segunda-feira, 28 de junho de 2010

Para quem nunca viu tesouro descoberto

Está ali, à mostra até para quem não quiser ver. Ali, no meio da sujeira do resto do jantar de ontem à noite, que compartilhávamos enquanto passava uma besteira qualquer na televisão – e ríamos, como quando sempre fazemos em momentos banais e dignos de tédio para muitos, mas que é um dos nossos instantes mais íntimos. Ali, ainda não vê? Entre as folhas de papel dobradas que formam uma pilha no canto do quarto, nas entrelinhas dos textos de livros comprados e jamais lidos, mas que tem o seu cheiro, a linha do teu rosto em cada verso dito por quem parecia prever um caso como nosso – nossas complexidades, descompassos, reencontros e resoluções fantásticas, todas narradas em páginas intermináveis de Caio Fernando ou no canto das letras de Nando Reis, que entoam como ninguém as nossas necessidades mais urgentes ou as mais profundas e prolongadas presenças. Ali, no pinguim de pelúcia que ocupa agora metade da minha cama, em todo o seu significado – parece me olhar com a sua mesma face de menino contente, de gente completa ao extremo de ainda sobrar para me completar também. Se ainda não consegue ver, te aponto mais aquém disso tudo, nas marcas que vem deixado em toda a minha história – das razões que em mim existem, das conquistas que adquiri ou das felicidades que coleciono: tudo com uma pitada da sua vontade, atingido pela interferência daquilo que me apresenta. E, mais ainda, está aqui no presente, na tua marca que carrego em meu dedo, na tua proteção presa ao meu pescoço – está recente na risada estampada na minha face de menina boba, nos meus olhos que enxergam longe, focados em um futuro onde você pode encontrar, também, aquilo que lhe mostro: encontrar na vida que quero pra mim e que aos poucos alcanço, encontrar no limites que ainda vou enfrentar – e superar – e, bem mais, encontrar na família que vou estabelecer e no pouco de mim que quero guardar quando já não for mais possível me fazer presente – mesmo e principalmente ali, você pode encontrar e ver que cabe muito de mim no pouco de ti que conservo aqui, no interior. E é aí, onde por último e mais forte, que você encontra o amor, meu querido, cheio de marcas, cheio de nós, cheio de coisas extintas que demos vida novamente – eternidade, encaixe perfeito e sentimentos sem dimensão. Amor, marcando cada centímetro de vida que eu posso chamar de minha. Amor, o meu ligado ao teu – e não precisamos de nada mais.

8 comentários:

  1. Que texto mais lindo!! Adoro suas palavras, sempre tão doces..

    Ah, ele está aqui também, vê? (:

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  2. poder transmitir tanta sinceridade, tanto sentimento em palavras é uma das minhas mais profundas admirações... e é incrível como tu consegues fazê-lo com tal leveza e tranparência ao ponto de, por instantes, podermos sentir o amor rondando o espaço em volta.
    Lindo texto! Espero e desejo que este Amor possa proporcionar mais momentos felizes pra vcs, consequentemente mais momentos de ótimas leituras pra nós!

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  3. Nossa! Como voce escreve bem!!! Parabens! Vim agradecer a visitinha ao Nao Penteio Cabelo e me deparei com uma garota que escreve muitissimo bem! QUE DOM! Vou visitar mais vezes! Beijos

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  4. Eu fico TÃO feliz em saber que te animei nem que seja um pouquinho e que te fiz sorrir =DDDDD seríssimo! =)

    óóó, qualquer coisa que quiser conversar, estou aqui: @barraisah

    beijo beijo beijo e sorria mais vezes.

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  5. Oi querida! mt obrigada pelo elogio!!!! :)
    Teu blog tb esta mt bom, tu escreves maravilhosamente bem!

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  6. Pior do que uma mulher que fala o que pensa e uma mulher que escreve, tenha certeza, é a mulher que escreve, sem preâmbulos, todas as minúcias de sua alma de forma crítica, sincera, impondo-se aos que a cercam. Há muito buscava um blog com conteúdo. De fato, agora consegui.

    Um abraço!

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  7. Você escreve tão bem que sempre que termino de ler um post seu fico sem o que dizer. Nunca sei o que comentar, venho aqui só para marcar presença mesmo, só para dizer que li e adorei, e que, mais uma vez, estou sem palavras.

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