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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

She's so contagious

Pra você, querida Anna. 

Hoje é terça-feira, minha cara amiga, e eu até quis telefonar, mas a tarifa não tem graça e morar longe de você custa caro. Custa caro manter essa distância Maranhão – Minas Gerais, que não dá para atravessar nem de moto nem de camelo. Tem sido um inverno longo, frio e solitário, mas hoje eu espero que você saiba que estou exatamente aí, do seu lado. 

E mesmo sem te ver acho até que estou indo bem, fazendo o que posso para diminuir a saudade que me atinge em cheio em dias como hoje, feito mar quando quebra na praia e leva tudo consigo. Quero que saibas que me lembro do teu sorriso, cada um dos que vi pessoalmente, e que os guardo comigo e os relembro quando quero aquecer o coração. Você é uma menina que me ensinou quase tudo que sei sobre ser gentil, sobre amar as pessoas, sobre ver o lado florzinha do mundo, sobre acreditar que Deus escreve certo por linhas certas. Você veio para enfeitar minha vida, dizer que será tipo festa sem fim. 

Sábios em vão tentarão decifrar o que se passa na minha mente quando me pergunto "o que de bom desejo à Anna?". Não consigo enumerar tudo, mas sei de algumas coisas. 

Quero que queime as lágrimas, cante mais alto, torça e grite. Tome fôlego. Não se afobe, não, que nada é pra já. Não caia nesse mundo despedaçado em torno de você. Não pare de pensar. Não pare de sentir. Escolha uma música triste e a faça melhor. Pegue um sorriso e ponha na face da tristeza. Tenha força, tenha força e tenha força – assim, repetido três vezes, que é para você não esquecer nunca. Tenha fé e se agarre a Deus, pois junto a ele é quando você descobre do que é feito seu coração. E se você está esperando alguém com quem realizar as coisas, você não sabe que essa pessoa é exatamente você? Comece por si mesma. Seja aquilo que você quer ver no outros – porque só assim, acredite, você verá. 

Sei que às vezes a idade nos trás o peso de olhar o passado e pensar no que já foi construído. Sei também que a gente tá engolindo cada sapo no caminho. Mas se isso deixar o seu coração mais leve nos momentos de angústia, pensa que a gente segue nessa vida se amando que, também, sem um carinho ninguém segura esse rojão. Ninguém nasce sabendo como ter 18, 19, 20 anos, mas você pode aprender com o tempo. E temos todo o tempo do mundo. 

Fique sabendo de ti que não me esquecerei, porque amores são sempre amáveis. 

Amor é tudo que você precisa. E você o tem.

ps.: juro que não sei a lista de todas as músicas que usei para compor o texto, mas aqui tem The Beatles, Vanguart, Switchfoot, Legião Urbana e Chico Buarque.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

One and only

Dia 25 é dia de postar fotos do meu desafio fotográfico com a Analu aqui no blog. Quem acompanhou mês passado sabe que todo dia 25 durante esse ano vamos postar fotos com temas de demos uma para a outra. Estou começando a achar que não sou muito boa nisso de tirar fotos para que elas se encaixem em um tema específico, porque ainda não fiquei inteiramente satisfeita com as minhas, mas nem penso em desistir agora que já estou no caminho. Para fevereiro, eu dei como tema para a Analu uma música - Eduardo e Mônica, Legião Urbana - e o resultado você já pode conferir no Minha vida como ela é. Por minha vez, recebi “One and Only”, uma música da Adele que eu nunca tinha ouvido até um mês atrás, mas que de lá pra cá não para de escutar – uma coisa meio para entrar no clima, sabe? A verdade é que, olhando a letra da canção, desde o início não tive dúvida do que fazer. 

Fernanda e Leonardo são um dos meus casais favoritos na vida. Ela estudou Letras comigo e é uma das minhas melhores amigas. Óbvio que não posso entrar em detalhes, mas a história deles combina muito com a música. Isso de que “God only knows why it's taken me so long to let my doubts” e “Will I ever know how it feels to hold you close and have you tell me whichever road I choose, you'll go?”, assim como todo o resto da letra, resume muito o que eles passaram para ficar juntos. E agora já estão com planos de casamento! Como a Fernanda já me pedia há tempos para fazer umas fotos do casal, uni o útil ao agradável e, confesso, esse mês foi mais difícil escolher apenas 4 fotos.






Para quem quiser ver as outras fotos do ensaio, até amanhã postarei no meu Flickr.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Meus convidados de honra

Vou confessar uma coisa que, na verdade, não é segredo pra ninguém: se eu pudesse, deixava de viver a minha vida para viver a de alguns personagens da ficção. Ou, no mínimo, teria vários deles como amigos, confidentes e desafetos, claro. Por razões óbvias, tenho que me contentar com a minha própria história, mesmo - o que nunca me impediu, é bem verdade, de ter os sonhos mais mirabolantes que nem conto de tão vergonhosos, envolvendo personagens de tudo quanto é livro que eu já li. Por isso, não preciso nem dizer como, ao invés de estudar ou dormir, passei parte da madrugada planejando animadamente a lista dos meus convidados para o "Jantar literário".

Quando eu vi que estava rolando essa tag e que tinha sido indicada pela Analu, eu me controlei para não assistir o vídeo de ninguém conhecido, para que eu pudesse pensar só comigo nas minhas repostas. Daí o que eu fiz? Fui no youtube e pesquisei o vídeo de uma desconhecida para pegar as perguntinhas que tinha que responder - armei todo um plano contra influências nas minhas respostas, percebam. Fiz a minha lista e o roteiro do vídeo e fui lá, feliz da vida, ver o de todo mundo. Mas como quem ama junto pensa junto, acabou que a minha lista tem semelhanças em relação às da Rafinha, da Annoca e da Tary. Amizade tem dessas coisas, mesmo. Acabou que eu mudei uma resposta, como vocês vão ver no vídeo, para não ficar tão igual. Mas tem outras respostas que eu jamais conseguiria pensar diferente - simplesmente tinham que ser. Então, com vocês, meu ''Jantar literário": os personagens da ficção que eu escolheria para jantar comigo. 


Ps.: estou com mil olheiras e parece que um trator acabou de me atropelar, mas se eu fosse esperar ficar bonita pra gravar o vídeo não ia sair nunca – e o frevo já teria passado, né? Não tem graça foliar sozinha.

Eu nunca indico ninguém, mas essa tag eu gostaria especialmente que a Larie e a Thay respondessem, em vídeo ou em texto.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O doce mais doce

... do que o doce de batata-doce. Vocês conhecem essa música, admitam.

Agora falando sério.

Vou contar uma coisa pra vocês: quando chego a um lugar sem minha câmera fotográfica, a primeira coisa que me perguntam não é quais são as novidades ou como estão indo as coisas, mas sim “por que não trouxe a câmera?”. Eu perco a noção do mundo que não está na minha lente - não é à toa que tenho sempre que levar companhia quando saio pra fotografar, pra essa pessoa cuidar para que eu não seja assaltada, atropelada ou caia em um buraco. Por esse motivo e tantos outros foi que, quando a Analu me chamou pra participar desse projeto, eu tive certeza que ia ter que arrumar um tempo nessa vida louca para cumprir essa meta. 

A proposta é aparentemente simples: a gente dá temas uma para a outra e no dia 25 de cada mês postamos fotos com esse tema no blog. Digo “aparentemente” porque o primeiro tema que a Analu me deu, que foi “doce”, me fez queimar uns bons neurônios pensando no quê fotografar. Obviamente eu não poderia simplesmente sair fotografando petit gateau por todos os restaurantes da minha cidade, já que essa foi uma regra que veio anexada ao meu tema. Veja bem, a pessoa te dá o tema “doce” e diz que você não pode fotografar comida... Quão errado isso é? 

Então me perguntei: o que de doce, além das gordices, existe na minha vida? As respostas foram muitas, claro, porque só em pensar em todas as pessoas que tornam minha rotina mais doce eu teria fotos o suficiente para publicar pelo resto do ano. Para não acabar sendo injusta, eu resolvi então pensar no que de mais doce surgiu na minha vida nos últimos tempos. Nesse caso, meus amigos, a resposta tinha que ser uma só. 

Foi numa tarde de sábado em que eu estava procrastinando como tão bem sei fazer que tive essa ideia, assim, absolutamente do nada. Simplesmente surgiu na minha cabeça. Disse pro meu namorado que queria ir numa loja aqui da cidade que vende todo tipo de bichinho - pássaros, cobras, esquilos, ratos, cachorros, enfim - e ele me levou até lá. No meio dessa arca de Noé toda, lá estava ela. Só 1 mês de nascida, encolhida num cantinho, coberta por um monte de maravalha. Não sei se existe amor à primeira vista entre humanos, mas entre uma humana e uma hamster, com certeza existe. 

