Você é idiota. E eu necessito, do fundo do meu coração, que você saiba e tenha consciência e concorde comigo quando eu digo que você e tudo que o envolve é absolutamente ridículo. Porque não tem outra definição pra isso; não tem outro modo de se referir à sua indiferença, ao seu descaso e à pura ingratidão que exala de você. E como eu faço diferente, não? Quantas milhares de vezes eu já não gastei minha saliva, meus argumentos e minha paciência lhe explicando, passo a passo, a não cometer o mesmo erro; a não me ferir assim, porque as cicatrizes já são várias e eu não posso agüentar muito mais. E como você é insistente; como é cruel e me pisa, se aproveita do meu calcanhar de Aquilles e vai lá, e explora todas as maneiras de me fazer cair novamente nesse poço de mágoas e decepção. Não sei onde você achou tamanho gosto pra se colocar nessa situação porque, convenhamos, não é muito comum; erra uma vez é humano, duas vezes é burrice, mas infinitas vezes chega a ser doentio. E se assim é com você, o que dirá de mim, que insisto, insisto e insisto nessa mesma droga de erro que você repete e esfrega como brasa quente na minha cara, ''muito bem, está aí, sua ingênua, continue a perder o seu tempo comigo que eu vou continuar a dançar encima do seu coração''. E que vontade eu tenho de te responder de volta, de gritar o quanto eu gostaria de arrancar todo o amor que ainda assim sinto por você e atirar o mais longe possível para que eu não pudesse jamais voltar a ter sequer qualquer lembrança – mesmo as boas, que ultimamente não têm compensado nem em metade todas as adversidades. E ainda que eu lhe diga isso, a gente chora, se abraça e se perdoa, porque mesmo com tanta estupidez, orgulho e o pouco respeito que ainda resta, fica sobretudo essa vontade de querer fazer o bem – ainda que não saibamos o que é bom ou mau, certo ou errado, melhor ou pior. Fica esse desgosto por ferir o outro, ainda que não façamos nada para remediar ou evitar a situação. Fica esse amor malcuidado, esse sentimento torpe e indigno, essa coisa que não deveria existir, mas que não se sabe como eliminar. Eu sei, é uma forma estranha de comportamento, um jeito incomum de, indiferentemente, se preocupar; um massacre de sentimento, se quer saber, porque estamos sempre querendo ser vencedores de um jogo que não sabemos como ganhar.
Mas ainda assim, continuamos assim – você, que não se cansa do seu vai e vem e eu, que não me canso de pensar ''ah, e quem sabe pode ser diferente'', apesar de achar que não será. Continuamos, em parte, por pura falta de vergonha na cara e por excesso de medo da solidão. Continuamos porque é cômodo, é confortável, é história construída e consolidada – nos conhecemos suficientemente bem, nos suportamos mais ou menos e nos relacionamos de uma forma que varia com nossa boa vontade. Continuamos por apego aos nossos planos, a tudo que foi vivido, a tudo que foi prometido. Continuamos porque ninguém quer ser o culpado, ninguém quer se dar ao trabalho de carregar nas costas a decisão de um término tão sofrido quanto o prolongamento. Continuamos, porque somos um belo par de covardes que se amam da forma mais doída que poderia ser.
Mas ainda assim, continuamos assim – você, que não se cansa do seu vai e vem e eu, que não me canso de pensar ''ah, e quem sabe pode ser diferente'', apesar de achar que não será. Continuamos, em parte, por pura falta de vergonha na cara e por excesso de medo da solidão. Continuamos porque é cômodo, é confortável, é história construída e consolidada – nos conhecemos suficientemente bem, nos suportamos mais ou menos e nos relacionamos de uma forma que varia com nossa boa vontade. Continuamos por apego aos nossos planos, a tudo que foi vivido, a tudo que foi prometido. Continuamos porque ninguém quer ser o culpado, ninguém quer se dar ao trabalho de carregar nas costas a decisão de um término tão sofrido quanto o prolongamento. Continuamos, porque somos um belo par de covardes que se amam da forma mais doída que poderia ser.
Adoro como vc entrelaça as palavras!!! formam sempre um conjunto sonoro e delicioso de ler! fico imaginando vc recitando td isso!!!
ResponderExcluirSe há amor... é por isso que há o "dois".
ResponderExcluirBom jeito de escrever as palavras !
Me lembrou uma música da Sandy uhauahua 'Estranho jeito de amar'.
ResponderExcluirBelas letras pra descrever algo triste e realista, Deyse.
Amar nem sempre é o que parece ser. E como você mesma disse, ninguém quer carregar o fardo nas costas. Me sinto culpada até hoje por ter terminado um relacionamento, fico imaginando como seria se eu tivesse insistindo um pouco mais... A verdade é que não importa qual caminhamos seguimos, sempre temos que deixar de lado alguma escolha. Sempre assim. Ao me lembrar disso, paro de lamentar.
Imenso beijo.
Olá Deyse,
ResponderExcluiracabo de encontrar seu blog e fiquei fascinada com seu modo de escrever. Você escrever trechos bem impactantes e que ficam guardados conosco. Parabéns!
Xêro.
Quando eu olhei, pensei: ai, texto grande demais.
ResponderExcluirMas, menina, tu escreves bem demais que o texto passa num piscar de olhos.
'braços, moça.
*Adorei o blog a lá Los Hermanos com uma pitada de Teatro Mágico. Curtes música boa. (:
Muito bom (: Gostei msm. Sei comoé.
ResponderExcluirTb sou do tipo que insiste e insiste, sempre mais. É uma coisa... :s Mas tá né, chega a ser agradável :b Cair e levantar com um certo conforto.