quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Verbo ''tentar'', terceira pessoa do plural

E a gente tenta.

Tenta porque cada lágrima de raiva e de decepção que trocamos não é nada – nada – perto dos incontáveis dias que passamos sorrindo, das inúmeras lembranças que nos fazem gargalhar só em serem lembradas, dos vários planos que temos – temos, no presente, porque uma vida como a que sonhamos só existe de um jeito; um jeito que, acima de qualquer coisa, é insubstituível por ter que, obrigatoriamente, unir duas pessoas: você e eu. Tenta porque eu sei que a nossa cota de erros um com o outro já foi gasta o suficiente para que possamos passar o resto da vida só acertando. Tenta porque uma pessoa que é exatamente aquilo que a gente precisa, só encontramos uma vez na vida - e, assim como eu nunca vou encontrar alguém que ao menos se iguale a você, que ature minhas reclamações com tanto bom humor, que diga que me ama sempre que eu quiser ouvir, que me ache linda mesmo quando eu estiver o contrário disso, você também nunca irá encontrar alguém que seja a sua medida certa, que ria das suas bobagens, que entenda o que você pensa antes mesmo de você falar... Não, você jamais encontrará alguém que lhe sinta da mesma profundidade que eu. E, bom, a gente tenta porque eu sei que a estupidez que cada um de nós fizemos não foi para que seguíssemos os nossos caminhos separados; foi para que a gente teimasse, para que a gente olhasse um para o outro e pensássemos juntos: ''Tá vendo como doeu? Então que jamais se repita''. E não se repetiria.

E olha só: tentar, insistir, nunca há de ser crime, pecado ou vergonhoso – há sempre, sim, de ser prova que ninguém nunca se cansa de amar. Que não cansamos. E, por Deus, sejamos sinceros: que outra alternativa saudável, completa e 100% aceita por nós mesmos que temos, a não ser tentar?

Eu vivo assim de reviver o amor,
a gente até sabe dizer ''por favor'' (...)

Mas eu insisto, eu vou sumir,
e ir pra um lugar onde eu possa viver e te amar.

play: Reviver - Torre de Papel¹

¹Torre de Papel é uma banda maranhense de rock alternativo com altas influências de Los Hermanos, The Beatles, Jimi Hendrix e Muse. Vale a pena ouvir algumas canções, eu indico.

5 comentários:

  1. Oi Deyse! Obrigada pela visita no Sopa e pelo link ai do lado!!
    Volte sempre e sinta-se a vontade!

    Menina, vc escreve muito bem!!! adoro esse frescor revolucionário do tom que vc usa! muito bacana!!!

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  2. poxa, muito obrigada :)
    mas você também escreve bem, moça.

    -elas tentam haha-

    (e que vontade eu tou de ler esse livro da Fernanda Young hahaha)

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  3. Ei Deyse! Obrigada pela visita!
    Ebaa, seremos colegas de profissão, hahaha.
    Bjo!

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  4. Nossa, obrigado pelo seu comentário! Depois que eu vi que veio de uma pessoa que escreve tão bem como você, fiquei mais feliz ainda.

    Seu texto não me cansou em nenhum minuto: você poderia ter escrito uma página inteira do blog que eu leria sem parar. Muito bem desenvolvido!

    Parabéns e beijos.

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