sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Neofobia e outras desculpas

Mais de um mês desde a última vez que eu vim aqui. Não consigo mesmo ser estável. Droga.
Não é exatamente como se os outros sentissem a minha falta, mas ocorre que eu sinto falta da pessoa que eu sou depois que entro aqui, digo uma ou duas baboseiras e saio leve, para mim e para o mundo. Mas nem para dizer coisas sem sentido eu tive tempo durante Agosto, que foi um mês que passou por mim como um susto. É, definitivamente não haveria definição melhor. Agosto foi o meu soco no estômago, o meu sonho com face de realidade. Preciso dizer, Agosto por mim valeu por um ano inteiro, me trouxe (e, porque não?, me tirou) mais coisas que os últimos cinco verões. Agosto surgiu com tanta importância que para mim se tornou Agosto, o substantivo próprio. Agosto veio e passou e só deixou em mim esse não entendimento das coisas.
Em Agosto eu me formei, com direito a capelo, beca, uma semana de festas e baile de formatura. É, eu sei, já está todo mundo cansado dessa ladainha do "como será daqui para frente?". Eu estou cansada, vale dizer. Também sei que todo mundo já passou por isso, só que não adianta as pessoas ficarem me repetindo que tudo vai ficar bem, porque por mais que isso seja gentil, em verdade não diminui em nada o meu desespero. O fato é que eu me formei e, insira aqui um palavrão muito intenso, E AGORA? Me entendam, por favor, porque eu preciso escrever sobre isso, preciso estar ciente disso, preciso falar sobre esse assunto praticamente o tempo todo até que finalmente eu vou entender o sentido real de tudo e sobre como as coisas serão daqui pra frente - porque, surpreendentemente, eu tenho um plano.
Sim, eu tenho um plano bonito e a longo prazo e, se tudo der certo, vocês não somarão a minha pessoa à estatística de desemprego. Não, o meu "e agora?" não se refere ao que eu vou fazer da vida, mas sim como e quando eu vou fazer algo a respeito. Porque por enquanto, e não me orgulho do que vou dizer, eu não tive coragem sequer de ir à faculdade requerer um certificado de conclusão de curso, muito menos de ir à OAB fazer a minha inscrição. Não porque eu não sei o que fazer da vida - isso já está escrito desde o primeiro dia no curso de Direito, afinal. O problema é que eu não sei como.
Se eu tivesse me formado em medicina, diria que estou morrendo de medo de começar a trabalhar em um hospital e acabar matando cada paciente que passar pelas minhas mãos. Perder um prazo ou elaborar uma tese ruim pode não ser tão drástico, mas ainda assim é aterrorizante. Estar em uma audiência, fazer defesa oral, impetrar um recurso... Tudo isso me tira o sono. Até parece que eu não estudei 5 anos para tudo isso, que nunca fui ao Fórum, que não passei na OAB. A sensação que eu tenho é que não aprendi nada na faculdade. Mesmo que lá no fundo eu saiba que vou me sair bem e que é absolutamente normal, no início, duvidar de mim mesma... Ainda assim essa neofobia adquirida não me deixa dar um passo sequer à frente. O novo é assustador e congelante. Eu poderia facilmente pular essa parte inicial e ir direto àquela em que sou alguém experiente no que eu faço, porque, por enquanto, ser novata nessa coisa de ser gente grande não tem me atraído nem um pouco.
Agosto foi tão definitivo que se foi há cinco dias, mas aparentemente ainda está aqui, pairando pelo ar, me empurrando para o meu próximo grande passo. A verdade é que não escrevi nada durante Agosto porque estava muito ocupada tentando viver o turbilhão de coisas que estavam reservadas a mim nos seus 31 dias. Não sei se estou pronta para setembro, que deverá ser simples, porém mais breve que qualquer outro mês que eu já vivi. Setembro é o janeiro do momento, é o recomeço de tudo, o "era um vez" da minha nova história - história essa que, Deus me proteja, não faço ideia de como começar a escrever.


Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro - e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco. É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. Então dizer mentalmente ah!, escrever tanto de tanto de mil novecentos e tanto e ir em frente. Este é um ponto importante: ir, sobretudo, em frente. - Caio F. Abreu.

6 comentários:

  1. eu me senti assim quando comecei a faculdade e confesso que ainda me sinto até hoje. Não poderia achar palavra melhor para o novo do que congelante, como você mesma disse. A possibilidade de crescer me assusta, mesmo que eu saiba que "crescer é uma enorme aventura". Te desejo boa sorte, tenho certeza de que você será tão boa em advogar quanto é escrevendo.
    Beijos rimados pra você :*

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  2. Você enlouquecida com o mundo que vem depois da faculdade, eu enlouquecendo com o mundo que virá depois do ensino médio. Isso nunca acaba, né? hahaha Toda sorte nessa nova fase, parabéns pelas conquistas e que dê tudo certo por aí. Beijos!

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  3. Amiga, sabe que ja perdi MUITO sono pensando no que vem depois da faculdade? Essa sensacao de que nao vou saber de nada quando me formar me deixa aflita tambem. Ja teorizei um monte de coisas que podem dar errado numa entrevista de emprego pelo fato de eu nao saber responder algo basico. HAHAHA Quer dizer, antes eu estava assim, sofrendo de vespera, mas esse meu novo eu ta gritando mais alto e dizendo: VAI COM MEDO MESMO!!!!

    E, olha, se te conforta: nao duvido nem um pouquinho que voce vai ter MUITO sucesso na sua vida. Voce eh muito esforcada e muito centrada nas coisas que quer, entao vai dar certo amiga. E quando der, volta aqui pra contar pra gente!!

    Agosto foi um turbilhao de coisas pra mim tambem. Mas tudo passa. <3

    Beijos.

    Larie

    (to escrevendo do instituto, por isso a nao acentuacao e o fato de eu nao estar logada hahahah)

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  4. Oi amiga! Eu sinto falta do blog sim, entro nele sempre e vivo torcendo para você ter muuuita vontade de escrever. E esse medo é completamente normal - me formei em fevereiro e vivo nadando nele. É que desde que a gente se conhece por gente a gente está estudando. Com o fim da faculdade isso de repente acaba e muda tudo o que a gente conhece por rotina. Mas vai ficar tudo bem. Você arrasa e essa angústia de início certamente vai passar!
    Beijos! Te amo!

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  5. Já tô me preparando pra isso aocntecer comigo em dezembro. Meu dezembro é que vai ter d maiúsculo. Eu até atencipei um pouco as coisas e já comecei a ter umas crises antes do tempo, mas não seria eu se não sofresse por antecipação. Mesmo já cansada de ouvir, repito: vai ficar tudo bem. E ainda digo mais: aproveita esse medo/nervosismo que ele não é de todo mal. Comece a ficar assustada quando você não senti-lo mais antes de fazer alguma coisa que você realmente ame.

    Beijos.

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  6. Ai Deyse! Como compartilho disso tudo que disse!
    o Prato vive abandonado porque não arrumo jeito de escrever e tempo também.
    Este ano tem sido pesado, o último ano como estudante! Novembro está aí e eu estou tremendo as pernas de medo de me formar. E se eu derrubar um prédio?
    Caracóis! Que medo!

    Posso ser gentil e te dizer que vai dar tudo certo?
    Espero. Por você e por mim.

    ♥

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