sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A cada despedida, um recomeço

Hoje – só por hoje – eu abro mão de você como quem sorri para a solidão; abraço esse espírito de amores efêmeros para que as dores também o sejam e espero sentada à varanda que a noite não me traia e que os sonhos continuem a vir. Porque felicidade não se resume só aos momentos em que você é feliz. Porque paixão nenhuma existe apenas enquanto durar. Porque a minha espera sempre vai ser maior que qualquer destemperança que vier. Porque nós sempre vamos viver esse ciclo de quem não sabe fazer uma busca mais sincera dentro de si e então conserva as mesmas palavras de antes, um grito calado de desespero que sempre acaba em algo como: e se tentássemos mais uma vez?



'' (...) já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloquentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicídio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituímos expressões fatais como 'não resistirei' por outras mais mansas, como 'sei que vai passar'''.

[15 anos sem] Caio Fernando Abreu.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Hoje e sempre




Queria te desenhar mil borboletas para que elas te ensinassem a voar. Queria te dar fórmulas prontas de como ser feliz para sempre, pulando todas as etapas de dor que apertam o seu coração. Queria te embrulhar em papel florido toda a felicidade do mundo e dividir todas as suas perdas em doses homeopáticas. Queria deixar o mundo mais fácil para você, pequena, mas tudo o que eu consegui foi cantar uma canção no dia em que o sol está mais brilhante porque hoje ele nasceu para iluminar você.
Noites dividindo aflições em comum, uma implicância mútua que chega a ser cômica e pouco tempo pra perceber o quanto nossa essência pode ser a mesma - amizade não é só questão de oportunidade, mas é estar no lugar certo, na hora certa, com a pessoa certa e saber perceber isso. Ainda bem que eu encontrei você, pequena, que desde então tem me ensinado a ser muito mais do que eu achei que fosse capaz.
O que eu desejo a você ainda não tem nome – algo como a mistura de toda a bondade possível e alguns desafios, para que você jamais se perca da pessoa forte que é.
Um forte abraço, um beijo enorme e toda a felicidade do mundo.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Estupidamente livre



Querido Caio,

Os dias têm sido longos, se arrastado. A dor que me doía mais já parece não doer tanto e a mudança de foco tem se tornado constante. Isso tem me deixado confusa – é como se eu não tivesse mais sequer o direito de sofrer o quanto posso, de me afundar nas belas doses de conhaque tarde da noite e não sentir culpa alguma. Porque é bom, e você sabe. Aliás, todos acham bom, mas como ninguém faz, eu sinto esse cargo em admitir minha perdição. Entre a culpa e a dor, eu preferi não sentir nada – repetia sem parar.
Algo assim, se é que dá para entender. As minhas buscas ficaram boiando nesse mar de dúvidas, onde eu não sei se mergulho de vez ou se fico aqui, só admirando a paisagem. O bonito, afinal, foi ficando tão pouco subjetivo que não sei mais nem do que gosto – não sei sequer se isso valeria de algo. O agradável é o que todos acham e ponto; não serei eu, que nem ainda fui descoberta pelo mundo, que irei contrair a ditadura de opiniões. Sei que vai me repudiar por isso, mas, meu caro, se você tinha medo de sentir coragem, eu tenho a coragem de sentir medo. E não acho que isso me faça pior, não; só me faz diferente nesse mundo onde todo mundo deseja ser igual a todo mundo.
Não estou aqui para criticar minhas decepções com a humanidade, não é isso – até porque nunca esperei nada de admirável da mesma. Aliás, não tenho me surpreendido com nada, ultimamente. Diferente do que sempre se espera, minha alma foi contagiada por uma procrastinação e anda tão lacônica que chega a ser inacreditável. Ando com preguiça de ter sentimentos exacerbados – de sofrer demais, amar demais, lutar demais. Ando sendo um pouco “de menos”, onde já se viu, e sem inquietação alguma.
Se eu sinto vergonha? Não é bem essa a palavra. É mais algo como libertinagem de espírito. Talvez eu só esteja tendo, pela primeira vez na vida, aquilo que as pessoas chamam de paz – e estou confundindo, estupidamente, com essa frieza que, na verdade, nada passa além de um não-sofrer. Acho que você me entederia, sabe? Assim como eu, você sempre sofreu mais que o necessário. Mas até nós sempre soubemos a hora de parar.

Sinto saudades suas, mesmo sem ter te conhecido.

Beijos na alma,
Para sempre tua.