Ela chama Hazel por conta da personagem de “A culpa é das estrelas”, sim. Já me mordeu umas duas vezes, mas eu não guardo rancor. Aliás, quando chega visita aqui em casa eu digo logo que ela é mansinha e que pode segura-la sim, porque é bom pegar no pelo macio e sentir o seu coração pequeno pulsando. Só não vale cutucar a bichinha quando ela tá dormindo ou comendo. Quando saio de casa às 8h da manhã e chego às 22h, só ela pra me acalmar: entro no meu quarto, olho-a brincando na gaiola e se torna impossível ir dormir de mal-humor. 

Por falar em dormir, sabiam que hamsters têm hábitos noturnos? Então a primeira coisa que ela me ensinou foi que isso de querer dormir o dia todo e passar a noite acordada não acontece só comigo. Para não mantê-la sempre presa e fazer com que se acostume com pessoas, às vezes eu a solto em casa. Nisso, ela já se escondeu debaixo do sofá, atrás da geladeira e até fez buraco nas minhas roupas. Mas não tem como amar, nem que ela roa até a minha última blusa. Só em ter aquele bichinho minúsculo e indefeso em minhas mãos e sentir quanta vida ela tem... Vou até parar por aqui senão eu choro. 

Com vocês: a criaturinha mais doce que existe. A minha Hazel.


Você olha essa foto e pensa: que bonitinho, ela fica na caneca.
Mentira, não fica nada. Deu um trabalhão tirar essa foto.
Hazel faz isso com as patinhas quando está se preparando para se
dar um banho. Quase pego a menina em um momento íntimo.

Óbvio que ela não sabe diferenciar o que se pode roer ou não.
Ela viu e achou bonito, já mostra os dentes.
Por fim, Hazel tentando subir na pilha de livros, porque na vida
passada ela foi uma macaca e adora ficar se pendurando nas coisas.

ps.: as fotos não ficaram muito boas, admito, porque esses dias têm chovido bastante e a iluminação do meu quarto fica péssima com o céu nublado.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Vida eterna aos sonhos

Há muito tempo eu sonho em conhecer a Europa - digamos que desde a época em que eu ficava em êxtase quando via uma loja da Lilica Ripilica, não da Zara. Não sei bem explicar de onde surgiu esse amor todo. Sempre fui fascinada por mitologia grega, então acho que a origem disso, bem como de quase tudo no mundo, saiu daí. Segundo meu namorado, eu simplesmente gosto de qualquer coisa que tenha mais de um século. Não sei. Não importa. É fascinante mesmo sem motivos aparentes, sem explicações pautadas em descendência familiar ou qualquer outra coisa do tipo. Eu simplesmente olho para o velho continente e automaticamente suspiro. É o meu amor platônico mais antigo. Em breve, não mais. 

Dia desses meu pai estava num estado de raro bom-humor e eu, como quem não queria nada, aleatoriamente comentei que seria legal, aproveitando a queda cambial do real em relação a libra, aproveitar para fechar contrato com a agência de intercâmbio que venho de olho há um mês. Foi tiro certo – gente, pedir coisas pro meu pai quando ele tá de bem com a vida é maravilhoso, vocês não têm noção. Ele sacou o cartão de débito e entregou ali, nas minhas mãos, o primeiro passo para realizar o meu sonho com maior histórico de "deixa pro ano que vem". Corri para banco antes que meu pai se desse conta do que estava fazendo e depois de 5 minutos no caixa eletrônico lá estava eu, com comprovante de pagamento em mãos, sem saber como sobreviver pelos próximos 5 meses até finalmente embarcar. Eu sei que eu pareço um juvenil falando assim. 

Quantas pessoas com 20 anos, duas graduações caminhando e um estágio nas costas sonham em fazer curso de inglês fora? Poucas, eu aposto. Mas não creio que o problema esteja comigo. Hoje em dia os sonhos envelhecem rápido, essa é a verdade. Quando você passa dos 12, não ganha aquele presente que queria tanto no dia das crianças; quando passa dos 15, você ser decepciona com a melhor amiga e começa a achar que ninguém no mundo é sincero; passou dos 18, então, você já é maduro demais para acreditar em príncipe encantado. Digo que vou fazer intercâmbio e as pessoas perguntam se não vou perder meu estágio por isso. Falo que vou juntar dinheiro para comprar cosméticos e todos me mandam economizar para comprar um carro. 

Não quero que meus sonhos morram na mão dos homens ou das circunstâncias. Não quero me deixar contaminar pela dureza dos dias dessas pessoas cuja única perspectiva é o mundo real. Quero mesmo é fantasiar as minhas lembranças de menina, que no passado tanto sonhou em abrir asas e ir longe. Hoje, eu moro só, cuido do meu irmão como um filho e todo mês faço supermercado e pago contas; nas férias, eu vou passar um mês viajando com mochila nas costas, com pouco dinheiro no bolso e com a melhor e mais aventureira companhia que poderia ter. E quando eu chegar em Londres, o mundo vai sorrir pra mim. Vou fazer festa quando comer meu primeiro macaron em Paris, vou comer chocolate em Bruxelas até enjoar, vou passear por Amsterdam inteira só de bicicleta e, quando olhar o primeiro castelo de Edimburgo, vou mesmo acreditar que mágica existe. E só não vou na Grécia porque ela envolve um sonho meu ainda mais clichê que intercâmbio. E sabe do que mais? As pessoas mais felizes do mundo não são as com data marcada para tudo, com tempo limitado para todas as conquistas, que alcançaram apenas o mínimo; com conhecimento de causa, eu digo que as pessoas mais alegres, mais completas, mais fantasticamente humanas, são aquelas que, não importa quando, viram um sonho se tornar real.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Moços para os quais eu diria "sim"

Há algum tempo a Rafinha trouxe uma ideia de um meme que meu coração não estava pronto pra responder no momento. Depois de muito enrolar, eu, que dou tanto sentido à existência do termo ''amores platônicos'', fui incumbida, por intimação da Taryne, a listar os 10 caras fictícios com os quais eu casaria – e aqui o meu namorado torce o nariz, porque ele acha um absurdo eu praticamente traí-lo com moços perfeitos que, por consequência, nem existem. Nem preciso citar que a lista não está em ordem de preferência, porque fazer isso estaria além da minha capacidade. 

Ps.: para o post não ficar maior ainda, eu suprimi as fotos dos moços. Para checar o material de apresentação deles, porém, basta clicar no nome de cada um. 

01. Cricket Bell, de Lola e o garoto da casa ao lado 
Cricket entrou na minha vida há pouco tempo, mas desde a primeira folha do livro em que aparece foi tratando de mostrar a que veio. Não teve outra: tive que destinar um lote do meu coração a esse moço. Sabe o cara que se desloca meio mundo para estar com você em um momento importante da sua vida? Que te incentiva quando ninguém acredita em você? Que deixa claro que não desistirá de vocês e que estará ao seu lado quando você, até então cega e retardada, finalmente reparar que ele é o cara da sua vida? Que é o tipo de cara que seus pais amariam como genro? Então, o Cricket é isso tudo, mas também é inteligente, tem um humor ótimo e se veste maravilhosamente bem. Se existe um pacote completo no mundo, esse pacote é Cricket Bell. 

02. Étienne St. Clair, de Anna e o beijo francês 
O único defeito do Étienne é não existir. Étienne é o namorado que antes de tudo é melhor amigo; se preocupa em não magoar as pessoas, tem o melhor senso de humor que eu já vi, é irônico e ainda te leva pra fazer passeios incríveis por Paris. Já falei que ele tem sotaque britânico? É popular porque é simpático, não porque se sente superior aos outros. Isso tudo já é motivo suficiente para amá-lo, mas acrescente aí que ele adora História, cinema e tem muitos, mas muitos LIVROS no seu quarto – e não basta ter livros, mas ele gosta de ler. 

03. Mark Sloan, de Grey’s Anatomy 
Mark, à primeira vista, é exceção a tudo que eu espero de um homem. É metido, um tanto arrogante, tem várias fases em que é mulherengo e (spoiler) uma filha crescida que aparece do nada e só serve pra atrasar a vida de todo mundo. Mas, acima de tudo, Mark Sloan é o tipo de cara que se transforma quando se apaixona. Ele se entrega sem medo e não mede palavras quando quer se declarar; ele sorri de um jeito que te desmonta e se houvesse um dicionário ilustrado, ao lado do adjetivo ''charmoso'', teria uma foto desse homem. E a voz? E aqueles olhares? E o senso de humor? Mark Sloan, você está de parabéns. 

