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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

She's so contagious

Pra você, querida Anna. 

Hoje é terça-feira, minha cara amiga, e eu até quis telefonar, mas a tarifa não tem graça e morar longe de você custa caro. Custa caro manter essa distância Maranhão – Minas Gerais, que não dá para atravessar nem de moto nem de camelo. Tem sido um inverno longo, frio e solitário, mas hoje eu espero que você saiba que estou exatamente aí, do seu lado. 

E mesmo sem te ver acho até que estou indo bem, fazendo o que posso para diminuir a saudade que me atinge em cheio em dias como hoje, feito mar quando quebra na praia e leva tudo consigo. Quero que saibas que me lembro do teu sorriso, cada um dos que vi pessoalmente, e que os guardo comigo e os relembro quando quero aquecer o coração. Você é uma menina que me ensinou quase tudo que sei sobre ser gentil, sobre amar as pessoas, sobre ver o lado florzinha do mundo, sobre acreditar que Deus escreve certo por linhas certas. Você veio para enfeitar minha vida, dizer que será tipo festa sem fim. 

Sábios em vão tentarão decifrar o que se passa na minha mente quando me pergunto "o que de bom desejo à Anna?". Não consigo enumerar tudo, mas sei de algumas coisas. 

Quero que queime as lágrimas, cante mais alto, torça e grite. Tome fôlego. Não se afobe, não, que nada é pra já. Não caia nesse mundo despedaçado em torno de você. Não pare de pensar. Não pare de sentir. Escolha uma música triste e a faça melhor. Pegue um sorriso e ponha na face da tristeza. Tenha força, tenha força e tenha força – assim, repetido três vezes, que é para você não esquecer nunca. Tenha fé e se agarre a Deus, pois junto a ele é quando você descobre do que é feito seu coração. E se você está esperando alguém com quem realizar as coisas, você não sabe que essa pessoa é exatamente você? Comece por si mesma. Seja aquilo que você quer ver no outros – porque só assim, acredite, você verá. 

Sei que às vezes a idade nos trás o peso de olhar o passado e pensar no que já foi construído. Sei também que a gente tá engolindo cada sapo no caminho. Mas se isso deixar o seu coração mais leve nos momentos de angústia, pensa que a gente segue nessa vida se amando que, também, sem um carinho ninguém segura esse rojão. Ninguém nasce sabendo como ter 18, 19, 20 anos, mas você pode aprender com o tempo. E temos todo o tempo do mundo. 

Fique sabendo de ti que não me esquecerei, porque amores são sempre amáveis. 

Amor é tudo que você precisa. E você o tem.

ps.: juro que não sei a lista de todas as músicas que usei para compor o texto, mas aqui tem The Beatles, Vanguart, Switchfoot, Legião Urbana e Chico Buarque.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Aproveita que eu acordei feliz

Porque não é todo dia. Assim como não é todo dia que eu viajo 2992km, chego saltitando em um aeroporto e sou recebida com plaquinhas de identificação. Não é todo dia que banho com medo de molhar o banheiro e janto pizza até desmaiar de sono na melhor cama de edredom do mundo. Não é todo dia que eu acordo com ordem pra estar de pé antes do pão chegar à mesa, que como aquele bolo de chocolate (fofinho e com cobertura escorrendo pelos cantos, sabe?) no café da manhã, que misturo pão de queijo e mortadela.

Não é todo dia que alguém cuida do meu pé ferido, que me espera quando eu não acompanho o ritmo, que carrega as minhas coisas quando eu já estou a cara da derrota. Não é todo dia que alguém me dá colo quando faço burrada na balada, não é todo dia que alguém diz o quanto gosta de mim assim, sem eu ter feito nada de especial. Não é todo dia que alguém me adota só porque eu reclamo no meio da estação de metrô que não tenho mãe. Não é todo dia que é 26 de dezembro.

Mas devia, tudo isso, em looping infinito.

Porque todo dia deveria ser Renata Day. Ou todo mundo deveria ter, todos os dias, um pouquinho da Renata – como eu tenho. Ao menos uma vez na vida, alguém deveria receber um Abraço dela – Abraço de verdade, daqueles que quase ninguém mais dá, porque hoje em dia Abraço virou “bom dia” dado por cortesia. O dela não. Você tem que batalhar pra conseguir um Abraço dela. E a confiança? Vixe, põe tempo até ela deixar de achar que você é fake. E quando ela diz “eu concordo com você”? Bate aquela emoção no peito, aquele orgulho de que, por ao menos um milésimo de segundo, a Renta madura, organizada e responsável concorda com você. E quando ela ri de algo que você falou ou adora uma ironia sua? Soltem fogos de artifício, porque a Renata engraçada, rainha do sarcasmo, a Deusa-mor das tiradas fantásticas te achou (pausa dramática) divertida.

A verdade é que eu queria muito que a Renata gostasse de mim – louco é quem não quer. Quando viajei para conhecê-la, meu maior medo era que ela me olhasse, mandasse a Pandora me arranhar e depois me atirasse pelo 22º andar, gritando “você não é nada do que eu pensei”. Mas sempre foi lógico que ela não ia fazer isso, porque a Renata, aquela de quem eu tenho o maior orgulho, aquela cuja personalidade me inspira, aquela que sabe o jeito certo de te dar bronca e consegue por ordem na casa... A Renata sempre é melhor do que eu penso. A Renata sempre me surpreende positivamente. A Renata me faz até querer ser legal - mas só com quem merece. E olhe que eu não sou fofa. E nem digo "eu te amo" pra todo mundo. Mas ela consegue tudo isso.

É, mundo, aproveita que eu acordei feliz porque hoje é Renata Day.

