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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Temos nosso próprio tempo




Eu sempre fui feita de muitos conflitos interiores que eu gostaria de reverter, de conduzir ao meu modo, de relativizar. O mais contraditório de todos eles, porém, foi quando eu decidi fazer em umas das paredes do meu quarto um mural de fotos em formato de coração, colocando lá todos os rostos que iluminam o coração de verdade. O meu maior medo foi que chegasse o dia em que eu olharia para aqueles retratos e não fizesse sentido alguns eles estarem colados lá de um jeito tão permanente e difícil de retirar. Sempre tive um medo irracional de colocar pessoas no meu coração para ter que arrancá-las logo em seguida – literalmente ou não. 
Acontece que hoje eu acordei sozinha, sem barulho, sem vento frio, sem café da manhã digno de hotel. Acordei e não tinha ninguém com quem dividir o banheiro, não tinha mochila pesada nas minhas costas e muito menos tinha mala pra arrumar. Hoje, quando eu saí de casa, não cantei músicas no carro, não peguei metrô, ninguém me indicou o caminho e, quando cheguei ao prédio onde trabalho, ele não era na Avenida Paulista. Hoje, quando fui almoçar, não era Mc Donald’s e quando chegou a tarde, não havia Bienal, nem passeio no shopping, nem compras divertidas. E se eu cansasse dessa melancolia e saísse cantando Legião Urbana enquanto andava na rua, seria taxada de louca desvairada, inclusive por mim mesma, porque não é mesmo compreensível querer ser feliz sozinha. E quando chegou a noite, essa danada, a lua me pareceu mesmo feita de pedra, a pizza do jantar sem gosto, as músicas soavam estranhas como se nunca tivessem sido ouvidas e minha cama, antes estreita e quente, era grande demais só para mim. 
Não sei se dois dias é muito ou pouco tempo, mas sei que é suficiente pra reconhecer no olhar das pessoas aquilo – e muito mais – que eu sempre imaginei que elas fossem. Encontrar as minhas meninas foi um presente que Deus me preparou com cuidado e demorou 20 anos para entregar, porque de certo Ele queria ter confiança de que eu estava preparada para reconhecer em um simples encontro de corpos uma reunião de almas gêmeas. Sei que amor não é feito de saudade, muito embora o nosso esteja cheio dela; mas sei também que a vontade do reencontro é o que constrói os dias e que quando não há o que se esperar, a vida não passar de uma repetição do mesmo. Acabado do fim de semana mais surreal da minha vida, eu vejo as nossas fotos pra em seguida fechar os olhos daquele jeito de quem quer olhar para dentro e voltar devagar no tempo, desde o instante do pouso do avião até o último “a gente se vê em breve, viu?”. 
Eu poderia dizer muito mais sobre a nossa história, mas recentemente aprendi que "como todas as histórias de amor de verdade, ela vai morrer com a gente, como deve ser". E para quem me pergunte, eu me limito a dizer: nós somos amor, do tipo que transborda. Hoje eu estou no meu habitat – está calor, o céu está pintado em um azul lindo e a brisa do mar refresca minha alma. Mas eu nunca me senti tão fora de órbita. Nunca me senti tão fora de casa. Hoje, o meu lugar não é aqui; o meu lugar é com as minhas estrelas. 

E sem conflito interior algum, eu formaria um coração inteiro só com os sorrisos de vocês.

sábado, 5 de maio de 2012

Enlouquecida(mente)




Driving in your car 
I never never want to go home 
Because I haven't got one 
Anymore 


Me leve para fugir essa noite. Cale minhas reclamações e as transforme em sorriso. Me leve para algum lugar onde as luzes brilhem tanto que doa aos olhos de quem não quiser enxergar o colorido da avenida. Me ponha em movimento dentro de um carro, dentro de um abraço, dentro de uma roda de música e pessoas cantando alto, soltando a alma em um ritmo que não me faça querer parar. Me cerque do rock britânico dos anos 80 e do balaio dos violões com suas cordas quase rompendo de tanta euforia. Você sabe, eu nunca quis sair do meu mundo, mas, de qualquer forma, me apresente o seu. Me dê a chance de escolher algo diferente que me faça querer sair de casa e correr pelas ruas da cidade. Me leve para fugir essa noite porque eu quero ver o que de tão fabuloso e ao mesmo tempo cruel existe por trás das janelas do seu carro. Me leve para ver pessoas de verdade. Me apresente lágrimas e risadas. Faça com que eu sinta coisas boas. Faça com que eu sinta alguma coisa. Me leve para beber até perder o bom senso e me deixe sentada ao meu fio, cantando enlouquecidamente alguma cantiga que acabei de aprender. Não, não me deixe em casa. Não me ponha na cama, estenda o cobertor e me faça dormir. Eu não quero dormir essa noite; eu quero enlouquecer sem motivo algum e acordar amanhã com uma dor de cabeça que tenha valido a pena. Pensando bem, não me deixe voltar. Não quero ser mais benvinda no meu mundo, eu quero ser parte do seu. Quero pegar a sua mão e correr pelo meio das ruas, desviando de motos e ônibus, colidindo apenas com você. Esperar amanhecer ao seu lado é uma forma linda de uma noite chegar ao seu fim. E se a noite não acabar, e se o delírio permanecer, e se a realidade jamais retornar, bem, o prazer e o privilégio de viver essa loucura opcional ao seu lado terá sido todo meu. Mas me leve para fugir essa noite. Me leve para qualquer lugar, não precisa me dizer para onde, não precisa me dizer com quem, não precisa haver hora para voltar. Me transporte por meio de suas passagens secretas até chegar a um lugar que me faça pensar: esperei tanto para estar aqui. E se um medo inaceitável for aparente em meu rosto, novamente: cale minhas reclamações e as transforme em sorriso. Não deixe que nada nos detenha. Me leve para fugir essa noite e juro como nada mais me importa. Me leve para fugir essa noite e não me traga de volta. Me leve para fugir essa noite e se perca comigo em algum lugar. Me leve para fugir essa noite com você.

