segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Ser feliz é não ser feliz

Estou de um jeito facilmente agradável, mas ninguém me apresenta uma série de tv nova, nenhum autor original chama minha atenção, nenhuma discografia desconhecida aparece na minha lista de download; estou aberta à inovação, ao que possa ser descoberto, do bonito e puro ao horrendo e desgastado, mas ainda assim me some toda e qualquer chance de ir além das quatro paredes que me cercam todas as noites.
Acho tão desanimador eu estar aqui, segurando meu letreiro piscando em néon onde está escrito ''oi, Vida, eu preciso de atenção'', e ainda assim parecer muito discreta a minha penúria de ser descoberta – é ambicionar em excesso o fato de eu querer ser mais que isso, essa coisinha cotidiana? Seria pecado a minha repugnância a essa falta de obrigação de construir mais, que vencer demais?
E como isso me dói o juízo e me quebra o pensamento, mas ainda me atrevo a criar conflitos com bases infundadas, onde tudo que preciso é de um pouco de emoção para esse coração que está quase perdendo o ritmo: espero que esteja claro o quanto bem resolvida eu sou e o quanto eu me revolto com isso. Não acho comum, não aceito naturalmente falando, que a cabeça confusa que eu tenho e a vida complexa que eu sustento se apresentem a mim da forma simples que vem sendo.
Pulei todas as fases de profunda depressão: sem o choque da vida de pré-universitária, sem os traumas de amores não-correspondidos (por Deus, eu nunca tive um desses! Como isso é possível?) ou a dor de uma família desequilibrada, hoje eu sinto falta, acreditem se quiserem, de um pouco de preto e branco nessa minha vida colorida e cheirando a flores do campo. Não estou pedindo choros por toda a noite e tão pouco uma novela mexicana; mas nunca cheguei a perdi a perfeição: não me atrai, não me seduz e muito menos me convence.

Talvez eu pare de correr atrás de todos os meus sonhos de uma vez, já que a medida que vou conseguindo realizá-los, passa em mim o interesse de tê-los. Talvez eu queira isso, para sempre: desejar, sem nunca conseguir; desejar e quase ter; desejar, mas não ter certeza jamais. Talvez eu nunca queira parar de ir atrás, talvez eu nunca queira apagar os faróis.

5 comentários:

  1. Isso seria um 'não quero ser feliz' ou o seu conceito de felicidade é outro?
    Dia desses uma amiga da faculdade também me disse isso, e fiquei pensando como pode uma pessoa querer sofrer... mas talvez esse 'sofrer' que dissestes seja o comum movimento da vida...

    Beijos!

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  2. Ei De
    =]
    A felicidade, ao meu ver, está em tudo. E é muito mais que um simples sentimento passageiro, como a alegria. A felicidade está sempre rondando, e resta a nós parar de procurar, e sim, encontrá-la simplesmente.
    Beijos

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  3. Talvez, a felicidade plena só venha da dor desgastada.
    Depois que sofremos, conseguimos enxergar aquilo que REALMENTE nos faz feliz, por menor que seja...

    Beijo

    ps: to seguindo, e te favoritei.

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  4. É o que a Ana Lu disse: a felicidade está aí.

    Uma vez li sobre uma mulher que decidiu fazer tudo para achar a felicidade como ela é estudada. Ela começou a seguir tudo o que as revistas mandavam (cantar pela manhã, levar o cachorro pra passear, comer não sei quantos ovos por dia, etc.) e manteve um diário sobre o "experimento". No final ela chegou a uma conclusão (totalmente clichê): as felicidade está nas coisas pequenas.

    Se é assim, é só nos esforçarmos um pouco mais para encontrá-la e aí nos decidimos em agarrá-la ou não.

    Beijo.

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  5. Oi minha escritora tão talentosa!!! lindo o lay novo viu!!! Sobre essa inquietação...celebre todos os dias a felicidade recebida...isso é uma dádiva...posso propor uma coisa? quando estiver entediada, faça alguém feliz, ou pelo menos confortada. Doe uma roupa usada, um brinquedo esquecido. compre um pão para aquele mendigo q atravessou seu caminho na rua...dê palavras de conforto a quem sofre...Pode parecer piegas, mas fazer o bem, faz bem!!!!

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