As bravas também amam.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Vienna waits for you

Disseram por aí que ela não tinha nada de passarinha negra; que, se fosse para lhe dar um codinome, que fosse beija-flor – pequeno e belo, aparentemente inofensivo e, quando necessário, de uma resistência que reflete sua sintonia com a vida. Mas saibam vocês que os corvos, por exemplo, estão sendo cada vez mais reconhecidos pela sua exímia inteligência. Admito que foi por essa particularidade que, primeiramente, eu a distingui dos demais. Nela, essa característica – a enorme astúcia com a vida, com as pessoas e com si mesma – é algo que surpreende qualquer um que tem a sorte de perceber a luz dos olhos de boneca que ela tem. Ela, que carrega no nome a missão de enfrentar o que as circunstâncias exigem; ela, que pelos dias como que todos eles fossem sempre dias de ser sonhadora. Mesmo quando a vida quer brincar de ser séria, mesmo quando o medo é inevitável, Ela dança na frente das adversidades como quem desafia um inimigo – às vezes o seu compasso é um pouco mais veloz, às vezes é mais tímido... Mas ela jamais perde o ritmo.

Milena.

Se fosse por mim, eu seria nascida e criada nessa lua que você mora. Teria dormido aos teus pés muitas outras noites, tentaria te acordar outras tantas vezes só pra ver você preferir dormir a provar nossa janta; se dependesse de mim, e não da distância, faríamos mais noites do pijama e eu dormiria ao som da tua risada só pro dia nascer feliz, sempre. Quase sem querer ou sabendo que eu não resistiria, você invadiu os meus dias, me cultivou inúmeros sorrisos e me provou que eu estava errada cada vez que pensei “não, Ela não pode ser ainda mais fantástica”. O dia 10 de outubro está marcado no meu calendário como “o dia da única Milena do mundo”. Ainda que venham outras, nenhuma jamais será tão valente e persistente, tão alegre e sensível, tão espirituosa e ajuizada... Tão Milena. Obrigada por dividir comigo os seus dias, os seus medos, suas alegrias, suas ideias geniais, seu abraço apertado de “até logo”. Obrigada por me deixar ser parte do seu infinito. 

Muitos diriam que ainda é cedo para a dimensão do sentimento, mas depois de te encontrar e te ver partir, sim, eu preciso dizer que te amo. É. Eu preciso dizer que te amo. Tanto.



De: Analu, Annoca, Dedê, Renata e Tary.

http://www.4shared.com/rar/XGbpqu8H/Milena_Tape.html

domingo, 16 de setembro de 2012

Doces rodopios



Ela nasceu em setembro, sob a proteção da primavera. Colecionava corujas de pelúcia, canecas e abraços. Quando sorria, não era só com os lábios, mas com o corpo inteiro. Gostava de fotografar o céu e guardar na lembrança aquilo que por vezes esquecia por traição da memória. Morava em uma casa no fim da rua; na frente, grama verdinha e com cheiro de chuva. Uma cerca verde separava o gramado da calça e na entrada, à beira da porta, jarros com flores coloridas. 
Naquele dia 16, fazia sol e um céu era de um azul que parecia pintado. Ela acordou sem conseguir viver entre quatro paredes; se levantou de um pulo, se vestiu e rumou para fora de casa, descendo a rua enquanto cantarolava que “temos nosso próprio tempo”. Seu vestido lilás rodopiava a cada salto sincronizado que ela dava à ponta dos pés, calçados com sapatilhas de bailarina. Estava tão feliz que seus olhos se esverdeavam. Seus cabelos longos, à altura de seus cotovelos, brincavam com o vento enquanto ela corria pelas calçadas, tirando para si uma flor de cada jardim. Antes de chegar à esquina já tinha um buquê em suas mãos. 
Olhou para todas aquelas flores em suas mãos e sentiu que a cor delas refletiam em sua íris. Eram tão lindas – tanto, que ela não conseguia pensar em um lugar merecedor suficiente daquele pequeno maço de beleza. Continuou a andar, sem guiar-se pra onde, e quando se distraiu para olhar para o céu e os pássaros que lá voavam – e foi só um segundo – tropeçou em uma pedra, lançando o pequeno buquê diretamente em uma poça d’água. As flores ficaram lá, machucadas, contorcidas e a formosura ardente que antes traziam estava apagada pela água gelada. 
Isso a fez chorar como se junto com as flores tivesse perdido a alegria. Chorou porque a vida às vezes te derruba; chorou porque quase sempre se perde o que se ama, porque um obstáculo teima em aparecer, porque nem tudo tem graça. Poderia ter chorado pela vida inteira, mas sempre preferia respirar fundo, andar mais um pouco e colher nova flores. Dessa vez, assim que levantou o olhar, percebeu que ele vinha em sua direção. Ao chegar próximo o suficiente, ele estendeu a mão a ela e ajudou-a a se levantar. Encararam-se por um breve momento e sorriram um para o outro. Pediu que ela fechasse os olhos; em seguida, ele pôs as mãos no céu, segurou o sol e colocou-o sob o olhar de Taryne. E quando ela abriu os olhos, pode seguir iluminando o mundo.