sábado, 17 de março de 2012

Se não fosse você

Por muito tempo, achei que o amor fosse algo a ser controlado, medido, racionalizado. Envolvi-me de armas e barreiras enquanto protegia o amor, escondia o amor, economizava o amor. Chorei a perda do amor (que sempre tive) tantas vezes que cheguei a pensar que se um dia esse amor partisse, já havia sofrido tudo que seria capaz. Mas olha, ainda que de um jeito torto, te amei da primavera ao inverno, todos os dias daquele março ensolarado e muito mais nos meses seguintes. Sem você, não teria havido palavras bonitas, nem coração feliz, nem vento no litoral. Não haveria força em abraço algum, nem mesmo a perfeição de atravessar os dias. Fui o amor da sua vida quando eu que te mereci e todas as vezes que eu não te mereci, também. Você foi o amor da minha vida enquanto eu pude lembrar e continua sendo mesmo quando eu finjo esquecer. Encontramos um no outro aquela rima rara para a história que queríamos escrever. Nos amamos mesmo detestando apostar no outro a estrofe mais bonita da canção. Você foi, sim, a minha maior chance de ser feliz para sempre. Eu devo ter sido para você alguma coisa bonita de se ter. Especial mesmo era o momento em que você se afastava para, em seguida, ter vontade de retornar sempre que olhava para alguém que lhe despertava alguma expectativa de que é possível colher alguma alegria mesmo após a terra ser inundada com a frieza da tempestade. Não me pergunte por que achei tão encantadora essa sua inconstância. Talvez gostássemos mesmo era da saudade, mais até que do próprio amor. Era sempre quando ela nos fazia companhia que as nossas vontades se encontravam para mais uma vez pensarmos: e lá vem ele outra vez, dilacerando tudo e escrevendo um novo caminho, ainda que torto, nessa nossa estrada. Durante todo aquele tempo em que eu tentava entender o que você tinha e você desistia de entender quem eu era é que eu descobri que o amor acontece quando não sabemos determinar nem o começo nem o fim – só essa continuidade que constrói e destrói em passos de vento e em tempo cruel. Com persistência, afeto e lágrimas, foram esses anos que passaram que me mostraram que o amor pode até ser aquilo que você pensa que é, mas com certeza também é aquilo que você jamais pensou que fosse.
Nunca quis por todo o meu coração em suas mãos, mas aqui estou eu, entre uma carta e um sorriso admitindo que, hoje, não há como dizer que o que sinto por você é algo inferior ao amor. E mesmo que as estações mal se definam e que durante todo o dia tenham feito um calor terrível para, logo à noite, a tempestade vir me assombrar, eu não hesitarei em dizer aquilo que não deveria ter ficado guardado na última gaveta do armário. Não há nada que atinja o amor e eu já deveria ter previsto: nem a inveja, o rancor ou mesmo a solidão conseguirão respingar o ódio e a desunião no que de mais bonito já fecundou dentro de nós. Se não fosse você, não haveria paz, café com leite e mão macia sob a face. Se não fosse você, não haveria perspectivas, sonhos e realidade. Se não fosse você, haveria mais eclipses que lua cheia, mais trovoadas que brisas leves, mais sentir-se só em meio a multidão. Amo saber que com você haverá mais comemorações do que lamentos. Amo ter medo de te ver partir ao mesmo tempo em que bate a certeza de não ter jamais que sentar à varanda para esperar o seu arrempedimento. Amo ser quente e letrista em todos os momentos em que preciso te escrever uma carta pedindo que fique, por favor, fique, senão corro o risco de me engasgar com o choro preso e perder dentro do mim tudo o que você foi capaz de encontrar. Amo o fato de você sempre responder aos meus desesperos com um simples: não precisa pedir para que eu fique, porque eu jamais iria a lugar algum. Amo-te mesmo de longe, quando ouço a sua voz em meio a tantas outras e reconheço nas suas palavras o meu som preferido no mundo. Amo o jeito com que me olha com cuidado, planeja me tocar e cuida da sua saudade como a amiga que dará como retorno a recompensa do reencontro. Amo porque não foi planejado, porque foi um sem querer morrendo de vontade de que fosse. Amo porque amor mesmo é quando o amor vence. E contra ele, tentam o medo, tentam os outros, tenta o tempo, tentam até nos mesmos, e tentam quanto quiserem, mas não conseguem. A gente ama quando o significado das palavras parece fazer sentido e o “nunca mais” passa a ser efêmero como o é para dar lugar ao “para sempre”, permanente como deve ser. Amo-te com a certeza de que se não fosse você, não seria outro ou em tempo algum. Amo-te com a força de que se é nada em vão, tal como o tempo e suas feridas cuja cura que vem em seguida, também não será em vão esse amor.

Eu te amo antes mesmo de te conhecer e muito mais depois disso ter acontecido.
E todo esse tempo só me veio a confirmar: o amor é a única saída e, mesmo que não fosse, ainda assim seria.


And all the roads we have to walk are winding
And all the lights that lead us there are blinding
There are many things that I would like to say to you
But I don't know how

Because maybe you're gonna be the one that saves me
And after all, you're my wonderwall


(17 de março de 2012 - 5 anos de namoro)

sábado, 31 de dezembro de 2011

Until the end starts

Esse cheiro de ano novo sempre enche dezembro com uma vontade imensa de deixar os fantasmas e as lágrimas em um passado que não nos pertencerá mais. Mas é com o meu orgulho enfiado goela abaixo que eu admito que, no fim do último dia do ano, o balanço que eu posso fazer sobre os últimos 365 dias não poderia ser mais realista. Chega a ser irônico com uma perspectiva de vida que foi construída ao longo de uma vida inteira muda assim, depois de alguns episódios desastrosos e outros nem tanto. Antes, na minha ingenuidade juvenil, tinha plena consciência que um ano a mais só era válido se ele existisse para que eu fosse feliz para sempre, enquanto esse sempre durasse. Fui ridiculamente romântica, uma burguesa de coração atado à paixão, ao afeto, ao carinho. Esperei muito, por tempos, aquilo que eu sempre fiz questão de clamar como o justo e o merecido. Nada do esperado veio, mas é estranho como às vezes o esperado pode ser desinteressante se comparado ao inesperado. Não tive nada do que eu pedi: tive muito mais. Não enchi meus dias de misantropia, de manhãs deitada na rede, de livros fabulosos, de amores perfeitos, de amizades eternas. Vendo por esse lado, a felicidade é tão comum e banal. Todos sempre desejamos as mesmas coisas. E mesmo tento tudo isso em doses satisfatórias, a inquietude sempre me avisou: você não quer nada além do normal. O fantástico meche demais com a cabeça das pessoas. Tanto que começamos a duvidar daquilo que é real. Boa demais para ser verdade, essa realidade de vidro que trinca no primeiro suspiro. Foi com muita contrariedade, para ser sincera, que eu pareço ter entendido que a verdadeira alegria não precisa estar fantasiada de “inacreditável” para existir. Sempre proclamei que não precisava de nada maravilhoso para ser feliz, mas isso sempre foi a maior das minhas mentiras; sempre estamos à espera que algo lindo aconteça, algo que nos faça rever nosso conceito de mundo, que nos faça brindar usando champagne, que nos resgate a vontade de sorrir sem precisar de algum motivo que justifique a nossa loucura incontrolável. Essa exigência do melhor sempre me consumiu, ao invés de me fazer seguir em frente por acreditar. Acima de tudo, é decepcionante esperar coisas que só existem com fruto de uma imaginação nada confiável, que muda de idéias com o passar das horas e que desfila pelos mais perigosos e incertos sentimentos. Por diversas vezes, eu deixei claro que o meu desejo para um novo ano que se inicia é que tudo se transformasse para melhor; hoje, a única coisa que precisa mudar sou eu e essa inclinação a querer o perfeito enquanto este nunca me agradou. Tudo o que eu peço, depois de muito desperdiçar as minhas vontades com coisas que eu nunca quis, é que tudo o que vier seja o mais normal possível. Que os meus amores sejam sinceros e palpáveis e que eu possa reconhecê-los em pessoas sem poderes espetaculares. Que as minhas amizades sempre cultivem o sentimento do real e que nunca tragam consigo a fantasia que evapora ao fim da história. Que as manhãs de cada dia brindem a força, a fé e a esperança, mas que jamais cultivem o sentimento do falso, do que nunca existirá. Que eu jamais, em tempo algum, venha a estimar o desnecessário, o vago, o impreciso, o inoportuno. E que meu coração se acalme e descanse naquilo que habita dentro de mim, que não é tudo de bom que existe, mas que é suficientemente maravilhoso.

