Eu queria te dizer uma coisa, um monte delas, na verdade, mas não tenho certeza que o meu sentimento vá durar até o fim dessas linhas. Ainda assim, queria mergulhar nesse passeio suicida em que eu acho que digo alguma coisa que façam seus sentimentos se renovarem e você, em contra partida e sempre, pega a minha sinceridade e a deixa escorrer ralo abaixo.
Você nunca foi muito bom em acreditar em mim. Nem quando minhas verdades saíam pelos olhos, escorriam pelo meu rosto e molhavam minhas roupas; nem quando a verdade arrancada de mim me fazia sangrar a noite inteira, nem quando eu sofria feito o diabo por cada vez que te fiz amargar o meu nome... Nem assim, nem com tudo, nem quando não tínhamos nada... Nem assim.
Com o tempo, eu fui cansando de ser tachada de mentirosa, de falsa, de hipócrita, inclusive; ou, ao menos, passei a lhe dar razão para tais títulos que sempre atribuiu a mim sem vacilar. Nós entramos num círculo de automutilação de sentimentos; não sei por que, criamos ódio pelo nosso amor. Nunca vi duas pessoas se detestarem tanto justamente porque se gostavam em excesso. Esse sempre foi o pecado pelo qual nós nunca nos perdoamos: por você ser insubstituível para mim e eu ser a única no mundo para você.
Certa vez você me disse que algumas relações que temos não se repetem na vida. Não, não se repetem mesmo, e eu venho aprendendo isso a cada dia decepção, a cada golpe no estômago, a cada encontro com uma alma vazia. Ou você acha que vai encontrar em outra, o que encontrou em mim?
Eu sei que você nem chega a procurar, porque eu aqui, do outro lado, a quilômetros de distância, em um número desconhecido, em um endereço que você nunca saberá... Eu também não procuro. Cada vez que sinto sua falta o máximo que faço é ler uma carta sua, velha como o nosso caso, e choro como se tivesse acabado de te perder. Porque acabei: te perco todos os dias para a vida, para outra, para o passado, para o esquecimento. Te perco todos os dias dentro de mim e dói muito quando lhe procuro e custo lhe encontrar.
Queria muito, queria sempre poder te ligar quando nada dá certo e soltar o meu coração nas suas mãos – você sempre o segurou com mais firmeza que qualquer outro e o apertava até eu entender que sempre poderia doer mais quando já doía muito. Mas acontece que desde a última vez que tive notícias suas, você já deve ter mudado de telefone umas mil vezes, mudado de endereço outras tantas e posto uma venda no seu coração. Sei que nem faz questão de mim e, na maior parte do tempo, eu também não faço muito caso de você. Mas acontece que a gente sempre cansa de ser fria e durona o tempo todo e é nessas horas que eu venho aqui, com o orgulho aos meus pés, te dizer que sinto tremendamente a sua falta – das nossas conversas à calçada, da sua inclinação de fazer piadas impróprias, do seu jeito torto como o meu em demonstrar afeto.
Vez ou outra eu pego uma página em branco como essa era, olho para ela e penso em por pra fora tudo aquilo que eu jamais fui capaz de lhe dizer – e nunca serei, pelo visto. Eis aqui a verdade: nós estamos mesmo destinados a uma dessas histórias que acabam no meio – porque terminaríamos com um fim, se nunca tivemos um começo? É, amigo. Nós estamos mesmos direcionados a.
Sempre acaba com um de nós fugindo... Mas e dessa vez, quem foi?

Não sei se posso definir de bom ou ruim quando me identifico com um texto desse. O texto é lindo, mas podia ser apenas texto, né? Só pra não doer de verdade.
ResponderExcluir