sábado, 17 de março de 2012

Se não fosse você

Por muito tempo, achei que o amor fosse algo a ser controlado, medido, racionalizado. Envolvi-me de armas e barreiras enquanto protegia o amor, escondia o amor, economizava o amor. Chorei a perda do amor (que sempre tive) tantas vezes que cheguei a pensar que se um dia esse amor partisse, já havia sofrido tudo que seria capaz. Mas olha, ainda que de um jeito torto, te amei da primavera ao inverno, todos os dias daquele março ensolarado e muito mais nos meses seguintes. Sem você, não teria havido palavras bonitas, nem coração feliz, nem vento no litoral. Não haveria força em abraço algum, nem mesmo a perfeição de atravessar os dias. Fui o amor da sua vida quando eu que te mereci e todas as vezes que eu não te mereci, também. Você foi o amor da minha vida enquanto eu pude lembrar e continua sendo mesmo quando eu finjo esquecer. Encontramos um no outro aquela rima rara para a história que queríamos escrever. Nos amamos mesmo detestando apostar no outro a estrofe mais bonita da canção. Você foi, sim, a minha maior chance de ser feliz para sempre. Eu devo ter sido para você alguma coisa bonita de se ter. Especial mesmo era o momento em que você se afastava para, em seguida, ter vontade de retornar sempre que olhava para alguém que lhe despertava alguma expectativa de que é possível colher alguma alegria mesmo após a terra ser inundada com a frieza da tempestade. Não me pergunte por que achei tão encantadora essa sua inconstância. Talvez gostássemos mesmo era da saudade, mais até que do próprio amor. Era sempre quando ela nos fazia companhia que as nossas vontades se encontravam para mais uma vez pensarmos: e lá vem ele outra vez, dilacerando tudo e escrevendo um novo caminho, ainda que torto, nessa nossa estrada. Durante todo aquele tempo em que eu tentava entender o que você tinha e você desistia de entender quem eu era é que eu descobri que o amor acontece quando não sabemos determinar nem o começo nem o fim – só essa continuidade que constrói e destrói em passos de vento e em tempo cruel. Com persistência, afeto e lágrimas, foram esses anos que passaram que me mostraram que o amor pode até ser aquilo que você pensa que é, mas com certeza também é aquilo que você jamais pensou que fosse.
Nunca quis por todo o meu coração em suas mãos, mas aqui estou eu, entre uma carta e um sorriso admitindo que, hoje, não há como dizer que o que sinto por você é algo inferior ao amor. E mesmo que as estações mal se definam e que durante todo o dia tenham feito um calor terrível para, logo à noite, a tempestade vir me assombrar, eu não hesitarei em dizer aquilo que não deveria ter ficado guardado na última gaveta do armário. Não há nada que atinja o amor e eu já deveria ter previsto: nem a inveja, o rancor ou mesmo a solidão conseguirão respingar o ódio e a desunião no que de mais bonito já fecundou dentro de nós. Se não fosse você, não haveria paz, café com leite e mão macia sob a face. Se não fosse você, não haveria perspectivas, sonhos e realidade. Se não fosse você, haveria mais eclipses que lua cheia, mais trovoadas que brisas leves, mais sentir-se só em meio a multidão. Amo saber que com você haverá mais comemorações do que lamentos. Amo ter medo de te ver partir ao mesmo tempo em que bate a certeza de não ter jamais que sentar à varanda para esperar o seu arrempedimento. Amo ser quente e letrista em todos os momentos em que preciso te escrever uma carta pedindo que fique, por favor, fique, senão corro o risco de me engasgar com o choro preso e perder dentro do mim tudo o que você foi capaz de encontrar. Amo o fato de você sempre responder aos meus desesperos com um simples: não precisa pedir para que eu fique, porque eu jamais iria a lugar algum. Amo-te mesmo de longe, quando ouço a sua voz em meio a tantas outras e reconheço nas suas palavras o meu som preferido no mundo. Amo o jeito com que me olha com cuidado, planeja me tocar e cuida da sua saudade como a amiga que dará como retorno a recompensa do reencontro. Amo porque não foi planejado, porque foi um sem querer morrendo de vontade de que fosse. Amo porque amor mesmo é quando o amor vence. E contra ele, tentam o medo, tentam os outros, tenta o tempo, tentam até nos mesmos, e tentam quanto quiserem, mas não conseguem. A gente ama quando o significado das palavras parece fazer sentido e o “nunca mais” passa a ser efêmero como o é para dar lugar ao “para sempre”, permanente como deve ser. Amo-te com a certeza de que se não fosse você, não seria outro ou em tempo algum. Amo-te com a força de que se é nada em vão, tal como o tempo e suas feridas cuja cura que vem em seguida, também não será em vão esse amor.

Eu te amo antes mesmo de te conhecer e muito mais depois disso ter acontecido.
E todo esse tempo só me veio a confirmar: o amor é a única saída e, mesmo que não fosse, ainda assim seria.


And all the roads we have to walk are winding
And all the lights that lead us there are blinding
There are many things that I would like to say to you
But I don't know how

Because maybe you're gonna be the one that saves me
And after all, you're my wonderwall


(17 de março de 2012 - 5 anos de namoro)

sábado, 24 de dezembro de 2011

Todo o amor de sempre

And all the roads we have to walk are winding
And all the lights that lead us there are blinding
There are many things that I would like to say to you
But I don't know how

Because maybe
You're gonna be the one that saves me
And after all
You're my wonderwall


Eu te liguei na noite passada para dizer “meu Amor, amanhã eu escreverei uma carta endereçada a você”. Surpresa nenhuma dizer que faria algo que já faço todos os anos, desde que te conheci. Mesmo com as marcas da distância, com os presentes adiantados e a falta do teu olhinho brilhando enquanto te digo tudo isso, eu não posso deixar a oportunidade passar. Como se eu precisasse de requisito algum para me declarar a você, não é mesmo? Sempre planejo as palavras certas por dias, mas no fim da contas sempre me recolho na insignificância do meu vocabulário que nunca me basta. Como explicar a você e ao mundo como é grande a minha gratidão e a minha sorte por ter sido, entre milhões de garotas mais bonitas e mais engraçadas, a escolhida? Como dizer, sem parecer clichê ou piegas, que o dia 24 de dezembro de 1991 foi o mais bonito e o mais significante para mim, antes mesmo de eu ter nascido? E, mais que tudo: como posso, com simples palavras, explicar a explosão de sentimentos bons que ocorrem em mim sempre que me vem à mente o teu rosto? Nada disso cabe em carta alguma. Não teria como explicar o poder da nossa história a ninguém, porque não é todo mundo que tem quem dê colo toda vez que parece que nada vai dar certo, que o faça rir até quando a sua vontade é de rasgar o peito com o choro mais sofrido, que lhe encha de orgulho cada vez que consegue superar até a si mesmo. Você me ensinou as lições mais importantes da minha vida e, sem pedir nada em troca, se doou o máximo que pode pelo simples fato de achar que eu mereço. Em 20 anos você foi e é muito mais do que muita gente luta a vida inteira para ser. E entre toda a frieza que às vezes atinge o meu coração, você foi o único que conseguiu fazer com que eu sentisse algo – amor, ódio, saudade, admiração, desejo... Felicidade. E mesmo que hoje você não fosse tudo isso que é para mim, ainda assim eu te desejaria as coisas mais fabulosas que a vida possa te oferecer, porque eu jamais conseguiria pensar em alguém que merecesse mais. Obrigada por ser o meu melhor amigo, meu namorado, meu amante, meu futuro marido, meu herói, meu bandido, minha luz no fim do túnel, meu protetor, o protagonista dessa minha história que às vezes não passa de um drama grego ultrapassado, mas que você transforma num romance francês de tirar o fôlego.
Feliz aniversário, meu Amor. Que Deus multiplique na sua vida todas as coisas maravilhosas que vêem acontecendo, que nunca lhe falte forças e paciência e que a sua fé permaneça intacta, assim como o amor que habita em ti e que propaga no coração de todos que você se aproxima.
Eu te amo e não poderia ser diferente.

