, é muita demonstração de que ''por vocês, eu moveria mundos''. Porque eu o faria em qualquer um dos 364 dias do ano e faria com maior gosto ainda hoje, data que me presenteou com o nascimento daqueles que, em sua maior característica em comum, são os homens mais importantes da minha vida.
Não sei se foi piada do destino, luz divina ou mero acaso, mas hoje eu me sinto triplamente amada, realizada, agradecida e extramente alegre por poder olhar para os lados e saber que eu tenho ao meu lado três caras fantásticos que me apoiam incondicionalmente e que o vão continuar fazendo sempre. É por vocês que eu estou aqui hoje. É com vocês que eu espero estar quantos mais dias na minha vida for possível. E é pra vocês que eu desejo em triplo todo o bem, as realizações e a alegria que me permitiram alcançar.

Ao meu pai, que me ensinou a ser (com muito orgulho) exatamente quem eu sou.
Ao meu irmão, que me prova a cada dia o quão pode ser melhor do que já é.
Ao meu namorado, que faz de mim a mulher mais feliz do mundo.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Amigo invisível blogueiro

Eu tenho um problema sério com amigo invisível. Sério, chega a ser quase um trauma: nunca nos meus 18 anos e 9 meses eu presenteei alguém nesse tal jogo de forma que a pessoa acabasse gostando do presente. Não era por mal, eu juro, mas eu simplesmente não tenho instinto na hora de comprar presente, então acabava escolhendo tudo às avessas e meio que fui ficando mal falada nos grupos dos quais já participei – coitado da pessoa que tivesse o azar de ser tirado por mim. Aí eu desisti: amigo invisível nenhum no mundo teria de novo o meu nome para sorteio.
Até que me veio a proposta da Amanda. Nem preciso dizer que o poder de persuasão dela é divino, né? E eu pensei, veja só, que se eu tiver uma lista com presentes que o meu amigo invisível gostaria de ganhar, se tornaria IMPOSSÍVEL eu dar algo que não seria do seu agrado – apesar de ter certeza que eu escolhi o item que a pessoa menos gostaria de ganhar entre todos, aquele que foi parar na lista por mero acaso e... Enfim. Eu tentei, quero deixar bem claro, mas o destino resolveu fazer uma piadinha porque ele não pode deixar passar a chance de me deixar com cara de palhaça.
Meu amigo invisível é a Luisa. Aí todos pensam: puxa... e daí? E eu respondo: Luisa é a dona do primeiro blog que eu visitei desde que eu criei o meu. E, entre todos os participantes e além de mim, é a única maranhense - eu acho – e eu devo confessar que até essa parte eu tinha achado o destino engraçado de verdade, sem ironias, porque óbvio que tenho um amor todo especial por pessoas do meu estado. Mas aí vem a parte da palhaçada: Luisa mora em Florianópolis, onde faz a faculdade, mas como está de férias, está passando um tempo adivinha onde? Ilha do Amor, Ilha do Reggae, São Luís do Maranhão, muito provavelmente há poucos quilômetros de mim.
No fim das contas, eu poderia ter entregado o presente pessoalmente, mas mesmo sabendo eu dessa parte da vida dela, esqueci completamente do detalhe e, agora, ela só vai receber As Pernas da Tia Corália, de Antônio Prata, quando voltar às aulas, o que com certeza está longe de acontecer. Então, Luisa, me desculpe: foi total desatenção minha, mesmo. E espero que seu presente ao menos já tenha chegado por lá – desconsiderando que as transportadoras andam meio atrasadas esses dias por causa do Natal. Eu escolhi o livro do Prata, entre todos, porque eu tenho um verdadeiro caso de amor com o cara, então espero realmente que seja uma leitura fantástica pra você e que só venha a acrescentar à sua escrita, que já é realmente boa.
Quanto ao meu presente, eu viajo amanhã e ainda não recebi, portanto acho que só verei no ano que vem, quando retornar a São Luís. Quem me tirou deve ter realmente me achado estranha, porque eu só coloquei na lista artigos de papelaria. Mas eu realmente preciso me organizar em 2011 e caderninhos, agendas e caixas organizadoras me serão absolutamente úteis. No mais, foi um prazer fazer parte dessa edição do Amigo Invisível e com certeza estarei nas próximas que virão.

