quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Ilha magnética

Eu não nasci aqui. Não corri por essas ruas enquanto era criança e nem fiz a pré-escola em uma dessas escolinhas de bairro. Até um apartamento eu só fui ter há pouco mais de dois meses – até então, morei por longos 6 anos na casa de parentes e, por Deus, só quem já passou por isso sabe como pode ser complicado. No mais, eu não tenho qualquer vínculo com São Luís: não está aqui o mestrado que sonho fazer, meus pais não dividem a mesma casa que eu e, talvez, eu pudesse ter seguido a minha utopia de vida se estivesse morando em São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro... Mas, ainda assim, eu não troco a minha ilha maranhense por cidade nenhuma no mundo – e não me venham com Paris, New York ou Barcelona, porque nenhum desses outros lugares poderia ter me oferecido tudo que eu consegui por aqui.
Eu não sei bem explicar o que eu sinto quando ando pelas ruas do Centro Histórico, assisto o pôr-do-sol na praia ou atravesso a ponte José Sarney, sentindo o vento no meu rosto. Talvez, e eu não temo em dizer, nesses 6 últimos anos eu tenha vivido muito mais que os 12 anteriores à minha mudança para cá. E, ainda que não fosse, eu jamais poderia agradecer a São Luís por ter me proporcionado o meu primeiro amor, os meus melhores amigos, os meus maiores pecados e, ainda, pelo tanto que eu amadureci enquanto aprendia que, se eu não tiver transformado essa cidade inteira em um único lar, então eu não sei, mas acho que não me encaixo em mais outro lugar no planeta.
Eu tenho verdadeira adoração pela orla de qualquer praia e pelo Reviver - um lugar cercado de história francesa e portuguesa, com seus casarões e sobrados dignos da melhor arquitetura da época; não troco por prazer nenhum o meu fim de tarde ludovicense, a minha adorada Praça Gonçalves Dias, um jantar em uma pizzaria na Lagoa da Jansen ou uma tarde falando bobagem no Tropical Shopping. E não poderia esquecer o Teatro Arthur Azevedo, as escadarias do Centro Histórico, a Praça Nauro Machado, o Convento das Mercês e muito menos o meu lugar preferido na cidade.

E ainda tem gente que diz que São Luís é vergonhosa e que, se puder escolher, jamais irá morar aqui. Não que seja tudo tão perfeito e que às vezes não dê vontade de fugir... Mas dedicar um pouco de amor a um lugar tão espetacular não seria esforço algum.

Parabéns, São Luís – Maranhão.
398 anos de puro encantamento.

ps.: nenhuma das imagens que ilustram o post são de minha autoria.
ps¹.: o título foi retirado de uma música de mesmo nome, do cantor César Nascimento.

domingo, 5 de setembro de 2010

Recusa ao desperdício de espaço (na vida, no coração)

