Menos de vinte anos, alguns metros cúbicos de lágrimas e cá estou eu, tentando fazer a coisa certa ao menos uma vez. O meu entendimento em relação ao resto do mundo tem sido cotidianamente reconstruído e eu não sei se as mesmas palavras de ontem não passam, hoje, de um sentido superficial do que ainda está por vir. “Ainda está por vir” é o termo mais certeiro que eu tenho me atrevido a utilizar, a propósito. Acho que abandonei – finalmente – essa minha tentativa vã de parecer determinada em alguma coisa: sou uma contradição em mim mesma, um movimento cíclico daquilo que ainda não aconteceu, mas que se espera e espera e espera, não me perguntem até quando. Há muito tempo eu desisti de entender o que qualquer uma dessas coisas significa – se não haveria um sentido oculto por trás de tudo e se as respostas certas não estariam escritas em letras grafais em neon, bem à minha frente. Dizem que nós somos cegos em relação ao que de melhor está por vir, mas eu garanto, com toda a minha honestidade de quem nunca aceitou bem a decepção de esperar o que não tem que ser esperado: nada de excepcional está por vir. Talvez, no máximo, surja a chance de umas belas voltas por Copacabana, com aquele vento maravilhoso que talvez só faça igual aqui por minha terra; talvez uns goles de café, minha única e amiga bebida, que me façam revigorar e reconstruir todas as forças que não encontro mais em mim mesma; e, por fim, algumas dessas palavras cruéis que não têm um significado em si mesmas, mas que no fim acabam por formar um sentido único: não tenham pena de mim, não me mandem cartas nem recados de despedidas. Eu estou – muito – satisfeita até mesmo com os tombos que tenho levado, o que dirá das alegrias que vez ou outra batem à minha porta, pedindo passagem. São momentos raros esses que eu saio do meu corpo cansado e me permito flutuar nas luzes que invadem a noite – é uma ótima sensação, vocês deveriam experimentar. E depois eu retorno, para a mesma vida, o mesmo jogo, o mesmo resultado. E, não sei bem como dizer, isso tem satisfeito a minha fome de viver. Porque não dá para brincar com a verdade. A realidade não é um leque de opções. Existe essa força acima de tudo que lhe deu as cartas e, bom, tudo o que eu sei é: faça o melhor jogo que puder.
"São tudo histórias, menino. A história que está sendo contada, cada um a transforma em outra, na história que quiser. Escolha, entre todas elas, aquela que seu coração mais gostar, e persiga-a até o fim do mundo. Mesmo que ninguém compreenda, como se fosse um combate. Um bom combate, o melhor de todos, o único que vale a pena. O resto é engano, meu filho, é perdição."

me identifiquei super com o seu texto. Lindo, lindo, lindo e muito real. Fiquei emocionada :)
ResponderExcluirbeijos!
Ah Deyse...esse é um momento tão seu mais tão seu que nada nem ninguém que diga que 'o melhor' está por vir, vai te fazer sentir melhor. Mas acredite: SEMPRE passa e quando a gente vê 'o melhor' já chegou e a gente nem percebeu.
ResponderExcluirFique bem tá?
Beijos!
Dê, você falou exatamente o que eu estou sentindo hoje.
ResponderExcluirLi esses dias na net e agora não me lembro de quem é a quote, mas diz mais ou menos assim: "até o pôr-do-sol tem suas sombras".
E acho que é assim, a gente precisa ser um pouco triste, também, pra aprender a valorizar as alegrias. :)
Beijo
Sou muito fã de seus textos. Porque vejo que você escreve o que sente e pensa, são textos bem subjetivos, mas não sei como eu leio e penso: "Puxa, tem alguém como eu!".
ResponderExcluirEscolha.
ResponderExcluirSabe, eu cansei de vir aqui e falar "é exatamente o que eu sinto/penso", menina. Boa sorte pra nós :)
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