04. Damon Salvatore, de The Vampire Diaries 
Tava faltando um homem errado nessa lista e quem melhor para cumprir esse papel que Damon Salvatore? Ele é arrogante, irônico, tem um humor negro terrível, não é nada altruísta e ainda por cima se apaixonou descaradamente pela namorada do irmão – duas vezes. O que ele tem de tão bom, afinal? O fato de ele ser capaz de esquecer tudo isso em favor da mulher que ele ama, claro – mas só em favor dela, porque em relação aos outros ele continua sendo um cínico. Se você acha que nem uma vez na vida irá se apaixonar por um cara completamente errado, te desafio então a sobreviver a um dos sorrisos de canto de boca do Damon. 

05. Seth Cohen, de The O.C. 
O primeiro de todos os meus amores dessa lista e, se dura até hoje, é porque alguma coisa certa o Seth Cohen fez na vida. Se alguém até agora tinha dúvida que a característica número 1 de um cara, para mim, é o bom-humor, então Seth Cohen põe abaixo essa dúvida. Além das tiradas mais fantástica do mundo, ele também foi o primeiro a me conquistar pelo bom gosto, especificadamente o musical, e pelo estilo – gente, o que são as camisas do Seth? Depois de amá-los todas as temporadas de The O. C., descobri que ser lindo, pra ele, é apenas um bônus. 

06. Jackson Avery, de Grey’s Anatomy 
Avery está aqui porque assustadoramente, na atual temporada de Grey’s Anatomy, o cara se revelou um aprendiz e tanto de Mark Sloan. Obviamente que seus olhos verdes, olhar penetrante e a mania de aparecer sem camisa ajudam, mais o moço também está se saindo um belo cavalheiro, um senhor muito atencioso, super inteligente e um companheiro para todas as horas. Se existe um príncipe capaz de existir no mundo real, este seria Jackson Avery. 

07. Percy Jackson, de Rick Riordan 
Eu sei que pareço uma pedófila dizendo que me casaria com um jovem semideus de 17 anos. Mas Percy Jackson é a exata prova de que meu coração ainda é juvenil e que, principalmente, não existe idade para ser um cara apaixonante. Percy Jackson faz por Annabeth uma pá de coisas que eu não reclamaria que ele fizesse por mim: enfrenta a mãe da menina que, além de Deusa da Sabedoria, é bem ranzinza; fica morto de preocupação cada vez que Annabeth se machuca; planeja uma vida inteira ao lado dela e, como se não bastasse, ainda segue, escondido, em uma missão quase suicida só para salvá-la do perigo. Percy, você tem muito o que ensinar a esses rapazes crescidos. 

08. Tom, de O melhor amigo da noiva 
O Tom é interpretado pelo Patrick Dempsey, comecemos por aí. Junte com isso o fato dele ser o melhor amigo do mundo, ser super prestativo, extremamente simpático, ser um cara de atitude, não desistir da mulher amada nem quando ela está noiva e, por fim, atravessar meia Escócia só para dizer que a ama. Não é à toa que este filme está entre os meus favoritos – todo mundo precisa de uma dose do Tom, vez ou outra.  

09. Peter Parker, de Spider-Man 
Eu sempre fui fã do Peter Parker dos quadrinhos, mas o dos filmes só arrebatou mesmo meu coração quando o Andrew Garfield entrou em cena. Queria eu poder citar algum momento ideal desse rapaz, mas eu simplesmente não consigo escolher a melhor entre todas as cenas em que ele aparece. Aquele sorriso errado, aquele jeito solto, aquele cabelo bagunçado... Enfim, tudo no Peter do Garfield simplesmente te faz ficar arrepiada. 

10. Tom Hansen, de 500 dias com ela 
Eis aqui o mais mocinho entre todos da lista. O objetivo de Tom Hansen no mundo era simplesmente amar e ser correspondido, mas parece que isso nunca vai acontecer. E tem coisa que derreta mais o coração que um homem sofrendo por amor? Anote a isso o jeito desengonçado, o ótimo gosto musical, o talento para desenhar e o fato (suspiro) de sua melhor amiga ser sua irmãzinha. Se Tom Hansen não é moço pra casar, não sei mais quem seria. 

Menções honrosas: 

Augustus Waters, de A culpa é das estrelas: Augustus teve (spoiler) o disparate de morrer e me impedir de sonhar com ele no altar, mas se eu cometesse o erro de esquecê-lo ele jamais me perdoaria. Gus é sensível, é entregue à vida, não perde a oportunidade de fazer e dizer o necessário, realiza os sonhos da Hazel como se também fossem seus e carrega declarações de amor até por trás de um simples “okay”. É, Gus, não tem como você não viver dentro do meu coração. 

Alex Karev, de Grey's Anatomy: outro tipo de cara que você acha que é incorrigível até encontrar uma mulher que o faça ver que a vida não é tão ruim quanto ele pensa. Além de ter um físico muito agradável de se olhar (pra não dizer que ele é gostoso), Karev tem uma alma muito frágil e que já sofreu tanto, que a única vontade que você sente é de por ele no colo e cuidar até todas as feridas sararem. É difícil alcançar o coração desse moço, mas se você o fizer, acredite, a recompensa será grandiosa.

Felizmente para o meu namorado, nenhum desses caras algum dia vai bater na minha porta. No final das contas, vou casar com aquele que há muito tempo também me acompanha e que mereceria um texto muito maior que esse narrando todos os motivos pelos quais me convenceria a subir no altar. Mas a fantasia tem sempre a vantagem de existir, nem que seja para nos mostrar que esses sonhos apaixonantes, uma hora ou outra, chegam a se tornar reais - e quando isso acontece, pode apostar, é muito melhor.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Aproveita que eu acordei feliz

Porque não é todo dia. Assim como não é todo dia que eu viajo 2992km, chego saltitando em um aeroporto e sou recebida com plaquinhas de identificação. Não é todo dia que banho com medo de molhar o banheiro e janto pizza até desmaiar de sono na melhor cama de edredom do mundo. Não é todo dia que eu acordo com ordem pra estar de pé antes do pão chegar à mesa, que como aquele bolo de chocolate (fofinho e com cobertura escorrendo pelos cantos, sabe?) no café da manhã, que misturo pão de queijo e mortadela.

Não é todo dia que alguém cuida do meu pé ferido, que me espera quando eu não acompanho o ritmo, que carrega as minhas coisas quando eu já estou a cara da derrota. Não é todo dia que alguém me dá colo quando faço burrada na balada, não é todo dia que alguém diz o quanto gosta de mim assim, sem eu ter feito nada de especial. Não é todo dia que alguém me adota só porque eu reclamo no meio da estação de metrô que não tenho mãe. Não é todo dia que é 26 de dezembro.

Mas devia, tudo isso, em looping infinito.

Porque todo dia deveria ser Renata Day. Ou todo mundo deveria ter, todos os dias, um pouquinho da Renata – como eu tenho. Ao menos uma vez na vida, alguém deveria receber um Abraço dela – Abraço de verdade, daqueles que quase ninguém mais dá, porque hoje em dia Abraço virou “bom dia” dado por cortesia. O dela não. Você tem que batalhar pra conseguir um Abraço dela. E a confiança? Vixe, põe tempo até ela deixar de achar que você é fake. E quando ela diz “eu concordo com você”? Bate aquela emoção no peito, aquele orgulho de que, por ao menos um milésimo de segundo, a Renta madura, organizada e responsável concorda com você. E quando ela ri de algo que você falou ou adora uma ironia sua? Soltem fogos de artifício, porque a Renata engraçada, rainha do sarcasmo, a Deusa-mor das tiradas fantásticas te achou (pausa dramática) divertida.

A verdade é que eu queria muito que a Renata gostasse de mim – louco é quem não quer. Quando viajei para conhecê-la, meu maior medo era que ela me olhasse, mandasse a Pandora me arranhar e depois me atirasse pelo 22º andar, gritando “você não é nada do que eu pensei”. Mas sempre foi lógico que ela não ia fazer isso, porque a Renata, aquela de quem eu tenho o maior orgulho, aquela cuja personalidade me inspira, aquela que sabe o jeito certo de te dar bronca e consegue por ordem na casa... A Renata sempre é melhor do que eu penso. A Renata sempre me surpreende positivamente. A Renata me faz até querer ser legal - mas só com quem merece. E olhe que eu não sou fofa. E nem digo "eu te amo" pra todo mundo. Mas ela consegue tudo isso.

É, mundo, aproveita que eu acordei feliz porque hoje é Renata Day.