Podem me chamar de crítica, gélida ou qualquer adjetivo suficientemente ruim que consigam imaginar – o meu posicionamento depende de algo muito mais significativo que reles julgamentos de pessoas que muito pouco vão interferir no modo com que eu me relaciono com as coisas à minha volta. Por isso assumo sem medo nenhum: sou sim seletiva ao extremo e condeno sem a menor pena, porque qualquer deslize ou julgamento favoravelmente errado de minha parte e já era, meu bem – ninguém que escapar ao meu detector de pessoas imprestáveis vai ter compaixão de me ferir na primeira oportunidade.
Estou satisfeita dessa forma, então não me peça para gostar de alguém que eu vi duas ou três vezes na vida ou confiar em qualquer um simplesmente porque por ter o sorriso bonito e uma postura impecável: seleciono as pessoas com que eu me relaciono de um jeito muito melhor que esse. Não me peça para ser sociável ou acolher quem passar no meu caminho, porque a minha vida não é casa de caridade; não estou pra assumir almas perdidas, que vão e vêm sem que eu sequer perceba – tô aqui pra quem quiser ficar e o resto não me interessa.
Não faço questão de andar com os bem relacionados e não acho que isso seja de pagar de pseudo-revolucionária das relações pessoais: só não vou me prestar ao papel que vejo gente interpretando aos montes por aí, de se achar mais completo porque frequenta o que de há mais badalado na sexta à noite – mas que, quando chega em casa, se afunda em um complexo de solidão muito pior que aquele de quem passa a noite em casa, sem companhia, vendo filmes na tv aberta.
Não quero dizer coisa alguma além do que está escrito ou insinuar que a vida social de alguns faz com que os seus valores sejam menos preciosos que os meus, mas não posso deixar de considerar que, entre tantas opções de divertimento, amizades e importâncias, o que realmente importa ficou esquecido dentro do guarda-roupa. Não cabe a mim determinar o que é certo e muito menos condenar quem por acaso não sabe aproveitar a perfeição que existe no conjunto ''filme + cobertor'' – só queria dizer que, por hora, ando dispensando relações artificiais porque acho que vou me sair melhor sem fingir algo que jamais fará parte de mim.
No mais, eu só quero um pouco de paz e uma grande barra de chocolate para me acompanhar durante a noite, porque enquanto todos saem para descobrir o que há no mundo, eu fico com o melhor que há dentro de mim.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

À você que não soube me amar

Eu desisto de tentar ser algo importante pra você. Desisto de me iludir achando que um dia você vai entender o verdadeiro valor do que há entre você e eu. Então, embrulho todos os nossos planos supostamente felizes e regados a romantismo dos anos 50 - coloco tudo dentro de uma caixa, enlaço com fita azul e envio a você, para que guarde a última lembrança de tudo que eu jamais quero voltar a lembrar.
Vou me acomodar ao velho sofá, me entregar ao vinho barato e só; não aguardo qualquer resposta, porque esperar por você é triste - triste como quando eu era garotinha e minha mãe me ensinava a cultivar flores. E eu empregava naquilo toda a minha energia, mas quanto mais carinho eu oferecia, mais murcha a flor ia ficando - até o dia que ela morreu, assim, ingrata. E eu me perguntava o que até hoje não entendo: desde quando cuidar do que se ama é errado?
Mas eu sei que foi isso, foi em querer em excesso que eu pequei e, pronto, eis o meu castigo: ter que conviver sempre com o sacrifício daquilo que eu tinha de verdadeiramente importante entre todas essas coisas supostamente valiosas que carrego comigo. Mas não posso esquecer do seu mérito, porque você, meu bem, ah... Como você é mestre na arte de diminuir tudo aquilo que eu tenho mais precioso.
Você sabe perfeitamente bem que é dono de mim e usa todo esse domínio para modelar cada passo meu - mas não mais, não agora que foi jogada na minha cara essa sua estupidez de criança birrenta que se misturava com a minha necessidade sádica de controle e sempre resultava nisso, nessas minhas declarações cheias de ofensas que, no fim, não irão aliviar nem a minha dor, nem a sua (se é que a tal se faz presente).
O que vale é: esqueça as suas regalias, agora que lhe entrego sua carta de despacho - estão aqui as últimas palavras que você terá de mim. Não espere mais ligações apaixonadas, súplicas no fim da noite e muito menos um daqueles ''eu te perdoo'' que tanto me doíam, mas que eu lhe oferecia de forma banal – e, quanto a isso, eu assumo o meu erro: nunca fui boa em selecionar a quem amar e a quem desprezar (sem perder a classe e o orgulho, por favor).
Não queria lhe dizer nada que doesse, não queria lhe pagar com a mesma marca ardente, mas por mais trágico que pareça, eu pareço finalmente ter percebido que ''viver bem'' e ''viver com você'' jamais podem ter o mesmo significado. De qualquer maneira, enfiando meu valores morais goela abaixo e justiça seja feita, deixo os meus mais sinceros e rancorosos votos que você deixe de ser um canalha manipulador de sentimentos e que, um dia, encontre alguém que o diminua exatamente da mesma forma que você fez comigo.