Beijos a todos!

ps.: a foto de canto é a latinha do Guaraná Jesus, o refrigerante rosa do Maranhão. Pra quem nunca provou, eu até posso pensar em mandar umas garrafinhas... Eu adoro!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Tu sabes que não vai passar

Você é idiota. E eu necessito, do fundo do meu coração, que você saiba e tenha consciência e concorde comigo quando eu digo que você e tudo que o envolve é absolutamente ridículo. Porque não tem outra definição pra isso; não tem outro modo de se referir à sua indiferença, ao seu descaso e à pura ingratidão que exala de você. E como eu faço diferente, não? Quantas milhares de vezes eu já não gastei minha saliva, meus argumentos e minha paciência lhe explicando, passo a passo, a não cometer o mesmo erro; a não me ferir assim, porque as cicatrizes já são várias e eu não posso agüentar muito mais. E como você é insistente; como é cruel e me pisa, se aproveita do meu calcanhar de Aquilles e vai lá, e explora todas as maneiras de me fazer cair novamente nesse poço de mágoas e decepção. Não sei onde você achou tamanho gosto pra se colocar nessa situação porque, convenhamos, não é muito comum; erra uma vez é humano, duas vezes é burrice, mas infinitas vezes chega a ser doentio. E se assim é com você, o que dirá de mim, que insisto, insisto e insisto nessa mesma droga de erro que você repete e esfrega como brasa quente na minha cara, ''muito bem, está aí, sua ingênua, continue a perder o seu tempo comigo que eu vou continuar a dançar encima do seu coração''. E que vontade eu tenho de te responder de volta, de gritar o quanto eu gostaria de arrancar todo o amor que ainda assim sinto por você e atirar o mais longe possível para que eu não pudesse jamais voltar a ter sequer qualquer lembrança – mesmo as boas, que ultimamente não têm compensado nem em metade todas as adversidades. E ainda que eu lhe diga isso, a gente chora, se abraça e se perdoa, porque mesmo com tanta estupidez, orgulho e o pouco respeito que ainda resta, fica sobretudo essa vontade de querer fazer o bem – ainda que não saibamos o que é bom ou mau, certo ou errado, melhor ou pior. Fica esse desgosto por ferir o outro, ainda que não façamos nada para remediar ou evitar a situação. Fica esse amor malcuidado, esse sentimento torpe e indigno, essa coisa que não deveria existir, mas que não se sabe como eliminar. Eu sei, é uma forma estranha de comportamento, um jeito incomum de, indiferentemente, se preocupar; um massacre de sentimento, se quer saber, porque estamos sempre querendo ser vencedores de um jogo que não sabemos como ganhar.
Mas ainda assim, continuamos assim – você, que não se cansa do seu vai e vem e eu, que não me canso de pensar ''ah, e quem sabe pode ser diferente'', apesar de achar que não será. Continuamos, em parte, por pura falta de vergonha na cara e por excesso de medo da solidão. Continuamos porque é cômodo, é confortável, é história construída e consolidada – nos conhecemos suficientemente bem, nos suportamos mais ou menos e nos relacionamos de uma forma que varia com nossa boa vontade. Continuamos por apego aos nossos planos, a tudo que foi vivido, a tudo que foi prometido. Continuamos porque ninguém quer ser o culpado, ninguém quer se dar ao trabalho de carregar nas costas a decisão de um término tão sofrido quanto o prolongamento. Continuamos, porque somos um belo par de covardes que se amam da forma mais doída que poderia ser.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Novos velhos tempos

