domingo, 5 de julho de 2009

Projeto de fuga - fugir para o mesmo lugar?

- Quer saber? Deixa rolar. Põe em baixo do tapete, balança as mãos e dá as costas. Para mim, chega. – eu disse e saí, sem medo algum de voltar atrás. Saí, sem medo de errar ao tentar consertar um erro que nem existia ainda. E saí, sem medo de me arrepender. Porque eu sabia, dessa vez eu sabia, que não teria volta – não naquele momento surreal em que eu despontei de mim e fui só mente.

(''No entanto, para dizer a verdade, hoje em dia a razão e o amor quase não andam mais juntos'').

E eu sabia, acima de tudo, que eu não me deixaria voltar, porque apesar de atingir com crueldade cada célula do meu corpo, era o que eu precisava fazer. Eu sabia que era o correto; às vezes, você só entende que está fazendo certo porque ser sensato trás a dor instantânea que os erros só nos causam com o passar do tempo.

(Mas eu sabia, de forma indiscutível, que eu estava perdendo o medo das coisas erradas).

- Certo, desista. Mas, veja bem: você pode desistir do que quiser, mas não pode pedir o mesmo dos outros. Tá no seu olhar, na forma com que você segurou as minhas mãos... Está na sua postura, no seu tom de voz... Você não nasceu para perder. Não porque você não tente, mas porque você não consegue. Mas se quiser arriscar, vá em frente; sofrer e viver são sempre escolhas nossas. - E me mandaram criar vergonha na cara, exatamente com essas palavras. Quem eu acho que eu sou para desistir de sonhos que não pertencem exclusivamente a mim? Eu posso desistir de tomar o café da manhã, de ver um filme na tevê aberta, de dormir a tarde toda... Mas eu não posso desistir da minha faculdade, dos meus projetos e, principalmente, eu não posso desistir das pessoas. Porque está todo mundo, todo mundo, acreditando em mim. E eu não posso decepcionar ninguém, não só porque isso machucaria os outros... Mas porque aí não seria eu.

(Posso. Sei. Desisto. Insisto. Prossigo. Invisto. Cansei. Acredito. Duvido).

Às vezes você engana. Mente, desmente, omite, corrompe, interpreta, reescreve, teima, acha. Mas você sente. Você sempre sente.

(''Culpa, a pobre mulher sente, e mais: sente medo. Nem sabe de quê, mas sente. Medo de não merecê-lo, medo de perdê-lo, medo do dia seguinte, medo das estatísticas, medo dos exemplos das outras mulheres (...) essa criatura feliz e apaixonada, é ao mesmo tempo infeliz e temerosa porque teve a sorte de ser premiada com aquilo que tanta gente busca e pouco encontra: o tal amor como se sonha'').

Eu sinto que eu escolho viver, com todas as implicações e complicações que isso pode me trazer.

(Você não vive para fazer sentido hoje. Você vive para poder ter um amanhã).

Nenhum comentário:

Postar um comentário