Beijos e abraços,
Para sempre tua.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Quando o segundo sol chegar...


Eu vou sempre sentir que a gente pode ser um pouco mais. Vou sempre insistir na mesma questão, ser clichê diversas vezes e teimar até tudo se tornar cotidiano, até essa luta fazer parte do meu dia tal como acordar. Vou abrir as janelas todas as manhãs, respirar fundo e ganhar forças para me manter sempre em pé diante da sua descrença; vou sempre achar motivos para ser mais forte do que você acha que eu sou. Tô jogando fora o orgulho que nunca me levou a lugar algum – nunca ouvi falar de alguém ser indigno por ter sofrido por amor.
Vou parar de ser sempre tão pessimista e exigente; já lhe disse diversas vezes o quanto você é bom, mas sou péssima em demonstrar o quanto sinto isso. Não consigo lhe provar que dentro de mim existe um prazer enorme por eu ter sido a escolhida – porque você preferir a mim entre milhões de outras que poderiam fazer o mesmo que faço, mas que nem de longe recebem tudo o que você me dá. Sou falha, eu mesma me engano, me dou rasteiras seguidas – não consigo enxergar o bem que me faz mesmo quando comete os seus erros, bobos.
Tenho essa pretensão a destruir tudo de bom que você faça e é isso que nos manda de volta para o abismo, todas as vezes. Mas dentro de mim, bem fundo, uma luz certa hora brilha, iluminando todo o caminho que eu imaginava ser tortuoso. E então eu vejo todo o seu esforço, dedicação e percebo como eu consigo ser estúpida por não valorizar cada instante que você se sacrifica um pouquinho para não se perder de mim.

sexta-feira, 18 de março de 2011

And we still together...

São Luís, 17 de março de 2011, 4 anos de namoro.

Eu não estava preparada pra qualquer grande confissão ou algo do tipo – só as velhas palavras de sempre merecem ser ditas, creio eu, porque embora repetitivas, são as que ainda valem. Por isso, não poupo uma vírgula sempre que vou lhe agradecer por tudo que você se tornou pra mim. Sei que não sou fácil e não adianta dizer que não é assim: sou chata assumida, complicação em pessoa, um conjunto de pensamentos nada simples e uma penca de vontades insaciáveis. E, ainda assim, você aceitou o desafio. Aceitou o jogo mesmo sem conhecer as regras e eu tenho certeza que muitas vezes pelo caminho eu lhe surpreendi – mas como você é duro na queda, hein? Com esse meu instinto de destruir as coisas boas que me acontecem, de propósito ou não, eu fui lhe impondo os obstáculos mais difíceis que eu consegui formular – e você foi quebrando todos, um a um, até que um dia parou de fazer sentido tantas jogatinas sem objetivo... Porque você ainda estava aqui. Porque você sempre estaria aqui. E não importava quanto a minha inclinação à autodestruição teimasse, já que eu havia encontrado algo mais forte que a minha má vontade; algo que me impedia de continuar a ser o monstrinho sentimental que eu era; algo que me mostrou que há outro caminho além da desilusão. E, no mais, estava você aqui, pronto para me provar que sonhos não são bobagens, que quando se quer, se consegue e que tentar o máximo que se pode é sempre a única opção. Você me ensinou a não desistir e por mais que às vezes você esqueça a sua própria lição, está gravado em mim o quando você foi insistente – o quanto batalhou por nós dois – e essa memória nunca vai se apagar. Eu sei que eu não facilito – muito pelo contrário. E, talvez, seja apenas uma forma de não lhe deixar esquecer aquilo que faz de você quem você é – não deixar a sua esperança morrer nunca, não permitir jamais que você desista dos nossos planos, um tanto clichê, mas que no fundo é o que toda pessoa realmente quer. Sei que acabo negativizando tudo no fim das contas e que pode parecer que não acredito nunca em nada, inclusive em nós, mas é que ainda vou ter que treinar muito até me tornar ao menos mestre naquilo que você já é doutor. Mas, de qualquer forma e acima de tudo, obrigada por continuar me amando – e você faz isso perfeitamente bem.

Parabéns, meu Amor.
Muita paciência para construirmos a nossa história sem fim.


- Você acha que isso, que a gente... É para sempre?
- Acho que ''eu te amo'' é uma dessas coisas que você só tem a chance de dizer uma vez na vida.
- Eu já usei a minha chance.
- É por isso que é para sempre.

-

No mais, mil desculpas pelo sumiço nos blogs de todas vocês, mas quem estuda vai entender meu sofrimento só em eu dizer que me encontro em semana se provas. Juro que assim que eu terminar com as obrigações universitárias, corro para matar a saudade que estou de lê-las. Beijo grande!

quarta-feira, 2 de março de 2011

Máfia das Cartas

Parecia ser uma proposta simples e inofensiva. Em meio a confissões de uma frustração em comum, um grupo de garotas blogueiras iria compartilhar uma paixão quase extinta – cartas. Simples, fofas e todas enfeitadas com adesivos meigos e canetinhas coloridas. Mas ainda assim, cartas. O que não se imaginava, até então, é que essa manifestação singela iria atingir proporções enormes e se desenrolar no que eu já prevejo como um aglomerado de envelopes coloridos viajando por todo o Brasil.
Uma proposta divulgada via twitter entre poucas conhecidas e, voilà, em menos de 12 horas já eram incontáveis DM’s com endereços de tudo quanto é canto do país. E aí se iniciou o desespero: preciso de canetas, cadê meus papéis de carta?, vou correndo comprar envelopes, cadê o endereço da Gabi, opa que essa carta é da Analu, MEU DEUS eu ia mandando para Tary o que escrevi para a Rúvila, então cadê a cartinha da Kamila? Tá no envelope da Anna, AH, socorro! Tá vendo o que você foi inventar, Amanda?
Ah, mas vai ser uma delícia. E uma bagunça. E eu vou lotar minha caixinha de recordações (sim, eu tenho uma dessas) de cartas de pessoas que eu posso até não conversar sempre ou conhecer muito bem, mas eu sei que de semelhante a mim tem um coração enorme e uma disposição sem fim a gostar das pessoas.