Tenho certeza que nada tem a ver com o ano novo, vida nova, até porque entre todas as pessoas, eu sou a que menos acredita que números diferentes no calendário são capazes de fazer de mim uma pessoa melhor ou pior. Mas é o velho espírito de mudança – aquele meu conhecido que vem, insistente, batendo à minha porta.
Não sei se fui eu que simplifiquei demais ou apenas deixei as coisas tomarem a forma de como realmente são. Alguma coisa ainda me tiram as noites de sono, é verdade, mas a maioria hoje em dia pouco me afeta; deixei o que fosse possível a cargo do meu esforço e o mais improvável, que fosse carregado pela força do tempo. No mais, amadureci uma quantidade de ideias no último ano de uma forma que eu jamais pensei que fosse possível; minha capacidade de separação foi aprimorada de maneira que hoje eu consigo perceber, claramente, quão estúpida eu fui diversas vezes por, simplesmente, não conseguir analisar as coisas pelo ângulo certo.
Pobre de mim, pensei. Que bom que ainda há saída, refleti logo em seguida. Porque, afinal, sempre se pode dar um jeito – sempre. E o que eu quero dizer, apesar dos meus quereres se confundirem de tal forma que eu começo a falar sobre o sol que fazia e termino exclamando sobre como o tempo anda frio que... E cá fui eu novamente. Rotatividade. Círculos, círculos, círculos... Mudança. A mais pura e reconhecível. E mais, porém não somente: a diferença de hoje para todos os outros fins de ano é que vocês jamais voltarão a ouvir por aqui frases como ''é o fim para um novo começo'', porque longe de mim pretender encerrar com tantas coisas que me fizeram bem ao longo do tempo. Só quero me assegurar do que vale à pena cultivar e o que é dispensável. Só quero ter certeza das coisas, essa é a verdade. Tô passando uma peneira em tudo e o que me parecer bem seguro, fica; tudo mais que me for duvidoso, sinto muito, mas adeus, porque de coisas incertas na minha já me basta eu mesma.
Talvez funcione, talvez não; talvez acabe com as coisas de vez, talvez ajude e melhore mais ainda. Tô arriscando, vai saber, porque a ideia é simples: o que é bom, fica; o que me irrita, eu ignoro; o que não me faz falta, eu dispenso. Porque não vou mais desperdiçar um ano inteiro só decidindo entre o que é certo e o que é errado; não vou passar horas analisando a mesma coisa de mil formas ao passo que a solução está escrita em letras grafais e em néon bem na minha frente. E, mais ainda: não vou passar os meus dias sentada, esperando que algo de maravilhoso me aconteça, porque não foi assim que cheguei a lugar nenhum. Quem quiser ir comigo e conseguir me acompanhar, estamos juntos. Quem não estiver nessa, fica aqui o meu último adeus.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Congelei meus desafetos

É meio contraditório oferecer um discurso (ou qualquer outra coisa) a alguém que você não gosta. Mas eu sempre fui muito democrática nas minhas ações e, por isso, eu decidi que até um ser humano que não faz parte de forma positiva de minha vida é digno de umas últimas palavras – ainda que seja para me odiar ainda mais. Uma demonstração final do quanto eu posso ser desprezível, para alguns, ou como posso ser pacífica, para outros.
Sendo que o último, de fato, é o que eu pretendo ser. Só quero fazer a minha parte. E se me perguntarem, isso está sim na minha lista infinita de resoluções de ano novo. Porque? Simplesmente cansei de estragar a minha vida e de borrar com falta de cor os meus dias por causa de pessoas que não merecem um décimo da minha compaixão – cansei de soltar veneno e morrer da mesma causa, de carregar um ódio sem fins lucrativos. Tô farta de me embebedar com verdades e mentiras alheias, de querer saber como anda Fulana, se ela está bem, se ela está feliz, se a gente ainda pode se entender... Porque Fulana não dá a mínima pra mim! E foda-se se eu ainda tenho esperança de eliminar uma pessoa da minha lista de desafetos e transferi-la para a lista de possíveis boas amizades, porque isso é apenas fruto da minha imaginação infantil e retardada que teima em trabalhar em relações unilaterais – re-ci-pro-ci-da-de é o foco e até que isso seja atingido, não faço mais nada além de esperar. Então, admitam, o mais fácil é congelar esse sentimentozinho humano que carrego dentro de mim e que se chama ''vontade de viver em paz com o mundo'' e entender de uma vez por todas que nem todas as pessoas perdoam fácil, esquecem rápido e admitem sua culpa com facilidade – cada um com seu tempo, tic, tac, tic, tac com demora.
Porque tem gente que nunca vai me engolir, assim, de um dia para o outro – por culpa minha, por culpa própria, de Zeuz, Deus, Alá, Hades, tanto faz. E nem é isso que eu peço, desejo ou mais quero, porque ninguém no mundo tem a obrigação de gostar de cada ser vivo que habita a terra – só tô cansada de viver com esse peso nas costas, com essa eterna sensação que tem alguém querendo mais é que eu tropece na escada da faculdade e quebre o pescoço na queda. Sério, existe gente assim – síndrome de perseguição à parte, vivo em um mundo onde é cobra engolindo cobra e você que se acuda se quiser. E de qualquer forma, pouco me importa essas pessoas menores – mas a algumas, só resta a minha eterna vontade de sacudir pelos ombros, encarar os olhos e perguntar ''mas, sinceramente, o que eu te fiz pra você me odiar assim?", mesmo que eu não tenha certeza se quero mesmo saber a resposta.
E, de qualquer forma, é isso que estou tentando deixar para trás. Tentei – mesmo – não ser o diabo do ódio de muita gente. Aquietei o meu gênio, pouco aprontei e deixei a maré se acalmar, navegando pouco a pouco até uma paz espiritual que, infelizmente, tem gente que insiste em não me deixar ter. Para esses poucos – e bobos – eu deixo como último sentimento a minha mais profunda pena. Felizmente e a duras penas, um dia eu entendi que odiar as pessoas e desejar a sua profunda infelicidade não vai fazer de mim alguém mais amada e alegre – só vai me consumir, consumir e consumir, até que um dia não reste mais nada de mim. E ser indiferente com as pessoas? Bom, eu nunca fui boa nisso e não acho que exista alguém que seja. Indiferença, pra mim, é bomba-relógio. Então, finjam que eu não existo. Sigam em frente nesse caminho sem jeito, porque eu vou viver a minha vidinha, sem me preocupar com a existência pesada que qualquer um venha a me oferecer. E não, isso não é ser passivo à minha maneira – isso é esperar na serenidade que, um dia, todos percebam, como eu, quão estúpida é a arte de eliminar pessoas da própria história – pessoas que poderiam ser importantes pra você, que poderiam lhe ensinar algo bom e que, querendo ou não, já lhe são inesquecíveis.
Talvez, um dia, alguém venha até mim para dizer o mesmo que hoje eu digo. E a minha resposta vai ser o meu melhor sorriso.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Minha redenção

