
Eu sempre disse que minha vontade é uma faca de dois gumes. Diferente da maioria das pessoas, eu sempre soube o que não me agrada, o que me agride, o que me incomoda. E diferente do que se espera de alguém tão sentimentalmente bem resolvida, eu nunca soube exatamente o que fazer com isso. Sei que preciso ler mais, que tenho livros ótimos criando mofo na minha estante; sei que preciso fazer dieta, que meus estudos não estão tão adiantados quanto eu preciso e devo, mas que isso não chega a ser desesperador; sei que tenho viagens marcadas e que isso pouco me anima. Sei um monte de coisas e isso não significa absolutamente nada. Veem o problema? Tenho tudo em mãos: mala cheia, livros, nenhuma companhia (desagradável) e tudo mais se encaminhando. E ainda assim, descontento...
Tenho também muitos rabiscos soltos, sem sentido algum. Algo que reflete muito bem meu atual estado de espírito: tão livre e tão solto que chega a se perder. Queria dizer que isso que chamam de completa satisfação pessoal sempre me incomodou como uma ferida no dedão do pé – sabe, aquela que sempre que existe, alguém pisa justo encima ou você acerta no canto da cama? Então. Incomoda a maior parte do tempo e dói, por menor que seja. Dá uma vontade louca de arrancar fora o bendito dedo ferido – dá uma vontade louca de partir dessa vida, desse lugar amargurado, diretamente para uma esquina fria de New York, onde ninguém me entende, me conhece, me julga ou cria expectativas sobre mim. Onde, enfim, eu não preciso de ninguém, porque ninguém precisa de mim. Sem relações de dependência, sem ninguém para (me) decepcionar...
Não é nada pessoal, não é nada urgente – é apenas uma vontade louca de descer a rua, gritando o que eu não quero que as pessoas ouçam. Porque ninguém nunca ouve e eu queria parar de achar que deve ser o contrário. Queria parar de esperar algo de alguém – especialmente de mim. Me livrar dessas amarras, sabe, que me obrigam, devido às circunstâncias, a ser feliz. Eu não quero ser feliz, porra. Quero tomar um chá gelado que me dê náuseas, assistir um filme de terror que me deixe sem sono e deitar na cama sem culpa alguma por me boicotar tanto. Quero continuar a aprender com os problemas, porque o mundo cor-de-rosa vem me deixado cada vez mais burra e vulnerável. É, era isso que eu queria ser: problemática e infeliz. Mas também esperta, viva. E preparada pro próximo round.
'Porque ninguém nunca ouve e eu queria parar de achar que deve ser o contrário. Queria parar de esperar algo de alguém'. É como se você tivesse lido meus pensamentos. Texto lindo e muito bem estruturado, além de claro! Adorei! :*
ResponderExcluirEi Dê! Eu cismo com a mania de querer ser feliz. E talvez isso seja o mais difícil.. Amei o lay novo!
ResponderExcluirBeijos!
Nossa .-.
ResponderExcluirEstou chocada, Dê. Me identifiquei com tanta coisa aí! :T
Lindo esse layout novo! :D
Sempre tive essa mania de querer ser problemática e infeliz, eu melhorei muito e percebi que era importante parar de me auto-boicotar porque assim eu nunca iria pra frente.
ResponderExcluirArrasou no texto, amiga!
beijos
"Queria parar de esperar algo de alguém – especialmente de mim."
ResponderExcluirEu quero tanto...
A gente sempre acha que o caminho deveria ser outro, é impressionante. Me vi no começo do texto até perto do fim, depois não me vi mais. Acho que pelo vontade de ser infeliz e problemática, isso não quero. Já sou mulher problema rss, ao mesmo tempo que sou mulher solução. Odeio desejar as coisas e não poder ter, dai vou até o fim pra conseguir e consigo, é incrivel. Mas ultimamente tem coisas que não quero nem tentar.
ResponderExcluirMas voltando ao texto e concluindo, fiquei pasma como me vi nas suas palavras. Somos muito parecidas.
às vezes passo por isso, mas dou um tchau rapidinho...
ResponderExcluiré complicado mesmo.
beijos
boa semana.
O ser humano nunca está satisfeito consigo, com suas escolhss. Vale alterar a rotina.
ResponderExcluirum beijo. Seu blog tá lindo!