terça-feira, 22 de outubro de 2013

Amei Paris, mas não tanto assim

Onde Paris melhor fica: na imaginação.
Eu queria contar essa história há um bom tempo, mas sempre sentia que estava para cometer um ultraje. Tenho certeza que vocês já passaram por uma situação semelhante e que, por isso, vão me entender - muito embora eu ache que o meu caso tenha dimensões estratosféricas. Esse drama não é só porque eu amei “Anna e o Beijo Francês”, muito menos porque todo mundo diz que sua vida se divide nos momentos antes e depois de conhecer Paris... Era mais questão de encantamento personalíssimo, mesmo, mais uma dessas coisas que amamos sem motivo aparente, antes de sequer conhecê-las. 

Dito isso, quero deixar claro que amava Paris, muitíssimo mesmo. Amava suas luzes, suas pessoas e seus cafés à beira do Rio Sena. Muito antes de pisar na França, eu já me imaginava gastando infinitos euros em um jantar no topo da Torre Eiffel. Sonhos clichês, mas ao mesmo tempo tão meus, tirados da minha Paris imaginária, cheia de pessoas interessantes, com músicos e pintores pelas ruas. Paris sempre foi minha unanimidade. Quando meu namorado e eu decidimos viajar juntos, cada um poderia escolher duas cidades para visitarmos no tempo livre... Mas Paris? Ah, Paris foi nossa escolha conjunta, a única que não rendeu discussão. Afinal, quem não quer conhecer a Cidade-Luz? Quem optaria por não visitar Paris? 

Não é que eu tenha achado tudo uma perda de tempo – não cheguei a esse ponto de repulsa, ao menos. Não me arrependo de ter ido a Paris e aconselho a quem quer que seja: vá, explore e depois me diga se o problema está na cidade ou comigo, porque eu amei Paris, mas não tanto assim. Na verdade, o meu amor pela cidade diminuiu drasticamente, a ponto de ser só uma faísca do que antes era. Para espanto geral na nação, confesso que gostei muito mais das insignificantes Bruxelas e Edimburgo. Quem diria, uma moça que visita Paris com o namorado e não gosta. Como podem imaginar, o problema não foi a minha companhia, definitivamente. O problema foi Paris, que me atraiu com suas promessas brilhantes, mas me abandonou assim que eu cheguei. 

Cadê a porcaria do clima diferente? Cadê as luzes contagiantes? Cadê o romantismo da Cidade do Amor, peloamordeDeus? Nada de me receber de braços abertos; ao chegar a Paris, recebi um belo banho de água fria, assim que me deparei com aquelas estações de metrô infernais que não tem uma mísera placa em inglês. Francês é uma língua linda, indiscutivelmente, mas que espécie de 3ª cidade mais visita no mundo que é Paris, se está pouco se lixando para seus turistas? Essa dificuldade de comunicação se espalha pela cidade inteira e vai irritando dia após dia. Eu praticamente chorava de felicidade quando via algo escrito em inglês, porque isso significaria que ainda existia esperança de sobreviver naquele mundo, certo? Doce engano, doce engano. 

As placas podem até estar em inglês, mas os franceses se recusam terminantemente a usar a língua dos seus vizinhos, os britânicos – e tenho cá minhas suspeitas que isso tem raiz na birra que existe entre os dois. Cheguei ao cúmulo de ir até uma barraquinha de sorvete, que tinha uma placa em inglês, pedir uma água para a vendedora e esta me ignorar, enquanto me encarava com a maior cara de desprezo que eu já vi. Gente, como assim? Eu tive que pesquisar como era “água” em francês, sob o risco de morrer de sede. Há muito eu fui avisada que os europeus não são mesmo muito amistosos; porém, apesar de nada acolhedores, todos os europeus nos outros países sempre foram muito educados. Na França não existiu essa dádiva; todo mundo, além de reservado, foi extremamente grosso, a ponto de eu sentir várias vezes aquele soco imaginário direto no meio da minha cara. 

A única pessoa que foi gentil comigo em toda Paris foi um vendedor ambulante, que disse que eu era a cara da Juliana Paes – gentil, mas interesseiro, querendo me conquistar com elogios aleatórios. Fora este sujeito, só o que eu senti foi animosidade. Nos quesitos básicos, como língua e povo, Paris me perdeu logo de cara. Daí em diante, foi difícil não me revoltar com outros tantos defeitos: o preço absurdo da comida, o transporte público confuso e sucateado, a má conservação de vários pontos turísticos, o mau cheiro das pessoas (não, isso não é mito). O mais triste de tudo foi ver como os arredores dos pontos turísticos são áreas extremamente sujas; tem sempre muito lixo pelas ruas e os parques (tão perfeitos em Londres e Amsterdã) não têm sequer uma área limpa que nos permita deitar para curtir o sol. Foi frustrante ter que recolher bitucas de cigarro e rolhas de vinho, para que eu pudesse me sentar naquele gramado “lindo” em frente à Torre Eiffel. A verdade é que, se eu fosse enumerar os problemas que encontrei em Paris, as reclamações não se encerrariam por aqui. 

Para não dizer que não falei de flores, a área ao redor de Notre-Dame chega muito perto de como eu imaginei que fosse a cidade inteira: pessoas tocam pelas ruas, cafés estão lotados, árvores e flores por todo o lado, uma loja da Häagen-Dazs (imprescindível para o sucesso de uma cidade), a Pont Des Arts, macarons de faz chorar de tão bons... Enfim, tudo que me faria amar Paris como eu gostaria de ter amado. Talvez eu esteja sendo um pouco crítica, é verdade, mas atire a primeira bituca de cigarro quem não é exigente com algo que o mundo clama ser perfeito. Muitos desses problemas também atingem a minha cidade, mas, caramba, eu esperava de Paris um pouquinho mais do que eu vejo em São Luís, Maranhão, Brasil. Se eu quiser gente me tratando mal o tempo todo, eu simplesmente vou ao banco no dia 05 do mês, ao invés de pagar caro para ser mal atendida ou lindamente ignorada. 

