Ridícula essa minha mania de não viver, de acarretar objetivos, de pensar sempre em fazer depois. Essa não sou eu, não tem nada a ver com a minha essência de quem nunca se deixou abater, mesmo quando pensavam que eu tinha desistido. Eu sempre fui de surpreender, de sorrir quando o mundo achava que eu ia começar a chorar. Então, porque diabos eu me fechei na minha casca dura? Perdi a muito tempo a vontade de ver a realidade se transformar nas minhas mãos; perdi a alegria de me levantar todas as manhãs sorrindo simplesmente porque posso sorrir. E não, nada justifica: as perdas do que nunca tive, sonhar com vidas que não me pertencem, o momento de que nada me atrai... Meu Deus, em que estrada eu me perdi? Em qual de meus passos falhos eu deixei cair a minha determinação, o meu orgulho? Onde e porque eu desisti de tudo, larguei minhas conquistas e agora me afundei no meu maior estágio de tristeza; tristeza disfarçada, de quem a cada riso sente uma nova parte de ser coração ser quebrada em migalhas, pisada e jogada fora. Dói. Rasga. Desanima. Mas depois de tanta saudade, lágrimas e despedidas solitárias, descobri que preciso menos do que achava.
Um pouco de ar é suficiente, pra quem hoje já não tem mais nem um sorriso.
Um pouco de ar é suficiente, pra quem hoje já não tem mais nem um sorriso.
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