domingo, 5 de outubro de 2008

Saber voar

Não era para ser assim.
Ah, não, não se enganem, não há nada de satisfatório nessa sociedade fantasiada de um utópico bem-estar. Devíamos ter o direito. Direito de viver no nosso sentido de ético, usufruir do nosso amor sem pudor.
Devíamos poder tirar a roupa em praça pública e gritar, da liberdade, ah, desejo-a! Nada de pseudos, do faz de conta que impera. Larguem de falsidade: ninguém é liberto, todos somos marionetes do sistema de o que tem que ser. Tudo é limitado, no sentido mínimo ao amplo, do sorriso ao discurso.
Devíamos poder gritar ao mundo: hai de ti, onde estás? Vinde a mim! Devíamos poder saltitar, rodopiar, pular da ponte e nadar no rio. Devíamos poder dizer o que pensa sem ter medo de perder o emprego, perder o amigo, o marido. Devíamos poder nos exibir sem medo das críticas, devíamos poder criticar sem se exibir. Devíamos poder quebrar as regras, chegar atrasado, ficar careca, correr no meio da rua.
Sorte que em manhãs sofríveis e tardes entediantes, há quem se lembre que não há momento melhor que o agora para viver grandes casos de amor. Então, vou me libertar; e os céticos que me deixem, me larguem, desistam!

Um comentário:

  1. gostei de sua casa. aguardo visita. abraços.

    http://www.bodegaonline.blogspot.com/

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