Acho que pra quem estava reclamando do tédio do feriado de Carnaval, eu vou ter muito que fazer. Meninas, chequem suas caixas de correios em breve, que um pouco de mim chega logo para vocês.

ps.: a Máfia das Cartas está aberta para quem quiser participar, basta entrar em contato :)

domingo, 6 de junho de 2010

D'Ela para Ele

Hoje eu vou lhes contar uma história e vocês, que têm pressa, sugiro que se levantem no justo instante, porque para contos de amor não há limite de palavras – o que dirá limite de tempo.

Ela era uma garota. Ele era um garoto.
Ano de 2006. Simples e pueril, duas crianças de treze anos como deveriam ser: conheceram-se meio sem querer, mais como um ato de implicância mútua do que uma vontade de compartilhar vidas. Sentavam-se próximos todos os dias, interrompendo as aulas com suas brigas sem fim: Ele, com a sua mania de caçoar Dela todo o momento; Ela, com a sua arrogância que só dava a Ele mais motivos para continuar a provocar. Uma típica novelinha pré-adolescente que rendia muitos sermões dos professores, algumas piadinhas dos outros colegas e nenhum olhar mal intencionado de quem tinha um jeito odiado de demonstrar afeto.
Não se sabe como ou exatamente o porquê, mas um dia Ela percebeu que Ele seria bem mais benfeitor se fosse algo além que o seu objeto de implicância; um dia Ela pensou que, bem, até que Ele não daria um mau amigo. E mais: Ele imaginou que, pois bem, porque não fazer Dela a sua amiga? Entram em um acordo de paz selada desses sem aviso algum e assim foi: amigos de confidências, de trocar bilhetinhos durante as aulas, de despejar confissões um no ouvido do outro – amigos como a muito eram e só agora haviam percebido.
Nunca houve estranhamento; não existiam brigas que não pudessem ser superadas no mesmo momento que eram criadas. Havia cuidado, havia a curiosidade, havia o seu jeito rítmico que jamais perdiam, havia o bem-querer-bem-mais-que-bem-querer. E, olha só, começaram a existir outras tantas coisas que a Ele e a Ela pareceram um tanto como novidade assustadora: havia a saudade de quem há poucas horas tinha estado ao lado, havia o ciúme por vezes injustificável e sempre calado, havia a vontade de estar junto simplesmente porque era bom, era tranqüilo, era o certo. Havia amor – amor escondido, amor nascido não se sabe onde e como, amor confuso de quem nunca havia sentido ao mesmo tempo tanta coisa boa, tanta coisa contraditória. Amor.
Ele e Ela agora eram Ele, Ela, Amor e todas as suas implicações. Amor que quer dizer declarações confusas metidas a muitos ''O que exatamente você quer de mim?'' e ''Eu nunca imaginei que você sentisse o mesmo''. Amor que quer dizer manhãs ensolaradas de sábado sentados no banco do shopping, conversando coisas sem sentido algum, mas que tendiam sempre para o mesmo ponto: como é bom estar com você. Amor que quer dizer o caminhar de mãos dadas, o primeiro ''Mãe, tô namorando'', o cinema no fim de semana, as cartinhas cheias de promessas infantis e, por isso, verdadeiras. Amor que quer dizer por vezes choro, por vezes abandono, por vezes fim – fim de um instante, de um ciclo. Amor que quer dizer dor, dessas que aperta até você gritar ''Chega! Tem um coração aqui, sabia? Um coração que precisa bater, mas acontece que você não deixa!''.
Pela primeira vez, Ele e Ela perceberam o óbvio que ficou escondido pelo encanto: não seria fácil – nunca foi e jamais será. Ele partiu, mesmo continuando ali, e Ela ficou em lugar nenhum. E fez falta: os rituais engessados, os carinhos que viraram costumes, os costumes que já eram afeto. Fez muita falta, acreditem – e que outra forma melhor para se medir o amor que na ausência?
Ela o aceitou de volta porque parte dele jamais havia partido; Ele voltou, pois não sabia viver sem a sua parte que abandonara. Mais sábios, talvez; mais maduros, com certeza. E foi nesse momento que souberam: estamos aí para tudo e o que mais precisar. Foram tempos difíceis: a rotina de pré-universitário consumia cada suspiro de quem precisava de simples instantes – aqueles velhos períodos para bobagens, para perca de tempo junto. Não tinham mais momentos, então inventavam: o intervalo das aulas, a noites de domingo pós-simulado, o meio-dia do sábado... Todo tempo era tempo. Não precisavam de muito – precisavam de si e isso tinham ali, carimbados pelo anel do dedo, expostos para aqueles que um dia duvidaram. E não foram poucos: uma platéia de infelizes na paixão, rezando pela próxima queda, pela ação do próximo obstáculo que não custou a aparecer.
Um ano é muito tempo. Um tempo para ele passar longe, afundado na busca do sonho que Ela nunca conseguiu entender – no amor, se sonha junto; então, porque, por um ano inteiro, Ele e Ela iam ter que sonhar separados? Não dava – não deu. E então foi a vez Dela de cometer tentativa de homicídio doloso – e o Amor ficou ali, em estado de coma, enquanto Ela brincava de Sra. Independência e Ele travava de lugar nada favorecido a sua luta solitária. Foram tempos difíceis, senhores; quem via de fora, talvez com uma gota de razão, pensava em voz alta: os ''inseparáveis'', por fim, entenderam que a escola não é para sempre – que você cresce, que você muda... Que os amores mudam.
Pois eu digo: não muda. Não o Dela, não o Dele. Não mudou durante as brigas quando ainda quando cursavam o Ensino Fundamental, não mudou sob a pressão de vestibular, não mudou após a Faculdade. Esse Amor – O Amor – não mudou nem por traição, nem por tempo; não mudou por distância, por interferência alheia, não mudou por complicações naturais. E, acima de tudo, não mudou porque eles não quiseram: nunca, nem por um instante, acreditaram na opção do ''E se'' – ''E se eu te esquecesse'', ''E se você jamais me quisesse de volta'', ''E se alguém pudesse fazer por você o que eu faria''.
E escute o que mais: não vai mudar. A mesma garota que um dia perguntou a Ele ''É para sempre?'' e o mesmo garoto que respondeu a Ela ''Para a vida toda'' são os que estão hoje por aí, 5 anos de história na bagagem, muitos erros a jamais serem cometidos novamente e uma lista de acertos que mais do que nunca parecem não com as velhas promessas – soam como garantias. Estão os dois aí, para o que der e para o que não der também: metidos à luta, metidos em buscas, indo com sede à estrada como bons insistentes teimosos que são. E falam por conhecimento de causa: não tente bancar o esperto, não gaste fôlego tentando fugir – o Amor chegou a Ele e a Ela, talvez cedo demais, talvez rápido demais, mas, definitivamente, de uma forma que poucos têm a sorte de ter durante a vida.

