
Ninguém é feliz de graça, por sorte. Ninguém acertou o caminho sem antes tentar. Venho convencendo a cada dia um pouco mais de mim mesma da veracidade de todas as minhas teorias sobre a vida, o amor, os astros e a sorte – coisas banais que não fazem muita diferença para a maioria das pessoas, mas que vêm me guiando em um caminho que eu sei que vai dar pé. Todo dia eu reflito sobre as chances e possibilidades que eu ofereço a mim mesma e penso, trepenso, analiso e concluo: não há como errar. O caminho está traçado, a vitória é companheira e eu que não ouse olhar para trás. Eu que nem pense em novamente me olhar no espelho e duvidar da imagem refletida. Já fui e já voltei tantas vezes nesse caminho que dizem ser dos vitoriosos que já reconheço a todos – inclusive a mim mesma quando começo a ficar assim, com esperança. Mas eu imagino essa viagem tão bonita; não consigo parar de pensar como vai ser bom quando eu puder finalmente embarcar nesse trem, de como as poltronas são confortáveis, na forma com que a paisagem foi divinamente desenhada em suas minúcias, o céu azul do jeito que eu gosto e lá na frente, o mar, ah o mar! Suponho que seja assim, ou estou enganada? Porque, penso eu, que quando se é feliz, a gente consegue imaginar o mundo do jeito que quiser. Quando se é feliz se pode até ser triste que nada afeta o colorido do mundo – e eu tenho essa mania de gente besta, de ter tudo para rir até passar mal, mas querer sempre remoer um sofrimento que não existe. Esse meu velho vício de saudade e mágoas que sempre contagia tudo – mas que não vai mais me privar de nada, é o que eu venho repetindo. Outro dia mesmo, parei e disse: hoje vou ficar contente. E fiquei. Engraço como às vezes a gente consegue exatamente o que quer; e outras vezes a gente tem que adaptar as nossas querências àquilo que é possível, que é bom, que é leve. E por fim chega o dia em que tudo que nós precisamos fazer é ficar quietos no vagão do trem, enquanto ele faz sua viagem e nós só observamos a paisagem – e é aí que eu quero chegar. Se um dia eu conseguir, volto pra dizer como é bom.
Gostei do texto! Muito bem escrito, como sempre =) Fazia tempo que não passava aqui no seu blog, continua ótimo!
ResponderExcluirE, se um dia você realmente conseguir, por favor, volte mesmo para nos dizer como é bom e nos inspirar para chegar ao mesmo ponto que você =)
Beijos ;**
Sempre consigo me identificar com algo que você escreve... Também acredito que é possível ser feliz carregando conosco certas mágoas e ressentimentos.
ResponderExcluirO importante da vida deve ser mesmo rir até doer a barriga e esquecer dos problemas, é poder escolher como será nosso humor antes mesmo de levantar da cama.
E também poder ficar em silêncio somente observando a paisagem...
Saudade.
Beijo!
Seu comentário sobre o Líricas ser seu blog de cabeceira me deixou tão boba, sabe? Fiquei com isso na mente por dias. Achei a coisa mais linda. Fiquei querendo escrever todo dia, só pra te dar mais uma história.
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Moça,
Notei que tem muito de mim nesse seu texto. Essa coisa de se autossabotar. De ter felicidade e ficar fuçando mágoas, lembrancinhas cinzas, só pra atrapalhar. Aí fico vendo o quando já treinei esse "jogo do contente." E até guardo a alegria, mas se perde tão fácil!
Eu espero muito que você chegue. E que volte pra contar. Vou também, certo? Quem chegar primeiro avisa.
Um beijo.
"Quando se é feliz se pode até ser triste que nada afeta o colorido do mundo" - Ah, que delícia de texto esse seu. Fui comprada também pelo trem, porque amo trens demais hehe mas claro que você escreve divinamente bem! É de encher os olhos! :)
ResponderExcluirVolta, mas só pra dar notícias. O lado de lá parece bem melhor...
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