E então isso é o fim? Bem menos melodramático do que eu imaginei, admito; previa choros e dialéticas, queria ouvir minha voz soar no eco da solidão, dizer que achei o céu era mais azul do que estava pintado. Queria ter berrado para que me vissem ali, submerso no mundo dos sonhos fantasmagóricos que enterraram virtudes, aquém de toda a história que advinha em faces. As mãos calejadas se erguem diante de meus olhos, mas já não posso segurá-las: empacotei sentimentos, todo um coração, e joguei-o fora. E foram-se dias felizes, planos de momentos cheios de nós. Não ergo meus olhos para não encontrar o triste destino dos que já não podem ver, cegos do orgulho de não pedir perdão, privados de ajuda e lotados de desprezo. Caminho em multidões; pessoas, assim como eu, felizes em seu mundo, incompletos no universo alheio. Pessoas cheias de si, feitas para amar e não serem amadas. Pessoas que são de épocas erradas, famílias trocadas; não pertencem a si, não são objeto do outro: estão por um andarilho de pedras, soltas ao vento que as carregue, esqueléticas, cheias de fome de alma. Então, talvez se descubra. Duas linhas podem ser paralelas, distintas ou coincidentes; eu posso me entregar, à brisa mais doce ou à ventania. E o acaso que me encontre, aonde quer que eu vá parar.
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