A gente está o tempo todo cercado de pessoas, sempre alguém para visitar, um almoço de família, um encontro há muito tempo pendente – não que isso seja ruim, mas às vezes faz com que eu pare e pense algo como ''bom, e onde fica o tempo para nós?''. Porque, me corrija se eu estiver errada, mas eu acredito nisso, que a gente precise de algum momento além daquele em que temos dividir as nossas atenções com outras pessoas.
Mas você, não. Eu lhe disse, olhe que eu fui bem sincera, que tudo o que eu precisava, depois de uma semana longa e turbulenta, era de uma tarde para nós dois; mas você, no ápice da sua ignorância, jamais pensou algo assim. Não passa pela sua cabeça que eu preciso de você? Ah, não; você, blindado com seu sagrado egoísmo, pensa primeiramente nas suas vontades – e quando, quem sabe, sentir necessidade apenas de mim, é só avisar que a idiota apaixonada está sempre disposta a matar uma aula, ignorar os amigos ou perder uns instantes de sono – tudo isso para ficar com você, claro, se você achar necessário, se você tiver tempo, se você, você, você... Afinal, porque não pega todo esse seu egocentrismo e enfia goela abaixo? E aproveite a chance para se sufocar um pouquinho com isso, essa coisa estúpida que me tira o ar sempre que eu tenho que escolher entre você e eu – adivinha, então, quem acaba sacrificado nesse jogo onde você usa de trapaça para poder ganhar. É tudo morte aqui dentro e eu não sei se consigo encontrar uma única parte viva e forte o suficiente para mostrar à você o quanto desejo que ao menos por um instante sua pesada existência se esvazie de mim.
Enfim, que se dane o amor, a consideração ou mesmo qualquer respeito que, acima de qualquer coisa, deveria existir entre nós. Se você não sabe o que é nada disso, então eu faço questão de me fazer presente no jogo dos desentendidos. Abraço o meu orgulho que, no fim das contas, é o único que não me abandona e vou levando as coisas assim – quem sabe um dia eu finalmente entenda que, entre todas as pessoas no mundo, a que realmente importa eu posso ver pelo reflexo do espelho.
Mas você, não. Eu lhe disse, olhe que eu fui bem sincera, que tudo o que eu precisava, depois de uma semana longa e turbulenta, era de uma tarde para nós dois; mas você, no ápice da sua ignorância, jamais pensou algo assim. Não passa pela sua cabeça que eu preciso de você? Ah, não; você, blindado com seu sagrado egoísmo, pensa primeiramente nas suas vontades – e quando, quem sabe, sentir necessidade apenas de mim, é só avisar que a idiota apaixonada está sempre disposta a matar uma aula, ignorar os amigos ou perder uns instantes de sono – tudo isso para ficar com você, claro, se você achar necessário, se você tiver tempo, se você, você, você... Afinal, porque não pega todo esse seu egocentrismo e enfia goela abaixo? E aproveite a chance para se sufocar um pouquinho com isso, essa coisa estúpida que me tira o ar sempre que eu tenho que escolher entre você e eu – adivinha, então, quem acaba sacrificado nesse jogo onde você usa de trapaça para poder ganhar. É tudo morte aqui dentro e eu não sei se consigo encontrar uma única parte viva e forte o suficiente para mostrar à você o quanto desejo que ao menos por um instante sua pesada existência se esvazie de mim.
Enfim, que se dane o amor, a consideração ou mesmo qualquer respeito que, acima de qualquer coisa, deveria existir entre nós. Se você não sabe o que é nada disso, então eu faço questão de me fazer presente no jogo dos desentendidos. Abraço o meu orgulho que, no fim das contas, é o único que não me abandona e vou levando as coisas assim – quem sabe um dia eu finalmente entenda que, entre todas as pessoas no mundo, a que realmente importa eu posso ver pelo reflexo do espelho.