terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Deixe-se acreditar

Eu nunca fui de escutar a opinião de ninguém, talvez porque eu fosse tão absurdamente arrogante a ponto de achar que estava sempre certa. Ou nem isso: às vezes eu sequer me escutava. Para mim, eram tudo palavras jogadas no ar, tudo coisa da minha cabeça de adolescente que amadureceu antes do tempo. Bem estúpido, agora eu sei; de uns dias para cá eu venho descoberto o quão perigoso e definitivo pode ser a simples ação de decidir não acreditar naquilo que está óbvio, naquilo que está saltitando bem na sua frente, pedindo apenas para ser visto.
Não, eu não abria os meus ouvidos para ninguém. E na primeira vez que eu fiz isso foi a para uma pessoa totalmente inusitada, alguém que eu achei que jamais se importaria em ter uma conversa comigo. Não importa a razão, o que importa é o discurso: ''Eu li uns textos seus. Eu não sei bem como explicar, como lhe dizer... Mas ao ver o que estava lá escrito, era como se você estivesse do meu lado, conversando comigo. Eu senti a palavra. Naquele mesmo instante, eu peguei o telefone para fazer uma ligação, porque eu tinha que dizer: ''Filho, agora eu entendo... Entendo porquê você se apaixonou''. E sabe aquilo de quando apontam pro cara e dizem ''aquele é o cara!''? Então, você é ''a cara!''. E mais: já parou para pensar que ele fez tudo que fez para lhe provar que era bom? Não estou dizendo que foi isso, só tô dizendo que já vi esse filme antes; um dia, eu tive que provar para alguém que eu gostava o quanto eu era... Bom. O que veio depois não importa muito. O fato é: já parou para pensar nisso? E mais uma coisa: desiste fácil?''. Coisa linda de se dizer para alguém, não acham? Claro que eu não levei como um elogio pelos meus textos ainda tão pobres, tão míseros de palavras... Eu levei como uma das melhores lições de vida que alguém já me deu. E, acima de tudo, levei como o tapa na cara que há muito tempo eu merecia.
Foi nesse momento, nesse exato instante entre o cuidado que eu não soube oferecer e o abraço que não recebi, que eu percebi que, só abrindo meus ouvidos para as outras pessoas é que eu poderia ouvir a mim mesma. Quem diria: eu, que passei 17 anos e 11 meses da minha vida achando que sabia tudo de mim, passei esse tempo sem levar à sério nenhuma palavra minha. Passei esse tempo todo sem acreditar em mim mesma. Hoje, eu entendi o meu erro. Não fui eu que duvidei de você. Eu duvidei de mim. Duvidei que te amava o suficiente, duvidei que o futuro que eu sempre quis ia se realizar ao seu lado, duvidei que o anel que eu carregava no dedo fosse mais que um presente fofo de dia dos namorados – resumindo: fui estúpida o suficiente para duvidar da maior verdade que eu tinha. E como fazer para alguém acreditar em você, quando você mesma não acredita em si? Meio complicado.
Talvez mais doloroso, porém mais causa perdida, seria aceitar agora o seu ''não quero e não seria certo comigo arriscar de novo''. Mas não, obrigada. Agora que deixei pela primeira vez algo entrar nos meus ouvidos, algo tão verdadeiro e genuíno, acha mesmo que vou aceitar umas palavras tão caprichosas e egoístas, enfeitas com o seu maior orgulho? Eu prefiro muito mais o segundo discurso que eu verdadeiramente ouvi e que veio de alguém em quem eu confio de olhos fechados: ''Por amor, eu tentaria e acho que deves tentar. Se ele ainda te ama, ao meu ver, é porque ainda há uma luz no fim do túnel. Porque, nêga, o amor move mundos. Claro que não depende só de ti... Mas também depende de ti''. E não, isso não se chama ''ficar acreditando naquilo que me dizem só porque me agrada''. Isso se chama: a-cre-di-tar. Só isso: acreditar. E com um bônus sim, de ''arriscar'', porque isso, se jogar, se atirar para quem se ama é algo que nunca ninguém pode cansar de fazer.

O anel está aqui. E justamente por ser bem mais que um anel, ele vai ficar no meu dedo, de onde nunca deveria ter saído. Já quanto à pergunta feita pelo cara do primeiro discurso bonitão ali de cima, aí vai a resposta que faltou: não, eu não desisto fácil, porque mesmo que eu tenha tido que errar muito para chegar até isso, eu consegui. Consegui acreditar em mim. E hoje, olhando para a minha dor e vendo as impossibilidades contra as quais eu tenho que lutar, afirmo com toda a minha convicção: não duvido mais.

Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto.

Ps.: texto dedicado ao Sr. Gilson Marques e à Wilwana Guimarães, por acreditarem em mim quando eu mesma não sabia como fazer isso.

4 comentários:

  1. Querida, você já experimentou divulgar seu blog? Porque pelo que eu vi por aqui você já postou bastante (e textos grandes, que eu nem tive coragem de ler), mas nunca vi nenhum comentário. Sério, não custa nada você entrar em alguns blogs, comentar algo decente, que as donas vão retribuir a visita, é assim que todo mundo começa!
    Você não diz ali ao lado, Deyse, mas lendo alguns trechos dos posts vi que você é de São Luís, estudou no Reino e agora faz letras na UEMA, é isso? Que legal, é difícil encontrar uma blogueira maranhense!
    Mas, ah, tem também um detalhe que eu queria comentar... acho que eu conheço esse banner de algum lugar, hehe. Tudo bem que aparentemente ninguém visita seu blog, mas podia ter colocado ao menos um link, né? Ter dito que não foi você quem fez, mas tudo bem. Eu realmente não fico chateada e, como nem estou mais usando ele, você pode usá-lo a vontade... afinal, a Zooey Deschanel é linda e essa música também, todo mundo merece conhecer!
    Ah, você foi a primeira a "pegar emprestado" algo meu online, vou lembrar de você pra sempre :D
    E já que você segue o meu blog... podia comentar lá de vez em quando, né? hahaha
    beijos!

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  2. Obrigada pela visita e é bom saber que eu não sou a única. Gostei do texto e pretendo ler os anteriores. Beijo

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Menina, você comentou lá no blog que se 'viu' no meu texto né?! Pois eu diria que poderia ter sido eu que escrevi esse seu :)
    Eu tbm tenho dificuldades em 'acreditar' e raramente me escuto... Isso é um problema neh?
    Mas que bom você 'ter enxergado melhor' o caminho, ter acreditado e o mais importante é estar feliz já que 'ser feliz' é meio complicado já que a felicidsde e tristeza são momentâneas :)


    Beeeijos!

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