Hoje – só por hoje – eu abro mão de você como quem sorri para a solidão; abraço esse espírito de amores efêmeros para que as dores também o sejam e espero sentada à varanda que a noite não me traia e que os sonhos continuem a vir. Porque felicidade não se resume só aos momentos em que você é feliz. Porque paixão nenhuma existe apenas enquanto durar. Porque a minha espera sempre vai ser maior que qualquer destemperança que vier. Porque nós sempre vamos viver esse ciclo de quem não sabe fazer uma busca mais sincera dentro de si e então conserva as mesmas palavras de antes, um grito calado de desespero que sempre acaba em algo como: e se tentássemos mais uma vez?

'' (...) já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloquentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicídio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituímos expressões fatais como 'não resistirei' por outras mais mansas, como 'sei que vai passar'''.
[15 anos sem] Caio Fernando Abreu.

