Hoje eu vou lhes contar uma história e vocês, que têm pressa, sugiro que se levantem no justo instante, porque para contos de amor não há limite de palavras – o que dirá limite de tempo.
Ela era uma garota. Ele era um garoto.
Ano de 2006. Simples e pueril, duas crianças de treze anos como deveriam ser: conheceram-se meio sem querer, mais como um ato de implicância mútua do que uma vontade de compartilhar vidas. Sentavam-se próximos todos os dias, interrompendo as aulas com suas brigas sem fim: Ele, com a sua mania de caçoar Dela todo o momento; Ela, com a sua arrogância que só dava a Ele mais motivos para continuar a provocar. Uma típica novelinha pré-adolescente que rendia muitos sermões dos professores, algumas piadinhas dos outros colegas e nenhum olhar mal intencionado de quem tinha um jeito odiado de demonstrar afeto.
Não se sabe como ou exatamente o porquê, mas um dia Ela percebeu que Ele seria bem mais benfeitor se fosse algo além que o seu objeto de implicância; um dia Ela pensou que, bem, até que Ele não daria um mau amigo. E mais: Ele imaginou que, pois bem, porque não fazer Dela a sua amiga? Entram em um acordo de paz selada desses sem aviso algum e assim foi: amigos de confidências, de trocar bilhetinhos durante as aulas, de despejar confissões um no ouvido do outro – amigos como a muito eram e só agora haviam percebido.
Nunca houve estranhamento; não existiam brigas que não pudessem ser superadas no mesmo momento que eram criadas. Havia cuidado, havia a curiosidade, havia o seu jeito rítmico que jamais perdiam, havia o bem-querer-bem-mais-que-bem-querer. E, olha só, começaram a existir outras tantas coisas que a Ele e a Ela pareceram um tanto como novidade assustadora: havia a saudade de quem há poucas horas tinha estado ao lado, havia o ciúme por vezes injustificável e sempre calado, havia a vontade de estar junto simplesmente porque era bom, era tranqüilo, era o certo. Havia amor – amor escondido, amor nascido não se sabe onde e como, amor confuso de quem nunca havia sentido ao mesmo tempo tanta coisa boa, tanta coisa contraditória. Amor.
Ele e Ela agora eram Ele, Ela, Amor e todas as suas implicações. Amor que quer dizer declarações confusas metidas a muitos ''O que exatamente você quer de mim?'' e ''Eu nunca imaginei que você sentisse o mesmo''. Amor que quer dizer manhãs ensolaradas de sábado sentados no banco do shopping, conversando coisas sem sentido algum, mas que tendiam sempre para o mesmo ponto: como é bom estar com você. Amor que quer dizer o caminhar de mãos dadas, o primeiro ''Mãe, tô namorando'', o cinema no fim de semana, as cartinhas cheias de promessas infantis e, por isso, verdadeiras. Amor que quer dizer por vezes choro, por vezes abandono, por vezes fim – fim de um instante, de um ciclo. Amor que quer dizer dor, dessas que aperta até você gritar ''Chega! Tem um coração aqui, sabia? Um coração que precisa bater, mas acontece que você não deixa!''.
Pela primeira vez, Ele e Ela perceberam o óbvio que ficou escondido pelo encanto: não seria fácil – nunca foi e jamais será. Ele partiu, mesmo continuando ali, e Ela ficou em lugar nenhum. E fez falta: os rituais engessados, os carinhos que viraram costumes, os costumes que já eram afeto. Fez muita falta, acreditem – e que outra forma melhor para se medir o amor que na ausência?
Ela o aceitou de volta porque parte dele jamais havia partido; Ele voltou, pois não sabia viver sem a sua parte que abandonara. Mais sábios, talvez; mais maduros, com certeza. E foi nesse momento que souberam: estamos aí para tudo e o que mais precisar. Foram tempos difíceis: a rotina de pré-universitário consumia cada suspiro de quem precisava de simples instantes – aqueles velhos períodos para bobagens, para perca de tempo junto. Não tinham mais momentos, então inventavam: o intervalo das aulas, a noites de domingo pós-simulado, o meio-dia do sábado... Todo tempo era tempo. Não precisavam de muito – precisavam de si e isso tinham ali, carimbados pelo anel do dedo, expostos para aqueles que um dia duvidaram. E não foram poucos: uma platéia de infelizes na paixão, rezando pela próxima queda, pela ação do próximo obstáculo que não custou a aparecer.
