segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Eu choro café e você chora leite

Pode parecer falso ou até mesmo um tanto arrogante da minha parte, mas eu precisava dizer o quão miseravelmente descartável foi a sua presença na sua vida. As dores da sua partida ainda me são habituais e você pode inflar um peito de orgulho por uma ou outra lágrima que ainda é capaz de me fazer derramar – as marcas continuam dentro de mim e refletem em tudo aquilo que eu toco, então não posso disfarçar que o mal que me fez foi passado adiante. Mas não se engane em pensar que ainda estou iludida com seus discursos imensamente planejados de conquistador barato que, é bom constar, você não soube ser; o papel de cafajeste não lhe caiu bem – disfarçou muito mal, meu querido, e hoje tudo o que lhe resta é esse o desprezo de quem muito pouco demorou a descobrir que você não passava disso, dessa coisa morta por dentro, dessa alma que não tem razão para existir.
Já lamentei até mais que devia, já despertei em muitos a sensação pesada da nossa história fracassada – enfim, o que quero dizer é que a mim nada mais resta. O vinho que me trouxe na ultima vez que me visitou, ah, esse fiz questão de tomar enquanto olhava o seu rosto nas nossas fotos – e gargalhava ao perceber o quão eu fui estúpida para, no segundo seguinte, descobrir que o verdadeiro palhaço da história foi você: você que não soube sequer sustentar a sua mentira; não enganou nem a mim e nem a ninguém, e hoje nos encontramos assim, esse cheiro de história mal resolvida no ar, uma garrafa vazia no canto da sala e dois corpos antes unidos, hoje sem ligação alguma.
Lembro da primeira vez que conversamos e que você demonstrou algum interesse. Até então me encantava o doce gosto do mistério que há muito eu não sentia – a saudade dessas trocas de olhares apertou e eu, mais fácil do que você poderia esperar, me rendi de maneira absurdamente manipulável. E hoje, olhando para tudo e imaginando os meus sorrisos a cada bobagem que você dizia – ah, sim, me bate uma vergonha de mim. E mais do que a sua perda – que, cá entre nós, não é exatamente o que hoje eu lamento – fica em mim esse incômodo de ter sido tão estupidamente feliz. Fica a vergonha de ter me permitido. E fica o receio de, um dia, me dar ao luxo de sorrir novamente para alguém do modo que sorri para você.


* O título é um trecho da música Pratododia, de O Teatro Mágico.

14 comentários:

  1. Uma pausa:
    AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH


    OTEATROMÁGIOC, O TEATRO MÁGICO, O TEATRO, TM, TM, TM.


    pronto, acabei meu chilique.

    É sempre assim, no final fica o receio, mas depois vale a pena voltar a sorrir.


    Beijos

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  2. Deyse, obrigada pela visita no blog!
    Adorei o recadinho.
    Abraço da Priscila.

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  3. Mas a vida é assim - mas acho que também já basta de homens transitorios, pessoas que vem e vão - em vão.

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  4. Podes até não sorrir pra alguém do mesmo modo de novo, mas vais sorrir pra/de/com alguém de formas diferentes e variadas que podem te fazer feliz ainda mais.
    Beijos, moça.

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  5. QUE LINDOOOOOOOOOO O TEXTO!
    Tenho todos estes receios e isso já ocorreu comigo. Queria que alguém sorrisse para mim como já sorri um dia para ele. Enfim, adorei o blog :*

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  6. É estranho pensar que 2 corpos que um dia estiveram tão juntos possam se separar tão fácil.. Mas acontece.
    E voltar a sorrir para alguém é muito importante. Mas não da mesma forma. De um jeito único e igualmente maravilhoso!
    Beijos

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  7. Fica até chato dizer que me identifiquei... Mas é verdade (de novo).
    Também não acredito em discursos feitos e já me senti envergonhado por acreditar e agir de forma que eu mesmo desacredito em alguns momentos.

    E eu me sinto muito estranho por não conhecer quase nada de O teatro Mágico e Los Hermanos, eu tenho quase certeza que ambos tem ótimas músicas, mas tenho preguiça de ouvir.

    E aproveitando, fiquei triste com o fim do blog do Luís. Eu realmente gostava dele e do blog. Acho que descobri você por ele (ou vice-versa, não lembro...).

    Beijo, Deyse!

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  8. "E fica o receio de, um dia, me dar ao luxo de sorrir novamente para alguém do modo que sorri para você." E ser machucada outra vez? E sofrer novamente?
    Sempre penso assim... duro é tentar se conformar.

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  9. Deyse, o mais incrível do seu blog é que nunca sei se é um desabafo real ou um desabafo inventado e te digo se for inventado suas invenções são verdadeiras demais porque vc escreve como se tivesse vivido tudo isso!

    Beijos

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  10. Nunca gostei de conquistadores, fossem eles reais ou virtuais. Toda vez que começo a ler um novo romance, já detecto quem é o safado da história, para odiá-lo durante todo o livro, rs.


    Também queria que alguém me amasse por algo que escrevi, que nem tem no teu perfil. :)

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  11. Tem pessoas que não compreendem a dimensão dos sentimentos. E naturalmente fazem sofrer, seja com verdades mal ditas ou mentiras bem contadas.

    Tudo fica explícito no modo como as coisas se encaminham. Mas não devemos nos envergonhas de termos sentido na plenitude. Porque quem não finge sente os melhores sabores. Desperdício é não amar, triste é quem faz sofrer. A consciência pesa em apenas uma pessoa... e não é vão.

    Beijos!

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  12. O título é genial!
    Mas nunca tive paciência pra ouvir Teatro Mágico.
    beijos

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  13. Achei o titulo irreverentemente gostoso, e não da para nos martirizarmos por atitudes tomadas quando estamos apaixonados, como você mesmo disse, é sentar e rir, sentar e relembrar, sentar e não entendermos como conseguimos ser estupidamente felizes!
    E que atire a primeira pedra quem nunca passou por algo parecido!

    Adorei seu blog, ja estou seguindo viu!

    Beijo!

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  14. Você escreve muito bem. Quando leio seus textos me sinto de uma maneira envolvida que não sei explicar!

    Beijos ;*

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