Ele sempre é o exageradamente otimista: acha que eles vão terminar a faculdade, morar juntos em uma outra cidade enquanto fazem uma especialização, retornar a onde tudo começou, casar e ter oito (oito!) filhos.
Ela é a realista: eles ainda vão brigar muito – por família, por (falta de) tempo compartilhado, por tempo que não se soube aproveitar. Ainda vão chorar muito pela fortuna que tiveram – o Amor lhes é um presente que tem custo caro, afinal. Mas não importa como, não interessa onde: eles sempre vão acabar juntos. E bem.


Por Ela, a garota.
Para Ele, o garoto (que é amado e amado e amado).

domingo, 18 de abril de 2010

Mongolisses com amor

Pela primeira vez, antes de escrever, eu tive expectativas.
Eu queria um texto bem revelador, algo que deixasse claro porque eu nunca cansei Dele, mesmo depois de lhe aturar desde o momento que eu nasci até os dias atuais – longos 18 anos. Mas eu queria também um texto simples para que Ele pudesse parar de dizer que eu falo muito difícil – simples e sem embolação como as nossas reconciliações, cheias de ''eu não te entendo, Deyse'' e ''não tente me entender, só acredite em mim''.
Pois bem, eu desisti – de esperar grandes resultados, não do texto em si, até porque, se tiver algo que eu aprendi é que nada que você pense em relação a Ele acaba do jeito imaginado – e, ainda assim, você jamais de decepciona. Estou certa que muitos têm julgamentos prontos sobre Ele; a maioria, não tenho dúvida, carrega consigo várias críticas prontas, que só esperam ser despejadas na primeira oportunidade. Mas se eu, Deyse, tivesse a chance de dizer algo, seria apenas o seguinte: vocês aí, que o julgam... Estão todos errados.
Eu tive muito tempo para perceber de quem eu falo, então não pense que eu estou iludida: conheço bem O Cara com quem eu dividi a minha infância, vivi a minha pré-adolescência, passei a minha adolescência e, não duvide, com quem eu repartirei cada instante da minha vida adulta. E se Ele tiver algum defeito, será apenas o seguinte: é flamenguista. Daqueles insuportáveis mesmo, sabe? Mas isso é uma conversa futebolística que deixo para outra ocasião.
Somos a (não tão) típica situação: nós sempre vivemos juntos – eu fazia trabalhos de escola na casa Dele, eu lhe dava conselhos sentimentais de como conquistar a menina mais bonita da turma, Ele me apresentava o que havia de melhor de música na época – se um dia eu ouvi Linkin Park, CPM 22 e Charlie Brow Jr., a culpa foi Dele. Bom, foram-se os anos: eu refinei meu gosto musical e ele mudou de cidade. É, foi embora e me deixou assim: eu, 11 anos, pré-adolescente confusa e sem o melhor amigo. Trágico, não?
Não. Ou melhor: poderia ter sido. Poderíamos ter escolhido fingir que os passeios de bicicleta e as brigas dentro do táxi que nos levava para a escola nunca tinham existido; poderíamos ter escolhido um monte de coisas, mas entre todas as nossas opções, a que pareceu mais suportável foi a seguinte: seremos amigos. Mandamos um ''dane-se'' bem grande para a distância; enquanto existirem feriados para reencontros, férias, MSN, telefone e outras coisas assim, nada nos separa. E, mesmo que não existisse nada disso, Ele tratou de cultivar bem o seu lugar no meu coração antes de partir; nada – digo e repito: nada – nesse mundo iria apagar algo que foi criado e cuidado com tanto cuidado como a nossa amizade.
É, amizade. Amigo desses de falar besteira até não aguentar mais, de lhe contar tudo, de lhe oferecer ajuda mesmo quando você sabe que, na verdade, ele não pode ajudar em nada. Amigo desses que lhe perturba quando o seu time perde, que faz você chorar de raiva depois de cada briga - que não foram poucas - e que faz você sorrir de alívio sempre que fazem as pazes. Amigo desses que um dia você confunde com paixão – amigo desses que lhe ensinam que, sim, uma menina é capaz conhecer um cara a vida inteira e querê-lo muito bem, mas não querê-lo para si. Amigo desses que faz você parar e pensar: Ele é mais que amigo – Ele é irmão.