Um ano é muito tempo. Um tempo para ele passar longe, afundado na busca do sonho que Ela nunca conseguiu entender – no amor, se sonha junto; então, porque, por um ano inteiro, Ele e Ela iam ter que sonhar separados? Não dava – não deu. E então foi a vez Dela de cometer tentativa de homicídio doloso – e o Amor ficou ali, em estado de coma, enquanto Ela brincava de Sra. Independência e Ele travava de lugar nada favorecido a sua luta solitária. Foram tempos difíceis, senhores; quem via de fora, talvez com uma gota de razão, pensava em voz alta: os ''inseparáveis'', por fim, entenderam que a escola não é para sempre – que você cresce, que você muda... Que os amores mudam.
Pois eu digo: não muda. Não o Dela, não o Dele. Não mudou durante as brigas quando ainda quando cursavam o Ensino Fundamental, não mudou sob a pressão de vestibular, não mudou após a Faculdade. Esse Amor – O Amor – não mudou nem por traição, nem por tempo; não mudou por distância, por interferência alheia, não mudou por complicações naturais. E, acima de tudo, não mudou porque eles não quiseram: nunca, nem por um instante, acreditaram na opção do ''E se'' – ''E se eu te esquecesse'', ''E se você jamais me quisesse de volta'', ''E se alguém pudesse fazer por você o que eu faria''.
E escute o que mais: não vai mudar. A mesma garota que um dia perguntou a Ele ''É para sempre?'' e o mesmo garoto que respondeu a Ela ''Para a vida toda'' são os que estão hoje por aí, 5 anos de história na bagagem, muitos erros a jamais serem cometidos novamente e uma lista de acertos que mais do que nunca parecem não com as velhas promessas – soam como garantias. Estão os dois aí, para o que der e para o que não der também: metidos à luta, metidos em buscas, indo com sede à estrada como bons insistentes teimosos que são. E falam por conhecimento de causa: não tente bancar o esperto, não gaste fôlego tentando fugir – o Amor chegou a Ele e a Ela, talvez cedo demais, talvez rápido demais, mas, definitivamente, de uma forma que poucos têm a sorte de ter durante a vida.
Ele sempre é o exageradamente otimista: acha que eles vão terminar a faculdade, morar juntos em uma outra cidade enquanto fazem uma especialização, retornar a onde tudo começou, casar e ter oito (oito!) filhos.
Ela é a realista: eles ainda vão brigar muito – por família, por (falta de) tempo compartilhado, por tempo que não se soube aproveitar. Ainda vão chorar muito pela fortuna que tiveram – o Amor lhes é um presente que tem custo caro, afinal. Mas não importa como, não interessa onde: eles sempre vão acabar juntos. E bem.
Por Ela, a garota.
Para Ele, o garoto (que é amado e amado e amado).
Ela era uma garota. Ele era um garoto.
Ano de 2006. Simples e pueril, duas crianças de treze anos como deveriam ser: conheceram-se meio sem querer, mais como um ato de implicância mútua do que uma vontade de compartilhar vidas. Sentavam-se próximos todos os dias, interrompendo as aulas com suas brigas sem fim: Ele, com a sua mania de caçoar Dela todo o momento; Ela, com a sua arrogância que só dava a Ele mais motivos para continuar a provocar. Uma típica novelinha pré-adolescente que rendia muitos sermões dos professores, algumas piadinhas dos outros colegas e nenhum olhar mal intencionado de quem tinha um jeito odiado de demonstrar afeto.
Não se sabe como ou exatamente o porquê, mas um dia Ela percebeu que Ele seria bem mais benfeitor se fosse algo além que o seu objeto de implicância; um dia Ela pensou que, bem, até que Ele não daria um mau amigo. E mais: Ele imaginou que, pois bem, porque não fazer Dela a sua amiga? Entram em um acordo de paz selada desses sem aviso algum e assim foi: amigos de confidências, de trocar bilhetinhos durante as aulas, de despejar confissões um no ouvido do outro – amigos como a muito eram e só agora haviam percebido.
Nunca houve estranhamento; não existiam brigas que não pudessem ser superadas no mesmo momento que eram criadas. Havia cuidado, havia a curiosidade, havia o seu jeito rítmico que jamais perdiam, havia o bem-querer-bem-mais-que-bem-querer. E, olha só, começaram a existir outras tantas coisas que a Ele e a Ela pareceram um tanto como novidade assustadora: havia a saudade de quem há poucas horas tinha estado ao lado, havia o ciúme por vezes injustificável e sempre calado, havia a vontade de estar junto simplesmente porque era bom, era tranqüilo, era o certo. Havia amor – amor escondido, amor nascido não se sabe onde e como, amor confuso de quem nunca havia sentido ao mesmo tempo tanta coisa boa, tanta coisa contraditória. Amor.