Nessa troca de datas de anos, eu não levo comigo nada que trouxe até hoje por falta de coragem de deixar para trás. Fica aqui a minha prece por um coração renovado, livre de todas as mágoas que anos a fio ocupam lugares desnecessários; deixo para trás o medo de acreditar nos sonhos que tenho receio em admitir; reciclo a minha mente para as pessoas que já havia condenado, para tudo em que já havia perdido a fé, para a paciência que sempre me faltou. Nunca fui de ter crença em recomeços, mas a vida me pediu e me mostrou como é imprescindível mudar essencialmente nós mesmos, quando estamos fadigados da nossa própria presença. Por fim, que o novo ano me traga a compreensão sobre tudo aquilo que sempre precisei e que nunca me faltou, mas que por vezes eu desperdicei.

Feliz vida, mente e coração novos a todos.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Todo o amor de sempre

And all the roads we have to walk are winding
And all the lights that lead us there are blinding
There are many things that I would like to say to you
But I don't know how

Because maybe
You're gonna be the one that saves me
And after all
You're my wonderwall


Eu te liguei na noite passada para dizer “meu Amor, amanhã eu escreverei uma carta endereçada a você”. Surpresa nenhuma dizer que faria algo que já faço todos os anos, desde que te conheci. Mesmo com as marcas da distância, com os presentes adiantados e a falta do teu olhinho brilhando enquanto te digo tudo isso, eu não posso deixar a oportunidade passar. Como se eu precisasse de requisito algum para me declarar a você, não é mesmo? Sempre planejo as palavras certas por dias, mas no fim da contas sempre me recolho na insignificância do meu vocabulário que nunca me basta. Como explicar a você e ao mundo como é grande a minha gratidão e a minha sorte por ter sido, entre milhões de garotas mais bonitas e mais engraçadas, a escolhida? Como dizer, sem parecer clichê ou piegas, que o dia 24 de dezembro de 1991 foi o mais bonito e o mais significante para mim, antes mesmo de eu ter nascido? E, mais que tudo: como posso, com simples palavras, explicar a explosão de sentimentos bons que ocorrem em mim sempre que me vem à mente o teu rosto? Nada disso cabe em carta alguma. Não teria como explicar o poder da nossa história a ninguém, porque não é todo mundo que tem quem dê colo toda vez que parece que nada vai dar certo, que o faça rir até quando a sua vontade é de rasgar o peito com o choro mais sofrido, que lhe encha de orgulho cada vez que consegue superar até a si mesmo. Você me ensinou as lições mais importantes da minha vida e, sem pedir nada em troca, se doou o máximo que pode pelo simples fato de achar que eu mereço. Em 20 anos você foi e é muito mais do que muita gente luta a vida inteira para ser. E entre toda a frieza que às vezes atinge o meu coração, você foi o único que conseguiu fazer com que eu sentisse algo – amor, ódio, saudade, admiração, desejo... Felicidade. E mesmo que hoje você não fosse tudo isso que é para mim, ainda assim eu te desejaria as coisas mais fabulosas que a vida possa te oferecer, porque eu jamais conseguiria pensar em alguém que merecesse mais. Obrigada por ser o meu melhor amigo, meu namorado, meu amante, meu futuro marido, meu herói, meu bandido, minha luz no fim do túnel, meu protetor, o protagonista dessa minha história que às vezes não passa de um drama grego ultrapassado, mas que você transforma num romance francês de tirar o fôlego.
Feliz aniversário, meu Amor. Que Deus multiplique na sua vida todas as coisas maravilhosas que vêem acontecendo, que nunca lhe falte forças e paciência e que a sua fé permaneça intacta, assim como o amor que habita em ti e que propaga no coração de todos que você se aproxima.
Eu te amo e não poderia ser diferente.

Beijos e abraços,
Para sempre tua.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Por tudo ache graça


