
Hoje eu acordei drástica, trágica... Insignificante. Cruel. Sinto culpa e não sinto nada; fica sempre essa sensação de escuridão sem fim que nós tão bem conhecemos nos nossos últimos dias, hoje tão distantes que parecem mentira. Toda essa história pareceu roteiro de filme que acabou sem suspense, sem grandes revelações, sem chance de continuação. Lembro que assim que você se foi, eu passei dias pensando em onde reunir forças para juntar todos os pedaços de você que foram deixados na sala, na cozinha, no nosso quarto. Fiz muito esforço – em vão – pra me olhar no espelho e não ver em memória o seu reflexo ao meu lado, quente em um abraço. Tentei por muitas vezes sair de dentro de mim mesma, mas a memória forte de você me puxava cada vez mais fundo e eu fui ficando assim, miudinha em um mundo só meu.
Das piores das mentiras que eu já contei, a de que esqueceria você sempre me pareceu a mais cruel. A mais ridícula de todas, porque não engana a ninguém, não satisfaz as nossas necessidades e não me ensina a seguir em frente. A pior parte do deixar ir é não poder pedir pra voltar. A pior parte de ser magoada é a necessidade do consolo por justo aquele que magoou. A pior parte da saudade é a foto no retrato, a Marisa Monte do rádio, o resto de comida do último jantar. A pior parte de você é você ainda existir enquanto eu tento inutilmente te expurgar da minha vida, dar um basta, levantar a cabeça e começar de novo.
Você me ensinou a ser mulher, a ser mais eu, e isso não há mágoa nenhuma que possa apagar. Mas também não posso ser injusta comigo mesma e lhe dar mais do que merece: hoje, não passa de uma lembrança minha, de uma estranha curva, de um caminho torto. Hoje você é um homem com cheiro de cerveja barata, cigarro e putas mal pagas. Hoje, meu bem, o que eu espero de você é que não volte jamais.
sabe, é assim: eu leio e releio seu blog praticamente todo dia. porque eu já cansei de escrever. eu já não sei mais como botar pra fora tudo o que tem aqui dentro. e você sabe. você coloca tudo pra fora em palavras que estão dentro de mim e nem eu mesma sabia. você consegue isso. e eu leio e releio seu blog como se ele fosse meu, como se suas palavras fossem minhas, e como se "ele" também estivesse ouvindo. podem ser situações completamente opostas, na verdade, mas eu me vejo em você, na sua dor, na sua tentativa de recomeçar, no seu apego - ainda que contra sua vontade - ao passado.
ResponderExcluireu só posso te desejar que você encontre em alguém alguém que te traduza tão bem quanto seu blog faz comigo. alguém que supra a sua necessidade de botar pra fora. alguém que te um abraço por dentro, do jeito que seu blog faz.
de preferência, que essa pessoa seja você mesma :)
(parece puxação de saco, isso, eu sei. mas desde o meu primeiro comentário aqui, fico impressionada, de verdade, com tudo isso que eu disse. eu poderia recorrer aos grandes e fazer citações poéticas. mas foi num blog, assim, de uma desconhecida, que encontrei alento. muito obrigada, e força, pra gente!)
E será que é assim mesmo? As vezes estamos chateados, magoados, mas nosso coração ainda clama por aquela pessoa.
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