As bravas também amam.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Vienna waits for you

Disseram por aí que ela não tinha nada de passarinha negra; que, se fosse para lhe dar um codinome, que fosse beija-flor – pequeno e belo, aparentemente inofensivo e, quando necessário, de uma resistência que reflete sua sintonia com a vida. Mas saibam vocês que os corvos, por exemplo, estão sendo cada vez mais reconhecidos pela sua exímia inteligência. Admito que foi por essa particularidade que, primeiramente, eu a distingui dos demais. Nela, essa característica – a enorme astúcia com a vida, com as pessoas e com si mesma – é algo que surpreende qualquer um que tem a sorte de perceber a luz dos olhos de boneca que ela tem. Ela, que carrega no nome a missão de enfrentar o que as circunstâncias exigem; ela, que pelos dias como que todos eles fossem sempre dias de ser sonhadora. Mesmo quando a vida quer brincar de ser séria, mesmo quando o medo é inevitável, Ela dança na frente das adversidades como quem desafia um inimigo – às vezes o seu compasso é um pouco mais veloz, às vezes é mais tímido... Mas ela jamais perde o ritmo.

Milena.

Se fosse por mim, eu seria nascida e criada nessa lua que você mora. Teria dormido aos teus pés muitas outras noites, tentaria te acordar outras tantas vezes só pra ver você preferir dormir a provar nossa janta; se dependesse de mim, e não da distância, faríamos mais noites do pijama e eu dormiria ao som da tua risada só pro dia nascer feliz, sempre. Quase sem querer ou sabendo que eu não resistiria, você invadiu os meus dias, me cultivou inúmeros sorrisos e me provou que eu estava errada cada vez que pensei “não, Ela não pode ser ainda mais fantástica”. O dia 10 de outubro está marcado no meu calendário como “o dia da única Milena do mundo”. Ainda que venham outras, nenhuma jamais será tão valente e persistente, tão alegre e sensível, tão espirituosa e ajuizada... Tão Milena. Obrigada por dividir comigo os seus dias, os seus medos, suas alegrias, suas ideias geniais, seu abraço apertado de “até logo”. Obrigada por me deixar ser parte do seu infinito. 

Muitos diriam que ainda é cedo para a dimensão do sentimento, mas depois de te encontrar e te ver partir, sim, eu preciso dizer que te amo. É. Eu preciso dizer que te amo. Tanto.



De: Analu, Annoca, Dedê, Renata e Tary.

http://www.4shared.com/rar/XGbpqu8H/Milena_Tape.html

domingo, 16 de setembro de 2012

Doces rodopios



Ela nasceu em setembro, sob a proteção da primavera. Colecionava corujas de pelúcia, canecas e abraços. Quando sorria, não era só com os lábios, mas com o corpo inteiro. Gostava de fotografar o céu e guardar na lembrança aquilo que por vezes esquecia por traição da memória. Morava em uma casa no fim da rua; na frente, grama verdinha e com cheiro de chuva. Uma cerca verde separava o gramado da calça e na entrada, à beira da porta, jarros com flores coloridas. 
Naquele dia 16, fazia sol e um céu era de um azul que parecia pintado. Ela acordou sem conseguir viver entre quatro paredes; se levantou de um pulo, se vestiu e rumou para fora de casa, descendo a rua enquanto cantarolava que “temos nosso próprio tempo”. Seu vestido lilás rodopiava a cada salto sincronizado que ela dava à ponta dos pés, calçados com sapatilhas de bailarina. Estava tão feliz que seus olhos se esverdeavam. Seus cabelos longos, à altura de seus cotovelos, brincavam com o vento enquanto ela corria pelas calçadas, tirando para si uma flor de cada jardim. Antes de chegar à esquina já tinha um buquê em suas mãos. 
Olhou para todas aquelas flores em suas mãos e sentiu que a cor delas refletiam em sua íris. Eram tão lindas – tanto, que ela não conseguia pensar em um lugar merecedor suficiente daquele pequeno maço de beleza. Continuou a andar, sem guiar-se pra onde, e quando se distraiu para olhar para o céu e os pássaros que lá voavam – e foi só um segundo – tropeçou em uma pedra, lançando o pequeno buquê diretamente em uma poça d’água. As flores ficaram lá, machucadas, contorcidas e a formosura ardente que antes traziam estava apagada pela água gelada. 
Isso a fez chorar como se junto com as flores tivesse perdido a alegria. Chorou porque a vida às vezes te derruba; chorou porque quase sempre se perde o que se ama, porque um obstáculo teima em aparecer, porque nem tudo tem graça. Poderia ter chorado pela vida inteira, mas sempre preferia respirar fundo, andar mais um pouco e colher nova flores. Dessa vez, assim que levantou o olhar, percebeu que ele vinha em sua direção. Ao chegar próximo o suficiente, ele estendeu a mão a ela e ajudou-a a se levantar. Encararam-se por um breve momento e sorriram um para o outro. Pediu que ela fechasse os olhos; em seguida, ele pôs as mãos no céu, segurou o sol e colocou-o sob o olhar de Taryne. E quando ela abriu os olhos, pode seguir iluminando o mundo.

sábado, 8 de setembro de 2012

Tão logo me lembrei de você

Eu queria te dizer uma coisa, um monte delas, na verdade, mas não tenho certeza que o meu sentimento vá durar até o fim dessas linhas. Ainda assim, queria mergulhar nesse passeio suicida em que eu acho que digo alguma coisa que façam seus sentimentos se renovarem e você, em contra partida e sempre, pega a minha sinceridade e a deixa escorrer ralo abaixo. Você nunca foi muito bom em acreditar em mim. Nem quando minhas verdades saíam pelos olhos, escorriam pelo meu rosto e molhavam minhas roupas; nem quando a verdade arrancada de mim me fazia sangrar a noite inteira, nem quando eu sofria feito o diabo por cada vez que te fiz amargar o meu nome... Nem assim, nem com tudo, nem quando não tínhamos nada... Nem assim.  
Com o tempo, eu fui cansando de ser tachada de mentirosa, de falsa, de hipócrita, inclusive; ou, ao menos, passei a lhe dar razão para tais títulos que sempre atribuiu a mim sem vacilar. Nós entramos num círculo de automutilação de sentimentos; não sei por que, criamos ódio pelo nosso amor. Nunca vi duas pessoas se detestarem tanto justamente porque se gostavam em excesso. Esse sempre foi o pecado pelo qual nós nunca nos perdoamos: por você ser insubstituível para mim e eu ser a única no mundo para você. 
Certa vez você me disse que algumas relações que temos não se repetem na vida. Não, não se repetem mesmo, e eu venho aprendendo isso a cada dia decepção, a cada golpe no estômago, a cada encontro com uma alma vazia. Ou você acha que vai encontrar em outra, o que encontrou em mim? Eu sei que você nem chega a procurar, porque eu aqui, do outro lado, a quilômetros de distância, em um número desconhecido, em um endereço que você nunca saberá... Eu também não procuro. Cada vez que sinto sua falta o máximo que faço é ler uma carta sua, velha como o nosso caso, e choro como se tivesse acabado de te perder. Porque acabei: te perco todos os dias para a vida, para outra, para o passado, para o esquecimento. Te perco todos os dias dentro de mim e dói muito quando lhe procuro e custo lhe encontrar. 
Queria muito, queria sempre poder te ligar quando nada dá certo e soltar o meu coração nas suas mãos – você sempre o segurou com mais firmeza que qualquer outro e o apertava até eu entender que sempre poderia doer mais quando já doía muito. Mas acontece que desde a última vez que tive notícias suas, você já deve ter mudado de telefone umas mil vezes, mudado de endereço outras tantas e posto uma venda no seu coração. Sei que nem faz questão de mim e, na maior parte do tempo, eu também não faço muito caso de você. Mas acontece que a gente sempre cansa de ser fria e durona o tempo todo e é nessas horas que eu venho aqui, com o orgulho aos meus pés, te dizer que sinto tremendamente a sua falta – das nossas conversas à calçada, da sua inclinação de fazer piadas impróprias, do seu jeito torto como o meu em demonstrar afeto. 
Vez ou outra eu pego uma página em branco como essa era, olho para ela e penso em por pra fora tudo aquilo que eu jamais fui capaz de lhe dizer – e nunca serei, pelo visto. Eis aqui a verdade: nós estamos mesmo destinados a uma dessas histórias que acabam no meio – porque terminaríamos com um fim, se nunca tivemos um começo? É, amigo. Nós estamos mesmos direcionados a.


Sempre acaba com um de nós fugindo... Mas e dessa vez, quem foi?

