Estou vivendo uma versão de mim mesma, no mínimo, muito desagradável. Essa mania que a gente tem de nos repetir sempre em nossas piores versões sempre ferra com tudo, mesmo. Sempre tem aquele pedacinho insignificante de maldade, dor e muita saudade pra lembrar que a felicidade não é tão fácil assim. Sempre tem aquele fantasma que te assombra e não te deixa concluir a tua noite de sonhos; sempre se tem o que temer, no que desacreditar, por quem sofrer. Foi nesse ritmo meio descompassado que eu guardei fundo o meu atrevimento de querer controlar minha própria vida e fui ao poucos murchando o meu peito que, não sei porque, andava estupidamente inflado. Esse meu orgulho besta de qualquer coisa nunca me levou a lugar nenhum, e agora mais do que nunca eu sinto vontade de me esconder no escuro do meu quarto e chorar como se não houvesse dias nem noites. Não sinto vontade de ouvir a voz de ninguém, porque outras pessoas atrapalham essa minha necessidade de ser triste; eu me empenho em sofrer com todos os milímetros do meu corpo e me dou ao direito de ser assim porque cada um sabe quando não pode mais suportar. Então eu fico nesse êxtase que todos analisam como sem causa alguma e descubro que quanto mais eu me entrego à dor, mais motivos eu tenho para abraçá-la. Não entendo como tanta gente consegue sorrir e viver normalmente enquanto carrega, sem incômodo nenhum, um buraco tão grande no peito; eu não sou assim e nem faço questão. Então, se eu tiver que morrer um pouco para continuar vivendo, é isso que farei. O que não dá é para brincar com as situações como se tudo fosse um grande motivo de graça; tristeza não é poesia, dor não é ilusão. E às vezes acho que vou ficar lançada nisso para sempre. Nunca falei sobre isso com ninguém e nem acho que as pessoas realmente se importam. A uns poucos, que bem mais por educação que por carinho me estendem um “você está bem?” tímido e sem interesse, eu me limito a responder com um breve “vou levando”. E vou mesmo, não sei para onde e não sei por quanto tempo. Às vezes eu acho que me perdi no caminho; dizem que a tristeza cega as pessoas e não é que talvez seja assim? Quem sabe eu não esteja dando apenas voltas em um mesmo caminho e talvez por isso insista em tropeçar nas mesmas pedras: não porque os problemas são os mesmos, mas porque eu ainda sou a de muito tempo atrás. Não adianta fingir que as coisas são diversas, porque dentro de mim a verdade grita: ainda sou a mesma menina de 15 anos que me marcou o resto da vida. E isso não tem nada a ver com azar, pessimismo, esperança, coragem; é como se eu quisesse fazer a única coisa em que sou assumidamente boa. É como se eu tivesse cansada de perder aos poucos e tivesse resolvido arriscar tudo uma última vez. É como se eu tivesse caminhado quilômetros em busca do precipício e agora que eu o encontrei, não sei se pulo ou se volto atrás. É como se depois da chance de ser feliz, eu descobrisse que é preciso muita coragem para ser triste, também.
Sempre soube que minha vida é cercada de metáforas, então por isso segue o meu maior conselho: ouça o que eu digo, mas não entenda o que eu escrevo.

"Agora não dá mesmo para ser feliz, é impossível. Mas quem disse que a gente precisa ser sempre feliz? Isso é bobagem. Como Vinícius cantou: 'é melhor viver que ser feliz'. Porque, para viver de verdade, a gente tem que quebrar a cara. Tem que tentar e não conseguir. Achar que vai dar certo e ver que não deu. Querer muito e não alcançar. Ter e perder. Tem que ter coragem no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e dizer uma coisa terrível, mas que tem que ser dita. Tem que ter coragem de olhar no fundos dos olhos de alguém que a gente ama e ouvir uma coisa terrível, mas que tem que ser ouvida. A vida é incontornável. A gente perde, leva porrada, é passado pra trás, cai. Dói, ai, dói demais. Mas passa. Está vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto agulha? Você ainda vai olhá-la no fundo dos olhos e rir da cara dela. Juro que estou falando a verdade. Eu não minto. Vai passar".
Realmente pra viver de verdade a gente passa por momentos difíceis.. Mas eu tive a sorte de me encontrar mais na felicidade, pelo menos até agora..
ResponderExcluirBeijos, Dê!
texto mt legal! vi seu blog no perfil d FF. Não consigo comentar lá pq não tenho login e não da pra comentar sem ele.. maas...
ResponderExcluirparabéns, gosto demais do que você escreve!
Como me vi nesse texto...
ResponderExcluirDoeu =x
Você de uma maneira assustadora, escreveu coisas que estou sentindo e não sabia expressar.
ResponderExcluirObrigada.
"É como se eu tivesse caminhado quilômetros em busca do precipício e agora que eu o encontrei, não sei se pulo ou se volto atrás."
sem rodeios, bem tu. adorei.
ResponderExcluir“Pra fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza”, certo?
ResponderExcluirExiste uma tristeza-dor que eu detesto, mas existe uma tristeza-inspiração que eu digo, (sussurrando, pra que não me rotulem como masoquista), que até busco sentir, porque faz eu me sentir humana, faz eu sentir capacidade de sentir, enfim.
Amei o post. De verdade. Foi como segurar um espelho.