Não é querendo me justificar e tão pouco estou tentando oferecer um discurso autoconvincente para que eu me sinta melhor diante das situações; esse tipo de tática nunca funcionou comigo e, (in)felizmente não é em uma situação assim que vai começar a valer. Eu sei perfeitamente bem que nada – nada – justifica algumas manias minhas – e aqui eu destaco o que chamo, até com certo humor, do lado negro da força. Não sei, mas essa força negativa que não me deixa acreditar no melhor de ninguém – e eu me incluo nesse rol de pessoas que são desacreditadas – é hoje o que mais me incomoda. Teimosia, orgulho, preguiça, arrogância? Esses defeitos de multidões eu abraçaria com vontade, se não fosse a minha grande capacidade de repugno que assustadoramente só cresce. E não pensem que é justificável ou apenas fruto de um conjunto de más relações pessoais que hoje me fizeram assim, porque eu duvido que haja no mundo alguém que tenha tido mais chances de estar bem servida de amores e amizades – e, ainda assim, não estou.
Prefiro me enterrar na maldita bolha sufocante, onde ninguém me atinge, me fere ou me decepciona – mas também não me abraça, beija ou conforta. Esquema de pesos e contrapesos, eu pensei, até finalmente me dar conta que nesse equilíbrio muito mal feito, quem saia perdendo em excesso era apenas eu. E agora, como faz para não ser assim, logo depois que eu já fundamentei todas as possíveis boas relações que me foram oferecidas em apenas ''boa noite, como você está?''? Acho que seria muito estranho se a coração de pedra aqui um dia acordasse e saísse por aí, pedindo um abraço de todo mundo e dizendo que, gente, eu preciso de amor tanto quantos vocês – só que ninguém vê, ninguém vê, nem eu via.
E agora faz assim, eu do lado de cá, outros tantos do lado de lá e vamos meio que assim, afundando sem nos dar contar – sufocando em água fervente possíveis boas amizades, alguns amores passageiros e paixões ardentes que eu preferi não ter, preferi não arriscar – tudo pra não sofrer, sem saber eu que a cada choro que evitava eram dezenas de risos a menos a serem compartilhados. Não sei, não sei. Talvez a vida tenha me feito assim, talvez eu tenha me construído metade pedra metade areia, talvez meu coração de ferro esteja derretendo. Não sei, não sei. Mas ninguém nunca me garantiu que um dia eu saberia.