sábado, 16 de março de 2013

Cresci. E agora?


Tem sempre aqueles dias que a gente cansa de viver como se tudo fosse uma grande aventura. Eu sou uma pessoa que nasceu sem fé alguma na vida e Deus sabe como tenho lutado para mudar. Como tenho me esforçado para acreditar mais em mim mesma, acreditar mais nos outros e ter aquela persistência inatingível que invejo em muita gente. Nem preciso dizer que sou um verdadeiro fracasso quando tento ser alguém forte. Desnecessário dizer que quando acontecem coisas que acabam com todos os meus planos, eu tenho uma séria dificuldade em recomeçar. Eu entro em negação diante de um recomeço. Eu tenho raiva, tento barganhar, entro em uma depressão de não querer sair da cama e, por fim, eu aceito o inevitável, quase como se precisasse passar pelas cinco fases do luto diante de toda perda, grande ou pequena.

Acho que estou na fase da barganha. Ando negociando comigo mesma um recomeço que vem sendo adiado há semanas. Por quanto tempo a gente pode enrolar a vida até ter que parar de fingir que ela não é real? Até quando podemos voltar a ter 10 anos, sem responsabilidade nenhuma e só o dinheiro dos pais no bolso? Para mim, isso tem prazo de validade: até eu me formar. Um ano e 4 meses até lá. Um ano e 4 meses até eu passar pelo último caminho da obrigação de crescer. Isso vem me deixado em pânico, quase uma vontade de voltar para o primeiro período e ser protegida pela carapuça de uma caloura. E se eu me formar e for só isso? E se eu não conseguir um emprego? E se eu não passar na prova da OAB? E se eu não passar em um concurso? E se eu fizer 30 anos morando na casa comprada pelos meus pais, tendo que conviver com a decepção deles? 

Não consigo parar de pensar em como gostaria que a minha vida fosse um livro. Acho que talvez isso me garantisse a certeza de alguma coisa. Assim, eu poderia fazer comigo o que faço sempre que estou lendo a história de uma garota até legal, mas que insiste em se dar mal na vida: traindo a ordem de leitura, corro até o meio ou até mesmo ao final do livro para saber se ela já está melhor, se conseguiu o emprego, se o cara se declarou a ela, se os problemas com a família acabaram. E quando eu vejo que tudo vai ficar bem com a tal moça, a sensação é incrível: o peso sai dos meus ombros e eu leio o livro com um sentimento muito melhor... Uma sensação de “tudo bem isso acontecer, porque sei que vai acabar bem”. Queria ter a mesma certeza comigo. 

Queria poder avançar algumas páginas até o fim da minha linha cronológica só para saber se todas as dificuldades vão se justificar. Mais uma vez, infelizmente, minha vida não é um livro para ampla consulta. Parece mais um livro que ainda está sendo escrito ou apenas o primeiro volume de uma trilogia. E eu jamais vou ter segurança alguma de qualquer acontecimento que seja. Então eu penso em mim mesma com 10 anos, dizendo para todo mundo que eu queria ser pediatra (isso foi antes de ter aulas de química e biologia, claro) quando crescesse. Alguém tinha que ter me dito que não era tão simples. Alguém tinha que me dizer, antes do vestibular, que o meu futuro não está na escolha, mas sim no que eu vou fazer com ela. Alguém tinha que me dizer que as nossas perguntas nunca se esgotam e que as respostas são cada vez mais escassas. E, por fim, alguém tinha que me dizer que as nossas intenções são sempre as melhores e nossos objetivos sempre justos, mas que o caminho até tudo isso nunca é breve, nunca é fácil e tão pouco é previsível.


quarta-feira, 13 de março de 2013

Você também quer fazer intercâmbio?

Desde que eu comecei a resolver meus assuntos sobre o intercâmbio, vez ou outra alguém me faz perguntas gerais sobre isso: pra onde eu vou, aonde vou me hospedar, quanto estou pagando... Enfim, são pessoas interessadas em viajar querendo dicas de como se organizar. Pensando nisso, resolvi responder algumas das perguntas que mais recebo por aí. Espero conseguir ajudar quem tem dúvidas.


Qual empresa de intercâmbio escolher? 

