Eu passei aproximadamente 17 anos e 9 meses da minha vida achando que tinha algo de errado comigo. Acho triste, mas acho inevitável o fato de você, as pessoas, se sentirem estranhas, excluídas e anormais quando o seu comportamento não condiz exatamente com aquilo que é esperado. Eu fui um bebê que não gostava da Xuxa, uma criança que preferia carros a bonecas, uma pré-adolescente que não passou anos planejando uma festa de 15 anos e, olhe lá, estou sendo uma adolescente que passa os sábados à noite em casa, que odeia lugares cheios, que não se importa com popularidade, que não vai às festas da faculdade.
Eu lembro que desde muito pequena eu já observava esse meu comportamento. Enquanto todos os meus amigos saiam para banhar de piscina na casa de alguém no domingo, eu ficava em casa, enrolada em um lençol, o ventilador no rosto e a televisão ligada no filme da tarde da Globo. Eu também não posso dizer que muito me incentivaram a não ser assim; acho que a maior felicidade da minha mãe foi quando eu decidi, aos 16 anos, ficar em casa em pleno carnaval. E, sinceramente, eu vivia muito bem assim. Não sentia necessidade de ir além do portão de casa, me confortava com minha pilha de livros que crescia cada dia mais e não tinha pressa de conhecer o que eu só ouvia todo mundo falar.
Então, daí que eu estou quase fazendo 18 anos e talvez, finalmente, eu tenha decidido que preciso sair do casulo. Eu estava pensando com os meus botões que eu já fiz tanta coisa ruim nessa vida que esqueci de ter as experiências boas – acho que as poucas vezes que dei uma espiada no mundo, ele me assustou. E eu ainda quero tanta coisa! Eu quero terminar meu curso de inglês e viajar em intercâmbio, passar frio na Inglaterra e conhecer algum britânico que parta meu coração quando eu tiver que voltar para o Brasil. Eu quero passar o reveillon na praia, pular sete ondas quando for meia-noite, beijar alguém que valha a pena e beber uma taça de champagne em um gole só. Quero viajar no carnaval com os meus amigos pra algum desses interiores perdidos por aqui, ficar em uma casa alugada e bagunçada, dividir um banheiro com 15 pessoas, beber a noite toda e sair andando de madrugada elas ruas desertas. E tudo isso e mais uma lista de coisas que eu desejo está aqui, na minha porta, pedindo para entrar; o esforço é pequeno, a conquista é grande. Quantas vezes isso realmente acontece na vida de alguém?
Mas daí eu lembro de quem eu era. Lembro da menina contida, da rotina simples, dos objetivos traçados desde que eu tinha 12 anos e saí da casa dos meus pais para estudar na capital. Eu lembro que eu acostumei mal a todos – qualquer, qualquer extravagância minha seria simplesmente o marco do início de uma guerra de gênios na minha casa, onde meus pais tentariam me mostrar quão boa eu era e eu tentaria mostrar quem eu sou de verdade. Eles mostrariam ética, moral, valores e posturas; eu mostraria liberdade e histórias para contar. E quando eu dou uma espiadinha nesse confronto e vejo que eu iria perder, eu me aquieto; só mais um pouco, mais um pouco e eu terei 18 anos, mais um pouco e estarei formada, mais um pouco eu terei um emprego e pagarei minhas contas. Quanto é ''mais um pouco''? Ainda falta muito para chegar lá?
Eu disse que soaria ao contrário do que era para ser. Quando eu deveria estar adquirindo todas as certezas da minha vida, eu caí em um conflito entre o que eu quero e o que eu posso que é tão juvenil que me dar vergonha. E não, eu não tenho calma, não tenho vontade de ficar parada vendo as coisas se arrumarem; alguém já entendeu que eu quero VIVER? Isso significa ser traída? BELEZA! Significa me arrepender? VAMOS LÁ. Significa sofrer? Foi pra isso que eu NASCI. Só não me prenda. Não me limite. Me deixe ser.
Eu lembro que desde muito pequena eu já observava esse meu comportamento. Enquanto todos os meus amigos saiam para banhar de piscina na casa de alguém no domingo, eu ficava em casa, enrolada em um lençol, o ventilador no rosto e a televisão ligada no filme da tarde da Globo. Eu também não posso dizer que muito me incentivaram a não ser assim; acho que a maior felicidade da minha mãe foi quando eu decidi, aos 16 anos, ficar em casa em pleno carnaval. E, sinceramente, eu vivia muito bem assim. Não sentia necessidade de ir além do portão de casa, me confortava com minha pilha de livros que crescia cada dia mais e não tinha pressa de conhecer o que eu só ouvia todo mundo falar.
Então, daí que eu estou quase fazendo 18 anos e talvez, finalmente, eu tenha decidido que preciso sair do casulo. Eu estava pensando com os meus botões que eu já fiz tanta coisa ruim nessa vida que esqueci de ter as experiências boas – acho que as poucas vezes que dei uma espiada no mundo, ele me assustou. E eu ainda quero tanta coisa! Eu quero terminar meu curso de inglês e viajar em intercâmbio, passar frio na Inglaterra e conhecer algum britânico que parta meu coração quando eu tiver que voltar para o Brasil. Eu quero passar o reveillon na praia, pular sete ondas quando for meia-noite, beijar alguém que valha a pena e beber uma taça de champagne em um gole só. Quero viajar no carnaval com os meus amigos pra algum desses interiores perdidos por aqui, ficar em uma casa alugada e bagunçada, dividir um banheiro com 15 pessoas, beber a noite toda e sair andando de madrugada elas ruas desertas. E tudo isso e mais uma lista de coisas que eu desejo está aqui, na minha porta, pedindo para entrar; o esforço é pequeno, a conquista é grande. Quantas vezes isso realmente acontece na vida de alguém?
Mas daí eu lembro de quem eu era. Lembro da menina contida, da rotina simples, dos objetivos traçados desde que eu tinha 12 anos e saí da casa dos meus pais para estudar na capital. Eu lembro que eu acostumei mal a todos – qualquer, qualquer extravagância minha seria simplesmente o marco do início de uma guerra de gênios na minha casa, onde meus pais tentariam me mostrar quão boa eu era e eu tentaria mostrar quem eu sou de verdade. Eles mostrariam ética, moral, valores e posturas; eu mostraria liberdade e histórias para contar. E quando eu dou uma espiadinha nesse confronto e vejo que eu iria perder, eu me aquieto; só mais um pouco, mais um pouco e eu terei 18 anos, mais um pouco e estarei formada, mais um pouco eu terei um emprego e pagarei minhas contas. Quanto é ''mais um pouco''? Ainda falta muito para chegar lá?
Eu disse que soaria ao contrário do que era para ser. Quando eu deveria estar adquirindo todas as certezas da minha vida, eu caí em um conflito entre o que eu quero e o que eu posso que é tão juvenil que me dar vergonha. E não, eu não tenho calma, não tenho vontade de ficar parada vendo as coisas se arrumarem; alguém já entendeu que eu quero VIVER? Isso significa ser traída? BELEZA! Significa me arrepender? VAMOS LÁ. Significa sofrer? Foi pra isso que eu NASCI. Só não me prenda. Não me limite. Me deixe ser.
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“O desejo pode ferrar com a sua vida. E por mais duro que seja querer muito uma coisa, as pessoas que mais sofrem são aquelas que sequer sabem o que querem”.
Meredith Grey.
Meredith Grey.