E, sabe, eu vou dizer que eu o amo. Não vou evitar palavras com medo delas saírem erroneamente românticas por olhares maliciosos ou pouco sinceras por julgamentos desconfiados.

Eu te amo, Yan (Mongol) Machado, e você não merece nada menos que isso.

domingo, 11 de abril de 2010

Há cinco anos ou mais

Não penses que para mim, meu menino, és poça rasa; cabe em ti toda a espessura de sentimentos que afundam os mais despreparados. Não hei de cair novamente em tolices; sei que não é fácil, que muitas vezes se pode – podemos – usar de toda a crueldade que não seria a nós cabível; entretanto, e que bom que existem ainda essas reviravoltas, sinto-me na obrigação de declarar a quem mais ainda tiver dúvidas - o que inclui eu mesma e, aposto, você também -, o seguinte:

Somos pacote completo e fechado. Sempre. Sem-pre.
Somos um desses pares de mãos dadas que não se largam, um abraço fechado em nó.
Somos a nossa visão mais longínqua, o cúmulo da determinação, o ''não sei onde, mas sei com quem''.

Sabe o cobertor em inverno? Somos nós, a cada instante que um topa com o outro no justo momento em que mais se precisava.
Sabe o conforto que se sente ao ver o único conhecido em meio à multidão? Somos nós, nos encontrando, não importa o dia, não importa onde, não se interessa quando.
Sabe o choro de desespero, o grito de alívio, a risadinha sacana de vitória, as aventuras que rendem histórias e as tantas outras emoções pelas quais se vale a pena viver? Somos exatamente isso, junto, ao mesmo tempo.

Não somos mais ''b+a=ba''; somos livro, enciclopédia, coleção de clássicos da literatura.
Não somos mais só cinema aos sábados, ligações de domingo, semana de rotina; somos ''todo o tempo, lá ou cá''.

Somos mais que aquelas - tão antigas, tão sinceras - promessas.
Somos a concretização.

E você, meu bem, se pensares em duvidar, complicar ou mesmo quando precisares que isso dentro de ti seja reforçado, veja o seguinte: se parte do amor está comigo, a outra metade só pode ser sua.

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play.: Sete anos - Ludov

quinta-feira, 18 de março de 2010

17 de março de 2007

Esta será apenas uma breve reflexão, umas daquelas típicas filosofias de janela de ônibus (para quem, como eu, não sai de um veículo desses). Acontece o seguinte: eu não acredito em destino, mesmo. Não sei, talvez não aprecie a ideia de confiar que algo assim pudesse significar que eu devesse fechar minha mente para inúmeras hipóteses – ou não – que eu tivesse que deixar a vida me levar - ou não - e que simplesmente as coisas aconteceriam não por mérito meu, mas porque eram para ser assim – ou não. De qualquer forma, conviver com tantas dúvidas e trabalhar com concretização de planos que podem estar traçados antes mesmo de eu sequer pensar neles não é algo que pessoalmente me agrada.
Mas sabe o que me impede mesmo de acreditar em destino? O fato de ter que justificar a isso – e somente a isso – situações como a nossa, onde temos tudo, sem hipérboles, para estarmos separados, mas permanecemos aqui, juntos, unidos – de um jeito ou de outro. Não quero atribuir à minha história de vida traçada a condição de ter você (só) para mim; o porquê de nós sermos tão unicamente estúpidos ao ponto de brigar tanto e complicar tudo, mas ao mesmo tempo incrivelmente singulares na arte de colocar o que sentimos acima de qualquer (qualquer!) outra coisa é algo que eu não quero merecer à situações cotidianas ou a atos (im)pensados de nossa parte.
Nós nos amamos e é por isso que hoje, três anos depois do primeiro beijo, estamos aqui. Não é porque os outros acham que você merece coisa melhor que você passou a me ignorar; não é porque meus pais acham que sou em demasia nova para me envolver seriamente com alguém que eu julguei terminar com você como sendo a melhor hipótese; não é (e jamais será) por vontade alheia, por torcida contrária ou por situações adversas que um dia, e sem pensar em voltar atrás, vamos falar em coro algo como ''desisti de você'' – frases assim já excluímos do nosso vocabulário desde a primeira tentativa vã de separação.
Hoje eu tenho absoluta certeza – e isso foi conclusão sua – de que não importa onde quer que a gente vá... No fim, vamos acabar sentados em um banco de shopping, analisando tudo que passamos e pensando algo como ''olha, nós bem que tentamos, mas não tem jeito: a gente só funciona se 'você e eu' existir''. Porque, escuta, podemos ter tudo contra nós: os horários que não batem para nos vermos, as pessoas que nos olham com desgosto, um mundo inteiro para enfrentar até alcançarmos o futuro (futuro, sim; destino, pra quê pensar nisso?) que planejamos juntos... Mas, mesmo com tudo isso, ainda acho que tiramos sorte grande: a gente se tem, meu amor. E isso nos faz só as pessoas mais felizes que podemos ser.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Ao meu querido

Amor,
Agora que a frieza desses últimos dias parece estar com data marcada para ir embora, pensei que fosse o momento certo para lhe dizer como não venho passando sem você. Para você pode ter sido como um grande tempo de paz e aproveitamento que há muito não tinha; para mim, entretanto, foi a pior prova de paciência, meu mais extenso momento de espera. Amostra disso foram as maneiras absurdas de refúgio em que procurei para lhe resgatar da forma mais pura que eu pudesse – as cartas tiradas do meu baú de melhores recordações, a caixinha de veludo que não sai mais da minha mesinha, a esperança que cultivei ao ouvir tocando por aqui que you're only the best I ever had, ainda que no verso seguinte frases como you don't want me back tentassem me bombardear.
Amor, meu amor. Ainda me lembro de tantas outras vezes que nos separamos assim, de como fazíamos promessas de retornos breves de corpos – porque nossas almas, ah, essas nunca deram um passo que não fosse lado a lado. Hoje, entretanto, me vejo no aguarde do corpo que desejo e da alma que me entende. E caso não tenha notado, estou aqui para pedir que volte logo. Volte, porque já não caibo em mim de saudade, já não aturo mais a companhia ingrata da espera em tantos dias fastidiosos. E volte, porque mal vejo a hora de prova-lhe ''(...) o quanto eu te amo. Amo não mais só como uma amiga, mas também como um patriota ama a sua nação, como um católico ama o Papa, como o seu irmão ama o futebol (Como os terroristas amam o Bush... Brincadeira!). Amo como uma fã, uma amante, como uma esposa, uma namorada''. Volte, apenas volte – para cá, para mim.

