sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Diários de fotografia

Sei lá eu quantos anos eu tinha quando ganhei minha primeira câmera. Uns nove, talvez? Não lembro nem o modelo. A única coisa que sei ao certo é que eu gastava toda a fortuna que eu ganhava de mesada (era feliz com 20 reais por mês, acreditem) com filmes e revelações. E como eu sou apegada, ainda colecionava os rolos de negativos do filme fotográfico. Minha mãe achava a maior loucura do mundo; desconsiderando todos os meus sentimentos, certa vez ela jogou no lixo todos os meus negativos. Como resposta, eu, no auge da minha maturidade, resolvi fazer greve “de não tomar refrigerante” até que ela admitisse que fotografia, pra mim, era um lance sério. Óbvio que ela não me deu bola. 

Quando eu fiz 12 anos, mamãe achou que eu merecia um pouco mais de atenção, então eu ganhei minha primeira câmera digital. Era um modelo ridículo de ruim da Olympus, mas eu achava o último lançamento. Levava a câmera escondido pra escola e quando chegava em casa, ao invés de estudar, almoçar ou fazer qualquer outra coisa de gente normal, pegava a câmera e começava a mexer naquelas configurações que eu nem sabia o que significavam. Como eu nunca tive talento pra ser autodidata, não saia nada de útil. Foi nessa época também que eu dediquei horas a tirar foto em frente ao espelho, fazendo biquinho e o sinal da paz. Quem nunca, não é? 

Mas como felicidade de pobre dura pouco, minha câmera quebrou (na verdade, eu derramei perfume sobre ela) e eu passei uns péssimos 2 anos sendo fotógrafa com câmera alheia. Quando eu estava no 2º ano do Ensino Médio, mamãe cansou de me ouvir reclamar na vida e me deu uma super (uau) cyber-shot da Sony. Todo mundo já teve uma dessas, acho que até hoje é um clássico. Mas essa durou menos ainda que a anterior. Quando viajei na formatura do 3º ano, obviamente levei a minha companheira, mal sabendo que estava destinando-a a morte: como fui para Camocim, onde tem dunas, a areia da cidade inteira entrou na minha câmera. Depois de lutar bravamente, a coitada pifou e mais uma vez eu fiquei órfã. 

Como isso foi perto do meu aniversário, tratei de pedir outra cyber-shot no lugar da antiga. O problema é que eu nunca tive sorte com eletrônicos, então essa minha câmera vivia com defeito que assistência nenhuma resolvia. Depois de 1 ano entre idas e vindas de consertos, a câmera resolveu morrer assim que a garantia acabou. Dessa vez mamãe não ficou com pena de mim e disse que não me daria mais câmera nenhuma até eu deixar de ser irresponsável. Mães às vezes não compreendem nada, né? Ela acha mesmo que eu ia quebrar minhas câmeras de propósito? Por favor, né. Nisso, eu acabei passando 2 anos sem câmera, uma espécie de castigo por tudo de ruim que já tinha feito na vida até então. 

Passei metade de 2011 juntando dinheiro pra comprar uma câmera – óbvio que eu não queria mais cyber-shot depois de tantos traumas. Tinha decidido partir pra uma câmera com lentes intercambiáveis, mas como a mais modesta delas custava muito mais do que eu podia pagar, fiquei na minha. Até que em março de 2012 Deus resolveu trabalhar ao meu favor. Papai me deu uma quantia razoável de dinheiro como presente de aniversário e, juntando com minhas economias, consegui arrecadar o suficiente para minha sogra, que ia pra Miami, comprar minha câmera por lá – um modelo recém-lançado da Nikon que eu vinha namorando desde que anunciaram. Minha sogra conseguiu comprá-la tranquilamente e ela foi carinhosamente batizada de Kate. E se você espera alguma história triste sobre o fim da minha câmera, esqueça, porque ela ainda está em perfeito estado – pelo menos por enquanto. 

O fato é que ontem, em um jantar de família, um primo, ao me olhar usando minha câmera, me perguntou por que eu cuidava dela tanto e a segurava como se fosse de vidro. Eu não contei toda essa história pra ele, claro, então simplesmente respondi “porque ela foi cara” (o que não deixa de ser verdade). Mamãe ainda olha de um jeito torto pra minha câmera e diz que eu joguei dinheiro fora comprando uma lente nova – mas também não pode me ver tirando fotos que pede logo uma dela, porque a minha câmera “deixa até a gente mais bonito, né?”. E essa semana eu recebi, como prêmio de um concurso fotográfico, uma câmera analógica, a minha primeira em todo esse tempo desde a era digital. E quando eu começar a revelar minhas fotos, quero é ver quem dessa vez vai jogar meus rolos de negativo no lixo. Ouviu, mãe?