A minha teoria é que Paris é muito fotogênica e, por isso, engana facilmente. É o mesmo caso da moça feia que só tem fotos lindas, mas que é decepcionante de se conhecer pessoalmente. Se vocês forem olhar as fotos que tirei de Paris, dirão que esse post é uma mentira, porque realmente não há uma foto que não seja bela. Tudo é uma grande ilusão, meus caros – foi essa a lição que Paris me deixou. E cá entre nós: sempre me disseram que apesar de querer muito ter uma alma francesa, eu sempre fui secretamente britânica, por gostos e birras - e isso não nego mais.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

TAG: Como eu leio

Estava com tanto tempo que eu não fazia um vídeo que, como vocês poderão perceber, eu obviamente desaprendi como que a coisa funciona - a única coisa que não é culpa minha é a travada que o vídeo dá bem no meio, porque a minha câmera achou que seria apropriado parar de filmar enquanto eu falava (e óbvio que eu não sei editar essas coisas para que fique um erro menos descarado). Fora isso, todas as palavras faladas erradas, todas as faltas de concordância, os 2 segundos parada olhando para o teto (e o vídeo todo sem olhar para um ponto físico), a voz irritante... Tudo isso é culpa minha mesmo.

Dito isso, espero que vocês tenham paciência para assistir o vídeo (como que a gente consegue falar tanto e nem se dá conta que já se passou tanto tempo?). Quem me indicou foi a Anna e eu realmente gostei dessa TAG - não tinha parado ainda para pensar o quanto minha situação financeira anda crítica por causa de gastos com livros, por exemplo. E as minhas indicações são: Milena, Tary, Couth, Larie e Bia. E meninas, aviso logo: não aceito desculpas. No mais, quem quiser fazer, sinta-se livre - só me avisa depois nos comentários, para eu poder assistir também!


ps.: a qualidade do vídeo também não é essa coca-cola toda, já que se eu for postar com uma qualidade bacana vou passar uma semana inteira upando o vídeo no YouTube. Vocês entendem o drama, aposto.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Versos antigos de um sentimento morto


Hoje te vi atravessando a rua e não gritei teu nome, não forcei os olhos para te enxergar melhor, não acompanhei teus passos quando você saiu do meu campo de visão. Seria isso te deixar ir? Depois de todas as despedidas mal sucedidas, das tentativas em vão de apagar seu número da minha agenda telefônica, depois de ser clichê até não ser mais nada além de uma personagem simples e vulgar... Será o fim algo banal como um caminhar cotidiano, veloz como o seu transpassar de pernas? Não achei que fosse ser plateia do fim quando ele chegasse, mas para contragosto do meu orgulho eu estou aqui, de mãos atadas e coração idem, engolindo a seco o ardor da despedida sem me manifestar... Sem reticências. 

Ridículo como, por muito tempo, eu fiz sala ao fim, o convidei inúmeras vezes para uma visita, deixei a porta aberta, estendi tapete vermelho, comprei-lhe rosas. Quando chegou, porém, fui incapaz de sequer estender-lhe a mão, de dizer "demorou, mas (en)fim"; fui incapaz de deixar claro que o fim, para mim, era mais definitivo que o começo. Quando o fim chegou, foi mesmo como um último dia de carnaval: um porre de doer a alma e uma lembrança de dias que parece que nem existiram. Quando o fim chegou e foi embora com você, o lapso de um milésimo de segundo entre a partida e um novo começo foi o mesmo que meu piscar de olhos; se eu não estivesse atenta, se eu não soubesse que em breve ele fosse chegar, se eu estive esperando mais um capítulo dessa história que só por utopia iria se estender infinitamente... Se o fim não fosse tão previsível como sempre defendi que o é, ele partido sem que eu o tivesse visto. 

Eu sei que sempre nos falta atenção. Sei que muitos de nós carregam nas costas "histórias mal resolvidas" como se essas se estendessem infinitamente pela memória; a verdade é que essas não passam de um fim não visto, de um encerramento tão brevemente substituído por um novo começo que foi impossível de notar. Não, não existe qualquer lapso temporal entre o fim e um novo começo. É tudo imediato, quase inconcluso, um tanto desorganizado. Se você é do tipo que diz piscar os olhos para não admitir que fechou-os a verdade, como eu, muito dificilmente vai ver o novo começo, que vem de carona com o velho fim. E depois nos queixamos que não sabemos por onde "começar" - nós, que dormimos no ponto, perdemos a linha, nos atrasamos na caminhada. 

Nós, que sempre teimosos achamos que a vida tem um botão de pause, que nunca aprendemos que o tempo de um suspiro já nos rende um atraso na nova história que se inicia com presa, com sede, desesperadamente fugindo do seu fim que vem logo atrás. Sei que fugimos do fim como se. 

Ps.: Achei esse texto, escrito em outubro do ano passado, no fundo de uma gaveta velha e pensei que ele não deveria ser esquecido – nunca fui boa em menosprezar e ignorar sentimentos, por mais antigos e ultrapassados que eles sejam. É incrível como eu sou eu a qualquer tempo. 

Ps².: Eu deveria, mas não vou declarar que o blog está morto ou que as palavras não me servem mais – elas sempre vão me servir. Acontece que, ultimamente, o silêncio tem sido uma companhia mais agradável. Quem sabe um dia, “por descuido ou poesia”, eu não volte a aparecer?