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Temos nosso próprio tempo




Eu sempre fui feita de muitos conflitos interiores que eu gostaria de reverter, de conduzir ao meu modo, de relativizar. O mais contraditório de todos eles, porém, foi quando eu decidi fazer em umas das paredes do meu quarto um mural de fotos em formato de coração, colocando lá todos os rostos que iluminam o coração de verdade. O meu maior medo foi que chegasse o dia em que eu olharia para aqueles retratos e não fizesse sentido alguns eles estarem colados lá de um jeito tão permanente e difícil de retirar. Sempre tive um medo irracional de colocar pessoas no meu coração para ter que arrancá-las logo em seguida – literalmente ou não. 
Acontece que hoje eu acordei sozinha, sem barulho, sem vento frio, sem café da manhã digno de hotel. Acordei e não tinha ninguém com quem dividir o banheiro, não tinha mochila pesada nas minhas costas e muito menos tinha mala pra arrumar. Hoje, quando eu saí de casa, não cantei músicas no carro, não peguei metrô, ninguém me indicou o caminho e, quando cheguei ao prédio onde trabalho, ele não era na Avenida Paulista. Hoje, quando fui almoçar, não era Mc Donald’s e quando chegou a tarde, não havia Bienal, nem passeio no shopping, nem compras divertidas. E se eu cansasse dessa melancolia e saísse cantando Legião Urbana enquanto andava na rua, seria taxada de louca desvairada, inclusive por mim mesma, porque não é mesmo compreensível querer ser feliz sozinha. E quando chegou a noite, essa danada, a lua me pareceu mesmo feita de pedra, a pizza do jantar sem gosto, as músicas soavam estranhas como se nunca tivessem sido ouvidas e minha cama, antes estreita e quente, era grande demais só para mim. 
Não sei se dois dias é muito ou pouco tempo, mas sei que é suficiente pra reconhecer no olhar das pessoas aquilo – e muito mais – que eu sempre imaginei que elas fossem. Encontrar as minhas meninas foi um presente que Deus me preparou com cuidado e demorou 20 anos para entregar, porque de certo Ele queria ter confiança de que eu estava preparada para reconhecer em um simples encontro de corpos uma reunião de almas gêmeas. Sei que amor não é feito de saudade, muito embora o nosso esteja cheio dela; mas sei também que a vontade do reencontro é o que constrói os dias e que quando não há o que se esperar, a vida não passar de uma repetição do mesmo. Acabado do fim de semana mais surreal da minha vida, eu vejo as nossas fotos pra em seguida fechar os olhos daquele jeito de quem quer olhar para dentro e voltar devagar no tempo, desde o instante do pouso do avião até o último “a gente se vê em breve, viu?”. 
Eu poderia dizer muito mais sobre a nossa história, mas recentemente aprendi que "como todas as histórias de amor de verdade, ela vai morrer com a gente, como deve ser". E para quem me pergunte, eu me limito a dizer: nós somos amor, do tipo que transborda. Hoje eu estou no meu habitat – está calor, o céu está pintado em um azul lindo e a brisa do mar refresca minha alma. Mas eu nunca me senti tão fora de órbita. Nunca me senti tão fora de casa. Hoje, o meu lugar não é aqui; o meu lugar é com as minhas estrelas. 

E sem conflito interior algum, eu formaria um coração inteiro só com os sorrisos de vocês.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Agradecimentos monográficos

Ou: Como dizer “obrigada por tudo” a quem se ama 

 Ao som de There is a light that never goes out – The Smiths 

Ao longo da minha curta existência eu fui recendo lições demasiadamente preciosas e que foram categóricas para determinar a pessoa que eu viria a me tornar. Porém, nada até hoje foi mais precioso que um ensinamento que só recentemente eu consegui compreender e é por finalmente ter aprendido essa lição tão bonita que hoje eu agradeço a todos aqueles que a cultivaram em mim. 
Ao meu grande Pai, maior que qualquer adversidade e que esteve ao meu lado todos os dias dessa jornada. Graças à companhia dele eu pude trilhar esse longo caminho sempre em paz, em segurança e certa de que estava realizando um sonho. Ao Meu Deus, que foi perfeito em tudo que fez na minha vida. 
Aos meus pais, Nizete e Edson, que desde o início fizeram o possível e o impossível para que eu continuasse firme na minha jornada sempre cansativa rumo à universidade, sem me deixar fraquejar por um só segundo. Obrigada pelas palavras de apoio e por cultivarem incondicionalmente o meu amor pela literatura. Eu serei eternamente grata por tudo e por mais que eu me esforce, nenhuma retribuição a vocês será digna o suficiente. 
 Ao meu namorado, Francisco, o melhor amigo e companheiro, que sempre foi a pessoa que acreditava eu mim quando nem eu mais conseguia fazê-lo. Obrigada por me fazer forte, fiel às minhas convicções e por sempre me impedir de desacreditar na minha capacidade. Obrigada por me fazer ser sempre melhor. Sem o seu apoio eu não teria escrito uma linha sequer. Por você, minha gratidão e meu amor serão eternos. 
Às amigas do curso de Direito da UNDB, Carol, Juliana, Viviane e Marynelle, que me suportaram em todas as minhas crises existenciais. A minha vida não teria a mesma graça se não fossem as noites dividas com vocês. A próxima vez que eu escrever um TCC será pela UNDB e eu tenho certeza que, se existe uma forma suportável de passar por todo esse processo de criação novamente, é com vocês ao meu lado. 
 Aos meus companheiros de twitter, Fernanda, Klerianne, Vanessa, Diana e Wendel, que dividiram comigo até às vésperas da apresentação deste trabalho a angústia e a ansiedade que só conhece quem por a escrita de uma monografia já passou. O apoio de vocês foi incondicional, a ajuda foi mútua e o conforto que eu sentia após cada conversa trocada foi imensurável. Obrigada por me fazerem rir até nos momentos de mais extremo nervosismo. Finalmente chegamos ao ponto em que eu sabia que chegaríamos desde o princípio. Nós conseguimos! 
Às amigas do curso de Letras da UEMA, especialmente Lays, nas quais eu sequer consigo pensar sem que meus olhos se afoguem em lágrimas. Meninas, vocês foram a minha maior fonte de inspiração para a vida ao longo dos quatro anos em que me ensinaram a ser uma pessoa muito melhor do que eu julgava ser quando fui aprovada no vestibular; vocês são a prova que na universidade aprendemos muito mais que teoria e prática. Por tudo que passamos juntas, eu sempre me lembrarei de vocês com um sorriso no rosto e uma saudade sem fim no coração. 
Às professoras Iranilde Almeida Costa, Sílvia Furtado, Vanda Rocha e, especialmente, à minha orientadora, Andrea Lobato. A todos os professores que depositaram em mim algum conhecimento ao longo de quatro anos de graduação. Não existem palavras possíveis de descrever o tamanho da contribuição de todos vocês para o meu desenvolvimento pessoal e intelectual. O curso de Letras da UEMA mudou completamente a minha vida para algo melhor do que eu imaginei. 
Às amigas que eu encontrei graças ao amor pelas letras e pela escrita. Às irmãs de alma que me provam diariamente que você não precisa estar cara a cara com alguém para dizer um verdadeiro “eu te amo”; que me mostram que distância é um elemento cada vez mais insignificante; que acolhem todas as minhas loucuras e abraçam meus devaneios como delas próprias. À Máfia, enfim. 
Se hoje eu posso dizer “infinitamente, obrigada” é porque vocês seguraram minhas lágrimas ao me despertar um sorriso, sustentaram minhas pernas frágeis com um abraço, passaram algum tempo comigo mesmo quando este parecia escasso e, principalmente, me ensinaram a lição mais bonita que eu poderia aprender ao longo dos meus vinte anos: não há nada no mundo que substitua a maravilha de nunca estar só.