Ele e Ela agora eram Ele, Ela, Amor e todas as suas implicações. Amor que quer dizer declarações confusas metidas a muitos ''O que exatamente você quer de mim?'' e ''Eu nunca imaginei que você sentisse o mesmo''. Amor que quer dizer manhãs ensolaradas de sábado sentados no banco do shopping, conversando coisas sem sentido algum, mas que tendiam sempre para o mesmo ponto: como é bom estar com você. Amor que quer dizer o caminhar de mãos dadas, o primeiro ''Mãe, tô namorando'', o cinema no fim de semana, as cartinhas cheias de promessas infantis e, por isso, verdadeiras. Amor que quer dizer por vezes choro, por vezes abandono, por vezes fim – fim de um instante, de um ciclo. Amor que quer dizer dor, dessas que aperta até você gritar ''Chega! Tem um coração aqui, sabia? Um coração que precisa bater, mas acontece que você não deixa!''.
Pela primeira vez, Ele e Ela perceberam o óbvio que ficou escondido pelo encanto: não seria fácil – nunca foi e jamais será. Ele partiu, mesmo continuando ali, e Ela ficou em lugar nenhum. E fez falta: os rituais engessados, os carinhos que viraram costumes, os costumes que já eram afeto. Fez muita falta, acreditem – e que outra forma melhor para se medir o amor que na ausência?
Ela o aceitou de volta porque parte dele jamais havia partido; Ele voltou, pois não sabia viver sem a sua parte que abandonara. Mais sábios, talvez; mais maduros, com certeza. E foi nesse momento que souberam: estamos aí para tudo e o que mais precisar. Foram tempos difíceis: a rotina de pré-universitário consumia cada suspiro de quem precisava de simples instantes – aqueles velhos períodos para bobagens, para perca de tempo junto. Não tinham mais momentos, então inventavam: o intervalo das aulas, a noites de domingo pós-simulado, o meio-dia do sábado... Todo tempo era tempo. Não precisavam de muito – precisavam de si e isso tinham ali, carimbados pelo anel do dedo, expostos para aqueles que um dia duvidaram. E não foram poucos: uma platéia de infelizes na paixão, rezando pela próxima queda, pela ação do próximo obstáculo que não custou a aparecer.
Um ano é muito tempo. Um tempo para ele passar longe, afundado na busca do sonho que Ela nunca conseguiu entender – no amor, se sonha junto; então, porque, por um ano inteiro, Ele e Ela iam ter que sonhar separados? Não dava – não deu. E então foi a vez Dela de cometer tentativa de homicídio doloso – e o Amor ficou ali, em estado de coma, enquanto Ela brincava de Sra. Independência e Ele travava de lugar nada favorecido a sua luta solitária. Foram tempos difíceis, senhores; quem via de fora, talvez com uma gota de razão, pensava em voz alta: os ''inseparáveis'', por fim, entenderam que a escola não é para sempre – que você cresce, que você muda... Que os amores mudam.
Pois eu digo: não muda. Não o Dela, não o Dele. Não mudou durante as brigas quando ainda quando cursavam o Ensino Fundamental, não mudou sob a pressão de vestibular, não mudou após a Faculdade. Esse Amor – O Amor – não mudou nem por traição, nem por tempo; não mudou por distância, por interferência alheia, não mudou por complicações naturais. E, acima de tudo, não mudou porque eles não quiseram: nunca, nem por um instante, acreditaram na opção do ''E se'' – ''E se eu te esquecesse'', ''E se você jamais me quisesse de volta'', ''E se alguém pudesse fazer por você o que eu faria''.
E escute o que mais: não vai mudar. A mesma garota que um dia perguntou a Ele ''É para sempre?'' e o mesmo garoto que respondeu a Ela ''Para a vida toda'' são os que estão hoje por aí, 5 anos de história na bagagem, muitos erros a jamais serem cometidos novamente e uma lista de acertos que mais do que nunca parecem não com as velhas promessas – soam como garantias. Estão os dois aí, para o que der e para o que não der também: metidos à luta, metidos em buscas, indo com sede à estrada como bons insistentes teimosos que são. E falam por conhecimento de causa: não tente bancar o esperto, não gaste fôlego tentando fugir – o Amor chegou a Ele e a Ela, talvez cedo demais, talvez rápido demais, mas, definitivamente, de uma forma que poucos têm a sorte de ter durante a vida.
Ele sempre é o exageradamente otimista: acha que eles vão terminar a faculdade, morar juntos em uma outra cidade enquanto fazem uma especialização, retornar a onde tudo começou, casar e ter oito (oito!) filhos.