9 comentários:

  1. Well, o que dizer? Acho lindo esse seu amor com a fotografia, Dedê. Sou apaixonada por fotografia também, mas não sou tão dedicada como você. Minha mãe adora uma foto quando estou com minha câmera em mãos, também. Acho que mãe não entende algumas coisas mesmo, sabe. Normal. Quando me observo com minhas irmãs, vejo que às vezes sou totalmente chata com coisas que pra elas são importantes. Acho que fazemos sem querer. Continue fotografando, meu amor. E claro, continue escrevendo <3

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ai, acho linda a sua paixão e o comprometimento que vocês tem com suas fotos, Dê! Nunca vi uma foto sua que parecesse mais ou menos ou que foi tirada de qualquer jeito. Amo olhar fotografias, ainda mais quando é a única lembrança que temos de alguém. Não nasci pra tirar fotos, rs. Tive aulas no técnico e na faculdade, mas sei que nunca vão ficar "wow", então eu continuo amando e me deliciando com as de quem sabe tirar e as suas sempre estão nas mais admiradas. Beijo, ♥

      Excluir
  2. Que texto delicioso com um título mais lindo ainda! E eu tava junto no batismo de Kate, hihihi. Eu não tenho toda essa história com a fotografia, mas adoro e preciso me obrigar a tirar mais fotos! Lizzie e Kate fotografarão muito juntas, esse nosso desafio é só o primeiro, hein? E já que você exigiu um post sobre Alasca quando eu acabar, eu exijo que você faça um post "revelei" mostrando a primeira fornada de fotos da sua analógica, que, por sinal, precisa de nome.. Vamos debater? Adoro nomear! <3

    ResponderExcluir
  3. Dê, acho muito lindo esse amor que vocês tem por fotos. Mesmo! Queria eu compartilhar desse apego enorme. Por um tempo, gostei muito de fotografar, mas acho que era só mesmo vontade de ter uma câmera digital. Essa coisa de ver como a foto ia ficar e poder tirar milhões sem acabar com o filme era o supra-sumo do avanço pra mim, já que meus pais nem me deixavam colocar a mão na nossa analógica. Por uns dois anos alimentei minha paixão com câmeras alheias e vivi quase dois anos também em total lua de mel com a minha cybershot, mas depois a magia foi embora, sabe?
    Passei a morrer de preguiça de fotografar e sempre odeio minhas fotos. Já estou surtando porque semestre que vem tenho fotojornalismo - com um professor que tem fama de muito exigente - e estou antevendo minha primeira DP.
    Sou um caso tão irrecuperável que nas últimas férias minha tia me deu a câmera dela - que é dessas semi profissionais fodonas - e pediu pra eu me divertir tirando foto do lugar e das pessoas e depois de 10 minutos eu já tava entediada.
    Ainda me ama? <3
    hihi

    ResponderExcluir
  4. Não tem como você escapar ilesa: quero ver todas as fotos que conseguirem sair da sua Lomo (qual o nome dela?), mesmo sabendo que no primeiro filme algumas não vão prestar! Por favor, continua com os diários de fotografia que eu adoro :))

    E aff, quanto azar. Se fosse minha mãe certamente viria com o mesmo discurso que eu não tomo conta e jamais ia me dar uma câmera boa. Mas assim, mesmo tendo uma bem boazinha, eu não sei muito bem usar... Estou tentando melhorar, mas meio que só consigo me virar no photoshop mesmo. Quem sabe eu não faça um curso, né?

    Beeeijooo!
    Ah, também morro de rir por aqui, então tudo bem.
    Tô querendo saber como que foi cair perfume da pobre olympus.

    ResponderExcluir
  5. ahhh Deyse, que delícia de história de amor! Eu amo fotografia mas não sou tão boa quanto gostaria de ser... rs. Como todo mundo tem a sua cyber shot, também tive/tenho a minha, mas nesse âmbito tenho mais sorte porque ela nunca deu problema. Tanto que outro dia, fuçando nela, vi que ela ainda mantém cerca de 600 fotos, muitas delas de 2010! Eu não sei o que acontece, mesmo impressas e em pen drives, são fotos tão queridas que morro de medo de apagar dela. TOC? rs..

    Beijoca e muito obrigada pela visita no meu blog e seu comentário mega fofo!

    Achei o fundo daqui tão lindo!

    Beijoca

    ResponderExcluir
  6. Eu amo fotografias e fotografar! Eu tive uma Tekpix, acredita? hahahaha foi a minha primeira digital e nem preciso dizer que era horrível e foi traumatizante! Depois comprei também uma Olympus e depois uma Cyber Shot, até hoje tenho ela (que na verdade é da minha mãe) e acho uma máquina muito boa, todo mundo sempre elogiava. Agora parti para as máquinas semi profissionais, comprei uma Canon basiquinha porque tinha medo de comprar uma profissional e não saber mexer, mas me arrependo. Agora quero uma que possa trocar as lentes (como se eu tivesse dinheiro pra isso). E também tenho várias analógicas, algumas não funcionam e outras sim. Fotografar é muuuito bom!
    Beijos!

    ResponderExcluir
  7. Ai, amiga! Que lindo isso! Amo ver a história das pessoas com algo que as apaixona muito, sabe? E você e a fotografia são assim. Suas fotos são maravilhosas e dá pra ver que exigem dedicação e são feitas com carinho. Eu gosto de fotografar porque amo registrar os momentos e admiro horrores os fotógrafos que trabalham comigo (os caras fazem um efeito olho de peixe e deixam acidentes horríveis, lindíssimos, dá pra acreditar?). Continue fotografando, Dede! Sempre!

    Te amo <3

    ResponderExcluir
  8. Que lindo! Eu adoro suas fotos e adoro essas paixões e hobbys que surgem do além e só a gente entende! Voto sempre por ti nos desafios 21 e espero que tu continue sempre iluminada na carreira de fotógrafa!
    Abraços!

    ResponderExcluir