domingo, 8 de julho de 2012

Felicidade na mala

A fachada que me encantou. Além do cheiro do café, que era um tanto incomum, de verdade tudo me parecia normal: aquelas paredes de tijolo velho, as cortinas vermelhas com laços amarelos enormes amarrando-as e uma mesa no fundo, no canto da parede. Sob ela, a luz fraca parceira para esses dias obscuros. Entrei e quando o fiz, pensei imediatamente: é hoje. Nem me dei ao trabalho de abrir o Gabriel García Márquez que na mala pesada carregada na mão esquerda, porque seria inútil tentar entender qualquer jogo de sentimentos sem antes observar por um tempo ínfimo aquela situação que eu me encontrava. Quando a garçonete caminhou até mim, sem trajar um daqueles uniformes bem passados e me servindo uma xícara de café frio, eu percebi que aquele local terrível que eu estava admirando, que o serviço mal feito e o gosto fraco do pó de café desenhavam o único desfecho que caberia a mim. É claro como automaticamente se rejeita alguém que é triste pelo simples fato de o ser. Essa obrigatoriedade que é imposta de sorrir mesmo quando se tem vontade de correr em desespero nunca me convenceu, mas ultimamente vinha me sufocando como aquela falta de ar que a gente sente em locais fechados e cheios de gente que gosta de beber cerveja barata e vinho de supermercado. Andam falando que os meus textos estão tristes demais. Por isso eu resolvi mergulhar nessa esperança de que agosto chegará logo e que a nuvem  estática de julho simplesmente passará. Tirei da gaveta todos aqueles textos antigos, cheios daquelas palavras tortas, e me deu uma vontade tão grande de rir de mim mesma: como eu posso ser assim, tão drástica e trágica? É um terrível filme preto e branco, um monólogo chato onde só eu grito, só eu sinto, só eu sofro. Contento-me em viver de retalhos de uma alma nada nobre e acho que isso é o justo a mim mesma; incremento essa vida com perguntas cujas respostas eu sinceramente não faço a mínima questão de saber. Mas o que seria de um bom sofrimento se não fosse aquilo que sempre te atormenta e consome e destrói? Depois é que a gente percebe que não há nada a ser descoberto ou desvendado. É tal fácil perceber que está tudo aqui em nossas mãos: o café, o colorido do céu, o filme francês, o jornal de ontem, o brownie, o cd de The Smiths... Tudo aquilo que supostamente precisamos para atingir qualquer nível de um contentamento pessoal. Não é preciso sentir tanta falta, acumular tragédias e morrer de saudade. Está tudo aqui, a dois passos, e a cegueira é incrivelmente forte que só possibilita enxergar a beleza das coisas por questões de segundos; logo depois, lá está o peso de julho de novo em nossas costas, como se o mês não fosse acabar semana que vem. Mas ainda assim, medindo e pesando as minhas queixas e cada vez tendo mais certeza que eu deveria parar de boicotar a mim mesmo e ser feliz de uma vez – dar graças a Deus por tudo de bom e justo que vem acontecendo – eu ainda consigo encontrar um sabor delicioso em viver sozinho, amargurado e escrevendo como se isso fosse salvar a minha vida – que nem precisa ser salva, por fim. Cansei de explicar porque sinto esse gozo de me tirar do mundo cada vez que eu me entrego à misantropia, aos livros, às frases clichês e aos sentimentos mais fétidos porque, oras, não há nada a ser compreendido, aceitado ou concordado. É só o meu jeito de ver as coisas e a minha capacidade de me recuperar e dar a volta por cima quando eu cansar dessa arte de viver uma tristeza que não é minha – e quem poderá me julgar por isso? Quem poderá me condenar por não querer viver essa vida perfeita e preferir me sentir humano, vez ou outra, quando percebo que ainda sangro e ainda morro de amor? Assim, sem (querer fazer) sentido ou ter direção, eu escrevi por horas. Sem pensar nada, sem opinião, só mesmo por prazer. Só o puro e incontrolado desenhar de palavras, uma coisa meio sem fim, sabe? Essa vontade incompreensível que a gente tem de colocar tudo imediatamente para fora como se fosse parar de doer – e vemos que não para, mas sobra essa indignação, que também tem que ser mostrada, das coisas infelizmente não serem exatamente como nossa mente imagina, nem para mim nem para o resto do mundo que tenta me encaixar nesses padrões que eu visivelmente não suporto. No tempo que estive aqui, só parei para pensar como as janelas abertas me fazem respirar muito mais fácil. Esse ambiente de paz me faz sentir muito mais que uma simples tranqüilidade; é quase uma possibilidade de libertinagem, de se permitir sem qualquer interrupção, de ser capaz de gostar até do repugnante, de sentar numa cadeira velha e sentir que tudo bem com isso. Tem coisa melhor do que ser viver sem restrições? De viver sem rótulos, sem a necessidade de dizer “estou feliz” ou “estou triste”, de não ter medo de sentir o que for, de não distinguir o choro do sorriso, de não evitar abraçar você mesmo sem vergonha de não ser exatamente o que devia? Ainda não provei algo que me fizesse mais bem, até quando aparentemente faz mal. Mas nos poucos instantes que passei por aqui, notei que a calmaria realmente existe e para chegar lá, basta paciência e um pouco de fé – e isso eu tenho em mim mesmo, e de sobra, acreditem. Basta eu dizer: agora é a hora. 

 Agora, posso ler o meu livro?

* esse texto faz parte do meme "Recicle o título", onde um texto seria produzido a partir de um título colhido de postagem de outro blog.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

É esse o fim?


Eu não sou a heroína
Dessa história 
E tão pouco você 
Mas acho que chegou a hora 
De salvarmos um ao outro. 

Há tempestade lá fora e também aqui dentro de mim, mas ele nunca percebeu a minha chegada berrante pela porta de entrada ou pela dos fundos. Para ele, nunca fez muita diferente – experimentei passar noites fora, sumir como todas as roupas do armário, não me alimentar bem. Passei noites em claro tentando me manter acordada enquanto escrevia uma palavra ou outra que fizesse algum sentido, que pudesse explicar algo no momento em que o silêncio não bastava. Não adiantou. Nada chamaria a sua intenção, eu deveria saber antes de ter dado início a esse circo patético lotado de palhaços e de nenhuma mágica. Acho isso errado de tantas formas que desconheço se existe um jeito certo de ao menos te dizer que já basta. Gostaria de ter o poder de ao menos terminar um pensamento por mim só, mas cada tentativa fica mais distante até chega nesse ponto que é o vazio de sempre. Não acho que estamos conseguindo alguma coisa; estamos nos ferindo e cometendo o pecado de esmagar os sonhos um do outro. Não, eu não sou inocente. É claro que eu já fingi um beijo ou um abraço que queria prender só para mim e não deixar feito pássaro livre para ser preso por outra pessoa. É claro que eu já menti, e muitas vezes – ou ele achou mesmo que ia entregar tão facilmente o meu coração? Tanto cuidado para apenas ter uma pilha de acusações na consciência e alguma canção triste para compor. Você consegue sentir? Eu sinto – o frio, a TV chiando, uma gota caindo na pia da cozinha, a janela da sala rangendo. Você vê? É o fim?

sábado, 17 de março de 2012

Se não fosse você

Por muito tempo, achei que o amor fosse algo a ser controlado, medido, racionalizado. Envolvi-me de armas e barreiras enquanto protegia o amor, escondia o amor, economizava o amor. Chorei a perda do amor (que sempre tive) tantas vezes que cheguei a pensar que se um dia esse amor partisse, já havia sofrido tudo que seria capaz. Mas olha, ainda que de um jeito torto, te amei da primavera ao inverno, todos os dias daquele março ensolarado e muito mais nos meses seguintes. Sem você, não teria havido palavras bonitas, nem coração feliz, nem vento no litoral. Não haveria força em abraço algum, nem mesmo a perfeição de atravessar os dias. Fui o amor da sua vida quando eu que te mereci e todas as vezes que eu não te mereci, também. Você foi o amor da minha vida enquanto eu pude lembrar e continua sendo mesmo quando eu finjo esquecer. Encontramos um no outro aquela rima rara para a história que queríamos escrever. Nos amamos mesmo detestando apostar no outro a estrofe mais bonita da canção. Você foi, sim, a minha maior chance de ser feliz para sempre. Eu devo ter sido para você alguma coisa bonita de se ter. Especial mesmo era o momento em que você se afastava para, em seguida, ter vontade de retornar sempre que olhava para alguém que lhe despertava alguma expectativa de que é possível colher alguma alegria mesmo após a terra ser inundada com a frieza da tempestade. Não me pergunte por que achei tão encantadora essa sua inconstância. Talvez gostássemos mesmo era da saudade, mais até que do próprio amor. Era sempre quando ela nos fazia companhia que as nossas vontades se encontravam para mais uma vez pensarmos: e lá vem ele outra vez, dilacerando tudo e escrevendo um novo caminho, ainda que torto, nessa nossa estrada. Durante todo aquele tempo em que eu tentava entender o que você tinha e você desistia de entender quem eu era é que eu descobri que o amor acontece quando não sabemos determinar nem o começo nem o fim – só essa continuidade que constrói e destrói em passos de vento e em tempo cruel. Com persistência, afeto e lágrimas, foram esses anos que passaram que me mostraram que o amor pode até ser aquilo que você pensa que é, mas com certeza também é aquilo que você jamais pensou que fosse.
Nunca quis por todo o meu coração em suas mãos, mas aqui estou eu, entre uma carta e um sorriso admitindo que, hoje, não há como dizer que o que sinto por você é algo inferior ao amor. E mesmo que as estações mal se definam e que durante todo o dia tenham feito um calor terrível para, logo à noite, a tempestade vir me assombrar, eu não hesitarei em dizer aquilo que não deveria ter ficado guardado na última gaveta do armário. Não há nada que atinja o amor e eu já deveria ter previsto: nem a inveja, o rancor ou mesmo a solidão conseguirão respingar o ódio e a desunião no que de mais bonito já fecundou dentro de nós. Se não fosse você, não haveria paz, café com leite e mão macia sob a face. Se não fosse você, não haveria perspectivas, sonhos e realidade. Se não fosse você, haveria mais eclipses que lua cheia, mais trovoadas que brisas leves, mais sentir-se só em meio a multidão. Amo saber que com você haverá mais comemorações do que lamentos. Amo ter medo de te ver partir ao mesmo tempo em que bate a certeza de não ter jamais que sentar à varanda para esperar o seu arrempedimento. Amo ser quente e letrista em todos os momentos em que preciso te escrever uma carta pedindo que fique, por favor, fique, senão corro o risco de me engasgar com o choro preso e perder dentro do mim tudo o que você foi capaz de encontrar. Amo o fato de você sempre responder aos meus desesperos com um simples: não precisa pedir para que eu fique, porque eu jamais iria a lugar algum. Amo-te mesmo de longe, quando ouço a sua voz em meio a tantas outras e reconheço nas suas palavras o meu som preferido no mundo. Amo o jeito com que me olha com cuidado, planeja me tocar e cuida da sua saudade como a amiga que dará como retorno a recompensa do reencontro. Amo porque não foi planejado, porque foi um sem querer morrendo de vontade de que fosse. Amo porque amor mesmo é quando o amor vence. E contra ele, tentam o medo, tentam os outros, tenta o tempo, tentam até nos mesmos, e tentam quanto quiserem, mas não conseguem. A gente ama quando o significado das palavras parece fazer sentido e o “nunca mais” passa a ser efêmero como o é para dar lugar ao “para sempre”, permanente como deve ser. Amo-te com a certeza de que se não fosse você, não seria outro ou em tempo algum. Amo-te com a força de que se é nada em vão, tal como o tempo e suas feridas cuja cura que vem em seguida, também não será em vão esse amor.