Aqui em São Luís o mercado está concentrado em duas agências de intercâmbio: CI e STB. Eu visitei as duas e gostei bastante de ambas. Acontece que desde o início existiu um ponto em que elas divergiam: o preço. A CI era cerca de 2 ou 3 mil reais mais cara que a STB e isso sem qualquer motivo. Mas como não só um bom preço define uma viagem, ainda mais para tão longe e por tanto tempo, fui atrás de pessoas que já tinham viajado pela STB – até porque, apesar de já ser nacionalmente conhecida, é uma empresa nova aqui na cidade. Falei com vários amigos e conhecidos que já tinham viajado pela agência e todos, sem exceção, me disseram que podia confiar na empresa. Então, acabei assinando o contrato e até agora estou satisfeita. 

Quando começar a planejar? 

Depende. Se você quer parcelar o valor do intercâmbio em infinitas vezes, é bom procurar muito antes de viajar; porém, considero 8 a 6 meses de antecedência um tempo razoável. Não acho bom procurar a empresa um ano antes: primeiro, porque os preços das escolas de inglês se renovam a cada ano e isso pode causar alterações no valor ao longo do seu pagamento; segundo, porque às vezes quando você faz reservas de hotéis e compras de passagens com muita antecedência, ao invés de sair mais barato acaba saindo mais caro. 

Eu fui à STB em janeiro para fechar um pacote para julho – não se esqueça de que o curso de inglês e a acomodação devem estar pagos um mês antes da viagem! Pra mim isso foi suficiente, até porque eu mesma, pesquisando em sites e blogs, já tinha listado todos os lugares que eu queria conhecer. Então, o que eu indico a qualquer um é pesquisar desde cedo sobre os lugares que gostaria de ir. Assim, você já pode chegar à agência praticamente com uma decisão tomada. 

E para qual cidade ir? 


Eu sempre quis ir para Londres, então escolher para mim foi fácil. Além de todo o meu amor pela cidade, pesou muito o fato de que eu poderia conhecer outros países nos fins de semana de folga. Como viajo com meu namorado, os outros lugares que vamos visitar não foram só escolhas minhas. Também conta na hora da escolha uma melhor logística de viagem. Exemplo: queria muito conhecer Madrid, mas é muito longe e não compensa ir até lá para passar só um fim de semana. Ou então: para ir a Amsterdã de trem, tenho necessariamente que passar por Bruxelas, então fica fácil fazer uma parada por lá e conhecer a cidade. 

Uma coisa legal na STB: a minha atendente morou na Europa por muito tempo, então ela sabia exatamente a melhor época do mês para visitar cada cidade e quanto tempo eu deveria ficar em cada uma para que eu pudesse conhecê-las de forma satisfatória. Tem cidade, por exemplo, que ela disse que eu não preciso ficar mais que dois dias; outras, por outro lado, terei que ficar por quatro dias. Depois de muito planejar, vou poder conhecer mais lugares do que pensei. Tudo isso minha atendente da STB me ajudou a organizar. 

Onde me hospedar? 

É o seguinte: ficar em casa de família é bem mais barato que ficar em casa de estudantes, principalmente porque toda pequena diferença de valor em libra vira uma enorme diferença quando convertida para real. Mas como eu não vou viajar sozinha, minha opção foi por ficar em casa de estudante. Vou dividir o quarto com banheiro só com meu namorado, mas a área da cozinha e lavandeira vou dividir com outras pessoas. Londres é organizada em zonas: quanto menor o número da zona, mais perto ela fica do centro. Meu apartamento, assim como minha escola, ficam na zona 1, então isso vai me permitir fazer muita coisa à pé. Às vezes compensa gastar mais em uma hospedagem bem localizada, porque o transporte em Londres pode até ser bom... Mas também caro. 

Já nos outros países que vou visitar, tive que me dividir entre hotéis e albergues – todos reservados e pagos através da STB. Em alguns lugares a diferença de preço entre hotel e albergue é bem pequena, então óbvio que a preferência é ficar em hotel, porque o quarto é privativo. Mas em outros lugares, como Amsterdã, não há hotéis baratos perto do centro e os albergues são bem avaliados, mesmo que você divida o quarto com mais 8 pessoas; nesse caso, então, fiquei com o albergue.

O que eu preciso para viajar? 


Para quem vai para Londres, isso é fácil: você precisa de um passaporte. O meu curso de inglês pede que eu faça um teste antes de ir (e outro quando chegar lá) para definir o nível da turma em que vão me encaixar. Talvez eu precise tomar uma ou duas vacinas antes de viajar, mas ainda tenho que verificar meu cartão de vacinas. E, por fim, tem o tal de seguro de vida e sem ele você não entra na Inglaterra – você pode deixar para fazê-lo às vésperas da viagem, então é a última coisa com a qual você vai se preocupar. 

Se eu for para a Europa, como posso viajar para outros países? 