Beijos e abraços como os últimos que demos,
Da sua Preta.

ps.: Carta de 16/02/2010 com partes devidamente parafraseadas d'outra carta de 21/03/2007.
ps².: a música em questão se chama Best I ever had, de Vertical Horizon.

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Talvez o final feliz seja fazer isto: passando pelas ligações não retornadas e corações partidos, por todos os erros e sinais não vistos, pela dor e vergonha... Nunca perca a esperança.

Do filme Ele não está tão afim de você.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Deixe-se acreditar

Eu nunca fui de escutar a opinião de ninguém, talvez porque eu fosse tão absurdamente arrogante a ponto de achar que estava sempre certa. Ou nem isso: às vezes eu sequer me escutava. Para mim, eram tudo palavras jogadas no ar, tudo coisa da minha cabeça de adolescente que amadureceu antes do tempo. Bem estúpido, agora eu sei; de uns dias para cá eu venho descoberto o quão perigoso e definitivo pode ser a simples ação de decidir não acreditar naquilo que está óbvio, naquilo que está saltitando bem na sua frente, pedindo apenas para ser visto.
Não, eu não abria os meus ouvidos para ninguém. E na primeira vez que eu fiz isso foi a para uma pessoa totalmente inusitada, alguém que eu achei que jamais se importaria em ter uma conversa comigo. Não importa a razão, o que importa é o discurso: ''Eu li uns textos seus. Eu não sei bem como explicar, como lhe dizer... Mas ao ver o que estava lá escrito, era como se você estivesse do meu lado, conversando comigo. Eu senti a palavra. Naquele mesmo instante, eu peguei o telefone para fazer uma ligação, porque eu tinha que dizer: ''Filho, agora eu entendo... Entendo porquê você se apaixonou''. E sabe aquilo de quando apontam pro cara e dizem ''aquele é o cara!''? Então, você é ''a cara!''. E mais: já parou para pensar que ele fez tudo que fez para lhe provar que era bom? Não estou dizendo que foi isso, só tô dizendo que já vi esse filme antes; um dia, eu tive que provar para alguém que eu gostava o quanto eu era... Bom. O que veio depois não importa muito. O fato é: já parou para pensar nisso? E mais uma coisa: desiste fácil?''. Coisa linda de se dizer para alguém, não acham? Claro que eu não levei como um elogio pelos meus textos ainda tão pobres, tão míseros de palavras... Eu levei como uma das melhores lições de vida que alguém já me deu. E, acima de tudo, levei como o tapa na cara que há muito tempo eu merecia.
Foi nesse momento, nesse exato instante entre o cuidado que eu não soube oferecer e o abraço que não recebi, que eu percebi que, só abrindo meus ouvidos para as outras pessoas é que eu poderia ouvir a mim mesma. Quem diria: eu, que passei 17 anos e 11 meses da minha vida achando que sabia tudo de mim, passei esse tempo sem levar à sério nenhuma palavra minha. Passei esse tempo todo sem acreditar em mim mesma. Hoje, eu entendi o meu erro. Não fui eu que duvidei de você. Eu duvidei de mim. Duvidei que te amava o suficiente, duvidei que o futuro que eu sempre quis ia se realizar ao seu lado, duvidei que o anel que eu carregava no dedo fosse mais que um presente fofo de dia dos namorados – resumindo: fui estúpida o suficiente para duvidar da maior verdade que eu tinha. E como fazer para alguém acreditar em você, quando você mesma não acredita em si? Meio complicado.
Talvez mais doloroso, porém mais causa perdida, seria aceitar agora o seu ''não quero e não seria certo comigo arriscar de novo''. Mas não, obrigada. Agora que deixei pela primeira vez algo entrar nos meus ouvidos, algo tão verdadeiro e genuíno, acha mesmo que vou aceitar umas palavras tão caprichosas e egoístas, enfeitas com o seu maior orgulho? Eu prefiro muito mais o segundo discurso que eu verdadeiramente ouvi e que veio de alguém em quem eu confio de olhos fechados: ''Por amor, eu tentaria e acho que deves tentar. Se ele ainda te ama, ao meu ver, é porque ainda há uma luz no fim do túnel. Porque, nêga, o amor move mundos. Claro que não depende só de ti... Mas também depende de ti''. E não, isso não se chama ''ficar acreditando naquilo que me dizem só porque me agrada''. Isso se chama: a-cre-di-tar. Só isso: acreditar. E com um bônus sim, de ''arriscar'', porque isso, se jogar, se atirar para quem se ama é algo que nunca ninguém pode cansar de fazer.

O anel está aqui. E justamente por ser bem mais que um anel, ele vai ficar no meu dedo, de onde nunca deveria ter saído. Já quanto à pergunta feita pelo cara do primeiro discurso bonitão ali de cima, aí vai a resposta que faltou: não, eu não desisto fácil, porque mesmo que eu tenha tido que errar muito para chegar até isso, eu consegui. Consegui acreditar em mim. E hoje, olhando para a minha dor e vendo as impossibilidades contra as quais eu tenho que lutar, afirmo com toda a minha convicção: não duvido mais.

Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto.

Ps.: texto dedicado ao Sr. Gilson Marques e à Wilwana Guimarães, por acreditarem em mim quando eu mesma não sabia como fazer isso.

sábado, 13 de dezembro de 2008

O amor que eu amo

De tudo que vivi, de tudo que encontrei, de todos que conheci, você foi o mais importante, tanto pela sua graça como pela sua essência e até pela minha incapacidade - ou falta de vontade - de permanecer longe de você; um milagre, um fascínio, uma fortificação, o destino: você.