Há muito tempo eu venho falado de dor como se fosse a única coisa que me habitasse. Já fui muitas vezes proibida por pessoas que sequer me conheciam a não deixar a felicidade escapar. Sou taxada por aí de louca – um mister entre a benção e o desperdício. Na mente dos outros, tudo culmina em desagrado. Acho muita ousadia de quem sabe apenas o que acontece na superfície e, ainda assim, despeja frases cruéis como “você não merecia a sorte que tem”. 
Para quem assiste de fora é muito mais cômodo, sempre foi. Você o ama, Ele faz tudo por você; não o trate assim, Ele não merece; como alguém pode ser tão bobo por você?; não o faça sentir outro rasgo no estômago; deixe-o em paz. Tudo ecoa em forma de discurso infinito na minha cabeça, como forma de me manter firme e alerta a tudo e todos que parecem compreender o que se passa aqui dentro mais que a mim mesma – mais que nós mesmos, aposto. É quase aceitável: nós e nossa humana necessidade de colocarmos a culpa em quem está ao nosso redor como uma desculpa por não saber enfrentar os mesmos problemas que achamos tão simples. 
Mesmo com algo tão duro, acredito que, se ao menos por um segundo, você deixa de ser tão obcecado por um domingo de praia e sol, você consegue perceber a beleza em uma tarde chuvosa. Sempre fui exigente quanto ao sentido das coisas, mas não com aquilo que me levava à compreensão. Nada melhor que parar, de uma vez por todas, de mensurar o bem e o mal que existe em tudo; sou mais independente que isso, sou feita de muito mais que demonstrações românticas ensaiadas com base no último filme hollywoodiano. 
Quero ver a graça na briga sem motivo no estacionamento do shopping; quero chorar ao telefone pedindo para o homem da minha vida não me abandonar, porque sem ele nada tem graça; quero receber o pedido de desculpas que eu mereço e gritar que estou me doendo até fundo da alma. Nós sabemos nos recuperar desses loopings e ainda com um sorriso no rosto que deixa bem claro o quanto ficamos melhor, depois de tudo. Isso, para mim, também é ser feliz para sempre, porque se eu nunca encontrar uma alegria ofuscada pelo meu choro desmedido, todo o resto estará perdido no instante que o encanto se quebrar. 
Se você aprende a ser triste, todo o resto é mais fácil, mas se você está acostumando só com novo e o belo, se prepare para o choque quando a pintura começar a descascar. Eu não sofro sem motivo, eu não estou triste o tempo inteiro e muito menos tenho sempre algo pelo quê lamentar; na verdade, estou exatamente o oposto disso e é nesse contrário que eu encontro motivos para me afundar na dor e ressurgir logo em seguida. “O poeta precisa de sofrimento tanto quanto da sua máquina de escrever”, e eu apostaria todas as minhas fichas em Bukowski sem achar que isso seja a desculpa de um covarde. 
Tenho essa cara de quem está sempre com algum problema, mas no fundo só estou pensando em como posso fazer para as coisas serem (ainda) melhores. Só não confio nas pessoas, não confio em mim: uma vez que eu me entregue a essa história feliz, vou esquecer o caminho da volta; não quero correr o risco de não lembrar que da mesma forma que eu tenho uma capacidade enorme de sorrir, o choro também vez fácil. Não quero esquecer como é ser triste de vez em quando para não correr o risco de ser triste sempre. Quero chorar sem motivo antes que eu arrume razões de fato para dar companhia à lágrima solitária que deixo escapar. E enquanto minhas palavras me traem e expressam a maior dor que sou capaz de sentir, fora e dentro de mim vai sendo construída uma base mais forte, mais realista, melhor para Ele, melhor para mim.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Fix you


And high up above or down below
When you're too in love to let it go
But if you never try, you'll never know
Just what you're worth

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try, to fix you.

[Fix you - Coldplay]

Há muito tempo eu não falo de amor, porque ele próprio tem dito tudo por mim. Vez ou outra na vida, eu esperei que alguém me provasse alguma coisa. Que algo de maravilhoso acontecesse. Que a vida finalmente fosse justa comigo. Passei muito tempo reconstruindo a mim mesma, somando os pedaços que foram destruídos e separados por cada tempestade que por aqui passou – um trabalho muito duro para quem tem somente gotas de força de vontade. Fiz tanto o tipo de quem não se importa com ligações no fim da noite ou no dia seguinte, mas enganar a mim mesma já não fazia muito efeito. Fui curada pelo teu sorriso. A cada vez que tentei vulgarizar a mim mesma, em uma tentativa humilhante de me fazer sentir algo que não fosse amor, só recebei teus braços em volta do meu corpo, em uma atitude clara de proteção de mim mesma. Sempre digo: você me salvou do perigo que eu me representava. Eu poderia ser autodestrutiva até que secassem as lágrimas e, ainda assim, continuaria dançando o rock à meia-noite, as luzes apagadas e a garrafa de wisky no canto da sala. Essa valsa solitária não me fazia sentido, mas preenchia a vontade do que quer que a gente passe a vida inteira procurando. Para quem esperava de mim um sorriso, um abraço ou qualquer coisa que demonstrasse que aqui dentro ainda havia algum afeto, eu sempre tinha alguma proposta indecente a oferecer, que no fundo nada mais era além de um “está disposto a ser minha válvula de escape?”. Tudo o que eu tive, antes de você, foram noites que não merecem um fiapo de memória. E escondidinho, depois que o efeito das pessoas e das coisas passavam, eu me reunia com a única parte sóbria de mim e pedia a Deus, por favor, por favor, me tira dessa escuridão e me põe salva nos braços de alguém. Você, porém, é mais que o meu milagre pessoal. Quando aparece na minha casa, às quatro da tarde, é como a minha oportunidade de ser feliz para sempre. Dizem por aí que ninguém deve acreditar no amor incondicional, que a vida é efêmera e os sentimentos mais ainda e que as pessoas são mais instáveis que o tempo. Mas que tipo de pessoa eu seria se não me prendesse forte à esperança mais bonita que eu tenho? Se for só mais um sonho bobo, pois que tenha o gosto mais puro de realidade. Sempre que vejo alguém que é solidão por não conseguir ser amor, tenho vontade de dizer: pede, numa prece escondidinha, que alguém venha te salvar, porque tem tanta dor no ato de se conformar em ser sozinho. Eu mesma ainda peço por favor por essas pessoas em dias como o de hoje, em que eu sinto que mais gente merece essa felicidade que habita em mim. Eu, que já passei por todos esses caminhos, vejo que misantropia só tem graça se for saída de uma noite só; colecionar roupas, amores e histórias não têm valor algum se no final tudo é um fiasco de comédia sem graça, de violão desafinado e cantor de voz rouca. Parece música de velório, essa que embala uma vida cuja única motivação é seguir em frente e só. Confesso que eu não me arriscaria a ser tanto se não fosse por alguém que visse graça no meu desastre pessoal. Sou muito frágil e pequenina quando não tenho você sempre ao meu lado me lembrando que toda a força que preciso sempre pode ser encontrada na poesia e nas verdades do amor. É por hoje eu ser sorriso e não tragédia que eu agradeço e obrigada, obrigada, obrigada a você por ter vindo me salvar de mim. Por ter me mostrado que é possível o que quer que seja. Por ter me provado que o “nós” é melhor que todas essas drogas e melodias e desperdícios. Obrigado por ter sido melhor para mim de um jeito que eu nunca fui.

