Ela era desses tipos cheios de interiores; labirintos internos onde se perdem razões, consequências, palavras e sentidos. Tinha esse processo contínuo de auto-entendimento – e, porque não, auto-atendimento de quem nunca chegava a lugar nenhum, por mais que refletisse sobre questões do tipo ''o quê, exatamente, eu penso que estou fazendo?''. Típico, eu diria. Mulherzinha assumida; não à vulgaridade, mas sim à pequenez que por si só a rotulava como caixa de Pandora – surpresa ambulante para quem achava que em pequeno corpo só cabiam pequenos problemas, esquecendo que é na diminuição das causas que nascem os maiores equívocos irremediáveis.
Ela tinha o mundo; não em suas mãos, como lhe parecia ser mais útil, mas em seus olhos: duas pequenas esferas, nem sempre brilhantes como deveriam. Por ali e por onde mais lhe fosse possível, fazia a medição de ponta a ponta de cada um que lhe passava; o pobre coitado que pensava lhe atravessar despercebido mal poderia imaginar a leitura de vida que ela lhe fazia. E mesmo com tanta força em julgamentos – porque se tinha algo que ela fazia bem era em apontar o dedo minúsculo a uma face e enumerar erros – jamais foi capaz de voltar para si, de encarar um espelho e perceber algo além daquela expressão que nunca queria dizer nada.
Mistérios à parte, ela sabia tudo o que precisava: inútil era a tentativa (e apenas isso: ten-ta-ti-va) de entendê-la, porque para o tipo dela ainda não inventaram explicação.
Ela tinha o mundo; não em suas mãos, como lhe parecia ser mais útil, mas em seus olhos: duas pequenas esferas, nem sempre brilhantes como deveriam. Por ali e por onde mais lhe fosse possível, fazia a medição de ponta a ponta de cada um que lhe passava; o pobre coitado que pensava lhe atravessar despercebido mal poderia imaginar a leitura de vida que ela lhe fazia. E mesmo com tanta força em julgamentos – porque se tinha algo que ela fazia bem era em apontar o dedo minúsculo a uma face e enumerar erros – jamais foi capaz de voltar para si, de encarar um espelho e perceber algo além daquela expressão que nunca queria dizer nada.
Mistérios à parte, ela sabia tudo o que precisava: inútil era a tentativa (e apenas isso: ten-ta-ti-va) de entendê-la, porque para o tipo dela ainda não inventaram explicação.
Fico aqui, completamente extasiada. Lindo, Deyse, como de costume.
ResponderExcluirMuito lindo, e verdadeiro
ResponderExcluirPrincipalmente a parte:
[ porque para o tipo dela ainda não inventaram explicação.]
Amei. E aliás, inventaram explicação para o tipo de alguém?
Somos todos tão complexos
=]
Bjoss
Somos todos assim, quando entendemos o que a imagem do espelho diz, o que abramos !!!
ResponderExcluirQue lindo o texto...
ResponderExcluirhá perguntas que são melhores sem respostas \o
Floor,obrigada pelo elogio,me deixa muito feliz..Quero um dia ser ecrito e o combustivel para minha busca incesante sao os comentarios dee voces.....beijooos
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