Sabe aquela história de que dá para viajar a Europa inteira com passagens de trem? Mentira, não dá não. Passagens de trem são caras pra caramba. Barato mesmo é viajar de low cost, que são companhias aéreas de baixo custo – as passagens são bem em conta, já que eles tiram todo e qualquer luxo possível que uma companhia aérea normal teria: até para ter direito à mala de 20kg você tem que paga uma taxa extra. Por outro lado, se você pretende viajar por um curto período de tempo – um fim de semana, por exemplo – é só por uma mochila nas costas e pronto, pode ir de low cost. 

Também outra coisa que conta na hora da escolha: de Roma a Londres são mais de 20 horas de trem. Então é bem melhor pegar um voo low cost e pronto, não é? Porém, se você vai de Londres a Paris de trem, você sai de uma estação no centro da cidade direto para outra estação no centro da outra cidade. Nesse caso, compensa bem mais viajar de trem. Mas relaxem: tudo isso, pelo menos na STB, a atendente resolve por você. A única coisa que a agência não faz é comprar as passagens low cost, apesar de te ensinarem direitinho como comprar em casa. Na STB eles também reservam e compram as passagens de trem. 


Tudo isso é muito caro? 

Na verdade, depende do seu conceito de “caro”. Comigo é assim: meu pai está pagando o intercâmbio em si e eu vou pagar todas as viagens de fim de semana com um dinheiro que eu juntei. Optei por fazer o curso de inglês à tarde, que é mais barato – isso não é um problema porque em julho anoitece tipo 8 da noite em Londres, então quando eu sair do curso ainda posso aproveitar o dia, além de ter a manhã livre. Economizei muito nas viagens de fim de semana ao escolher hospedagens alternativas. Economizei sempre procurando se era mais barato fazer essas viagens de low cost ou de trem. Economizei porque todas as minhas hospedagens vão ser em quarto duplo. 

Minhas passagens saíram mais caras, porque eu vou chegar na Europa por Roma e vou sair por Paris. E entenda uma coisa: é impossível comprar passagens para Londres em julho com aqueles preços amigos que são as passagens pra dezembro. Por outro lado, comprei com o voo indo e chegando em Brasília, o que saiu uns 1 mil reais mais barato que indo e chegando por São Luís – vou comprar passagem de São Luís – Brasília – São Luís com milhas. Se você for e voltar por Londres, portanto, e tiver umas milhas para gastar em trecho nacional sem precisar, sai menos caro essa parte da passagem, que com certeza é o que mais pesa na hora de pagar.


Bom, basicamente é isso. Eu ia fazer esse post quando estivesse mais perto de viajar, mas surgiu a necessidade agora – quando estiver em Londres e depois que chegar de lá, pretendo fazer mais posts respondendo perguntas que me fazem e com informações que acho úteis. Sempre tem muita coisa para falar, então me perdoem pelo post enorme. Tudo que eu disse são dicas bem específicas sobre Londres, porque não posso falar por quem vai fazer intercâmbio para outro lugar. De todo modo, se restou ainda alguma dúvida ou se tem algo em que posso ajudar, não se acanhem: perguntem nos comentários que eu trato de responder em breve!

ps.: não saí colocando os preços de tudo, porque é muita coisa. Mas se alguém quiser saber quanto paguei por algum serviço, é só perguntar.

terça-feira, 5 de março de 2013

Livros de fevereiro/2013

Minha rinite alérgica não aprova esse vício.

Cumprindo a meta que estabeleci, venho hoje aqui falar um pouco sobre os livros que eu li mês passado. Em fevereiro eu li mais de cinco livros, ou seja, ultrapassei a minha meta de leitura; por outro lado, a maior parte dos livros que eu li classifico como ruim/regular. No fim das contas, foi mais um ganho quantitativo do que qualitativo, o que me incomoda de um tanto que não vou conseguir descrever. 

De qualquer forma, eis os livros lidos em fevereiro de 2013: 

1. O assassino cego - Margaret Atwood

Foi o primeiro livro que eu consegui ler inteiro por PDF – ele é caríssimo, então não deu para comprar antes e nem sei se pretendo comprar quando tiver condições. É uma leitura que você sofre para terminar, porque é uma narrativa complicada demais. Além disso, não houve um só personagem com o qual eu simpatizasse um pouco; assim, foi o livro que eu mais demorei a ler esse ano. Sério, tinha horas que eu achava que simplesmente não ia ter fim. Eu sei que a Margaret Atwood é super bem conceituada, mas como tudo que eu disser sobre esse livro vai soar implicante, aconselho quem quiser saber mais sobre ele a ler a resenha que eu ajudei a escrever e que foi postada no blog Amásia. 

