A história é o seguinte: fim de ano é uma merda. Ah, eu acho. Desde que a minha família começou a brigar sem parar que eu fiquei com essa ideia na cabeça: meus tios discutiam o ano todo, passavam meses sem se ver e, quando chegava o Natal, todo mundo se reunia e fingia ser a família mais feliz do mundo. Patético. Isso foi até minha avó falecer. Depois, todo mundo perdeu a compostura e hoje em dia, fim de ano significa cada um para um canto diferente no país. Isso soa mais legal – falsidade não é muito comigo, sabe como é.
Depois que a ceia de Natal que cheirava a homicídio acabou, eu achava que a minha implicância com o fim de ano também ia acabar. Que nada. Acho que meu problema não é exatamente a coisinha falsa que me soava a felicidade natalina. O que me revolta, mesmo, é o final do ano e todas as suas implicações. Talvez seja por isso que eu ando tão perdida, tão confusa e sem saber o que diabos eu faço com a minha vidinha de merda.
O que me consola é que eu sei que eu não sou a única que fica pensando sobre essas coisas. É algo tão evidente, tão no ar, que todo mundo consegue sentir o cheiro, consegue apanhar com as mãos e ver o quanto pesa, o quanto é áspero e desconfortável. Deve ser a minha natureza muito drástica, profunda e melodramática. Eu bem que gostaria de não ser 100% do tempo uma novela mexicana, mas já que eu sou, antes assumir isso e ver o que eu posso fazer para contornar.
Eu não gosto de mudar. Ah, não gosto não. Eu posso sair da rotina de escola na segunda e ir beber em um bar, posso passar a noite de sábado estudando, posso dormir o dia todo e ficar a noite em claro. Saída de rotina, acabando com o tédio. Mas mudanças, mudanças de verdade? Ah, isso eu dispenso, meu senhor. Sempre que acontece comigo, e olhe que aconteceu muito pouco, é uma coisa tão complexa, tão árdua de se adaptar. E, por isso, eu não gosto de fim de ano. Sim, para mim a história de 'ano novo, vida nova' é bem válida e, em especial esse ano, eu não tô gostando muito dessa história. Eu adorei o meu 2009, sabe? Não foi o melhor ano da minha vida, mas desde quando eu tenho um 'melhor ano da minha vida'? E, afinal, eu aprendi a ser gente esse ano. Eu me conheci e, por Deus, eu conheci pessoas maravilhosas, eu adquiri tanta história para contar! Isso tem mesmo que ser interrompido por um champanhe estourando e uma contagem regressiva?
Andei pensando, só. Daqui a menos de uns mês eu saiu de férias e vou deixar para trás, por um tempo, coisas que eu gostaria de levar comigo na mala. Nessa parte tão incerta da minha vida, que eu não sei quem eu amo, quem eu quero, o que eu desgosto... Eu só queria poder ter tudo comigo, ainda, porque o tempo foi curto demais para que eu soubesse escolher. O tempo foi curto demais para que eu pudesse gostar de todo mundo, ir para todos os lugares... O tempo foi curto demais para que eu pudesse viver, será que o próprio tempo não percebeu isso? E, se percebeu, seria pedir demais que o tal pudesse se prolongar?
É, seria. Eu não falo com um ser concreto de vontades e opiniões, que é sucetível aos meus apelos sem um pingo de lógica. Soa até um pouco rídiculo, eu acho. Pode ser que um ano maravilhoso esteja a minha espera. Pode ser que, como nos anos anteriores, eu abandone pessoas ótimas para conhecer outras melhores ainda. Mas e se, dessa vez, eu estiver, pela primeira vez na vida, satisfeita com o que eu tenho?
É tudo uma questão de medo. Medo por tudo que eu conquistei. E não me venha com a velha história de que se eu conquistei, é meu e pronto. Olha só o mundo que nós vivemos hoje - tudo vai e volta tão rápido. Eu vou e volto rápido. Só espero, sinceramente, que ao ir eu deixe emoções e, ao retornar, que eu colha... Ah, que eu tenha ao menos o que colher, vá!
Depois que a ceia de Natal que cheirava a homicídio acabou, eu achava que a minha implicância com o fim de ano também ia acabar. Que nada. Acho que meu problema não é exatamente a coisinha falsa que me soava a felicidade natalina. O que me revolta, mesmo, é o final do ano e todas as suas implicações. Talvez seja por isso que eu ando tão perdida, tão confusa e sem saber o que diabos eu faço com a minha vidinha de merda.
O que me consola é que eu sei que eu não sou a única que fica pensando sobre essas coisas. É algo tão evidente, tão no ar, que todo mundo consegue sentir o cheiro, consegue apanhar com as mãos e ver o quanto pesa, o quanto é áspero e desconfortável. Deve ser a minha natureza muito drástica, profunda e melodramática. Eu bem que gostaria de não ser 100% do tempo uma novela mexicana, mas já que eu sou, antes assumir isso e ver o que eu posso fazer para contornar.
Eu não gosto de mudar. Ah, não gosto não. Eu posso sair da rotina de escola na segunda e ir beber em um bar, posso passar a noite de sábado estudando, posso dormir o dia todo e ficar a noite em claro. Saída de rotina, acabando com o tédio. Mas mudanças, mudanças de verdade? Ah, isso eu dispenso, meu senhor. Sempre que acontece comigo, e olhe que aconteceu muito pouco, é uma coisa tão complexa, tão árdua de se adaptar. E, por isso, eu não gosto de fim de ano. Sim, para mim a história de 'ano novo, vida nova' é bem válida e, em especial esse ano, eu não tô gostando muito dessa história. Eu adorei o meu 2009, sabe? Não foi o melhor ano da minha vida, mas desde quando eu tenho um 'melhor ano da minha vida'? E, afinal, eu aprendi a ser gente esse ano. Eu me conheci e, por Deus, eu conheci pessoas maravilhosas, eu adquiri tanta história para contar! Isso tem mesmo que ser interrompido por um champanhe estourando e uma contagem regressiva?
Andei pensando, só. Daqui a menos de uns mês eu saiu de férias e vou deixar para trás, por um tempo, coisas que eu gostaria de levar comigo na mala. Nessa parte tão incerta da minha vida, que eu não sei quem eu amo, quem eu quero, o que eu desgosto... Eu só queria poder ter tudo comigo, ainda, porque o tempo foi curto demais para que eu soubesse escolher. O tempo foi curto demais para que eu pudesse gostar de todo mundo, ir para todos os lugares... O tempo foi curto demais para que eu pudesse viver, será que o próprio tempo não percebeu isso? E, se percebeu, seria pedir demais que o tal pudesse se prolongar?
É, seria. Eu não falo com um ser concreto de vontades e opiniões, que é sucetível aos meus apelos sem um pingo de lógica. Soa até um pouco rídiculo, eu acho. Pode ser que um ano maravilhoso esteja a minha espera. Pode ser que, como nos anos anteriores, eu abandone pessoas ótimas para conhecer outras melhores ainda. Mas e se, dessa vez, eu estiver, pela primeira vez na vida, satisfeita com o que eu tenho?
É tudo uma questão de medo. Medo por tudo que eu conquistei. E não me venha com a velha história de que se eu conquistei, é meu e pronto. Olha só o mundo que nós vivemos hoje - tudo vai e volta tão rápido. Eu vou e volto rápido. Só espero, sinceramente, que ao ir eu deixe emoções e, ao retornar, que eu colha... Ah, que eu tenha ao menos o que colher, vá!
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