domingo, 19 de junho de 2011

Ensaio às (des)enganadas


Deixamos de acreditar no amor.
É triste constatar, mas isso é o que sobra depois de muitas relações amorosas conturbadas que nos tornam seres esgotados emocionalmente, cansadas de sofrer por um contínuo amor a homens errados. É, errados... Aqueles cuja aparência é encantadora, mas que, de forma oculta, regam em si um grande poder de dos acarretar sofrimento. Independente de quem seja o culpado pelos fracassos, é reconfortante saber que existe um refúgio que não seja desistir da vida conjugal: se entregar aos homens certos porque, felizmente, eles existem.
O homem certo é charmoso. É bom que seja bonito, mas não precisa necessariamente o ser; com o tempo, você percebe que pouco importa se ele é forte ou magrela se souber tocá-la com gentileza; tanto faz se os olhos são verdes, castanhos ou azuis se tiverem aquele brilho ao olhá-la como se não houvesse nada mais importante que você no mundo.
O homem certo é romântico. Não o romântico taxativo ou o meloso e muito menos o que o é uma vez na vida inteira, em um surto romanesco. O homem certo é romântico de forma espontânea, todos os dias. Ele não lhe dá um buquê de flores no dia do seu aniversário, mas lhe dá uma única rosa em uma quarta-feira qualquer; ele não precisa fazer declarações de amor estrondosas, porque sabe demonstrar que a ama e a faz acreditar nisso com um simples gesto ou um “eu te amo” sussurrado ao ouvido quando você menos espera.
O homem certo é fiel a você e a ele mesmo. É companheiro e consegue fazer com que você o sinta perto mesmo quando estão separados. É confiável e esperto o suficiente para conseguir ser confiante sem se tornar arrogante. É amigo e deve saber ser sincero sem que você se sinta mal com as verdades difíceis que possam ser ditas.
O homem certo tem defeitos; de preferência, os mesmo que você tem, para que possam se compreender e para que você consiga enxergar no outro não só o melhor, mas também o pior de você mesma. O homem certo não precisa saber cantar, mas conhece todas as suas músicas favoritas. Ele entende as suas vontades mais estranhas, não troca você por futebol e acha o seu irmão mais novo uma graça mesmo quando ele senta entre vocês no sofá da sala.
Às vezes é um cavalheiro, às vezes um bruto, às vezes divertido, às vezes irritante. O homem certo tem sempre as melhores palavras ou o melhor silêncio para os seus momentos de alegria ou desespero. Ele é aquele que sabe despertar em você sensações que nem aquela torta de chocolate da Dolce Grill conseguiria lhe causar. E no final, independente de qualquer coisa, o homem certo sempre tem um sorriso para lhe oferecer.
O homem certo deveria ser um homem real. A notícia boa é que muito provavelmente você encontrará um homem assim. Por isso, não tenha medo de deixá-lo passar sem que você perceba, porque o seu homem certo é tão diferente dos demais que você com certeza o reconhecerá assim que o vir. E ele também reconhecerá você, a mulher certa que ele sempre procurou.

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Relendo algumas crônicas e poesias (nossa, eu escrevia poesias) de anos atrás, veio a dedução óbvia: tem coisas que nunca mudam, mesmo.

Texto original de 24/08/2008, que foi devidamente encaminhado ao meu homem certo.

domingo, 12 de junho de 2011

Vem, Amor


Vem que o jantar está na mesa,
Que o abraço é nosso amigo,
E o rancor, nosso inimigo,
Não contagia tão grande encanto.

Vem, Amor.

Que a felicidade não atrasa,
Que o sorriso nos espera,
Que paixão em nós flameja,
Que a tristeza não tem brecha.

Vem, Amor.

Vem que tudo é tão depressa,
Que o beijo é movimento,
Que o suspiro é um segundo,


E ainda que se destruísse o mundo,
Eu estaria a sua espera.
Vem, Amor.

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Algumas poucas palavras e todo o sentimento do mundo.
Feliz Dia dos Namorados a todos que, como eu, são eternos apaixonados.

terça-feira, 31 de maio de 2011

O início de algo bom - há de ser


Hoje foi um daqueles dias em que eu fiquei feliz por qualquer bobagem que vi na rua. Estava, como sempre, em mais um daqueles momentos reflexivos em que não sei se me entrego de uma vez a essa carência de viver ou se espero mais um pouco para analisar onde esse caminho todo vai dar – a luz no fim do túnel pode ser simplesmente uma lanterna velha piscando na mão de mais um desistente. O fato é que eu nunca fui de ter calma, de deixar as coisas acontecerem, let it be, let it be. Talvez por isso minhas marcas são tão profundas: eu sempre senti os meus dramas antes mesmo deles acontecerem. E às vezes nem aconteciam. Continuam sem acontecer. Minhas lágrimas insistem em secar no meio percurso pelo meu rosto. E só aos poucos eu vou me dando conta de como isso é ridículo – eu, você, os fantasmas e tudo mais que deixam sombrio nosso relacionamento (se é que pode se chamar assim), que há muito já não precisava mais de tensões. Nunca fui de te escrever, mais eu precisava dizer de uma vez por todas: gosto de você. Sempre gostei e não me condeno por isso, mas a vida – a culpa é sempre dela, essa danada – foi nos afastando de tal forma que nunca tive tempo de te dizer tudo o que eu queria. Faltou coragem, faltou espaço na mente e no coração. Hoje, eu reflito sobre tudo o que passamos – sozinhos, por causa um do outro. E vejo que o assunto não é mais tão intocável. Vejo, acima de tudo, que só superarei certos choros e certos traumas a partir do momento que eu encará-los de frente e acreditar no que eu digo: você não é tão terrível quanto pensei. E mais: estou vivendo muito bem agora, apesar de ter passado dias inteiros só pensando o que diabos você tinha que conseguia me atingir assim. No fim, tudo o que eu peço é que tenha paciência, pois o meu coração lento já não compreende com tanta facilidade essa necessidade das pessoas de nunca permanecerem nas nossas vidas e, ainda assim, se eternizarem em nós.

Só andei pensando que conversar a respeito pode fazer algum bem. De qualquer forma, exercitar o perdão e a capacidade de recomeçar nunca fez mal a ninguém.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Meu amor dos tempos de sempre


Liberdade na vida é ter um amor pra se prender.