2. Leituras de escritor - org. Luiz Ruffato

Eu jamais compraria esse livro, mas como eu herdei do meu irmão e ele estava dando sopa na estante, resolvi encarar. A proposta é legal: são vários contos de vários autores grandiosos, como Virgínia Woolf, Machado de Assis, Lygia Fagundes Telles, Franz Kafka e por aí vai. Claro que as histórias são boas, mas esse livro me fez encarar uma verdade que eu não queria aceitar: não gosto de contos. Melhor dizendo: não gosto de livros compostos apenas de contos. Acho que depois de ler tanto Caio Fernando Abreu na vida esse tipo de obra simplesmente me enjoou. Enfim, terminei de ler o livro porque tinha contos cujos autores eu desconhecia, mas quando acabei foi com a vontade de não encarar outro livro de contos nem tão cedo. 

3. O lado bom da vida - Matthew Quick

Quem me conhece não me suporta mais me ouvir falar sobre esse livro – sua temática já fez nascer outro texto aqui no blog. Olha, ele nem é essa maravilha literária toda, admito, mas foi um livro que me surpreendeu tanto, sabe? Pela forma que os temas são abordados, pela humanidade dos personagens, pela narrativa do autor que flui como se você estivesse lendo 2 páginas, não 200. Além disso, claro, foi um livro que me tirou da minha zona de conforto mental e me fez pensar em coisas que eu não deveria esquecer, mas que estavam adormecidas dentro de mim. E reitero  para quem assistiu ao filme e não gostou, que o livro não tem nada a ver com a sua adaptação cinematográfica. Além disso, dá para comprar com 20 dilmas em qualquer livraria. Com certeza vai estar entre os melhores do ano.

4. A menina que não sabia ler - John Harding

Esse livro é sensacional. Confesso que as 30 primeiras páginas me deram um certo sono, mas quando a história engrenou minha vida se resumiu em dois momentos: os que eu estava lendo e os que eu não estava lendo, mas queria ler. Engraçado que o autor tem influências de Poe, mas eu achei o Harding muito melhor. Acontecem umas coisas realmente inacreditáveis do meio para o final do livro; a tensão aumenta a cada página e eu parei umas três vezes pra soltar um palavrão porque, fala sério, não acreditava que aquilo estava mesmo acontecendo! Resumindo: esse livro me fez sentir tudo que um livro precisa me causar para ser considerado como ótimo.

5. Histórias extraordinárias - Edgar Allan Poe

Minha vontade de não ler livro de contos não foi respeitada nem por um mês, porque logo veio Poe com suas histórias extraordinárias. De qualquer forma, se vocês quiserem saber mais sobre o livro, essa obra foi mais uma resenhada pelo Amásia e lá vocês podem conhecer mais a fundo a estrutura da narrativa. Mas adianto logo: a escrita de Poe é bem rebuscada e várias vezes me trazia sentimentos realmente ruins. Não é exagero dizer que o temas dos seus contos podem se resumir a morte, morte, morte. Mesmo com todo esse ar macabro, o suspense do autor não fez efeito algum em mim - pra falar a verdade, achei o livro bem chato. Enfim, alimentei expectativas e elas não foram correspondidas.

6. Sob a luz dos seus olhos - Christine M.

Meu Deus, que livro ruim. Para quem gosta de me ver falando mal de livros em vídeos, grave o nome deste, porque com certeza ele será lembrando na retrospectiva em vídeo no fim do ano. Eu só li porque estava em uma fase crítica e precisava de algo muito água com açúcar para que eu pudesse curtir em paz a minha fossa. Mas esse livro é tão cheio de problemas que não sei nem se consigo citar todos. Primeiro, a história começa a se passar em Londres e de cara você percebe que a autora não conhece nada sobre a cultura e os costumes da cidade; até eu, que nunca fui lá, sei que o livro está cheio de senso comum. Odeio autores que querem ambientar histórias em outro país sem conhecê-lo muito bem - isso é a cara de autor brasileiro, infelizmente. Além disso, é uma das narrativas mais corridas que eu já li - a autora conta a vida inteira da personagem, da adolescência à velhice, em menos de 300 páginas. É algo como 3 anos da vida da Elisa, personagem principal, se passando em 3 páginas do livro - juro, sem exagero. No fim, o livro é carregado de clichês que nem chegam a incomodar, porque a obra tem problemas muito maiores. Recomendo para quem quiser saber como não escrever uma história.