Eu te amo antes mesmo de te conhecer e muito mais depois disso ter acontecido.
E todo esse tempo só me veio a confirmar: o amor é a única saída e, mesmo que não fosse, ainda assim seria.


And all the roads we have to walk are winding
And all the lights that lead us there are blinding
There are many things that I would like to say to you
But I don't know how

Because maybe you're gonna be the one that saves me
And after all, you're my wonderwall


(17 de março de 2012 - 5 anos de namoro)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O amor está no poço

Para ler ao som de Shiver,
Coldplay.

Sempre achei o amor a maior queda livre rumo ao fundo de um poço. Você pula no poço. Se joga e vai direção abaixo, mesmo sabendo que não há muitas direções a seguir, mesmo aguardando o fim que uma hora chega, mesmo consciente de que tudo que o espera é um chão duro e frio, mesmo que tenha deixado para trás milhares de pessoas lhe dizendo repetidas vezes “não pule, não pule, que no fim do poço só há dor e solidão”. Não adiantava torcer para que não se machucasse muito quando chegasse ao fim, porque a queda era fatal e a doer era certeira. Relacionamentos que envolvem corações sempre me pareceram uma contagem regressiva ao fundo do poço – por isso, demorei muito a ter coragem de me atirar. Tinha medo do escuro, do imprevisível, de não haver volta. Só quando o fiz é que eu percebi que o fim do poço é uma ilusão. Você mergulha esperando um choque contra o chão, mas o que encontra é um mundo que você jamais conheceria se não tivesse se jogado. E você começa a gostar daquele poço, do formato do poço, da extensão do poço, do jeito do poço, do cheiro do poço. E quando você acha que finalmente vai atingir o fundo, você descobre que o poço não tem fim. O fim é uma ilusão de quem nunca pulou no poço, é o mito dos que nunca tiveram coragem de enfrentar o monstro do poço, daqueles cujo coração foi fraco para enfrentar a queda. O fim do poço não existe – você acha que está lá, mas se continuar de olhos abertos e teimar em ir em frente, só encontrará mais águas, terra úmida e talvez algumas flores que só existam no mundo do poço. Quando se está no poço, de uma forma absolutamente lúcida, ficamos cegos pela loucura de ir em frente sem medo de um dia não ser mais como foi. O amor não está no medo do mergulho nem na precaução de sequer se jogar. O amor não tem nada a ver com as possibilidades fora do poço, e se você não pulasse, e se o poço não fosse a saída, e se você agisse como se o poço nunca tivesse estado ali, e se mais uma desculpa qualquer. O poço existe, é real, mas o amor requer mais que uma simples existência cheia de oportunidades. O amor só começa quando você decide se jogar. O amor continua e se estende quando você esquece que existe um fundo e lembra só do poço. O amor está na coragem dos que pularam sem saber onde vão parar, no atrevimento dos que mantém os olhos, o coração e a mente abertos e não se deixam fraquejar pelo desconhecido. O amor acontece quando você se deixa entrar em queda livre, sem rédeas, sem freios, numa direção única, contínua e sem fraquejar. O amor existe em se deixar ir.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Todo o amor de sempre

And all the roads we have to walk are winding
And all the lights that lead us there are blinding
There are many things that I would like to say to you
But I don't know how

Because maybe
You're gonna be the one that saves me
And after all
You're my wonderwall


Eu te liguei na noite passada para dizer “meu Amor, amanhã eu escreverei uma carta endereçada a você”. Surpresa nenhuma dizer que faria algo que já faço todos os anos, desde que te conheci. Mesmo com as marcas da distância, com os presentes adiantados e a falta do teu olhinho brilhando enquanto te digo tudo isso, eu não posso deixar a oportunidade passar. Como se eu precisasse de requisito algum para me declarar a você, não é mesmo? Sempre planejo as palavras certas por dias, mas no fim da contas sempre me recolho na insignificância do meu vocabulário que nunca me basta. Como explicar a você e ao mundo como é grande a minha gratidão e a minha sorte por ter sido, entre milhões de garotas mais bonitas e mais engraçadas, a escolhida? Como dizer, sem parecer clichê ou piegas, que o dia 24 de dezembro de 1991 foi o mais bonito e o mais significante para mim, antes mesmo de eu ter nascido? E, mais que tudo: como posso, com simples palavras, explicar a explosão de sentimentos bons que ocorrem em mim sempre que me vem à mente o teu rosto? Nada disso cabe em carta alguma. Não teria como explicar o poder da nossa história a ninguém, porque não é todo mundo que tem quem dê colo toda vez que parece que nada vai dar certo, que o faça rir até quando a sua vontade é de rasgar o peito com o choro mais sofrido, que lhe encha de orgulho cada vez que consegue superar até a si mesmo. Você me ensinou as lições mais importantes da minha vida e, sem pedir nada em troca, se doou o máximo que pode pelo simples fato de achar que eu mereço. Em 20 anos você foi e é muito mais do que muita gente luta a vida inteira para ser. E entre toda a frieza que às vezes atinge o meu coração, você foi o único que conseguiu fazer com que eu sentisse algo – amor, ódio, saudade, admiração, desejo... Felicidade. E mesmo que hoje você não fosse tudo isso que é para mim, ainda assim eu te desejaria as coisas mais fabulosas que a vida possa te oferecer, porque eu jamais conseguiria pensar em alguém que merecesse mais. Obrigada por ser o meu melhor amigo, meu namorado, meu amante, meu futuro marido, meu herói, meu bandido, minha luz no fim do túnel, meu protetor, o protagonista dessa minha história que às vezes não passa de um drama grego ultrapassado, mas que você transforma num romance francês de tirar o fôlego.
Feliz aniversário, meu Amor. Que Deus multiplique na sua vida todas as coisas maravilhosas que vêem acontecendo, que nunca lhe falte forças e paciência e que a sua fé permaneça intacta, assim como o amor que habita em ti e que propaga no coração de todos que você se aproxima.
Eu te amo e não poderia ser diferente.

Beijos e abraços,
Para sempre tua.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Por tudo ache graça