Eu preciso te dizer que meu amor por você cresceu absurdamente durante os últimos 4 anos. Que os meus dias foram mais felizes e mais intensos, que as cores são mais vivas e que a beleza do mundo salta aos meus olhos cada vez que eu tenho a sorte da sua presença.
Sorte, sim. Porque história como a nossa tem aos montes por aí, mas o que nos faz diferente é que aconteceu comigo, com você - e de como nós sozinhos já somos parte de um mundo paralelo e como essa singularidade se tornou semelhante desde o dia que eu te conheci.
Sorte, sim. Porque muitos como nós tem o prêmio de se encontrar, mas poucos dão valor como nós damos. E vivem as coisas tão profundamente. E têm tanta certeza de um futuro maravilhoso como aquele que planejamos todo os dias.
4 anos não são 4 meses, não são 4 dias e não são nada perto dos tantos outros que virão. Que eu te amo você já sabe, que a minha vida é a sua vida não é mais nem novidade e ser a mulher mais feliz do mundo já se tornou rotina. A novidade é que isso tem um valor único, maior e diferente, todos os dias. Como os de hoje, em que você me abraça, me beija e diz ''parabéns, meu Amor''.

Com a paz que isso me dá,
beijos e abraços fortes,
Para sempre tua.

(17/03/2011)

terça-feira, 19 de abril de 2011

Quando o segundo sol chegar...


Eu vou sempre sentir que a gente pode ser um pouco mais. Vou sempre insistir na mesma questão, ser clichê diversas vezes e teimar até tudo se tornar cotidiano, até essa luta fazer parte do meu dia tal como acordar. Vou abrir as janelas todas as manhãs, respirar fundo e ganhar forças para me manter sempre em pé diante da sua descrença; vou sempre achar motivos para ser mais forte do que você acha que eu sou. Tô jogando fora o orgulho que nunca me levou a lugar algum – nunca ouvi falar de alguém ser indigno por ter sofrido por amor.
Vou parar de ser sempre tão pessimista e exigente; já lhe disse diversas vezes o quanto você é bom, mas sou péssima em demonstrar o quanto sinto isso. Não consigo lhe provar que dentro de mim existe um prazer enorme por eu ter sido a escolhida – porque você preferir a mim entre milhões de outras que poderiam fazer o mesmo que faço, mas que nem de longe recebem tudo o que você me dá. Sou falha, eu mesma me engano, me dou rasteiras seguidas – não consigo enxergar o bem que me faz mesmo quando comete os seus erros, bobos.
Tenho essa pretensão a destruir tudo de bom que você faça e é isso que nos manda de volta para o abismo, todas as vezes. Mas dentro de mim, bem fundo, uma luz certa hora brilha, iluminando todo o caminho que eu imaginava ser tortuoso. E então eu vejo todo o seu esforço, dedicação e percebo como eu consigo ser estúpida por não valorizar cada instante que você se sacrifica um pouquinho para não se perder de mim.

sexta-feira, 18 de março de 2011

And we still together...

São Luís, 17 de março de 2011, 4 anos de namoro.

Eu não estava preparada pra qualquer grande confissão ou algo do tipo – só as velhas palavras de sempre merecem ser ditas, creio eu, porque embora repetitivas, são as que ainda valem. Por isso, não poupo uma vírgula sempre que vou lhe agradecer por tudo que você se tornou pra mim. Sei que não sou fácil e não adianta dizer que não é assim: sou chata assumida, complicação em pessoa, um conjunto de pensamentos nada simples e uma penca de vontades insaciáveis. E, ainda assim, você aceitou o desafio. Aceitou o jogo mesmo sem conhecer as regras e eu tenho certeza que muitas vezes pelo caminho eu lhe surpreendi – mas como você é duro na queda, hein? Com esse meu instinto de destruir as coisas boas que me acontecem, de propósito ou não, eu fui lhe impondo os obstáculos mais difíceis que eu consegui formular – e você foi quebrando todos, um a um, até que um dia parou de fazer sentido tantas jogatinas sem objetivo... Porque você ainda estava aqui. Porque você sempre estaria aqui. E não importava quanto a minha inclinação à autodestruição teimasse, já que eu havia encontrado algo mais forte que a minha má vontade; algo que me impedia de continuar a ser o monstrinho sentimental que eu era; algo que me mostrou que há outro caminho além da desilusão. E, no mais, estava você aqui, pronto para me provar que sonhos não são bobagens, que quando se quer, se consegue e que tentar o máximo que se pode é sempre a única opção. Você me ensinou a não desistir e por mais que às vezes você esqueça a sua própria lição, está gravado em mim o quando você foi insistente – o quanto batalhou por nós dois – e essa memória nunca vai se apagar. Eu sei que eu não facilito – muito pelo contrário. E, talvez, seja apenas uma forma de não lhe deixar esquecer aquilo que faz de você quem você é – não deixar a sua esperança morrer nunca, não permitir jamais que você desista dos nossos planos, um tanto clichê, mas que no fundo é o que toda pessoa realmente quer. Sei que acabo negativizando tudo no fim das contas e que pode parecer que não acredito nunca em nada, inclusive em nós, mas é que ainda vou ter que treinar muito até me tornar ao menos mestre naquilo que você já é doutor. Mas, de qualquer forma e acima de tudo, obrigada por continuar me amando – e você faz isso perfeitamente bem.

Parabéns, meu Amor.
Muita paciência para construirmos a nossa história sem fim.


- Você acha que isso, que a gente... É para sempre?
- Acho que ''eu te amo'' é uma dessas coisas que você só tem a chance de dizer uma vez na vida.
- Eu já usei a minha chance.
- É por isso que é para sempre.

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No mais, mil desculpas pelo sumiço nos blogs de todas vocês, mas quem estuda vai entender meu sofrimento só em eu dizer que me encontro em semana se provas. Juro que assim que eu terminar com as obrigações universitárias, corro para matar a saudade que estou de lê-las. Beijo grande!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Hoje e sempre




Queria te desenhar mil borboletas para que elas te ensinassem a voar. Queria te dar fórmulas prontas de como ser feliz para sempre, pulando todas as etapas de dor que apertam o seu coração. Queria te embrulhar em papel florido toda a felicidade do mundo e dividir todas as suas perdas em doses homeopáticas. Queria deixar o mundo mais fácil para você, pequena, mas tudo o que eu consegui foi cantar uma canção no dia em que o sol está mais brilhante porque hoje ele nasceu para iluminar você.
Noites dividindo aflições em comum, uma implicância mútua que chega a ser cômica e pouco tempo pra perceber o quanto nossa essência pode ser a mesma - amizade não é só questão de oportunidade, mas é estar no lugar certo, na hora certa, com a pessoa certa e saber perceber isso. Ainda bem que eu encontrei você, pequena, que desde então tem me ensinado a ser muito mais do que eu achei que fosse capaz.
O que eu desejo a você ainda não tem nome – algo como a mistura de toda a bondade possível e alguns desafios, para que você jamais se perca da pessoa forte que é.
Um forte abraço, um beijo enorme e toda a felicidade do mundo.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Um é pouco, dois é bom, três é melhor ainda