Ela é a realista: eles ainda vão brigar muito – por família, por (falta de) tempo compartilhado, por tempo que não se soube aproveitar. Ainda vão chorar muito pela fortuna que tiveram – o Amor lhes é um presente que tem custo caro, afinal. Mas não importa como, não interessa onde: eles sempre vão acabar juntos. E bem.
Por Ela, a garota.
Para Ele, o garoto (que é amado e amado e amado).
"Amor chegou a Ele e a Ela, talvez cedo demais, talvez rápido demais, mas, definitivamente, de uma forma que poucos têm a sorte de ter durante a vida"
ResponderExcluircéus, que coisa mais linda!
sabe aquele texto que te deixa boquiaberta, sem palavras? assim estou.
bj ;*
'Eu aqui mboba... chorando... toda emocionada.
ResponderExcluirCara que LINDO.
Amei.
Perfeito, sem tirar nem pôr.
Grande beijo e obrigada pelo encanto - pelo prazer da leituraaa
Que coisa linda, bom saber que ainda existe amor de Verdade! Felicidades pra vcs! beijos
ResponderExcluirParabéns pelo lindo texto e pelo amor de vocês dois, lembra muito um que eu conheço bem de pertinho... Os amores verdadeiros simplesmente acontecem, quando você menos espera está lá aquele que não sai dos seus pensamentos!!
ResponderExcluirFelicidades!!
É bom ter acompanhado (pela visão Dele) essa história toda no decorrer do tempo e ver que está tudo bem e irá acabar(continuar) bem. Torço muito por vocês, muito mesmo...
ResponderExcluirLindo o texto, lindo.
ai menina, q linda história! emocionei...q vcs sejam mto felizes...sempre!!!
ResponderExcluirbeijinhas e saudades suas lá no Sopa!!!
MARAVILHOSA a história de vocês, que Deus continue abençoando esse amor lindo!
ResponderExcluirNossa ... que história linda de amor!!
ResponderExcluirParabéns aos dois!
Felicidades...
bjos
FELICIDADES, que historia linda
ResponderExcluirNoooussa, muito PER-FEEEI-TO..
ResponderExcluirPARABÉNS aos dois!!!
Feeelicidades SEMPRE..
amor eterno!
;**
Nossa!!! Muito linda mesmo a história de vocês!!!
ResponderExcluirTow emocianada até agora... ai que vontade de chorar... chorar de alegria, de emoção... em perceber um Amor tão lindo assim!!!
Só posso desejar que vcs sejam muito felizes Sempre!!!!!!!!
História lindaaa...e um texto perfeito....
ResponderExcluirQue vocês seja muito felizes!!!!
E melhor do que poder ler esse texto perfeito, é poder bater no peito se achando o homem mais feliz que existe no mundo. Texto espetacular, amor. Brigado por me deixar ser teu protagonista nessa história, eterna história.
ResponderExcluirTe amo muito.
Francisco Marques.
É lindoo
ResponderExcluirparece eu e Gui
amei o texto de verdade *-*
posso postar um pedaço dele no meu blog????? vou por de onde eu peguei \o pode?
Que linda a história!
ResponderExcluirFelicidadees!
cara, o amor de vocês dois é muito perfeito, muito mesmo *-*'
ResponderExcluire veio pra fazer acreditar mais ainda que o amor vence sim qualquer dificuldade!
Parabéns, toda a sorte do mundo, vocês merecem toda a felicidade que o amor merece *-*'
Ah, se quiser depois, tem selinhos lá :D
Obg pela visita!
:**
Conheço uma história parecida com a de vocês.. a historia da minha prima e o namorado dela =) e olha que hoje ele é MARIDO! rs..
ResponderExcluirMuitas felidades pra vcs!! =)
meu Deus, que história perfeita *-*
ResponderExcluirVocês merecem que dure eternamente !
parabéns, mesmo.
Linda história!!Mtas felicidades para o casal!!
ResponderExcluirE parabéns...vc escreve mto bem!
Bjinhus e aproveitem bastante amanhã
Lindooo...
ResponderExcluirPerfeito...nem pareci real!
Eh bom saber que ainda existem amores assim, e que ha uma grande possibilidade de se viver ele!!
Parabens pra vcs..!!!
Nossa que história maravilhosa, que Deus abençoe esse amor. Muito lindo o texto, parabénss!!!
ResponderExcluiroooi, adorei o blog ;
ResponderExcluirestou seguindo se quiser retribuir ;
um ótimo final de semana, baiser ;*
Linda a historia!!!
ResponderExcluirParabéns por esse amor tão lindo de vocês.
Felicidades!!!
bjos
Isso derrete - em lágrimas, qualquer um, o "qualquer um" que sabe amar. Lindo :D
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