quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Dos nossos momentos - que revivem, que retornam

Ela vira de lado para olhar aquela feição que ele produz de quem está ao lado por um grandioso motivo, mesmo tendo tantos outros para faltar. E, sabe, gratidão e respeito às lembranças é algo que poucos aceitam e dão o valor como em tal caso: foram noites ao telefone, as mesmas frases ditas ao mesmo tempo, as reflexões absurdas e planos traçados detalhadamente sentados à calçada... Seria de tamanho anarquismo ignorar tais fatos em virtude de um erro aqui e outro mais atrás – em função de vilões, de distância, de tempos que merecem ser superados. Ela olha e pensa: ''E no meio dessa face concentrada, dessa postura armada... Onde ficou o sentimento?''. E, como quem sabe que não pode mais ignorar e fingir que não sente o peso de um pensamento, ele a olha de volta; ele olha, porque já não agüenta mais segurar as ações, por muito instintivas, que cada um deles tentava impedir com a força de vontade que não tinham.

- Não acho que seja pedir demais... Apenas não faça isso comigo.

- Pois eu te digo que pode me pedir qualquer coisa, que tentarei; eu tentarei, porque essa vida de quem desiste antes de começar já me está fatigada. Só não me peça para ficar longe.

- Mas nesse caso, se ignora o peso das palavras? Logo elas, que dizem tudo?

- E quem nesse mundo há de se prender em coisas leves e perecíveis como as palavras? Ainda mais quando nos esbarramos em sensações como essa, de ficar assim, só você e eu. Palavras... Se esse for o preço a pagar, esqueço tudo o que me foi dito.

- E eu? Esqueço o que não me foi dito?

- Não vejo motivo para lembrar o que faltou diante da ânsia de tudo aquilo que ainda pode vir.

- O tempo, talvez. O tempo.

- Eu espero... Eu te espero.

Continua...

7 comentários:

  1. Adorei a escolha das palavras, a hamornia das declarações e a intensidade dos fatos. :)
    A minha admiração por seus textos, eu deixo implícita. Afinal de contas, há coisas que não precisam ser ditas. ;*

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  2. Uma coisa que você citou e eu acho que prevalece entre os seres humanos é essa mania de esquecer de tudo de bom que já aconteceu em virtude de algumas coisas ruins no caminho. Esquecer o passado bom em virtude de um erro mínimo do presente.
    Espero a continuação =)
    :*

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  3. Adorei esse seu novo projeto. Puxa, desculpa não ter aparecido aqui antes no começo, mas eu fiquei ausente de blogs por uns dias.
    Eu adoro esses textos assim. Quando comecei o meu blog eu fiz uma história muito bonitinha em 3 partes. Eu nem me lembro mais os títulos, só que estava no primeiro ano.

    Mas os seus são muito mais inspiradores, é claro.

    Beijo.

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  4. Uma construção bem diferente dos textos que leio, o que não significa que deixei de gostar. Deu um ar de mistério necessário pra fisgar o leitor e deixá-lo esperando ansioso pela continuação.

    É uma boa prova de que escreve muitíssimo bem, de maneira sutil, sem deixar de ser intensa e verdadeira. E que vai além dos comentários no formspring, rs.

    Até a próxima.

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  5. Gostei muito, principalmente do diálogo, achei intenso.

    "... essa vida de quem desiste antes de começar já está fatigada..."

    Me identifiquei com essa parte.

    Bjs :D

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  6. Gostei do texto
    a unica coisa que podemos perdir firmemente eh pra espera valer apena, mesmo que nao seja do modo que queremos, mas que elas nos traga algo bom e util, talvez apenas a sabedoria, que ja eh mais do que o necessario
    adorei
    beijos

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  7. muitoo boom, ainda mais quando se conhece a historia! Quando se tem certeza de que tais sentimentos são verdadeiros, vale e vale muiito apena esperar. :)

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