Eles têm muito em comum.
Volta e meia, me tiram completamente a paciência. Me fazem, mesmo, acreditar que não tem mais jeito e que a nossa relação escorreu ralo abaixo, para no segundo seguinte me fazerem rir como uma criança feliz – é, eles são meio inconstantes e não guardam mágoa nenhuma, então não me espanto mais se brigarem feio comigo para no segundo seguinte dizerem que me amam. Apesar disso, tenho com eles um caso de amor sério, porque se problemas nunca nos faltaram, carinho foi o que sempre existiu em excesso. Tá que eles são bem irracionais quando querem e fazem uma besteira aqui ou acolá, mas, no fim das contas, são mestres em uma arte maior: me manter aqui, em pé, viva e sem desistir, porque eu não tenho um nem dois... Eu tenho ao menos três motivos pra sempre sorrir.
Disputam pau a pau cada espaço no meu coração, mas no fim eu sei que o maior presente de todos é ter os três comigo, cumprindo fielmente o papel que lhe foi incumbido. A gente tem muita história pra contar: são muitos risos e choros e lições e abraços. São muitas idas e vindas. É muito aprendizado, é muita demonstração de que ''por vocês, eu moveria mundos''. Porque eu o faria em qualquer um dos 364 dias do ano e faria com maior gosto ainda hoje, data que me presenteou com o nascimento daqueles que, em sua maior característica em comum, são os homens mais importantes da minha vida.
Não sei se foi piada do destino, luz divina ou mero acaso, mas hoje eu me sinto triplamente amada, realizada, agradecida e extramente alegre por poder olhar para os lados e saber que eu tenho ao meu lado três caras fantásticos que me apoiam incondicionalmente e que o vão continuar fazendo sempre. É por vocês que eu estou aqui hoje. É com vocês que eu espero estar quantos mais dias na minha vida for possível. E é pra vocês que eu desejo em triplo todo o bem, as realizações e a alegria que me permitiram alcançar.

Ao meu pai, que me ensinou a ser (com muito orgulho) exatamente quem eu sou.
Ao meu irmão, que me prova a cada dia o quão pode ser melhor do que já é.
Ao meu namorado, que faz de mim a mulher mais feliz do mundo.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Todo o amor é pouco

Quero mais - e temos mais. E por isso ele é a exceção de todas regras do meu mundo. O amor só é eterno enquanto dura? Pois o tempo parou pra nós dois. Perfeição não existe? Pois não consigo apontar nele algo que não me fascine. O amor me deixou cega-surda-louca-varrida? Nunca estive mais lúcida e é por ter tanta certeza que não cabe na nossa história qualquer coisa que seja falsa ou momentânea é que eu digo que não há no mundo alguém que tenha mais chances de ser feliz do que eu. E se a gente tem algum problema, não é por falta de sentimento, mas sim por excesso – de cuidado, de carinho, de atenção, de querer-tá-junto-o-tempo-todo-todo-o-tempo. E, enfim, não faz sentido consolidar o que já está mais que enraizado, não pretendo divulgar minha tamanha sorte e muito menos vou dizer que um dia outro qualquer eu não tenha vontade de gritar, pois bem, eu desisto de manter as coisas sempre assim – a grande diferença é que, na maior exceção entre todas, quando se trata dele, eu sempre volto.

Volto com um sorriso, um coração e os braços abertos – eu volto para onde nunca deixei de estar. Eu volto para você.

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Aproveitando o que uma vez foi dito pelo Aurício no seu blog, hoje eu aqui repito: ''algumas pessoas esquecem (ou ainda não descobriram) que os comentários não funcionam como auto-ajuda'', mas para que as pessoas que gostaram do que leram e se identificaram com o texto possam externar isso de forma crítica e construtiva. Juro que eu aprecio a boa vontade de vocês, mas, na boa, conselhos eu mesma me dou. Enfim, não queria ser grossa ou arrogante, então espero que entendam. No mais, permaneço grata à visita de cada um. Sempre.

Beijos!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Fez-se Amor

Ele me abraça forte – no sofá da sala, no cinema, na fila do restaurante, no banco da praça, na beira do mar. Me abraça quando nós brigamos, não só porque é um teimoso que não desiste de me deixar sempre de bom humor, mas porque sempre quer mostrar que não importa o quanto às vezes eu pareça disposta a destruir nossa relação: ele vai continuar ao meu lado e qualquer reclamação da minha parte é perda de tempo.
Ele tem uma pré-disposição a ajudar as pessoas que me comove. Atura, sem reclamar, os meus ataques hipocondríacos, as minhas crises de TPM, os meus surtos de pessimismo e minhas inclinações pseudo-alguma coisa que me rende horas a fio falando bobagens. Não reclama em passar os domingos à noite assistindo Faustão na sala da minha casa – e repete sem parar: ''se eu estou com você, qualquer lugar serve''.
Ele não passa um dia sem me falar do futuro que ele imagina para nós dois: as viagens, o casamento, os oitos filhos. O bom de verdade é eu o observar dizendo tudo isso e constatar que nada é para satisfazer uma suposta necessidade que toda mulher tem em achar que o atual namorado é seu futuro marido – a maravilha em cada um desses planos mirabolantes é que ele acredita em cada um deles. E eu também.

Mas, ainda que assim não fosse, eu o amaria da mesma forma. Nós não precisamos de (auto-) afirmações que tentam mascarar a fragilidade que ainda existe em muitos desses casais de banco de praça; eu não preciso dizer a cada silêncio que ele é o homem da minha vida, que existir é muito mais fácil quando ele está ao meu lado ou até mesmo que nenhum outro jamais ocupará o lugar que só pertence a ele. Não que eu discorde que um ''eu te amo'' bem colocado possa ser o responsável pela felicidade de um dia inteiro; o que eu quero dizer é que se ele vai pra longe e que por algum motivo muito sem graça passamos dias sem nos falar, eu não vou ter ataques paranóicos e infantis, mas dignos de mulheres de 8 anos até os 80, e fermentar algo como ''será que ele está pensando em mim?''. Porque eu sei que ele está.