Há muito tempo eu venho falado de dor como se fosse a única coisa que me habitasse. Já fui muitas vezes proibida por pessoas que sequer me conheciam a não deixar a felicidade escapar. Sou taxada por aí de louca – um mister entre a benção e o desperdício. Na mente dos outros, tudo culmina em desagrado. Acho muita ousadia de quem sabe apenas o que acontece na superfície e, ainda assim, despeja frases cruéis como “você não merecia a sorte que tem”. 
Para quem assiste de fora é muito mais cômodo, sempre foi. Você o ama, Ele faz tudo por você; não o trate assim, Ele não merece; como alguém pode ser tão bobo por você?; não o faça sentir outro rasgo no estômago; deixe-o em paz. Tudo ecoa em forma de discurso infinito na minha cabeça, como forma de me manter firme e alerta a tudo e todos que parecem compreender o que se passa aqui dentro mais que a mim mesma – mais que nós mesmos, aposto. É quase aceitável: nós e nossa humana necessidade de colocarmos a culpa em quem está ao nosso redor como uma desculpa por não saber enfrentar os mesmos problemas que achamos tão simples. 
Mesmo com algo tão duro, acredito que, se ao menos por um segundo, você deixa de ser tão obcecado por um domingo de praia e sol, você consegue perceber a beleza em uma tarde chuvosa. Sempre fui exigente quanto ao sentido das coisas, mas não com aquilo que me levava à compreensão. Nada melhor que parar, de uma vez por todas, de mensurar o bem e o mal que existe em tudo; sou mais independente que isso, sou feita de muito mais que demonstrações românticas ensaiadas com base no último filme hollywoodiano. 
Quero ver a graça na briga sem motivo no estacionamento do shopping; quero chorar ao telefone pedindo para o homem da minha vida não me abandonar, porque sem ele nada tem graça; quero receber o pedido de desculpas que eu mereço e gritar que estou me doendo até fundo da alma. Nós sabemos nos recuperar desses loopings e ainda com um sorriso no rosto que deixa bem claro o quanto ficamos melhor, depois de tudo. Isso, para mim, também é ser feliz para sempre, porque se eu nunca encontrar uma alegria ofuscada pelo meu choro desmedido, todo o resto estará perdido no instante que o encanto se quebrar. 
Se você aprende a ser triste, todo o resto é mais fácil, mas se você está acostumando só com novo e o belo, se prepare para o choque quando a pintura começar a descascar. Eu não sofro sem motivo, eu não estou triste o tempo inteiro e muito menos tenho sempre algo pelo quê lamentar; na verdade, estou exatamente o oposto disso e é nesse contrário que eu encontro motivos para me afundar na dor e ressurgir logo em seguida. “O poeta precisa de sofrimento tanto quanto da sua máquina de escrever”, e eu apostaria todas as minhas fichas em Bukowski sem achar que isso seja a desculpa de um covarde. 
Tenho essa cara de quem está sempre com algum problema, mas no fundo só estou pensando em como posso fazer para as coisas serem (ainda) melhores. Só não confio nas pessoas, não confio em mim: uma vez que eu me entregue a essa história feliz, vou esquecer o caminho da volta; não quero correr o risco de não lembrar que da mesma forma que eu tenho uma capacidade enorme de sorrir, o choro também vez fácil. Não quero esquecer como é ser triste de vez em quando para não correr o risco de ser triste sempre. Quero chorar sem motivo antes que eu arrume razões de fato para dar companhia à lágrima solitária que deixo escapar. E enquanto minhas palavras me traem e expressam a maior dor que sou capaz de sentir, fora e dentro de mim vai sendo construída uma base mais forte, mais realista, melhor para Ele, melhor para mim.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Fix you


And high up above or down below
When you're too in love to let it go
But if you never try, you'll never know
Just what you're worth

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try, to fix you.

[Fix you - Coldplay]

Há muito tempo eu não falo de amor, porque ele próprio tem dito tudo por mim. Vez ou outra na vida, eu esperei que alguém me provasse alguma coisa. Que algo de maravilhoso acontecesse. Que a vida finalmente fosse justa comigo. Passei muito tempo reconstruindo a mim mesma, somando os pedaços que foram destruídos e separados por cada tempestade que por aqui passou – um trabalho muito duro para quem tem somente gotas de força de vontade. Fiz tanto o tipo de quem não se importa com ligações no fim da noite ou no dia seguinte, mas enganar a mim mesma já não fazia muito efeito. Fui curada pelo teu sorriso. A cada vez que tentei vulgarizar a mim mesma, em uma tentativa humilhante de me fazer sentir algo que não fosse amor, só recebei teus braços em volta do meu corpo, em uma atitude clara de proteção de mim mesma. Sempre digo: você me salvou do perigo que eu me representava. Eu poderia ser autodestrutiva até que secassem as lágrimas e, ainda assim, continuaria dançando o rock à meia-noite, as luzes apagadas e a garrafa de wisky no canto da sala. Essa valsa solitária não me fazia sentido, mas preenchia a vontade do que quer que a gente passe a vida inteira procurando. Para quem esperava de mim um sorriso, um abraço ou qualquer coisa que demonstrasse que aqui dentro ainda havia algum afeto, eu sempre tinha alguma proposta indecente a oferecer, que no fundo nada mais era além de um “está disposto a ser minha válvula de escape?”. Tudo o que eu tive, antes de você, foram noites que não merecem um fiapo de memória. E escondidinho, depois que o efeito das pessoas e das coisas passavam, eu me reunia com a única parte sóbria de mim e pedia a Deus, por favor, por favor, me tira dessa escuridão e me põe salva nos braços de alguém. Você, porém, é mais que o meu milagre pessoal. Quando aparece na minha casa, às quatro da tarde, é como a minha oportunidade de ser feliz para sempre. Dizem por aí que ninguém deve acreditar no amor incondicional, que a vida é efêmera e os sentimentos mais ainda e que as pessoas são mais instáveis que o tempo. Mas que tipo de pessoa eu seria se não me prendesse forte à esperança mais bonita que eu tenho? Se for só mais um sonho bobo, pois que tenha o gosto mais puro de realidade. Sempre que vejo alguém que é solidão por não conseguir ser amor, tenho vontade de dizer: pede, numa prece escondidinha, que alguém venha te salvar, porque tem tanta dor no ato de se conformar em ser sozinho. Eu mesma ainda peço por favor por essas pessoas em dias como o de hoje, em que eu sinto que mais gente merece essa felicidade que habita em mim. Eu, que já passei por todos esses caminhos, vejo que misantropia só tem graça se for saída de uma noite só; colecionar roupas, amores e histórias não têm valor algum se no final tudo é um fiasco de comédia sem graça, de violão desafinado e cantor de voz rouca. Parece música de velório, essa que embala uma vida cuja única motivação é seguir em frente e só. Confesso que eu não me arriscaria a ser tanto se não fosse por alguém que visse graça no meu desastre pessoal. Sou muito frágil e pequenina quando não tenho você sempre ao meu lado me lembrando que toda a força que preciso sempre pode ser encontrada na poesia e nas verdades do amor. É por hoje eu ser sorriso e não tragédia que eu agradeço e obrigada, obrigada, obrigada a você por ter vindo me salvar de mim. Por ter me mostrado que é possível o que quer que seja. Por ter me provado que o “nós” é melhor que todas essas drogas e melodias e desperdícios. Obrigado por ter sido melhor para mim de um jeito que eu nunca fui.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

E aí vocês entraram na minha vida

Sempre acreditei muito em sorte. Em destino. Em coincidências. Sempre apostei nas coisas certas nas horas certas. No bom senso do universo. Na justiça divina. Sempre fui muito ação-reação. Em razão tomada pelo coração. Acredito em histórias construídas ao longo da vida, mas também acredito em amor após cinco minutos. Acredito em amizades após uma simples troca de olhares, em simpatia instantânea, em bondade sem interesse. Enfim: sempre acreditei no belo e no justo. Só não acreditei que pudesse acontecer comigo. E aí vocês entraram na minha vida.
Não se explica como alguém entra na sua vida. Muito menos como “alguéns” a invadem sem pedir permissão. Só acontece. Assim, num dia qualquer, sem nenhum brilho especial, nem sol nem chuva lá fora. Pode até ser num dia gelado, que é pra gente ir sentindo a calor entrando no coração aos poucos. E de repente tudo fica mais simples porque você pode desabafar a qualquer instante e ouvir os melhores conselhos do mundo. Tudo fica mais leve porque sempre pode surgir alguma história que vai lhe derreter em lágrimas – de alegria, claro. Tudo fica mais normal, mesmo aquelas suas manias mais estranhas e incompreensíveis, porque do outro lado da rede existe sempre alguém para dizer “te entendo”.
E como a gente se entende. Não foram precisos anos de Máfia e muito menos qualquer encontro pessoalmente: madrugadas de conversas e milhares de comentários depois, a gente aprende a sentir um abraço mesmo de longe. Aprende a entender que o significado de companheirismo está mais ligado à dedicação e intensidade do que à quantidade de anos que você o exercita. Aprende que o tamanho do lugar que as pessoas ocupam na sua vida não tem nada a ver com há quanto tempo elas o tem, mas sim o que fazem com esse espaço. Porque conquistar pouco a pouco é mais fácil; difícil mesmo é chegar de supetão na vida de alguém e abalar as estruturas, inverter prioridades, privar noites de sono.
Seja lá o que achem sobre amizades a distância, eu sei o que eu acho sobre vocês. Chame de sorte, destino, coincidência, coisa certa, bom senso, justiça, razão, coração, história... Nada como uma lista inteira de palavras clichês para explicar o sentimento mais clichê do mundo, mas que nem por isso deixa de ser indispensável.
E aí vocês entraram na minha vida e eu entendi que o AMOR por essa Máfia era impossível de não acontecer.


E por falta de imagem melhor (desconsiderar os meninos aleatórios), até que essa representa bem o que eu espero da gente, um dia qualquer: parque, comida, violão e fofocas, claro.