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Verdade seja dita

Eu acho que você gosta de mim. Assim, do seu jeito. Gosta de uma maneira mesmo cheia de descaso, até concordo, mas tão simples e boba que me faz dar risada. Acho que gosta de mim: vi isso escrito no seu olhar desde a última vez que nos falamos e você se despediu de mim com um beijo no rosto – percebi o sentimento oculto no seu jeito concentrado em nunca ser direto, mas que deixa escapar, vez ou outra, todas as entrelinhas que eu preciso para entender o que há por trás desse mar de sarcasmo.
Você gosta de mim como se fosse um erro. Eu sei, você sabe, que não nos cabe qualquer forma de carinho e afeto mais publicamente demonstrável; você gosta de mim assim, escondido, no encanto de permanecer quieto enquanto todos ao nosso redor se perguntam: mas entre eles, o que realmente acontece? Não sei, meu querido, eu só sei que gosta de mim: não é à toa que fala comigo de forma tão displicente, como quem afirma uma descoberta e logo depois tenta despistar.
Não acho que seja trágico e tão pouco imprudente – não enquanto permanece assim, calado, só me olhando, como se em mim coubesse todo o peso de expectativas que você me demonstra ao falar da vida, de amores e de futuro. Mas também não acho que seja bom o suficiente; sim, penso que gosta de mim, mas tantas outras dúvidas ainda estão por trás disso: gosta como? Gosta o suficiente? E mais: vai continuar só gostando ou vai fazer algo a respeito?

Enfim, o que eu queria que você soubesse é que não precisa de receios: se gosta de mim, diga – apenas diga, mesmo que do seu jeito silencioso. Mas me faça saber, porque paixão tem tempo de vida contado, meu querido, e eu quero aproveitar enquanto ainda posso.

Porque eu também gosto de você.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Ilha magnética

Eu não nasci aqui. Não corri por essas ruas enquanto era criança e nem fiz a pré-escola em uma dessas escolinhas de bairro. Até um apartamento eu só fui ter há pouco mais de dois meses – até então, morei por longos 6 anos na casa de parentes e, por Deus, só quem já passou por isso sabe como pode ser complicado. No mais, eu não tenho qualquer vínculo com São Luís: não está aqui o mestrado que sonho fazer, meus pais não dividem a mesma casa que eu e, talvez, eu pudesse ter seguido a minha utopia de vida se estivesse morando em São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro... Mas, ainda assim, eu não troco a minha ilha maranhense por cidade nenhuma no mundo – e não me venham com Paris, New York ou Barcelona, porque nenhum desses outros lugares poderia ter me oferecido tudo que eu consegui por aqui.
Eu não sei bem explicar o que eu sinto quando ando pelas ruas do Centro Histórico, assisto o pôr-do-sol na praia ou atravesso a ponte José Sarney, sentindo o vento no meu rosto. Talvez, e eu não temo em dizer, nesses 6 últimos anos eu tenha vivido muito mais que os 12 anteriores à minha mudança para cá. E, ainda que não fosse, eu jamais poderia agradecer a São Luís por ter me proporcionado o meu primeiro amor, os meus melhores amigos, os meus maiores pecados e, ainda, pelo tanto que eu amadureci enquanto aprendia que, se eu não tiver transformado essa cidade inteira em um único lar, então eu não sei, mas acho que não me encaixo em mais outro lugar no planeta.
Eu tenho verdadeira adoração pela orla de qualquer praia e pelo Reviver - um lugar cercado de história francesa e portuguesa, com seus casarões e sobrados dignos da melhor arquitetura da época; não troco por prazer nenhum o meu fim de tarde ludovicense, a minha adorada Praça Gonçalves Dias, um jantar em uma pizzaria na Lagoa da Jansen ou uma tarde falando bobagem no Tropical Shopping. E não poderia esquecer o Teatro Arthur Azevedo, as escadarias do Centro Histórico, a Praça Nauro Machado, o Convento das Mercês e muito menos o meu lugar preferido na cidade.

E ainda tem gente que diz que São Luís é vergonhosa e que, se puder escolher, jamais irá morar aqui. Não que seja tudo tão perfeito e que às vezes não dê vontade de fugir... Mas dedicar um pouco de amor a um lugar tão espetacular não seria esforço algum.

Parabéns, São Luís – Maranhão.
398 anos de puro encantamento.

ps.: nenhuma das imagens que ilustram o post são de minha autoria.
ps¹.: o título foi retirado de uma música de mesmo nome, do cantor César Nascimento.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Para quem nunca viu tesouro descoberto

Está ali, à mostra até para quem não quiser ver. Ali, no meio da sujeira do resto do jantar de ontem à noite, que compartilhávamos enquanto passava uma besteira qualquer na televisão – e ríamos, como quando sempre fazemos em momentos banais e dignos de tédio para muitos, mas que é um dos nossos instantes mais íntimos. Ali, ainda não vê? Entre as folhas de papel dobradas que formam uma pilha no canto do quarto, nas entrelinhas dos textos de livros comprados e jamais lidos, mas que tem o seu cheiro, a linha do teu rosto em cada verso dito por quem parecia prever um caso como nosso – nossas complexidades, descompassos, reencontros e resoluções fantásticas, todas narradas em páginas intermináveis de Caio Fernando ou no canto das letras de Nando Reis, que entoam como ninguém as nossas necessidades mais urgentes ou as mais profundas e prolongadas presenças. Ali, no pinguim de pelúcia que ocupa agora metade da minha cama, em todo o seu significado – parece me olhar com a sua mesma face de menino contente, de gente completa ao extremo de ainda sobrar para me completar também. Se ainda não consegue ver, te aponto mais aquém disso tudo, nas marcas que vem deixado em toda a minha história – das razões que em mim existem, das conquistas que adquiri ou das felicidades que coleciono: tudo com uma pitada da sua vontade, atingido pela interferência daquilo que me apresenta. E, mais ainda, está aqui no presente, na tua marca que carrego em meu dedo, na tua proteção presa ao meu pescoço – está recente na risada estampada na minha face de menina boba, nos meus olhos que enxergam longe, focados em um futuro onde você pode encontrar, também, aquilo que lhe mostro: encontrar na vida que quero pra mim e que aos poucos alcanço, encontrar no limites que ainda vou enfrentar – e superar – e, bem mais, encontrar na família que vou estabelecer e no pouco de mim que quero guardar quando já não for mais possível me fazer presente – mesmo e principalmente ali, você pode encontrar e ver que cabe muito de mim no pouco de ti que conservo aqui, no interior. E é aí, onde por último e mais forte, que você encontra o amor, meu querido, cheio de marcas, cheio de nós, cheio de coisas extintas que demos vida novamente – eternidade, encaixe perfeito e sentimentos sem dimensão. Amor, marcando cada centímetro de vida que eu posso chamar de minha. Amor, o meu ligado ao teu – e não precisamos de nada mais.